Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Mais quadras à Primavera

A Primavera já chegou

E desato logo a rimar

Talvez seja inspiração da estação que começou

Ou dos anti-histamínicos que estou a tomar

 

Com ela o frio e a chuva apareceram

E o aquecedor tive que voltar a ligar

As flores no jardim já desabrocharam

Mas roupa estendida teima em não secar

 

O horário de Verão está a se aproximar

E o relógio uma hora terei que adiantar

Menos uma hora à noite irei descansar

Mas fico com mais tempo para a bola ao Oscar atirar

Numa sala de cinema perto de si

Numa sala de cinema é possível encontrar uma grande variedade de personagens:

 

O Sofredor

É aquela pessoa que não precisa de óculos 3D para entrar dentro de um filme. “Eish!”,”Whow!”,”Óooo!” e “Eu não acredito!” são algumas das expressões mais utilizadas por ela enquanto está a ver o filme. Se for um filme de terror é capaz de gritar “Atrás de ti!!” quando o assassino está prestes a esfaquear a jovem indefesa e tapa os olhos quando o sangue começa a jorrar. É capaz de exclamar “Grande aldrabice!” mesmo se a ação do filme se desenrolar em 2080.

 

O Telemoveldependente

Apesar dos avisos para desligar o telemóvel durante o filme, ele nem sequer consegue tirar o som. Troca mensagens, verifica as últimas novidades nas redes sociais e atende chamadas como se estivesse em casa.  Os dependentes em estado mais avançado são capazes de passar níveis no Candy Crush ou ver um filme no telemóvel durante a sessão de cinema.  

 

O Desorientado

Nunca sabe bem o que é que está a acontecer no filme. Ou tem dificuldade em acompanhar as legendas ou simplesmente não sabe ler. Coitada da pessoa que está ao seu lado que tem que descodificar o filme. É capaz de começar a debater o filme, ainda vai ele a meio, e sem esperar pelo intervalo.

 

Os Pombinhos

Não importa se é as Cinquenta Sombras Mais Negras ou A Bela e o Monstro a passar no ecrã gigante. Quando as luzes se apagam, os pombinhos entram logo em ação. Beijos prolongados, corpos inspecionados, apalpações sentidas, juras de amor na altura em que o personagem principal fica sem a cabeça. No final saem de mão dada, compostos e sem saberem o que raio é que aconteceu no filme.

 

O Pipocas

Quem teve a brilhante ideia de associar pipocas a uma sessão de cinema devia ser fustigado. É que existem pessoas que simplesmente não as sabem comer. Devora pipocas como se não houvesse amanhã e o barulho que faz é deveras complicado. É capaz de andar a mexer as pipocas no balde, durante vários minutos, sem tirar nenhuma. Quando deixas de o ouvir a ruminar e pensas que o teu sofrimento acabou, estás enganado. Quando chega o intervalo, ele vai buscar mais. É aquele que também insiste em aspirar a bebida quando já só existe gelo derretido.

 

 

                                cinema.jpg

 

 

Carta de amor para a segunda-feira

Ser segunda-feira é complicado. Basta dar um pequeno pulo às redes sociais para sentir o ódio por ti nutrido, sem sequer precisar que apareças. Na véspera já começam a aparecer os Trumps desta vida a amaldiçoar-te, não te dando uma hipótese de mostrares o que vales. Até o Garfield, que passa os dias a comer e a dormir, te odeia.

Mas eu venho aqui declarar o meu amor por ti, segunda-feira. Sei que posso sempre contar contigo. Apesar de meio mundo te detestar, tens a força e coragem suficiente para aparecer todas as semanas, sem uma única falha. Acordo contigo no meu pensamento e assim deixo-me ficar mais um bocado na cama.

Adoro ir às compras no teu dia. Os shoppings e supermercados são menos frequentados, dando-me assim o espaço suficiente para realizar os meus desejos. O cinema é mais barato no teu dia e nunca me obrigas a ver comédias românticas.

Claro que nem tudo é um mar de rosas. Por vezes o meu horário assinala que estou de turno no teu dia mas as relações são mesmo assim. O que interessa é que até às vinte e três horas e cinquenta e nove minutos estarás sempre comigo.

Hoje é daqueles dias mágicos em que vou aproveitar tudo o que tens para dar. Obrigado por seres quem és.

Beijos do teu maior admirador.

 

                                        adorosegundas.jpg

 

O regresso da busca do papel verde necessário para a circulação automóvel

Dia de levar o carro à inspeção. Antes de ir, aconselharam-me a me dirigir a um centro que fica perto de casa. Como antes tinha que passar pela oficina, acabei por ir a um centro de inspeção perto dela. Sou mesmo toni.

Quando estaciono o carro reparo que fecharam a linha dois e como tal só uma estava a funcionar. Agora que já cá estou não vou voltar para trás. Acabei por voltar para trás na altura em que fui pagar e reparei que tinha deixado o certificado de matrícula no carro. A senhora avisa que é capaz de demorar.

No carro vou consultando as últimas notícias, as redes sociais, as minhas várias contas de e-mail e o horóscopo do dia. A Maya não menciona nada do género “Quem espera, sempre alcança.” Se a Susana do Éder estivesse ao meu lado de certeza que teria algo motivador para me dizer neste período complicado. O sol vai batendo no vidro e começam a ficar reunidas condições para uma boa sesta, onde poderei sonhar com um mundo onde não existem esperas.

Dizem-me que já me posso colocar na fila. Parece que o fim está próximo. Quando está quase a chegar a minha vez vejo movimentações entre inspetores. O chefe organiza uma pequena reunião. A linha um deixou de funcionar, todos para a dois. Na mudança de linhas, o carro que está atrás de mim coloca-se de esguelha, como se quisesse aproveitar a oportunidade para me ultrapassar.  

O inspetor que me atende é um senhor novo e pede logo desculpas pela demora. Deve ter sido a inspeção mais rápida que alguma vez tive. Na altura da entrega do papel começou o suspense. Vejo o rapaz aflito e no seu auxílio chegam mais dois colegas. Não estavam a conseguir imprimir a folha. Só espero que não me entreguem o papel do La La Land.

O problema foi finalmente resolvido e, apesar de ter algumas anotações, a folha é verde. Claro que quando fiquei despachado o centro já tinha regressado à normalidade. As duas linhas já estavam a funcionar e estavam poucos carros à espera. Assim se passou uma hora e meia da minha vida complicada.         

 

 

                                                   inspecao.jpg

 

Um dia de um dependente de séries

Aquelas pessoas que acompanham bastantes séries, que renegaram por completo os filmes e chegam a ver temporadas inteiras num só dia podem muito bem ter dificuldades em separar o real da ficção.

Quer sair de casa mas não encontra as chaves do carro. É a altura ideal para utilizar todos os conhecimentos que adquiriu nas sete penosas temporadas do Sem Rasto. Como não pertence aos Sons of Anarchy, não segue numa mota a alta velocidade para o local da venda de armas mas está no pára-arranca da Segunda Circular, na esperança que chegue a horas ao escritório. De vez em quando olha para os céus na esperança que a Rainha dos Dragões do Game of Thrones lhe ofereça boleia.

O chefe é tão ou mais palerma que o David Brent do The Office e está a chamar os funcionários um por um ao seu escritório. Mais uma vez, imagina que está num episódio do Game of Thrones e que vai ser o seu último dia no escritório. Pela secretária e no seu corpo tem espalhados vários post-its, que contêm pistas para puder fugir do escritório sem ser visto. Vai ser um Scofield desta vida mas sem levar ninguém com ele. Mas antes de fugir vai usar tudo o que aprendeu nos vários episódios CSI: Miami para descobrir quem é que avariou a sua impressora favorita, enquanto tira em e põe os seus óculos escuros.

No caminho para casa culpabiliza-se por na escola não ter estado mais atento às aulas de Química. Podia estar neste momento numa roulotte a fabricar metanfetaminas. Pensa que vai deixar a vida no escritório e, como viu as oito temporadas do Dr. House, sente que tem a capacidade e o sarcasmo suficiente para poder executar operações de alto risco.               

     

Um conto Óscarizado

Ele e Ela têm o seu Primeiro Encontro marcado no restaurante Manchester by the Sea. Ele saiu atrasado de casa mas Custe o Que Custar, nem que tenha que saltar Vedações e contornar Animais Noturnos, irá chegar a tempo. Chegou à hora marcada. Não é à toa que lhe chamam de Herói de Hacksaw Ridge.

Ela chegou pouco tempo depois, no autocarro que partiu de La La Land. Os dois pediram Lagosta e começaram a falar das suas vidas. Ela é bastante reservada. Tem Elementos Secretos na sua vida que não quer partilhar. O Silêncio instalou-se. Ambos pediram um chocolate Lion para sobremesa. Acabaram a noite num rooftop, bebendo gins e a ver a Moonlight. Foi o início de um grande amor. 

 

                                       oscares.jpg

 

Inspetor Oscar

Oscar, o labrador dos meus vizinhos, vive obcecado por bolas e eu sou o seu fiel lançador. Está sempre disponível para entrar em perseguição e se a bola for parar a um local de difícil acesso não desiste até a conseguir de volta.

E se o Oscar usasse o seu talento para ajudar pessoas? Vários são os cães que ficaram famosos por fazerem o bem. A Lassie era perita em encontrar crianças que caíram no poço, o K-9 era exímio na caça ao tráfico de droga e o Max, primo do austríaco Rex, apanha criminosos e ainda consegue perceber o que o José Carlos Pereira diz.

Se o Oscar começa a ganir ou a bater com a pata nas portas de correr não é porque alguém está em apuros. Ele quer é que eu chute mais uma vez a bola ou então ela foi parar a um sítio inacessível e tenho que a resgatar antes que ele entre em depressão.

Podia tentar com que o Oscar fosse atrás dos fugitivos da prisão de Caxias mas duvido que conseguisse grandes resultados. Já é bastante complicado fazer com que ele saia de frente de uma bola para eu chutar quanto mais ir atrás de alguém que não conhece. Se os reclusos tivessem uma bola no bolso, aí sim o Oscar entrava em perseguição até ao fim do mundo. Conseguiria desativar bombas se o fio que fosse para cortar tivesse esferas.  

Para ter uma série de sucesso bastava arranjar uma parceira de combate ao crime com bastante saúde e usar bastantes truques de montagem e efeitos especiais para substituir as bolas por pessoas. Na vida real resta-me a esperança que ele aprenda a avisar-me sempre que comece a chover para eu apanhar a roupa.     

Toni dos bolos

Dia de fazer bolo de iogurte. A minha habilidade na cozinha nem é sequer reconhecida no meu bairro mas mesmo assim decidi arriscar a arte da pastelaria.

Não é o meu primeiro bolo de iogurte mas mesmo assim tenho que ter o site aberto com a receita. Dou sempre preferência aos que têm vídeo para evitar algum erro de interpretação. Quando começo a colocar os ingredientes a jeito aparece a gata Boneca para uma visita social. Resta saber se apareceu para dar sorte, para alertar o perigo de eu estar de volta do forno ou se simplesmente veio para miar e se roçar no mobiliário da casa.

Quando começo a juntar os ingredientes numa tigela para bater distraio-me no telemóvel e já não tenho a certeza se coloquei o açúcar de três ou quatros caixas de iogurte. Na dúvida ponho sempre mais. Não quero que seja um bolo light.

Como homem que é homem não tem batedeira elétrica, uso a batedeira manual que a minha querida avó ofereceu e bato até a massa e os meus dedos fazerem bolhas. Coloco a massa batida na forma e vai para o forno pré-aquecido. As minhas últimas tentativas de bolo saíram com o rabo queimado por isso hoje decidi seguir uma sugestão do Google e coloquei sal no tabuleiro. A receita diz que tenho que ter o forno a 170 graus mas como o meu só mostra números de 1 a 6 decidi colocar no 3 e esperar que corra bem.  

Entretanto recebo a visita do labrador Oscar mas ele não está interessado em bolos. O vício dele é bolas e eu sou o seu dealer. Nos intervalos de chutar a bola vou verificando o estado do bolo e a coisa não se está a desenvolver. A chama está muito fraquinha por isso mudo para o 4 e rezo para que o santo protetor dos pasteleiros esteja comigo.

Passado uns minutos olho para o bolo e ele olha para mim. Estava pronto. Tiro do forno e deixo-o repousar. Não ficou queimado em baixo e está comestível. Prova superada. Sinto-me um Avillez dos pobres e o meu bolo passará a se chamar de Yoghurt Cake à Toni.    

 

 

 

                                    tomate.jpg

 

  

Não te encostes a mim

Estar parado no trânsito é complicado mas pode ser a altura ideal para tratar de diversos assuntos. Há quem aproveite para tomar o pequeno-almoço, retocar a maquilhagem e até fazer a barba. É possível ouvir o álbum “69 Love Songs” dos The Magnetic Fields pelo menos duas vezes e todos os cds do Panda e os Caricas. Consegue finalmente ler as 1225 páginas do “Guerra e Paz” do Tolstói e fazer aviões de papel com as páginas de um qualquer livro do Gustavo Santos.

Parado dentro do carro consegue ter uma visão mais atenta do seu interior. Repara na quantidade considerável de pó no tablier, descobre 2 euros debaixo do banco do passageiro e encontra uma garrafa com um resto de uma água com cor estranha. Também pode interagir com os automobilistas que estão em seu redor por gestos ou mesmo baixar a janela e partilhar histórias de outros dias complicados.

Pode se queixar nas redes socias do trânsito e, se estiverem reunidas condições para uma selfie, até pode mudar a sua foto de perfil e receber likes em catadupa. O seu lado criativo pode vir ao de cima e elaborar uma canção:

 

Não te encostes a mim

Segue na tua faixa de rodagem

Não te encostes a mim

A distância de segurança tens que dar

Não te encostes a mim

Espera pela tua vez para teres passagem

Não queiras preencher a declaração amigável

Deixam-me a casa chegar   

 

                                  transito.jpg

 

Quase que vi a Super Bowl

Todos os anos dou uma espreitadela na Super Bowl e continuo sem perceber grande coisa do jogo.

Quando falam em jardas começo logo a ficar baralhado. Um tipo fica acordado até tarde para ver homens a andarem aos encontrões, não para estar a fazer conversões de jardas para metros. Há jogadores que pintam a cara com um simples traço debaixo de cada olho, outros que são mais criativos e fazem alterações à pintura de guerra e alguns, que provavelmente quando estudavam não tinham boas notas a Educação Visual, que simplesmente borram a cara com tinta preta. Os mais asseados andam sempre com uma tolha presa à cintura. Deve ser uma grande sensação ganhar a Super Bowl mas com tantos encontrões duvido que alguém se lembre bem de toda a partida.

Este ano grande parte dos anúncios no intervalo tiveram como alvo a política de imigração de Trump e o concerto teve a Lady Gaga presa por arames, acompanhada por drones e bastante pirotecnia. Claro que não cheguei a ver nada disso em direto, só aguentei pouco mais de uma hora de jogo.

Se o futebol americano fosse popular em Portugal, a nossa Super Tigela teria o Presidente Marcelo a lançar a moeda e a tirar selfies com jogadores e árbitros e os intervalos publicitários seriam marcados pelos anúncios do Calcitrin e pela publicidade da Libidum Fast que teria o Futre a dará toques, sem usar os pés, numa bola de futebol americano. O concerto seria com a Ana Moura no alto pendurada por arames e o Agir, em baixo, a dizer que ela lhe partia o pescoço. Toda a emissão teria em rodapé um número de telefone que ao ligar podia dar direito a cinco mil euros em cartão.       

 

 

                                   superbowl.jpg