Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

De sorte o Verde não tem nada

Era para ser a noite da r3virav0lta mas de reviravoltas só houve as que eu dei no sofá. O Sporting fez uma boa exibição, teve mais que oportunidades para marcar pelo menos um golo mas nem isso conseguiu.

O guarda-redes Benaglio nasceu na terra de queijos mas infelizmente não deu buraco e até o poste foi amigo dele. O verde até pode significar esperança mas de sorte o verde não tem nada, excepto claro se for um verde germânico.

Ao chegar a casa um vizinho benfiquista perguntou-me se já tinha mudado de clube. Claro que nunca irei mudar, o vermelho águia sempre me fez confusão e nunca fui adepto de colinho. No meu lar tinha uma fatia de bolo de chocolate e baba de camelo gentilmente cedidas pela vizinha de cima para afogar as minhas mágoas. Para o ano é que é.

Traz outro saco também

Não estou preocupado que o Sócrates continue preso nem com a Grécia e nem sequer com o clássico de domingo. O que me chateia mesmo é o saco estar a 10 cêntimos a unidade.

Já coloquei 3 sacos no porta bagagens no carro mas só na altura do pagamento é que reparo que não trouxe nenhum e é algo chato pedir à menina da caixa para esperar um bocado que vou só ao carro que por acaso se encontra estacionado no piso -2 encostado a uma coluna com números que assim de repente me lembro quais são.

Mas já que temos que andar sempre com um bem que o podemos personalizar com frases, desenhos ou autocolantes. O meu até ficou catita apesar do nabo que vinha de origem.

 

                                                 saco.jpg

 

Conto Óscarizado

Chamavam-lhe de Birdman e era Sniper de profissão. Tinha uma vida bastante solitária e perigosa, sempre Nos Limites, mas tinha uma Teoria em que no final Tudo correria de feição.
Um dia no Grand Budapest Hotel estava a brincar ao Jogo da Imitação quando avistou Selma e esse Momento tornou-se o melhor da sua Vida. A sua Teoria foi comprovada.

Já há acordo

Falta descobrir se a mistura resulta

 

                 acordo.jpg

 

Carnaval por turnos

O Carnaval passado no trabalho é trocar a tua glamorosa roupa de empregada doméstica francesa por uma de trabalhador por turnos que não tem uma vida nada fácil. Pode ser mais chato mas ao menos poupas na depilação total.

Desfilasse pelos corredores ao som de conversas enquanto se vai ao WC. As serpentinas e confetes são o que sobra do destruidor de papel. Os cartazes de escárnio de mal dizer são substituídos por emails imprimidos. O grande desfile fica marcado para o parque de estacionamento de café na mão.

Não existem carros alegóricos expecto se decorares a tua cadeira e convenceres alguém a empurrar. Quando dás por ti já és cabeçudo e não foi preciso recorrer a nenhuma máscara feita com pasta de papel.

Fim de semana com a poncha

Não basta uma pessoa ter que acordar às 4 da manhã de um sábado e ainda tem que partilhar um avião com o Cláudio Ramos. Felizmente ele estava sentado bastante longe de mim.

Os ouvidos começaram a estalar mas o sono amorteceu o efeito. Ao espreitar pela janela as nuvens pareciam gelo e por momentos temi que fosse aterrar no Polo Norte onde seria recebido por um urso polar enfurecido enquanto ouvia a música do Frozen.

No aeroporto tínhamos à espera uma carrinha da Rent a Car que nos levou para um sítio bastante duvidoso. Por momentos pensei que o nosso carro seria um Clio laranja e amarelo que estava lá parado. Felizmente não foi o caso, devia ser do dono.

A Madeira é linda com magnificas vistas dos seus picos e cabos, a sua ótima gastronomia e tuneis a perder de vista. O madeirense gosta de estacionar onde lhe dá mais jeito. Pode ser uma estrada estreita de dois sentidos que mesmo assim podes encontrar um carro estacionado nela. À noite estive com a poncha.

O voo de regresso foi na altura do Sporting x Benfica. Infelizmente a Easyjet não tem Sport Tv. Antes de partir perguntaram se uma pessoa estava a bordo. Penso sempre que estão à procura do piloto. A viagem pareceu interminável e mal o avião aterrou desativei o modo de voo e recebi uma mensagem da SapoNews a dizer que o Jardel gelou Alvalade. Pensei logo que o Sporting tinha perdido mas ao consultar o resultado vi que afinal foi empate. Tive a reação contrária a de todos os Sportinguistas que viram o jogo.

Estive dois dias na Madeira e não vi o derby de Lisboa, o Jardim e nem sequer a estátua do Ronaldo.

 

                        SAM_0653alt.jpg

 

A Super Tigela

Hoje tentei ver a Super Bowl. Os Seattle Seahawks defrontavam os New Englad Patriots e eu sem perceber grande coisa de futebol americano. Quarterback, running back, touchdown e jardas, muitas jardas, foi o que mais ouvi durante a partida.

Depois de já começar a entender o desporto o que mais me chateava eram as várias paragens de jogo. Aguentei até ao intervalo onde a Katy Perry cantou e sobrevoou o campo. Eu dei o meu melhor mas já não vi a segunda parte.

Se o desporto de repente ficasse moda em Portugal podia muito bem ser as Gaivotas de Cascais contra os Falcões da Brandoa. A Mariza cantava o hino enquanto os submarinos rebocados do Portas davam a volta ao campo.

No intervalo milhões iriam ser gastos em publicidade para os caramelos Circo, para as pastas dentífricas Couto e algo sem graça dos Gato Fedorento para a MEO. O espetáculo de intervalo estaria a cargo do Tony Carreira mais os filhos e um lince ibérico a perseguir a Popota. De certeza que iria ter audiências.

Budista por turnos

Fui a um templo budista para mandar alinhar o karma. No café uma rapariga varria o que estava limpo e um budista estava no balcão vestido a rigor mas com um avental por cima. Deu para testar a sua paciência quando ficou impávido e sereno a olhar para o computador que crashou na altura do pagamento. O budismo acredita no café a sessenta cêntimos.

No jardim estavam pessoas a trabalhar e para entrar no templo tive que descalçar os sapatos e calçar uns chinelos. Felizmente tinha umas meias apresentáveis. O templo é magnífico com belas estatuetas e uma foto do fundador que tem um ar estranho mas pacifico. No final ainda tinha os ténis à espera, nenhum budista precisava de uns Onitsuka Tiger.

Era capaz de viver essa vida de constante tranquilidade e meditação mas teria quer ter uma televisão para ver o Sporting, filmes, séries e as televendas. Também dava jeito um leitor de mp3 e outras bebidas sem ser chá. Com isso tudo à disposição seria um budista feliz com uma tatuagem zen e cabelo.  

Correr até ao fim da Europa

1889 foi o ano da inauguração da torre Eiffel, o ano em que nasceu o Charlie Chaplin e foi o número que eu usei durante dezassete quilómetros pela serra de Sintra.

Mais uma vez paguei para acordar cedo num domingo. É das poucas alturas da vida em que tenho um número na camisola preso por alfinetes de dama, um chip nos atacadores e atiro garrafas de água para o chão sem sentir remorsos.

A prova era dura, com bastantes subidas, e ganhava motivação sempre que via senhores de alguma idade a ultrapassarem-me. Posso não ganhar a corrida nem ficar perto disso mas ao menos não queria ficar atrás daquele senhor que parecia ter idade para ser meu avô.

Uma hora e meia depois terminei a corrida e tinha uma sandes, uma napolitana, uma garrafa de água e uma revista de corrida à espera. Na capa dizia "Venham mais 5" o que naquele momento não era de todo o meu sentimento.

Na camisola da prova diz "Dificilmente haverá prova mais bonita..." De facto depois dos dezassete quilómetros as minhas pernas ficaram comovidas. Se eu escrevesse pelos pés hoje não teria feito este texto.

 

                      

      corrida123.jpg

 

A luz da minha vida

Uma pessoa pensa que tem a vida mais ou menos orientada até ficar sem luz. O meu quadro sem motivo aparente disparava e assim de repente o meu mundo se tornava escuro e sombrio.

Fiquei sem luz a meio de filme de terror sem saber qual jovem iria sobreviver ao Bigfoot e houve uma noite em que a luz se apagou na precisa altura em que tinha uma pizza no forno. Felizmente a pizza conseguiu ir em direção ao meu estômago sem estar muito chamuscada.

Houve uma noite em que decidi ir ao cinema. Vi o Rosewater do Jon Stewart baseado na história de Maziar Bahari que esteve preso 118 dias no Irão por ser considerado um espião. Cheguei a identificar-me com o jornalista nas alturas em que lhe colocavam uma venda nos olhos.

Depois de alguns dias nas trevas a civilização chegou pelas mãos de dois eletricistas. Gastei uma vela de cheiro a maçã do Ikea e meia pilha de uma luz de bicicleta durante o período de negrume. A minha casa deixou de cheirar a um pomar sueco mas passou a estar iluminada. Essa noite dormi de luzes acesas.    

      

                      vela.jpg