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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Chef Toni

Cozinhar é um dom que eu não tenho, mas como infelizmente não posso almoçar e jantar fora todos os dias e viver só de pizzas e lasanhas congeladas não é aconselhado, necessito de cozinhar para sobreviver.

Navego pela internet em busca de receita ideal e a maioria ou demoram muito tempo a fazer ou têm ingredientes que tenho dúvidas se alguma vez me cruzei com eles. Quando finalmente encontro uma receita que me agrada, acabo sempre por me distrair na net, a trocar mensagens ou com o Oscar, que insiste que aquela é a altura ideal para eu atirar a bola, e por isso o resultado final nunca é o ideal.    

Tenho um livro do José Avillez, não sei muito bem porquê, que fala em coisas de nome porridge, vichyssoise, gravlax e ceviche. Mesmo com as fotos dos pratos a acompanhar, fico com dúvidas do que raio seja aquilo. Já agora, alguém sabe onde é que consigo arranjar kumquats fresquinhos?

Ligo a televisão no Kitchen 24 e está um senhor a falar numa língua estranha sobre polme e a usar um saco de pasteleiro. O saco não tenho e não sei se alguma vez fui apresentado ao polme. Ver os programas de cozinha só me deixa deprimido porque acabo por ver pratos com ótimo aspeto enquanto como salsichas com batatas do pacote. Um dia ganho uma estrela cadente Micheline, com o “e” no fim porque é uma imitação do chinês.

 

 

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Vais partir naquela estrada

Na estrada, é possível encontrar o mais variado tipo de condutores:

 

O Condutor de Domingo

Os célebres condutores de domingo normalmente são pessoas de uma certa idade, que aproveitam o domingo para tirar o carro da garagem. Conduzem bem devagarinho, parecendo que estão constantemente a serem encadeadas pelo sol, até de noite. Claro que o domingo é quando um condutor quiser, por isso eles andam pela estrada em todos os dias da semana.

 

O toni da Faixa do Meio

No meio está a virtude e um toni que gosta de ir a cinquenta à hora. Há três faixas para serem utilizadas mas cada um escolhe o caminho que leva, e ele prefere sempre a do meio. Assim é possível assistir à condução sincronizada, com o condutor da direita e o do meio lado a lado, à mesma velocidade.

 

O Desorientado

Há sempre alguém que não conhece bem o caminho que está a fazer, e que ou não tem GPS ou o que tem diz que está a conduzir sobre água. Quando chega o momento da grande decisão, quando está na dúvida se vira à direita ou à esquerda, acha por bem parar no meio e refletir sobre o assunto. Que a paragem nas marcações da estrada o ajude a mostrar o seu destino.

 

O Comunicador

Conduzir e atender uma chamada pode ser complicado. Mesmo com o kit mãos livres, há quem vibre intensamente com a chamada e a condução ressente-se. Ou tira o pé do acelerador e segue a marinar o resto da viagem ou conduz aos esses. Se conversar com o pendura, insiste em olhar para ele e deixar o carro ir em automático. Não é uma boa ideia perguntar "O que diz os teus olhos?" durante a condução.

 

O Vin Diesel do IC 19

Segue na faixa da esquerda a grande velocidade e quando se lembra que a saída está quase a chegar, decide atravessar todas as faixas de seguida sem tirar o pé do acelerador. Há uma grande probabilidade que o carro tenha mais luzes que uma casa de alterne e que faça tanto barulho como um trator agrícola, mas há que ter cuidado porque existem outros veículos na estrada e pode ser complicado.

 

O Aqui Não Pisca Nada

A última vez que usou um pisca foi no exame de condução. Nem quando ouve o hit da Rute Marlene "A moda do pisca-pisca", se lembra de usar tal coisa. Ou mandou desinstalar do carro ou simplesmente já não sabe como o fazer. Talvez saiba colocar os quatro piscas. Nem no Natal põe as luzes a piscar.

 

 

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O Leão sem estrela

Felizmente não estou a trabalhar durante o jogo do Sporting com o Real Madrid. É o regresso de Cristiano Ronaldo ao clube que o viu nascer para o futebol. Hoje o Ronaldo não está sozinho em casa.

Antes do jogo começar, Eric Cantona foi apresentado como o sócio 150 mil. Espero que isso não signifique um “au revoir” do Sporting à Liga dos Campeões. Um golo do Varane ao minuto 29 veio confirmar o mau prenúncio.    

O Sporting até pratica bom futebol mas falta sempre uma pontinha de sorte. O Real estava roxo de tanto ver o Sporting jogar até que o João Pereira é expulso por uma alegada agressão. Digo umas quantas asneiras e começo a perder o interesse. Acho que já vi este jogo mais que uma vez.

O Fábio Coentrão achou por bem assinalar a sua presença em campo ao levantar os braços dentro da área. Deu penalty e Adrien empata o jogo. Mas ainda faltavam 10 minutos para o final e Benzema acabou por dar a vitória ao Real e um balde de água fria aos adeptos leoninos. O Sporting com tanta falta de sorte devia consultar o Professor Karamba.

Algo abatido, fui lavar a loiça ao som da minha playlist mais tristonha e tentar adormecer, contando os golos do jogo do Borussia contra o Légia. O Sporting em dezembro tem que ir buscar a estrelinha.     

 

 

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Novo estudo afirma que ser Toni é complicado

Raro é o dia em que não saia um novo estudo, mais ou menos importante, realizado por uma universidade, mais ou menos credível.  

Existem estudos que garantem que quem anda na casa dos 30 anos está na melhor altura das suas vidas. Tendo eu 32 irei assim ter maior sucesso laboral, a minha personalidade não irá mudar e atingirei a verdadeira felicidade. Ou seja, antes de chegar aos 40, vou ver o Sporting ser campeão.

Em comparação com as mulheres, sou menos agressivo ao volante e preciso de dormir menos horas mas mesmo se adotar um elefante para me lembrar das coisas, continuarei a ter menos memória que uma mulher. Sou mais saudável por ter barba e o sexo feminino aprecia um barbudo.   

Trabalhar por turnos é que é complicado. Há pelo menos uma universidade que garante que trabalhar antes das dez da manhã é tortura e eu não podia estar mais de acordo. Também existem estudos que afirmam que o turno da noite é bastante prejudicial à saúde. Nada disso seria problema para mim se eu tivesse mau feitio extremo porque assim seria imortal.

Pessoas inteligentes têm tendência a ser desarrumadas, ficam acordadas até tarde e dizem bastantes asneiras. Eu consigo ser algo desarrumado, quase sempre fico acordado até tarde mas não costumo dizer muitas asneiras. Estou a um fodasse de ser um jovem Albert Einstein.

Resumindo, ser toni é ter pouca memória mas um pouco mais de inteligência que um licenciado na escola da vida, não ter uma grande esperança média de vida mas ainda irá comemorar no Marquês de verde e branco.        

 

Ronaldo sozinho em casa

O “Sozinho em Casa” é dos filmes que mais vi na minha vida. Quando era miúdo via, revia e voltava a rever o VHS. Sabia a maior parte das falas de cor e a fita da cassete estava bastante trilhada mas mesmo assim tinha que ver mais uma vez. Até o jogo de computador eu tive no meu 486, que consistia em instalar as armadilhas para os bandidos de serviço. Não sei se era pela liberdade que o Kevin tinha, sem a família por perto, ou se era apenas para ver os ladrões sofrerem à conta de um miúdo. Apenas sei que naquela altura o “Sozinho em Casa” era o meu “Frozen”.

Passado todo este tempo, sabendo agora que o Macaulay Culkin, o ator principal, afundou a sua carreira ao meter-se na droga e com o Michael Jackson e que o Trump apareceu na sequela, a MEO decidiu alegrar o nosso Natal com o Cristiano Ronaldo sozinho em casa.

A Dona Dolores vai viajar e leva a família toda com ela, toda exceto o Ronaldo. “Aí o Ronaldo!”, exclama ela em pleno avião, com as mãos na cabeça e de maneira bastante convincente, quando repara que o Cristianito ficou por terra. Depois da publicidade à banana de Madeira, a carreira na publicidade da Dona Dolores ganha assim outros voos.

Ronaldo canta para um pente, algo que deve fazer com alguma frequência, grita de maneira pouco convincente quando coloca o aftershave e usa um filme para assustar o entregador de pizzas. O riso enlatado só agrava mais a experiência.

No final acaba por ganhar uma Soundbar, que deve ser algo que todos os adultos que fazem papel de crianças recebem pelo Natal. Fica assim a dica de prenda para oferecer ao Luís Aleluia, que durante anos fez de menino Tonecas. A única coisa boa desta publicidade da MEO é que a Katia Aveiro não aparece a cantar.      

 

   

                                    

 

     

Cabeça na Super Lua

Há vários dias que andava a ser anunciado que a noite de segunda-feira seria uma noite de Super Lua, algo que já não acontecia há quase setenta anos. Acho isso estranho, sempre me pareceu que todos os anos há um ou mais dias em que a lua está mais percetível. Deve ser tipo Dragon Ball, em que o Goku atravessa várias fases em que vai ganhando poderes e mudando a cor do cabelo. A lua é uma Super Guerreira e está mais branca do que nunca.

Mesmo a lua estando super, tirar uma foto, com o telemóvel, a ela ou a um candeeiro de rua é praticamente o mesmo. Há até quem transmite em direto via facebook, porque é bem mais giro ver no telemóvel e fazer like do que sair à rua e olhar para cima. É uma boa noite para partilhar as músicas “ The Killing Moon” dos Echo and the Bunnymen, “The Moon Song” da Karen O, “Drunk on the Moon” do Tom Waits e o “Estou na Lua” da banda Os Lunáticos.  

Olhei para a lua e de facto ela estava grande mas nada de colossal. Estava top três. Se calhar precisava de a ver com óculos 3D. Ao menos as pessoas que estão constantemente com a cabeça na lua, nessa noite já sabiam o que andavam a fazer.

Depois de uns bom minutos a olhar para o céu, posso concluir que a lua precisa de ir mais vezes ao ginásio. Se a lua não fosse branca, o Trump construía um muro à volta dela.

 

 

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Trumpland

Adormeci cedo, quando todas as sondagens davam a vitória a Hillary. Acordei tarde e com uma mensagem a afirmar que Donald Trump tinha sido eleito presidente dos EUA. Tentei confirmar no Facebook e no Twitter mas era como se o tempo tivesse parado. Liguei a tv mas não tinha imagem. Não tinha wi-fi e tv. Ficava assim confirmado que tempos de escuridão se aproximavam.

Vem ai um muro a separar o México, pintado com as cores da bandeira americana e guardado por ferozes águias. Cada americano terá pelo menos três armas em casa e o corte de cabelo do Trump irá se tornar moda, assim como o tom de pele laranja.

Ok estou a exagerar um bocadito. Acredito que Trump irá acalmar, já se viu no discurso de vitória, irá ceder aos lobbies e à vontade do Congresso e não terá a jeito o botão para disparar as armas de destruição maciça, mas mesmo assim nada de bom deverá sair daquela abóbora de Halloween que usa no lugar da cabeça. O DiCaprio teve tanto trabalho a fazer o documentário sobre o aquecimento global e Trump não acredita em tal coisa.

Depois de ver discursos, reações e comentários ao resultado das presidenciais nos EUA ainda acabei o dia a perder no Fifa e nos matrecos para o filho de seis anos do meu vizinho, que apesar das minhas tentativas para o converter, já é um benfiquista convicto.    

Portugal não é de todo comparável aos Estados Unidos da América mas poderá muito bem ser um sinal que poderemos ter, num futuro não muito distante, um primeiro-ministro que tenha participado numa Casa dos Segredos. Com a Web Summit por cá, será uma boa ideia criar um startup de elaboração de sondagens porque ultimamente parece que só despejar uns números e rezar para que estejam certos.

 

 

                             

 

 

Há que levantar a cabeça e limpar a casa

Sempre que reparo que a minha casa precisa de uma limpeza dedicada, digo para mim que quando estiver de folga ela irá ficar limpinha, limpinha. Chega a folga e a vontade não existe.

Quando finalmente ganho coragem para começar a limpar a casa, os animais do jardim decidem fazer visitas. A gata Boneca decide que é um bom dia para entrar na minha casa e fazer uma tour. Apesar de ter comido há pouco tempo, vai miando, rebolando e roçando em tudo o que puder roçar. O labrador Oscar acha que é uma boa altura para eu chutar a bola. Se não lhe der atenção começa a choramingar e a cuspir a bola para dentro de casa.   

Com os animais fora do caminho, está na hora de comtemplar, com horror, o estado da minha habitação. Limpar atrás do fogão é lembrar os almoços e jantares que tive por casa. Ao lavar o micro-ondas recordo-me daquele molho que pus a aquecer por um minuto e que a meio da viagem decidiu saltar do tupperware e cobrir o seu interior. Nunca deixo que os pequenos problemas me apoquentem. Só lavo a loiça quando ela chegar à minha altura.

O pó irrita-me solenemente. Eu lembro-me perfeitamente que ainda há três dias tinha passado o pano pela cómoda e hoje estava novamente carregadinha de partículas.Tenho meias para enrolar em cima do sofá. Se calhar é uma boa altura para guardar a ventoinha. Nas portas envidraçadas consigo ver as marcas da passagem dos filhos do meu vizinho, mas os vidros vão ter que ficar para outra altura. Já tive a minha dose diária de produtos tóxicos.       

 

 

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O regresso dos Atletas mas por Turnos

A equipa Atletas mas por Turnos regressa para mais uma prova épica. Desta vez tínhamos pela frente dez quilómetros da Corrida Farmacêutica. Estando eu rouco e o meu colega de equipa com dores nas costas, dava jeito no final recebermos uma caixa de Mebocaína e uma pomada Voltaren.  

Fui dois dias antes levantar os dorsais. Estando eu quase sem voz, tive que repetir três vezes o nome da equipa e mesmo assim a senhora não percebeu. Só consegui ir lá pelo número.“Atletas mas por turnos, que nome engraçado.”, disse ela enquanto entregava sacos da Valormed. Nenhum dos sacos tinha comprimidos. Só no dia da prova é que percebemos que dava para levantar os dorsais na partida.

Estava um calor estranho para um final de Outubro. Havia quem pusesse protetor solar antes da prova. Não me encontrava nas melhores condições físicas mas não estava preocupado, se algo me acontecesse de certeza que teria uma farmacêutica bastante saudável para me auxiliar. Vi um tipo a tirar uma selfie enquanto corria que envergava uma camisola que dizia: “Moreira, o miúdo da mangueira”.  

Terminámos a prova e recebemos água e uma medalha de participação, mas nem sinal de medicamentos. Nem sequer um Ben-u-ron ou uma vitamina. Se alguma vez for pai, irei dizer à criança que todas as medalhas que recebi foram por ter ido ao pódio em todas as provas em que participei.     

 

 

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Afónico por turnos

Comecei a sentir a voz a desaparecer depois de um concerto de Tindersticks, o que dito em voz alta, não abona nada em meu favor.

No dia seguinte até tinha alguma piada, com a voz rouca podia fazer sensação no sexo feminino ao falar-lhes ao ouvido, mas a voz ia se lentamente apagando. Parecia um Leonard Cohen de quinta categoria, um Olavo Bilac desta vida. Com a voz a desaparecer fui ganhando atributos de mimo. Estava pronto para fazer atuações na rua ou para jogar o Party & Company.

A futebolada no final do dia com os amigos também fica mais complicada. Não sou propiamente uma pessoa que fale muito mas dá algum jeito avisar que estou sozinho em frente à baliza. Com tanto esbracejar parecia um assistente de bordo a mostrar as saídas de emergência. A única vez em que a minha voz se fez ouvir foi quando sofri um valente pisão.

No dia seguinte, estava a trabalhar de noite na altura da visita do Sporting ao estádio do Nacional e a minha voz não mostrava melhoras. Levei post-its com as palavras que mais digo quando exerço as minhas funções e com incentivos ao Sporting. Quando o William falhou o penalti encontrei em mim um grito de revolta e com o passar do tempo do jogo quase que comi um post-it. Escusado será dizer que não utilizei o post-it que dizia “Goooolo!!”.  

 

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