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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Vou apanhá-las todas

Dia de procurar caches na Serra de Sintra. Como a área é bastante grande, o pessoal que cria as caches aproveita para as instalar em sítios bastante complicados. Não é de admirar se a descrição de uma cache seja algo do género: “Ninho de águia. Poderá ter que lutar com o animal e/ou dar de comer às crias.”

Num circuito criado pela malta do BTT, encontrámos uma cache em forma de caixa de música da Looney Tunes. A música estava assustadoramente alterada e o Bugs que saía dela já nem conseguia por as orelhas de pé. De noite a música e o ranger constante de uma árvore das redondezas provocaria tanto ou mais medo que o Blair Witch.

Outra cache estava situada onde, reza a história, o corpo de Júlio foi encontrado. Depois de atravessarmos uma quantidade considerável de silvas avistámos uma clareira onde estava um ténis “ensanguentado” com a cache. Pobre Júlio, dado o sítio onde foi encontrado, deve ter sido assassinado por uma Júlia Pinheiro desta vida.      

Encontrar uma cache no meio de uma considerável quantidade de calhaus não é tarefa fácil. Como pista havia uma foto de calhaus, que não era de todo uma grande ajuda. A queda do telemóvel, que nos mostrava o caminho, entre pedregulhos foi um claro sinal que o melhor era desistirmos. O telemóvel sobreviveu. Foi uma chamada divina.

No final dez caches foram encontradas, o telemóvel resistiu mas o Júlio morreu. Não tivemos direito a sequer uma queijada pela nossa proeza.

 

 

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Nos Olímpicos foi tudo legal

Os Jogos Olímpicos chegaram ao fim e foram dias bem passados. Só na altura dos Jogos é que dou por mim a ver badminton, ténis de mesa e natação sincronizada sem mudar de canal. No badminton é algo inglório ver um atleta aplicar toda a sua força na raquete para certar num volante que acaba por travar no ar. O ténis de mesa faz-me lembrar os tempos de escola e o pouco jeito que tinha e há algo de relaxante em ver as pernas fora de água das atletas da natação sincronizada. Fico também bastante impressionado com o jogo de cintura dos atletas da marcha. 

As provas de ginástica também têm muito que se diga. Ver uma chinesa a fazer acrobacias com uma bola, ao som de Whitney Houston, pode ser algo assustador. Vi também um norte-coreano a vencer a medalha de ouro mas a permanecer impávido e sereno. Deve se ter lembrado que não faltava muito para voltar o seu país. Só nos Jogos é que me lembro que o Palau, Nauru, Tuvalu e Vanuatu são países.

Houve pedidos de casamento, uma piscina com água verde, quem se atirasse para a meta e quem tenha acabado a maratona a correr de lado. Houve atletas assaltados e um falso assalto made by americans. O nadador Lochte, já com outra cor de cabelo, depois de descoberto acabou por pedir desculpas, afirmando que não mentiu mas que apenas exagerou na história.

Phelps, Bolt e a Simone Biles acabaram que por ser os atletas com mais medalhas arrecadadas. O Bolt ganhou também novas fotos de perfil para o facebook, da altura em quem sorriu para os fotógrafos em plena prova. A nossa grande Telma Monteiro levou o bronze para casa. Não me importava de ser atirado ao chão por ela.

Vou ter saudades de ficar acordado até tarde para ver os olímpicos e andar a mudar da RTP1 para a RTP2 e vice-versa, acabando por não ver as provas que queria. Vou já começando a preparar o sofá e o comando para Tóquio 2020.

 

 

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Jogos Olímpicos no trabalho

Os Jogos Olímpicos não se passam apenas no Rio de Janeiro. No local de trabalho também existem disponíveis várias modalidades.

Os 10 metros bebedouro é uma prova que requer alguma velocidade quando a pausa laboral é pequena. No final é recompensado com água exatamente à temperatura que pretende, isto claro se o bebedouro assim o entender.

Se tiver pressa e não lhe apetecer levantar-se, sempre pode realizar uma corrida de cadeiras. Há que fazer os possíveis para se manter na sua pista para evitar colisões.

O lançamento de cenas para o caixote do lixo pode ser um desporto bastante entusiasmante mas se corre mal, o ato de levantar e ir apanhar já não é tão engraçado.

Qualquer altura do dia é boa para o levantamento da bolacha. Desde bolachas Maria, passando pelas tostadas ou até mesmo pelas recheadas, qualquer tipo de bolacha é boa para a prática da modalidade. Há que ter bastante cuidado para não ficar dependente de bolachas de canela.

É preciso um número considerável de fatores estarem reunidos para prática da modalidade mas quando tal acontece, o bocejo sincronizado pode ser algo de mágico ou só apenas deprimente.

Existem controlos antidoping, para o empregado não consumir demasiadas doses de cafeina e quando o turno termina, qualquer atleta se transforma num Bolt desta vida em direção à saída.

 

 

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Sozinho em casa

Oscar, o labrador que me usa como principal lançador de bolas, está de férias. O meu vizinho e as suas crianças estão de férias. Não sei o que vou fazer com tanta tranquilidade.

Posso começar por finalmente escrever as minhas memórias. Desde a altura em que escrevia quadras com as palavras espiga e farinheira para oferecer a uma colega de escola até ao começo da minha vida por turnos que é bem difícil e complicada.

Como uma viagem a Berlim está a se aproximar, posso tirar um curso de alemão. Ver e rever os filmes ”Das Boot”, “Der Untergang”, “Lola Rennt” e todas as temporadas do "Rex, o Cão Polícia". Falar sempre como se estivesse bastante chateado. Cuspir ocasionalmente.

Em altura de Jogos Olímpicos posso ver todos os jogos de ténis de mesa, badminton e natação sincronizada. Nos próximos Jogos estarei preparado para fazer os comentários dessas modalidades na RTP.

Com os filhos do meu vizinho fora, o meu computador vai deixar de tocar músicas da Xana Toc Toc, do Agir e os hinos dos três grandes do futebol. Posso guardar os ténis que só uso para chutar a bola ao Oscar.

 

 

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Eu sobrevivi ao videoclip do Carlos Costa

Estava eu muito bem a trabalhar por turnos quando um colega começou a falar de um vídeo do Carlos Costa. Como não me bastava as desgraças dos fogos pelo país, tinha que ver outra por isso fiz play e coloquei em ecrã inteiro para o resto do pessoal ver. Comecei a ver o videoclip sem som e rapidamente passei de António para atónito. Só quando o vídeo ia a meio é que consegui arranjar forças para fechar a janela. Se o filme “The Ring” fosse com o Carlos Costa a sair da televisão no final do vídeo, seria bem mais assustador.

Como tenho os problemas que tenho, quando cheguei a casa fui ver o vídeo na íntegra e com som.  A música chama-se ”Tequila” e por isso faz todo o sentido que ele se passe a chamar Carlos Cuesta. E perguntam vocês o que rima com tequila? Chinchila, vanilla e Godzilla e tudo isso aparece no videoclip. Há animais de laboratório que sofrem bem menos que a pobre da chinchila.

Há bastante bonecada, o cantor e bailarinos estão vestidos numa espécie de fato de banho do chinês e praticam o gira a garrafa. Carlos aparece nu e vestido com feno mas que infelizmente não arde. Se és surdo fica descansado porque existe o quadrado da senhora da língua gestual. Isto pode muito bem ter arruinado para sempre os meus shots de tequila…

 

                        

 

O Esquadrão Suicida português

O filme “Esquadrão Suicida”, sobre um grupo de vilões obrigados a salvar o mundo em troca de sentenças reduzidas, já está nos cinemas mas creio que a versão portuguesa teria muito mais piada.

O Deadshot, o assassino que nunca falha um tiro, seria representado por Vale e Azevedo, que por todos os sítios onde passou nunca deixou de levar o “seu”. Killer Croc, o vilão que tem um grave problema de pele que o torna semelhante a um crocodilo, seria interpretado pelo verde Ricardo Salgado que está mais do que habituado a se mover pelos pântanos financeiros em seu favor.

O Capitão Boomerang seria representado pelo homicida mais conhecido por Palito, que em vez de atirar boomerangs atiraria palitos mortais e El Diablo, o criminoso que controla o fogo, teria uma desta bestas acéfalas, que propositadamente põe Portugal a arder, no seu lugar.

Haveria também o mediático Joker Sócrates, que apesar de todas as ilegalidades cometidas, mantem a sua legião de seguidores e tem uma relação bastante complicada com a louca e imprevisível CMTV, que não olha a meios para conseguir o que quer.

Brevemente numa sala de cinema perto de si.

 

Meu querido mês de agosto

Meu querido mês de agosto

Em que passo os dias a trabalhar

Trago olheiras no rosto

Meu querido mês de agosto

E trago café para ajudar

Meu querido mês de agosto

Em que passo os dias a trabalhar

Trago protetor no rosto

Meu querido mês de agosto

Para a luz dos monitores não me queimar

 

Já passaram tantos dias

Já passaram tantas horas

E eu ando louco para folgar

Pela internet já vi de tudo

Na praia está meio mundo

E eu ando louco para folgar

De descansar eu bem preciso

Na entrada a tolha vou estender

Para o sol e os colegas receber

E ser o primeiro a fugir para o paraíso

 

Meu querido mês de agosto

Em que passo os dias a trabalhar

Trago desânimo no rosto

Meu querido mês de agosto

E tomei umas cenas para acalmar

Nos Olímpicos tá tudo legal

Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro começam dia 5 de Agosto e a organização já tem deixado muito a desejar.  As delegações da Austrália, Argentina, Suécia e até a de Portugal queixaram-se de falta de condições da Aldeia Olímpica e muitos dos atletas preferiram ficar hospedados em hotéis. Quartos sujos, problemas elétricos, sistema de esgotos que não funcionam e a inexistência de água quente são alguns dos problemas que apoquentam os competidores. Se eu morasse no Rio alugava a minha casa aos atletas, dando preferência à comitiva sueca feminina. Nem os Pokémons querem ficar na Aldeia Olímpica, até na favela há casas com melhores condições.

Mas o problema do Rio 2106 não é só a Aldeia Olímpica. A qualidade da água onde se irão realizar as provas de natação em águas abertas, remo e vela não é a melhor.  Lixo e até fezes humanas circulam pelas águas mas não há problema nenhum desde que os atletas permaneçam de boca fechada. O Rio de Janeiro poderá muito bem ser o local do primeiro lançamento olímpico de cocó via remo. Os atletas russos excluídos dos Jogos devido a manipulação de resultados de doping já não devem estar muito chateados por ficarem em casa.

Já ninguém se preocupa com o zika, o verdadeiro problema será sobreviver à estadia no Rio de Janeiro. Só por isso, todos os participantes deviam receber uma medalha.

 

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Estás mais magro

Nunca fui gordo. Quando nasci até tinha bochechas mas com o tempo elas foram desaparecendo. Quando me dizem que estou mais magro torna-se preocupante.

Tenho todo o respeito pelas pessoas com excesso de peso que tentam a todo o custo o perder mas ser magrinho também não é nada fácil. Lingrinhas, cabide andante e radiografia são alguns dos nomes com que “carinhosamente” me tratam.

Costumo dizer que o Verão está a chegar por isso preciso de engordar mas quando chega a estação do calor, eu continuo na mesma. Muitos afirmavam que quando chegasse aos trinta é que ia começar a ganhar peso mas a balança nem notou a diferença. Bem que posso almoçar e jantar em restaurantes com buffet, lanchar e cear no McDonald’s e no final do dia devorar 950 ml de gelado do Pingo Doce que na manhã seguinte continuo levezinho.

Enquanto escrevo este texto vou devorando bolachas com altos valores calóricos porque a esperança é a última a engordar e eu não quer ser a esperança.

Os dias do fim

Se há pouco mais de dois anos alguém anunciasse que o Trump seria candidato republicano à Casa Branca, o Lopetegui seria selecionador espanhol, o aeroporto da Madeira iria se chamar Cristiano Ronaldo e que os Pokémons invadiriam o mundo, ninguém iria acreditar.

Trump, que antes aparecia na televisão para despedir pessoas, quer restringir a imigração e construir um muro ao longo de toda a fronteira do México. Resta saber se serão os americanos ou os próprios mexicanos a construir. O pequeno bigode do Hitler é agora representado por um farto cabelo alaranjado. Alguém que apanhe o Trump numa pokébola que já lá tenha dentro uma banda mariachi e que nunca o liberte.

O Ronaldo é um dos melhores de sempre, isso não há dúvidas, agora era escusado o aeroporto da Madeira se chamar Cristiano Ronaldo. Ele já tem um museu, uma estátua e a mãe a vender bananas, não precisava de mais esta homenagem. Mas já que insistem, a experiência de permanecer no aeroporto Cristiano Ronaldo ficaria completa se todos os funcionários vestissem a marca CR7, as músicas da Kátia tocariam em todo o recinto, o depósito das bagagens receberia o nome “Dolores Aveiro” e a alfândega seria controlada pelo amigo marroquino.

Com tantos acontecimentos estranhos a surgirem, não é preciso ser nenhum Nostradamus para perceber que o fim está próximo.

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