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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Zombie por turnos

Reza a lenda que tudo começou com um toni que já estava há mais de sete dias em labuta em horários sortidos e variados e que rapidamente se alastrou por outros trabalhadores por turnos.   

O zombie por turnos não sabe bem em que dia da semana está e passa grande parte do tempo de café na mão. Os bons dias, tardes e noites começam a ser cada vez mais imperceptíveis.

Veem tv shop, o programa da TVI em que está um tipo ou uma tipa num monólogo extenso a tentar convencer o espetadores a ligarem e a Maria Helena a fazer prognósticos das vidas das pessoas e visionam isso tudo porque não conseguem mudar de canal. Em casos mais avançados há quem fique a ver estática durante horas.

Onde antes corria sangue agora corre café e eles fazem sempre os mesmos movimentos e dão sempre as mesmas respostas. Até agora ainda não houve registo de um zombie por turnos que tenha comido carne humana mas já aconteceram rosnares e algumas mordidelas.

A cura para esta epidemia é enviar o trabalhador por turnos de férias para outro continente com tudo pago e só poderá beber no máximo dois cafés por dia.

Cenas que me fazem comichão parte II

Nesta altura é possível avistar pelos caminhos desta vida o corredor em tronco nu com a t-shirt na mão. Das duas uma, ou quando saiu de casa estava um nevoeiro localizado que se dissipou quando começou a correr e por isso tirou a t-shirt ou então saiu de casa apenas para aproveitar os 50 por cento de desconto em carne no Pingo Doce e acabou por correr até lá.

Continuando pelas t-shirts, existem uma quantidade considerável à venda a dizer “New York”, “Manhattan”, “London” ou “Amsterdam”. São giras e tal mas se ao menos fossem compradas na na respetiva cidade mesmo que na etiqueta diga “Made in Bangladesh”.

Não percebo a lógica de um toni andar com uma t-shirt a dizer “ I Love NY” comprada numa loja na Damaia e que nunca pôs os pés no continente americano.

Em qualquer concerto, desde Quim Barreiros a The National, existe sempre um Scorsese em potência. É aquele tipo que passa mais tempo a ver o concerto pelo telemóvel do que a olhar simplesmente para o palco que por acaso até está bem perto dele. Não interessa se o telemóvel é o último iPhone ou um que apenas tem uma camera vga, o que interessa é filmar.

Resta saber se algum dia irá editar os vídeos com o Movie Maker ou se apenas os põe no Youtube e no Facebook só para dizer que lá esteve sem sequer os rever.

Sven Martins estrela de curling

Sven Martins nascido e criado na cidade sueca de Upssala mas filho de pais portugueses, sempre mostrou desde tenra idade uma enorme apetência para varrer o gelo. Depois de já dominar a arte do varrimento foi num ápice que se tornou perito no lançamento de pedras de granito. O seu destino estava traçado, ia ser uma estrela de curling.

Aos 18 anos de idade já era o capitão de equipa do Upssala Curling Club e conseguiu logo na sua primeira época ser campeão. A festa na pista foi enorme com Sven a usar orgulhosamente a bandeira portuguesa como capa. As três pessoas que estavam a assistir foram ao rubro.

Foi assim com bastante naturalidade que foi convocado para os Jogos Olímpicos de Inverno. Os Vikings on Ice, alcunha dada à seleção sueca, eram imbatíveis e na final venceram os canadianos por uns arrasadores 8 a 2. Mas o pior veio depois quando o controlo antidoping acusou a presença de estimulantes. Sven jurou que apenas tinha bebido um gin com red bull mas a decisão estava tomada e assim a jovem estrela caiu em desgraça e foi irradiado da modalidade.

Sven isolou-se de tudo e todos e passou a consumir grandes quantidades de bolachas de canela e almondegas do IKEA enquanto via filmes de Ingmar Bergman e de Manoel de Oliveira. Mas um dia quanto ia comprar mais almondegas conheceu Ingrid e foi amor à primeira vista.

Casaram e tiveram três filhos e todos foram incentivados desde pequenos a aprender a arte de lançar pedras no gelo. Sven acabou por regressar ao seu desporto de eleição e tornou-se no campeão regional mais velho de sempre aos 41 anos. Nunca mais bebeu gin com red bull.

Trabalhador de Agosto

Trabalhar em Agosto é encontrar poucos carros na estrada e os que por lá andam conduzem de maneira bastante alternativa e dizem que "está pouco traffic". Nas proximidades do trabalho encontras lugares que antes eram inatingíveis. Se tiveres a colaboração do segurança até podes estacionar no lugar do patrão que está de férias no Allgarve

Há mais gente nos corredores em direção ao bebedouro e as conversas giram em torno de quem está quase a ir férias e de quem já voltou mas que já ia de novo. Pelo facebook há fotos de praia, piscinas, pés, contagens decrescentes para férias e alguém a espalhar good vibes. 

Enquanto vou trabalhando vou trauteando esta canção:

 

Meu desagradável mês de Agosto 

Em que vou passar os dias a trabalhar 
Trago olheiras no rosto 
Meu desagradável mês de Agosto 
e trago café para me ajudar

Querida segunda-feira

Hoje não foi preciso colocar o nome “Acorda Leão adormecido” ao meu despertador, ele está bem acordado e ativo.

O café onde compro o pão é gerido por benfiquistas e hoje pude fazer a minha entrada com um sorriso de orelha a orelha e a taça nas mãos. Quem me atendeu tinha uma pala no olho, disse que estava inflamado, por isso tentei ser o menos efusivo possível mas sem nunca tirar a minha expressão de leão indomável. Apesar de ser benfiquista o homem até é boa pessoa e eu gosto de ir lá comprar o pão.

Entrei no trabalho de cabeça levantada a cumprimentar efusivamente os sportinguistas e a fazer um olhar de “temos pena” aos benfiquistas com quem me cruzava. Por acaso até encontrei poucos e os que encontrei estavam resignados.

Dois troféus em tão pouco tempo, até sou toni para me habituar a isto.

Músicas sugeridas para a leitura deste post: O Leãozinho de Caetano Veloso e Jesus Salvador de João Marcelo.

Eu "acardito"

Dia de apresentação do Sporting aos adeptos contra a Roma. Um amigo meu, que me arranjou o bilhete, disse que só devia chegar ao estádio depois das 19h. Passado umas horas afinal já chega às 18h30 e às 17h30 recebo uma mensagem a dizer que já ia a caminho.

Em direção ao estádio começo a receber mensagens de várias pessoas a perguntarem se já tinha chegado e distraído cortei à direita antecipadamente saindo assim fora da minha zona de conforto. Estacionei o carro em terra de ninguém.

Estavam cheios de pressa para entrar no estádio para não perder a apresentação por isso eu cheguei ao estádio sem beber uma única cerveja. Estive 90 minutos mais descontos apenas suportado por uma cola comprada no recinto

Durante a apresentação torci fortemente para que o William e o Ewerton, que se deslocavam em canadianas, não tropeçassem na carpete ou perdessem o equilíbrio ao subir ao palco. As grandes ovações foram para Jorge Jesus com Bruno de Carvalho ao lado e para o Gabriel.

 Próximo de mim tinha uma criança e eu tentei estar o máximo de tempo possível sem dizer asneiras. Acho que durei 5 minutos. Slimani e Carlos Mané marcaram os golos da vitória na baliza mais próxima dos nossos lugares. Do Teo pouco se viu, Naldo esteve bem, Gelson promete e o Totti estava gordo.

Quando fui a Roma não vi o Papa mas já posso dizer que fui a Lisboa e vi Jesus de verde e branco.

 

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Areia a mais para o meu polibã

Está um bocadito de vento mas na praia deve estar bom pensava eu. Mal coloquei o protetor solar e uma rabanada de vento cobriu-me de areia. Não bastou muito tempo até que um cão miniatura se aproximar de mim e pensar que eu era finalmente o croquete gigante que tanto tinha pedido na passagem de ano enquanto comia a sua ração com passas.

Tenho a toalha cheia de areia e vou passando o dedo no telemóvel para saber das últimas das redes socias e para limpar o ecrã. Demorei um tempo até perceber quem é que me estava a ligar por causa do visor granulado.  A água que trouxe ganhou um novo sabor que bem pode se tornar na bebida deste verão: Aqua Sands of the Beach in the Evening.   

Não tenho uma camioneta mas cheguei a casa com areia a mais para o meu polibã.

Música, cerveja e brindes

Um festival sem pó e asseado nem parece festival mas havia vários palcos e pessoas em cima deles a tocar por isso devia mesmo ser um.

Movido pela ideia de cerveja gratuita, eu e mais três amigos estivemos fechados dentro de uma sala a tentar resolver um enigma que fizesse abrir o frigorífico com o desejado liquido. Havia vários cadeados, chaves e códigos para descobrir e uma voz para nos orientar. Houve uma altura estranha em que a voz pediu para darmos as mãos o que me fez seriamente questionar se valia a pena essa duvidosa união só para beber uma cerveja. Conseguimos abrir o frigorífico e a cerveja sabia a caipirinha.

Benjamin Clementine foi bem bonito e ao sair ofereceram-me uns óculos escuros e um copo com um líquido. Foi uma miúda gira que me tinha entregado e o meu instinto primário foi o de o receber sem sequer desconfiar que o seu conteúdo era leite com chocolate. A rapariga ainda perguntou se eu queria um saco e tirar uma foto mas gentilmente recusei. Dei um golo porque parecia bem e livrei-me do copo antes que alguém reparasse no tipo que bebe leite num festival.

Relembrei com amigos os belos tempos em que recebíamos bilhetes para ir aos festivais e pus-me a caminho para ver os The Drums. O vocalista tinha todo um vasto leque de movimentos e um casaco com brilhantes. As asiáticas histéricas que estavam ao meu lado adoraram.

De volta ao Pavilhão de Portugal vi as Savages rockarem e no final tiraram-me uma foto com uma VIP desta vida. Recebi um stick que emitia luzes e fui mostrar os meus atributos de dança com os Bombay Bicycle Club. Houve um inglês que tinha um tipo de dança muito expansivo que alguém não gostou o que provocou uma zaragata europeia mas que felizmente foi de pouca dura. Havia um tipo ao meu lado aos saltos com as mãos no seu colete.

De volta ao Pavilhão Atlântico vi dEUS nas últimas e um grandíssimo concerto dos Blur com a chamada de um fã para cantar um refrão e uma música dedicada à Grécia. No final livrei-me do stick porque parecia um toni.

 

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Onde pára o jogador?

O mercado de transferências está aberto e existe criatividade aos molhos para encher os jornais desportivos. Há jogadores que já estão praticamente contratados mas que nunca chegam perto do clube em questão. Outros até aterram no país, curtem a noite e acabam por voltar sem acordo.

É a altura ideal em que a notícia de um jogador finlandês a jogar na segunda liga húngara esteja prestes a ingressar num grande do futebol português seja considerada válida. Os photoshopers desta vida aparecem em grande destaque nas redes sociais e até nos jornais.

Existem familiares que confirmam transferências e outros que não aprovam mas no final quando são oficialmente confirmadas vem pedir desculpa. A mulher pode ou não acompanhar o jogador. Seguindo-me pelas últimas transferências sinto que apesar de ser demasiado velho para começar uma carreira futebolística ainda sou muito novo para ser jogador do FC Porto.

No meu entender os programas de debate desportivo nesta altura deviam ser constituídos por uma vidente que lançava as cartas a cada possível transferência, um ávido frequentador de tabernas acompanhado da seu copito de vinho e um funcionário do aeroporto de Lisboa e outro do Porto para informar se o jogador está ou não a caminho.

Toni, o Grego

Será que a Grécia sai da zona euro de vez ou só por um bocadinho ou então conseguirá o acordo que agrade a grecos e troianos? Estas são as perguntas que têm marcado os serviços informativos nos últimos tempos.

Nestas últimas semanas já houve várias reuniões, um referendo grego, a demissão do casual motard Varoufakis e até encontraram fotos deles da altura em que tinha cabelo.

Eu que tenho acompanhado hora a hora as últimas notícias e apesar de nunca ter visitado o país, sinto que consigo adquirir nacionalidade grega sem grandes dificuldades. Aliás o meu almoço será uma salada grega acompanhada por um copo de Ouzo enquanto contemplo uma foto do Partenon e no final partirei o prato ao som de Vangelis.