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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Estás mais magro

Nunca fui gordo. Quando nasci até tinha bochechas mas com o tempo elas foram desaparecendo. Quando me dizem que estou mais magro torna-se preocupante.

Tenho todo o respeito pelas pessoas com excesso de peso que tentam a todo o custo o perder mas ser magrinho também não é nada fácil. Lingrinhas, cabide andante e radiografia são alguns dos nomes com que “carinhosamente” me tratam.

Costumo dizer que o Verão está a chegar por isso preciso de engordar mas quando chega a estação do calor, eu continuo na mesma. Muitos afirmavam que quando chegasse aos trinta é que ia começar a ganhar peso mas a balança nem notou a diferença. Bem que posso almoçar e jantar em restaurantes com buffet, lanchar e cear no McDonald’s e no final do dia devorar 950 ml de gelado do Pingo Doce que na manhã seguinte continuo levezinho.

Enquanto escrevo este texto vou devorando bolachas com altos valores calóricos porque a esperança é a última a engordar e eu não quer ser a esperança.

Os dias do fim

Se há pouco mais de dois anos alguém anunciasse que o Trump seria candidato republicano à Casa Branca, o Lopetegui seria selecionador espanhol, o aeroporto da Madeira iria se chamar Cristiano Ronaldo e que os Pokémons invadiriam o mundo, ninguém iria acreditar.

Trump, que antes aparecia na televisão para despedir pessoas, quer restringir a imigração e construir um muro ao longo de toda a fronteira do México. Resta saber se serão os americanos ou os próprios mexicanos a construir. O pequeno bigode do Hitler é agora representado por um farto cabelo alaranjado. Alguém que apanhe o Trump numa pokébola que já lá tenha dentro uma banda mariachi e que nunca o liberte.

O Ronaldo é um dos melhores de sempre, isso não há dúvidas, agora era escusado o aeroporto da Madeira se chamar Cristiano Ronaldo. Ele já tem um museu, uma estátua e a mãe a vender bananas, não precisava de mais esta homenagem. Mas já que insistem, a experiência de permanecer no aeroporto Cristiano Ronaldo ficaria completa se todos os funcionários vestissem a marca CR7, as músicas da Kátia tocariam em todo o recinto, o depósito das bagagens receberia o nome “Dolores Aveiro” e a alfândega seria controlada pelo amigo marroquino.

Com tantos acontecimentos estranhos a surgirem, não é preciso ser nenhum Nostradamus para perceber que o fim está próximo.

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Soltem os Pokémons

A febre de Pokémon Go chegou e veio parar ficar. Miúdos e graúdos andam de telemóvel em riste para apanhar as mais diferentes variedades de Pokémons, mesmo que para isso seja necessário invadir propriedades privadas ou dar um passo em frente num precipício. Se conduzir, não jogue, alerta a PSP e nos OLXs desta vida já existem anúncios de pessoas que disponibilizam as suas viaturas para a procura de Pokémons, uma espécie de Ubermons. Pelo menos três corpos já foram encontrados mundo fora, na busca dos bonecos. Pode ser que seja desta que finalmente encontrem a Maddie.

Mas no meio de toda esta loucura alguém já pensou no bem-estar dos Pokémons? Será que as Pokébolas têm condições necessárias para a sobrevivência deles? Não deve faltar muito para a CMTV dar um testemunho, com a voz distorcida, de um Pikachu maltratado, que prefere não mostrar a cara. Estranho como é que ainda nenhuma associação protetora de animais saiu em defesa dos Pokémons.

Giro, giro era uma aplicação que servisse para apanhar todos os tonis deste mundo para nunca mais os libertar. Era capturar todos os tonis que circulam na faixa do meio a 40kms por hora, os que conseguem a proeza de estacionar e ocupar dois lugares e os que estão sempre a dizer “top”, ”brutal” e os que “dão tudo” quando nem é preciso dar metade. A aplicação Toni Go fazia todo o sentido.

 

 

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À procura de um pinheiro num pinhal

Não há nada como acordar cedo e fazer catorze quilómetros em busca de recipientes de plástico no meio de nenhures. De telemóvel em punho, com internet e gps ativos, seguimos à procura das caches para lá podermos registar a nossa passagem. Dizer várias vezes a palavra “cache” não faz com que elas apareçam.

Existem pistas associadas às caches para facilitar a descoberta. Arbusto, poste, buraco e pinheiro eram as dicas mais populares, que não são propiamente grande ajuda visto que grande parte do percurso era passado num pinhal. Os criadores das caches deviam ter pedido ajuda aos criativos da Policia Judiciaria que dão o nome às operações para ajudarem nas pistas.

Almoçámos num parque que tinha máquinas de exercício ao ar livre. Depois dos quilómetros que fizemos, não era propriamente entusiasmante utilizar alguma delas. Claro que eu tive que experimentar todas.Lembrei-me da música “ Encaixa Baby Encaixa” da Ana Malhoa.  

Há caches em zonas residenciais e como tal existe uma linha ténue que separa o simples procurar de uma caixa e a invasão de propriedade. Também é chato subir um sinal de trânsito com pessoas a verem. Havia uma cache de nome Era e eu perguntei se ficava no sítio onde se vendiam casas. Como não era a minha primeira “piada” do dia, disseram-me que eu parecia o urso dos Marretas. Sou um incompreendido. Havia tabuletas a informar que Paulo Bento vendia casas naquela zona.   

Acabei o percurso com a sensação de dever comprido: encontrei um número considerável de caches, ganhei um bronze localizado e urinei ao ar livre.

 

 

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Toni Alive

Dia de ir ao Alive. Cheguei na altura em que o Agir estava prestes a entrar em palco. Senti alguma curiosidade em ver o tipo de pescoço partido mas rapidamente a perdi mal ele começou a cantar. Fui dar uma volta pelo recinto.

Havia pessoas a circular vestidas de acordo com personagens do Esquadrão Suicida, vestidas à Super Mario, como nadadores salvadores do Baywatch e como patinhos de borracha amarelos. Resta saber se eram pagos para o efeito ou se acordaram e acharam boa ideia naquele dia ser patos. Crianças dançavam descontroladamente no estaminé da Control. A mensagem que queriam passar devia algo do género “Se não usarem preservativo é isto que vos espera”.

No palco da cerveja os Calexico estavam em grande. Uma miúda aproveitou o concerto para retocar a maquilhagem. Se estivesse no palco principal sabia que era linda sem makeup.

Band of Horses no palco principal. Um senhor com um bloco de notas ia fazendo uns apontamentos. Ou tinha que elaborar uma crónica do concerto ou então não tinha bateria no telemóvel para fotografar ou filmar e por isso ia descrevendo os momentos no bloco para mais tarde recordar.  Há quem descubra que é giro iluminar os copos com cervejas colocando o telemóvel debaixo. Existe sempre quem tente encontrar pessoas no meio da multidão. Acendem a lanterna do telemóvel e dizem que estão de mão no ar entre uma e outra pessoa. É sempre complicado.

A missa dos Arcade Fire começa e jovens ingleses partilham vinho branco de pacote. Houve cabeçudos no palco e foram disparados confettis para o público. Tentei, sem resultado, apanhar alguns para levar para casa. O M83 mexeu nos botões que tinha a mexer, foi buscar uma máscara e deixou as miúdas cantar por ele. Acabei o dia sem um chapéu da NOS e sem a cara pintada de verde.

 

 

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Éder Resolve

Há uns tempos tinha criado a hashtag #DeixemJogaroÉder. Escrevi aqui que o Éder ia ser a arma secreta no domingo. Comentei que a nossa seleção ia ser a Grécia de 2004. Já tinha dito e escrito muita coisa mas era quase tudo galhofa, principalmente a parte do Éder.

O jogo começou e uma camada de nervos começou a se apoderar de mim. Senti nervos que não me lembrava de os ter. A França estava com mais bola e antes da meia hora de jogo o Ronaldo lesionou-se. Uma traça foi tentar consolar o Ronaldo, ela sabia que tudo ia correr bem. Os franceses foram uns brutos.

 São Patrício foi enorme, maior que a torre Eiffel e intransponível. O Pepe reinava na nossa área. O Éder entra em campo e crio a hastag #ÉderResolve. Tivemos direito ao prolongamento a que estamos tão bem habituados.

Ao minuto 109, Éder com um pontapé de fora da área dá-nos o título de Campeões Europeus. Se alguma vez tiver dois rapazes, o segundo irá se chamar Éder por que o primeiro já prometi que será Rui Slimani Montero. Terça vou jogar no euromilhões e desta vez vou escolher os números e não deixar a máquina o fazer.

Portugal foi a clarividência de Fernando Santos, o sofrimento do Ronaldo, a segurança do Patrício, a pena do Quaresma, as rastas do Renato, a estrela do Nani, o bigode do William, a altura do Moutinho, a Fonte do José, O Adrien que é Silva e o Cédric que é Soares, os sotaques do Pepe e do Raphael, o talento do Éder e a traça. Somos Campeões Europeus e o resto que se….

 

 

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Nous vamos à Paris

Dia de Portugal x País de Gales. O Messi é condenado a 21 meses de prisão mas finta a cadeia, começam a circular piadas duvidosas acerca de Gales/galos e os inquéritos do costume aos adeptos acerca do resultado de logo. Como se alguém que esteja de cachecol e bandeira de Portugal na cabeça vá dizer que a nossa seleção vai perder com um autogolo do Ronaldo. Tentei tornar popular a hashtag  #DeixemJogarOÉder mas não tive grandes resultados.

Os jogos da seleção são aquela altura em que as pessoas que não costumam ver futebol, param em frente à televisão e tentam perceber quem são eles e o que fazem ali.  O jogo começou e em pouco tempo o Bale era o Pitó, que ao que parece é o penteado que ele usa em jogo. O guarda-redes galês chamasse Hennessey que dito rápido e à português soa a “Eu não sei” que muito bem podia ser o nome de uma música dos D.A.M.A. O Renato Sanches às vezes era o Ruben.

Ao intervalo o empate a que nós tão bem estamos habituados. A primeira pizza foi ao lume e a segunda só ia na altura do prolongamento. O jogo recomeça e ao minuto cinquenta, Ronaldo nas alturas inaugura o marcador. Pouco tempo depois, Nani faz o segundo. Depois dos festejos a estranheza. Dois golos assim de seguida, queres ver que ainda ganhamos isto sem ir a prolongamento? Ainda falta muito jogo, ainda podemos empatar. O árbitro apita e quando vai buscar o spray para assinalar o local da falta há quem pense que o spray era para ajudar a recuperar o jogador que sofreu a cacetada.

O jogo chegou ao fim e acabamos mesmo por ganhar nos noventa minutos. Acabou o sonho de ganhar um Europeu só com empates. Um vazio acabou por se instalar. Ainda nem dez da noite eram e o jogo já tinha acabado. Estamos na final. As lágrimas do Quaresma afinal são de alegria. O Éder não entrou em campo mas será a arma secreta no domingo. Fernando Santos disse no dia 19 do mês passado que a seleção só ia para casa no dia 11 e acertou. Quando acabar a sua carreira com treinador irá ser o primeiro Engenheiro a lançar cartas de tarot num programa das manhãs. Acabámos a noite a tirar selfies de cachechol e com dois porquinhos-da-Índia.     

 

 

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Contra os canhões empatar,empatar!

A Polónia, terra de Chopin, Marie Curie e Lewandowski, era o próximo adversário a abater. Tinha jogo de futebol às dez da noite mas disse logo que não porque já calculava que o jogo ia ultrapassar os noventa minutos.

Começámos com o pé esquerdo, expressão algo discriminatório para os canhotos, com o golo do Lewandowski mas ao minuto trinta e três o jovem deus Renato Sanches colocou o marcador num resultado que a seleção portuguesa já está mais acostumada. Claro que o marcador não mais se alterou durante os noventa minutos e fomos a prolongamento.

Durante o prolongamento houve uma invasão de campo e apesar de a realização do jogo a evitar mostrar, de certeza que o adepto queria abraçar o Renato. Seguiram-se os penalties e São Patrício defendeu um e o “lelo” Quaresma garante a passagem para as Meias sem precisar de ter uma bancada de venda na praça.

Pelas redes sociais uns elogiavam o Renato, outros diziam que ele não merecia ser considerado o melhor em campo e partilhavam fotos do Patrício ou elogiavam o Pepe mas eu acho que é nestas alturas que temos de deixar a clubite de lado e torcer por todos os jogadores da equipa. Neste momento Portugal é as mãos de Patrício, os pés do Ronaldo, as rastas do Renato, a estrela do Nani, o bigode do William, as lágrimas do Quaresma, o sotaque do Pepe e do Guerreiro e até o peso do Eliseu. Há que apoiar todos os jogadores sem exceção, até o Éder. Venham mais empates destes. Força Portugal!

 

 

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Há vida no jardim

O Oscar, jovem labrador cá do sítio, não tem lidado bem com o calor. Já vai aparecendo menos vezes e quando se apresenta apenas larga a bola no tapete de entrada e fica à espera deitado na sombra. Só no final do dia é que se torna mais ativo mas apenas faz duas a três perseguições bem conseguidas para depois descansar num montinho de areia e recordar o seu top 10 das melhores apanhadas.

O ancião Guma atualmente está a cumprir o turno da noite. Passa os dias dentro de casa a descansar para depois passar as noites no portão a controlar entradas e saídas do jardim e a assinalar a sua presença aos cães que estão a realizar o seu passeio noturno.

A gata Boneca vai fazendo as suas aparições na minha casa sempre que o Oscar não está por perto. Às vezes é para pedir que eu vá à casinha encher as tigelas com comida que ultimamente têm sido limpas por visitantes e outras vezes é apenas para socializar. Entra, vai distribuindo marradinhas, verifica a qualidade do chão e aproveita para fazer a sua higiene pessoal. À noite vai tendo algumas altercações com os visitantes e por isso anda com o nariz arranhado.

 Os visitantes são dois e vão aparecendo sempre que podem, agora que descobriram onde está instalada a comida. Acabam sempre por parar e espreitar com curiosidade para o interior da minha casa. Ela deve estar bem cotada no TripAdvisor animal.

 

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Mais uma vez pelos caminhos de la España

Mais uma road trip por Espanha, desta vez em direção ao sul do país. Já devo conhecer mais a terra de nuestros hermanos que Portugal.

Um dos grandes problemas de uma road trip é a seleção musical de quem leva o carro. Devo dizer que não foi nada fácil ouvir aqueles hits manhosos que passam em repeat nas RFMs desta vida. Desde Rihanna a Anselmo Ralph, passando pelo Agir e Bieber e acabando com Adele e outros artistas que não faço a mais pequena ideia quem são. O truque é fazer conversa mas há momentos em que é complicado.

Chegámos a Jerez de la Frontera e estava um calor muy fuerte. Havia um cheiro a urina no ar e muitas paredes mostravam o porquê do odor. Na minha cabeça, não sei bem porquê, tocava aquela música dos GNR com o espanhol. Conheci o Tio Pepe mas só bebi cerveja. O dia de eleições em Espanha estava próximo e atravessámos um arraial político porque Podemos.

Fomos à catedral de Cádis e deram-nos um telefone mas não era possível ligar para a família a dizer que estava tudo bem. Do outro lado da linha só se ouvia castelhano, por isso devia ser engano. Subimos a uma das torres mas sempre com a incerteza se deva tirar só mais uma foto à vista ou se saia logo para não correr o risco de ficar surdo e abananado.

Vimos o jogo de Portugal contra a Croácia numa esplanada em Córdoba. O jogo não foi grande coisa mas as tapas e a cerveja ajudavam a passar o tempo. Um espanhol perguntou-me quando é que jogava a seleção dele. Quando acabou o tempo regulamentar saiu e desejou-me boa sorte. Ao lado um artista de rua esforçava-se para ganhar uns trocos e ainda conseguiu se sentar com umas turistas e beber umas à pala. Quando a realização do jogo deu um grande plano do Ronaldo passou um espanhol que ao apontar para o televisor repetiu várias vezes algo parecido com “Mariquita!”. O Quaresma marcou e apesar de haverem poucos portugueses lá sentados gritou-se golo em alto e bom som. O artista estava a tirar selfies com as miúdas.

Todos os quartos de hotel em que ficámos tinham um telefone ao pé da sanita. Nunca se sabe quando é que é preciso pedir mais papel higiénico. O GPS lá se perdeu algumas vezes, até chegámos a circular na água, mas no final sempre conseguiu nos levar aos nossos destinos. Fomos mandados parar quando saíamos de uma bomba de gasolina. Estavam a lavar o carro mas viram tugas e acharam logo que tínhamos algo ilícito e fizeram logo sinal. Pediram identificações e para tirar tudo o que tínhamos nos bolsos. Até me pediu para levantar a t-shirt, talvez para ver se eu tinha uns abdominais definidos. Abriu todas mochilas mas fui o único a quem revistaram a carteira. Só porque tenho um ar mal nutrido não quer dizer que consuma cenas estranhas.      

Como o meu pai fazia anos no dia em que regressava, comprei para lhe oferecer um avental com a bandeira da Espanha na esperança que ele fosse fazer o jantar mas acabámos por ir comer fora e eu é que paguei a conta.

 

 

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