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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Três crianças e um Toni

Acabei de dar uma limpeza à casa, sentei-me no sofá para ver o resto do Porto contra o Braga e quando ainda me estava a ajeitar comecei a sentir que estava a ser vigiado. Havia uma festa de anos no condomínio e havia crianças a brincar no jardim. Estando eu no rés-do-chão era o alvo perfeito.

Comecei por tentar assustá-las, até pus a gola que trouxe do Rock in Rio na cabeça, mas elas acabavam sempre por voltar. Depois de algumas correrias o rapaz do grupo apresentou-se e muito educadamente perguntou se podia entrar. Eu, que sou um bocado toni, disse que sim e ele mais as duas miúdas entraram para conhecer o espaço. Num piscar de olhos já tinha as crianças de volta da fruteira, a fazerem desenhos e a atirarem-se para a cama.

Todas a fruta que tinha acabou por passar pelas mãos das crianças. Uma até começou por roer uma maçã mas acabou por se fartar. A minha cama serviu como sítio de repouso, trampolim e até como esconderijo. Adoravam quando eu as arrastava de debaixo da cama. O meu bloco de notas e os meus post-its foram escolhidos para exprimirem toda a criatividade nelas contida. Ganhei retratos bastante realistas da minha pessoa, desenhos de caracóis, tartarugas e de um pum. Ensinei uma das miúdas a escrever o meu nome.

Ainda apareceu outro rapaz, bastante mais calmo, que também entrou na minha casa e fez um desenho mas rapidamente percebeu que aquele caos não era para ele e voltou para a festa. Já tinha terra e bolas do Oscar dentro da minha casa mas felizmente o cão não entrou. As raparigas trouxeram-me flores. O rapaz perguntou se eu tinha amigos. Uma das miúdas pendurou-se em mim a dizer que era uma macaca.

Depois de muitos desenhos, correrias e arrastos a hora do recreio começou a dar sinais de estar a terminar. O rapaz começou a perder o gás, uma das raparigas mostrou-me a sua coleção de caracóis e queria que eu fosse com ela para a festa e a outra, que ainda há pouco dizia que era uma macaca, foi ter com os adultos e trouxe-me um bolinho.  

Iam começar os penalties e eu estava finalmente sozinho até que apareceu o filho do meu vizinho que já é um habitué das invasões à minha casa. Pediu-me cromos e sentou-se para ver quem é que levava a taça.

Acabei por quase não ver o jogo, a casa deixou de ficar limpa, precisei de um escadote para ir buscar a gola e ganhei uma nova alcunha. Tenho post-its a dizerem "Titú".

 

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Born to festivalar

Dia de Bruce Springsteen no Rock in Rio. Antes de me deslocar ao recinto fiz o aquecimento em casa com músicas do Boss em alto e bom som até ao momento que aparece o filho do meu vizinho que põe Agir a tocar e crava-me uma ida à papelaria para comprar carteiras do Euro.

Fui cedo mas acabei por estacionar o carro tão longe que até se podia realizar uma caminhada do meu carro ao recinto com entregas de água a meio caminho e oferta de uma t-shirt por apenas oito euros.

Pode-se passar um dia inteiro no Rock in Rio e não ver um único concerto. Há filas consideráveis para dar uma volta na roda, pintar a cara de verde ou levar o sofá insuflável que tanto precisas. As filas deviam ser enormes para andar nos aviões que sobrevoavam o recinto.

Instalámo-nos perto da torre do slide para ver os concertos, o que dava direito a toda uma emoção. A qualquer momento podia levar com a corda ou até ser atingido com um sapato de um tipo que tenha lá ficado pendurado. Podia também agarrar a corda e tentar voar um bocadinho.

O Bruce começou a tocar e o público entrou em delírio. O homem tem energia para dar e vender e é sempre bom ver o Silvio dos Sopranos e o antigo baterista do Conan O´Brien. O concerto teve duas horas e meia e eu não conhecendo toda a discografia do senhor por vezes olhava para o relógio. Acabei por colocar uma gola da Samsung na testa para entrar no espirito da coisa. Havia quem tirasse uma foto com um rapaz das cervejas.

Circulavam rumores que Adele estava no recinto e que iria subir ao palco. Estava presente mas felizmente acabou por não subir. Ela até seria capaz de tornar deprimente o “Glory Days”. Havia quem me perguntasse se eu sabia onde tinha deixado o carro. Tinha a perfeita noção que ele se encontrava em Lisboa.

Fui para casa sem o sofá nem com a cara pintada de verde mas ganhei uma dor de costas e diarreia por ter comido uma pita.

                  

                 

                                  

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Corredor de lama

Um final de sábado bem passado é a correr vinte quilómetros de sobe e desce em asfalto, terra batida, riachos, calhaus e lama da boa.

Antes do arranque havia um tipo, contratado ou não pela organização, a deslizar num poste. Os atletas que estavam ao meu lado falavam da última jornada de futebol e até do Benfica B que não desceu de divisão. Um tiro, que espero que não tenha acertado no tipo do poste, deu início à corrida.

Correr, correr foi só até à altura em que o caminho começou a estreitar e a subir. A lama começou a dar sinais e poças consideráveis fizeram o pelotão abrandar. A malta vem para fazer trail mas não quer aparecer suja nas fotos.

Se lama fizer mesmo bem à pele então vou ficar para sempre com pernas de bebé. Duas escorregadelas fizeram-me desejar não ter sido forreta na altura em que comprei os ténis na Decathlon. Ao fundo comecei a ouvir música e pensei que afinal correr vinte quilómetros era para meninos mas era só rancho folclórico a animar o pessoal, ainda faltava muito para o fim.

Em vez das normais entregas de água pelo percurso havia também Coca-Cola, Red Bull, bananas, laranjas e bolos. Por momentos pensei em parar, estender a toalha e fazer um piquenique.

A noite começou a chegar e foi altura de acender os frontais. Mais uma vez arrependi-me de ter sido forreta e comprado uma luz fraquita. Há quem vá a Fátima para a Procissão das Velas e há quem vá correr vinte quilómetros com uma luz na tola. O efeito é mais ou menos o mesmo. Havia quem simpaticamente avisava que era para virar à direita porque para e esquerda era um precipício.

Cheguei ao fim duas horas e meia depois. Foi um tempo pouco brilhante, como a minha luz, mas fiquei com vontade de para o ano repetir. Comi tudo o que havia para comer na chegada e fui para casa deixar a lama porque o banho por lá só de água fria e um toni tem limites de masoquismo.

 

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Para o ano é que é

Esta época o Sporting jogou muito e bom futebol e fez-me acreditar, o que há muito não acontecia, que no domingo estaria numa rotunda desta vida algo embriagado, em tronco nu e com o cabelo verde e branco a comemorar, mas infelizmente não estive. Acabei por ficar à espera que as rotundas ficassem desocupadas para poder rumar a casa e ouvir música clássica.

O dia seguinte tinha tudo para ser complicado. Logo pela manhã estranhei o sossego no jardim. O Oscar só apareceu já depois do meio-dia muito pastelão, mal conseguindo abocanhar as bolas pretendidas. O raio do cão deve ter estado no Marquês.

No meu posto de trabalho tinha um cachecol do Benfica à minha espera. Ia ser um turno longo. O meu trabalho é ver notícias por isso não tinha como escapar à maré vermelha. Sempre que podia, saía do meu local para me hidratar ou simplesmente para dar uma volta mas acabava sempre por encontrar nos corredores um benfiquista para dar os parabéns.

O tempo passava vagarosamente e de tanto ouvir as palavras “Benfica”, “tricampeonato” e o número 35, fiquei com comichões e tonturas. Comi uma fatia de bolo de uma aniversariante que não conhecia só para dar forças para o resto do turno.

Mas nem tudo foi mau. Fiquei a saber que o filho do meu vizinho, a quem eu tinha prometido uma caixa completa com cromos do Euro 2016 se o Sporting fosse campeão, foi para o estádio da Luz a desejar que o Sporting fosse campeão. Para o ano é que é.

 

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Guerra dos Turnos

António da Casa Neves, mais conhecido por “O Trabalhador por Turnos”, não sabe muito bem que dia da semana é mas tem a perfeita noção que pela frente há mais um turno por completar e levando no cantil o seu precioso néctar, o café, para conseguir superar o dia, segue no seu fiel Volks até ao Castelo das Vidas Complicadas.

Chegado ao seu posto repara que já existe outro bravo cavaleiro no seu lugar. Depois de uma breve discussão chega-se à conclusão que o corvo que levara a última alteração de horário não tinha chegado e que destino de “O Trabalhador por Turnos” era mesmo o de ficar.

O Inverno está a chegar e o café a acabar mas o turno ainda está longe de terminar. Pela frente Neves ainda tem a dura batalha da troca de horário. António da Casa Neves foi convidado para um banquete no Castelo dos Tonis mas está de serviço nessa altura e por isso tentará negociar com Arnaldo da Casa Aragão a mudança do turno. Depois de intensas negociações que envolveram uma cota de malha por estrear, um javali no espeto e um kit básico de torturas, Arnaldo acabou por ceder à troca.

O turno já estava a terminar e nem sinal do seu substituto, mas um frio dos diabos chegou e o casaco de pele de urso tinha ficado em casa. Muitas nuvens depois do previsto chegou o substituto, alegando que o seu cavalo era novo e que não sabia bem o caminho. Tresandava a álcool.

 

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A minha primeira embalagem de Voltaren

Na semana passada quando estava prestes a fazer um golo daqueles de fazer levantar a plateia, se houvesse alguma, e que se tornaria viral, se houvesse alguém a filmar, quando tiram-me a bola e o remate acertou com toda a força no chão e no pé do jogador. A dor foi alguma mas continuei o jogo sem grandes queixas.

No dia seguinte fiquei com um andar estranho mas com o passar do tempo a dor foi desaparecendo, já mal a sentia quando chutava a bola para alegria do Oscar. O pior foi o jogo da semana seguinte. Depois de alguns remates com força a dor apareceu para arreliar e achei por bem ir para a baliza e ser um Patrício desta vida.

Sempre achei que era um Toni de Borracha, saía dos jogos de futebol algo esfolado e por vezes tinha que por gelo mas mazelas acabavam por durar pouco tempo, mas afinal as borrachas também quebram. Homem que é homem aguenta a dor mas deixei o orgulho em casa e fui à farmácia comprar uma embalagem de Voltaren.

Já tinha usado Voltaren no passado quando tive torcicolos e outras dorezitas mas foram situações pontuais, nunca tinha precisado de comprar para ter em casa. Adquiri uma pomada pequena e estive prestes a arrancar a cena que sela a bisnaga à dentada até que percebi que há um truque com a tampa para a remover. Não sabia bem se devia colocar muito ou pouca no sítio mal tratado e depois de deixar uma quantidade que achei ideal esfreguei com a força que achei necessária mas tendo a noção que daqui a oito horas estaria a fazer o mesmo.

Estou ansioso por começar a partilhar conversas com as pessoas mais idosas sobre as dores localizadas e sobre o bem que a pomada faz. Mesmo com o pé dorido ainda fui dar uma corridita porque Homem que é Homem não tem dores.

 

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32 e é complicado

Isto de a idade aumentar conforme o passar dos anos devia deixar de ser obrigatório. Já tenho cabelos e barba branca que comprovam que já não vou para novo, era desnecessário ter um número associado à minha pessoa.

Nunca fui fã de acordar cedo, não sei bem a que horas nasci mas de certeza que foi da parte da tarde, mas no dia que supostamente é meu às seis da matina já estava a trabalhar. Passei a manhã a receber abraços dos colegas, a fazer likes às mensagens deixadas no facebook e a atender chamadas das pessoas mais antigas.

O dia era meu mas a minha avó pediu netos. Respondi a todas as mensagens deixadas ao Tó, Toni, Neves e a outras variantes menos utilizadas do meu nome mas a parte dos netos vai ser mais complicada.

No meu dia a princesa Charlotte fez um ano, o Leicester conseguiu o que era considerado impossível e sagrou-se campeão da Liga Inglesa de futebol e um toni destas redes sociais revelou o final do último episódio do Game of Thrones e eu ainda não o tinha visto.   

 

 

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O Fantasma do T0

Sempre que se fala em casas assombradas são sempre grandes casarões com divisões que nunca mais acabam mas eu posso muito bem ter descoberto o primeiro T0 assombrado.

Num pequeno espaço de tempo, tão pequeno como a casa, o meu exaustor deixou de trabalhar, a minha televisão começou a desligar-se e a ligar-se sozinha e o meu telemóvel quando começa a ficar com pouca bateria começa a trabalhar sozinho.  

Tudo isto pode ter uma explicação dita normal: o exaustor deixou de exercer funções devido à acumulação de gordura (devia ter lavado mais vezes os filtros), a televisão pode só agora estar a manifestar um sintoma que vários utilizadores da mesma se têm queixado pela internet e o telemóvel estar simplesmente a portar-se como o aparelho barato que é mas a teoria do fantasma também pode ter algum fundamento.

Pode ser um fantasma humilde que nunca necessitou de um grande espaço para assombrar, que detestava o barulho do exaustor a trabalhar, que sempre que estou a ver algo na televisão que não lhe interessa decide mostrar o seu descontentamento e quer consultar as últimas do facebook no telemóvel mas falta-lhe o touch.

Vai ser o fantasma Serafim e quando eu conseguir gravar e colocar no youtube o vídeo da minha torradeira a fazer um mortal irá se tornar mais famoso que o Gasparzinho e passará a assombrar um T2 no Mucifal.

 

                                           

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Linha de Sintra Vs Linha de Oeiras

Nascido e criado na linha de Sintra fui viver há uns anitos para o concelho de Oeiras e por lá tenho andado até que surgiu recentemente uma oportunidade para regressar à minha terra.

Se regressar às origens sempre estou mais perto da família correndo assim o risco de passar lá a maior parte do tempo para pôr a impressora a funcionar, resolver os problemas de falta de internet ou a explicar o porquê do browser estar com as letras muito pequenas. Onde vivo é o maçador do meu vizinho/senhorio que me chateia com isso.

Por cá posso fazer as minhas corridas à beira mar enquanto na minha terra elas seriam entre prédios para tentar não ser assaltado, o que até seria um bom incentivo e uma ótima oportunidade para bater recordes.

Na esplanada deixaria de ouvir falar francês, conversas sobre golf ou os dramas das empregadas que não fazem tudo o que pedem para passar a ouvir crioulo, conversas sobre a bola e os suspiros por nunca mais sair o euromilhões.

Na linha de Sintra o tempo é sempre mais nublado e ventoso, teria que trancar e retrancar a porta de casa e a possibilidade de ouvir kizomba em alto e bom som de um carro parado é bastante grande. Na linha de Oeiras já me assaltaram o carro só para roubarem o distribuidor.

Deixaria de ter um jardim para atirar a bola ao Oscar e as visitas da Boneca para passar a viver num andar de um prédio com a ocasional visita de um pombo. Seria o pombo Albano e iria usar uma fita verde e branca.

Sair ou não sair, eis a questão.

 

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Quero dedicar este impeachment a....

Ia eu começar a por as séries em dia quando vejo pelas redes sociais várias comentários à votação do impeachment e tive que ver pelos meus próprios olhos. Lá descobri onde fica a TV Record e já não consegui mudar de canal.

Há quem dedique o voto a todos e mais alguns. Aos filhos, à mulher, aos tios e sem ter visto desde o início acredito perfeitamente que alguém tenha dedicado o voto ao seu animal de estimação. Houve quem interrompeu um discurso só para dizer que se tinha esquecido da dedicatória ao filho. Acredito que ninguém tenha agradecido à sua amante.

Telemóveis estão ao alto em modo gravação para os deputados no final poderem ver e rever o seu grande momento de fama e partilharem nas redes sociais. Não vi nenhum a tirar uma selfie mas não deve faltar muito para tal acontecer. Existem um grande numero de bandeiras no recinto por isso quem esteve a vendê-las à entrada já ganhou. Devia haver música, como nos Óscares, para interromper os discursos intermináveis.

Não consegui ver até ao fim mas a vitória não deve fugir ao Sim. É o futuro de um país que está em jogo mas não parece.