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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Nascido em Ranholas

Toda a gente conhece pelo menos uma terra com um nome peculiar. Quando era miúdo, entrei num torneio de futebol em que o primeiro lugar dava direito a frango assado. O campo ficava em Ranholas e acabei por ir de estômago vazio para casa. Não fui feliz em Ranholas.

Quando era mais novo, passava por um placa que dizia Carne Assada e pensava que se seguisse por aquela estrada, iria encontrar um restaurante cuja especialidade fosse carne assada. Estava enganado, Carne Assada é nome de uma terra. Um vegetariano que viva nessa terra será sempre ostracizado.

Gostava mesmo de saber se houve alguma reunião, com uma lista de possíveis nomes elaborada pelo criativo lá da zona e uma votação para escolher os nomes das terras. Gostava de conhecer o ou os tonis que acharam por bem dar o nome de Picha a uma aldeia.

Quem acaba por sofrer com isto tudo são os habitantes dessas aldeias. Coitadas das moradoras de Venda das Raparigas que passam a vida a serem interrogadas pelo seu preço. Desgraçados dos adolescentes, que apesarem de se darem bastante bem com os seus pais, acabam por fugir de casa por já não suportarem dizer que vivem no Pau Gordo.       

Há quem procure amor em Solteiras, Cama Porca ou Colo do Pito, desconhecendo por completo que Amor fica a 10 quilómetros de Leiria.

A minha vida pode ser complicada mas antes criado em Mem Martins do que em Monte de Meda.

 

 

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A minha vida dava um filme do Syfy

Decorre o ano de 2110 e o planeta terra foi invadido por Oscães, labradores chocolate que obrigam os seres humanos a atirar bolas até aos seus últimos dias.

Toni é escravo há mais de 12 meses. Vai atirando e chutando a bola, sempre na esperança que seja a última vez, mas o seu raptor acaba sempre por voltar para mais uma volta. Tem uma considerável coleção de artroses e mialgias de esforço e nas poucas alturas que consegue descansar, sonha que consegue sair, em câmara lenta, pelo portão blindado do jardim e se transforma num toni livre.       

Já tentou construir algo que atire bolas sem necessitar da sua presença, mas não obteve grandes resultados. A máquina que encomendou do eBay nunca chegou. Fez amizade com a Boneca, uma gata rebelde que vai sobrevivendo no jardim saltando de uma árvore para a outra.

Era suposto ser mais um dia como os outros até que olha para o intransponível portão e ele parece aberto. A sua visão já não tem a qualidade de outros tempos, mas consegue jurar que o portão está apenas encostado. É agora ou nunca.

Olha para a Boneca, no topo da sua árvore e ela olha para ele. Ela sabe o que tem a fazer. Pode muito bem ser o último dia da gata mas ela está disposta a correr esse risco. Na altura que o Oscão regressa com a bola na boca e a cauda a abanar, a Boneca passa à frente dele. Oscão parte em perseguição à gata.

Mesmo doendo todas as partes do seu corpo e ainda mais algumas, Toni corre em direção à liberdade. Começa a tocar a música “Freedom” do filme do Django. A Boneca, no topo de uma àrvore, mia de felicidade. O portão está mesmo aberto e todo um mundo novo está à disposição do Toni.   

Oitchentcha e otcho problemas

A trabalhar na noite do Rio Ave x Sporting. Também tinha estado a laborar na noite do Real Madrid x Sporting.  A minha vida não é fácil.

A equipa que tinha feito uma grande exibição em Madrid perdeu por três a um em Vila do Conde.  Até ao final da noite laboral ainda tenho que ouvir os comentários do jogo e ver os golos. Vou comendo bolachas tostadas para combater a depressão. Os meus colegas vão perguntando se ainda estou vivo.

No dia seguinte o meu vizinho pergunta se posso ir com ele a Lisboa para transportar uns móveis. Tínhamos que ser rápidos porque trabalho por turnos e estava escalado para o turno da tarde. Deve haver um estudo que prova que é nas alturas de maior pressa que se apanha trânsito.  Encontrámos um acidente e durante o pára-arranca deixámos passar um carro carregadinho de penicos amarelos.

Chegámos ao local e carregámos a carrinha até não dar mais. No regresso, um tuk tuk elétrico carregadito com turistas passou por nós. Se tivessem um guia turística a bordo, ele teria dito que tinham acabado de ver um típico toni com uma máquina de costura Singer ao colo. Não tinha vestido roupa velha para o evento e ganhei umas ameaçadoras manchas negras nas minhas calças de ganga mais recentes.

Consegui chegar a tempo ao trabalho para ser massacrado com piadas do “oitchentcha e otcho” e do Real Ave. Eu como anteriormente tinha feito piadas de enorme qualidade acerca do Talisca, até que merecia estas entradas a pés juntos dos meus colegas.

Há que levantar a cabeça, comer bolachas e esperar que o turno acabe rápido.      

Os donos do jardim

Oscar, o labrador obcecado por bolas, regressou das férias bastante diferente. Esteve duas semanas numa quinta e quando voltou deixou de demonstrar interesse por qualquer tipo de bola. Passa mais tempo dentro da sua casa e quando vai ao jardim é para se aliviar ou para controlar quem passa perto do portão.

Poderá ser da idade, agora que está mais velho o Oscar já não sente necessidade de grandes correrias por algo que não seja para comer. A síndrome pós-férias, a falta de um toni para lhe lançar as bolas durante o período em que esteve fora ou ter estado internado numa clínica de desintoxicação de bolas poderão também explicar o desinteresse do Oscar pelos objetos redondos.

O ancião Guma continua a marcar presença no portão para ladrar a quem passa ou simplesmente para descansar os olhos por um bocado. Tem andado bastante ativo mas na altura da refeição costuma ser mais complicado. Há dias em que se recusa a comer o que vem na tigela mas às guloseimas ele já não diz que não. Posso muito bem estar a torná-lo bolachodependente, sendo as Maria e as tostadas as mais frequentes.

Se acordo cedo a gata Boneca entra de rompante na minha casa, a miar como se não houvesse amanhã, para eu lhe abrir uma lata da sua comida favorita. Um dos gatos visitantes tem aparecido com mais frequência no jardim e cada vez mais se vai aproximado da minha casa, ficando a olhar com ar de cobiça. Vai passar a ser o Albano e terá que perceber que na minha casa só é permitida a entrada de um gato de cada vez.  

 

 

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O competitivo mundo do futebol entre conhecidos

É possível encontrar uma grande variedade de personagens nos jogos de futebol entre conhecidos:

 

O Jorge Jesus dos pobrezinhos

Diz a todos os jogadores como se devem comportar em campo. Se antes do jogo tivesse acesso a um quadro branco e uma caneta, teria feito várias bolinhas e tracinhos e ainda teria dado um discurso igual ao último filme inspirador que viu. Muitas vezes o maior problema desse jogador é que não sabe o que fazer quando tem a bola nos pés.

 

O Messi da Tapada

O mais talentoso que finta todos e mais alguns, ziguezagueando pelo campo a fazer tuneis, cabritos e outros truques de circo. Normalmente esse jogador não se lembra que tem colegas de equipa para passar a bola e até não se lembra que o objetivo do jogo é fazer golos. No final vai para casa a dar toques ou a equilibrar a bola na cabeça. Não vai a conduzir porque tem medo de fintar as curvas.

 

O Caceteiro

“Se a bola passa, o jogador não” é o lema dele. Dá literalmente tudo em cada lance. É o tipo que consegue lesionar o maior número de pessoas mas no final diz que não foi de propósito, só tentou jogar a bola. Tem um poster do Maxi Pereira no quarto e aprecia uma boa dentada do Suárez.

 

O Bolt de Caxias

Há sempre alguém que parece ter uma mudança a mais que os outros. A maior parte das vezes consegue ser mais rápido que a bola. Pensa que está a jogar FIFA, tentando sempre jogar de primeira mas sem grandes resultados.  No final do jogo é quando dá mais nas vistas porque os outros já estão cansados. Só não vai a correr para casa porque é ainda é longe e no dia seguinte está no turno da manhã.

 

A antiga glória

É aquele que antes, durante e depois do jogo se queixa que está demasiado velho para isto. Diz que não está em forma e que começa o jogo na baliza, mas quando sai de lá nunca mais volta. Fica acampado na frente à espera que a bola lhe chegue. Quando finalmente marca um golo, exclama que afinal não está assim tão acabado. Nos balneários vai mostrando as marcas de outras batalhas e vai dizendo aos mais novos que quando tinha a idade deles ninguém o parava.

 

O mal perdedor

Nem ao papel, pedra ou tesoura gosta de perder. Encara todos os jogos como se fossem uma final da Liga dos Campeões. É o tipo que se sente mais falta de um árbitro para reclamar. Lembra-se perfeitamente do 2 de Abril de 2014 em sofreu falta dentro da área na altura em que o responsável do campo, de esfregona na mão, dá o jogo por terminado. Fica deprimido porque no final não há nenhuma taça para levantar e tem que pagar por ter jogado.

 

O gordo vai sempre à baliza

O gordo vai sempre à baliza.

 

 

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O trabalho não aquece

Quem chega, diz que lá fora está um calor que não se pode. Na sala onde estou podia muito bem ter uma família de pinguins a construir o seu lar.

Fui trabalhar com uma simples t-shirt sem nunca imaginar que no meu posto iria precisar de um polar. Sempre que posso saio para evitar a hipotermia. Infelizmente não consigo trabalhar a partir do corredor.

Lembrei-me do filme, baseado em fatos reais, sobre os atletas uruguaios de rugby que sobreviveram à queda do avião nas gélidas montanhas dos Andes e que para sobreviverem tiveram que recorrer ao canibalismo.  Acho que não vou precisar de comer ninguém até ao fim do dia laboral mas para já não vou por de parte essa possibilidade.

Uma fogueira não era mal pensada. Era partir umas quantas cadeiras e usar o balde do lixo para conter o fogo. No final do dia teríamos todos sobrevivido e no seguinte teríamos à nossa espera cadeiras novas e confortáveis.   

Finalmente são horas de sair do trabalho e não foi preciso recorrer a nenhuma fogueira. Nem sequer uma dentada ao colega do lado foi dada. Estou livre para descongelar e ganhei uma nova tosse para me fazer companhia nas folgas.  

 

 

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Um mental/life/coiso coach 24 horas por dia

Mental coach, life coach, citador de frases inspiradoras… Essa alegada profissão tem vários nomes e acredito que devíamos ter um desses “profissionais “ em acompanhamento permanente.

Acordas e não estás a gostar do que vês ao espelho? Não desanimes, o mental coach está ao teu lado a garantir que nunca estiveste melhor, que o dia é teu para ser conquistado e que irás marcar o golo decisivo na final do Europeu.

Chegas ao trabalho e está a confusão instalada.  O teu emplastro favorito está ali para te assegurar que consegues tratar de tudo com as duas pernas atrás das costas enquanto seguras o café. O dia laboral acabou por não correr bem, mas está descansado que até o Steve Jobs teve dias maus e que nem o Bill Gates conseguiria melhor.

O teu jantar foi um menu Big Tasty grande e um Mc Flurry Oreo como sobremesa mas agora estás arrependido. Não vale a pena porque dias não são dias e comer sempre algo saudável é uma amarra à tua liberdade.  Tudo o que é a mais é bom, mesmo que seja uns quilitos ou o valor do colesterol.

Chega ao final do dia e ela não dá metade da atenção que tu lhe dás, nem sequer responde à mensagem que lhe enviaste de manhã. O mental coach está presente para te garantir que há mais marés que marinheiras, que há que levantar a cabeça e para acabar a noite a fazer conchinha contigo.

A manhã em que vi toda a net

O primeiro despertador tocou às seis e um quarto. Dormi pouco ou nada. Se calhar não devia ter visto os Xutos a noite passada. Não quero sair da minha alegre casinha.

No trabalho pouco ou nada acontece. Já vi os meus e-mails do trabalho, do Sapo, do Outlook e do Gmail. Quase que respondi a um tal de Gregory que afirma que tenho direito a uma herança. Tenho o Facebook e o Twitter abertos mas nada de extraordinário acontece. Eu é que não me lembro da password, senão também teria ido ao Hi5.

Já bebi pelo menos dois cafés. Quase que agradeci a máquina pela cafeína que disponibilizou a troco de moedas.  

Fiz pesquisas no Google, Bing e Yahoo, viajei por Berlim sem sair da cadeira, procurei pelas últimas novidades de filmes e séries, consultei as últimas transferências no futebol e as respetivas mulheres dos futebolistas e ainda procurei por um emprego como controlador de areia em Bora Bora.   

Consegui terminar o turno sem aterrar com a cabeça no teclado. Muitas mais coisas eu vi pela internet, mas que apenas ficaram registadas no histórico, que eu esqueci-me de apagar. Consegui terminar o dia sem aceitar nenhum desafio no Facebook.

 

 

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Vou apanhá-las todas

Dia de procurar caches na Serra de Sintra. Como a área é bastante grande, o pessoal que cria as caches aproveita para as instalar em sítios bastante complicados. Não é de admirar se a descrição de uma cache seja algo do género: “Ninho de águia. Poderá ter que lutar com o animal e/ou dar de comer às crias.”

Num circuito criado pela malta do BTT, encontrámos uma cache em forma de caixa de música da Looney Tunes. A música estava assustadoramente alterada e o Bugs que saía dela já nem conseguia por as orelhas de pé. De noite a música e o ranger constante de uma árvore das redondezas provocaria tanto ou mais medo que o Blair Witch.

Outra cache estava situada onde, reza a história, o corpo de Júlio foi encontrado. Depois de atravessarmos uma quantidade considerável de silvas avistámos uma clareira onde estava um ténis “ensanguentado” com a cache. Pobre Júlio, dado o sítio onde foi encontrado, deve ter sido assassinado por uma Júlia Pinheiro desta vida.      

Encontrar uma cache no meio de uma considerável quantidade de calhaus não é tarefa fácil. Como pista havia uma foto de calhaus, que não era de todo uma grande ajuda. A queda do telemóvel, que nos mostrava o caminho, entre pedregulhos foi um claro sinal que o melhor era desistirmos. O telemóvel sobreviveu. Foi uma chamada divina.

No final dez caches foram encontradas, o telemóvel resistiu mas o Júlio morreu. Não tivemos direito a sequer uma queijada pela nossa proeza.

 

 

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Nos Olímpicos foi tudo legal

Os Jogos Olímpicos chegaram ao fim e foram dias bem passados. Só na altura dos Jogos é que dou por mim a ver badminton, ténis de mesa e natação sincronizada sem mudar de canal. No badminton é algo inglório ver um atleta aplicar toda a sua força na raquete para certar num volante que acaba por travar no ar. O ténis de mesa faz-me lembrar os tempos de escola e o pouco jeito que tinha e há algo de relaxante em ver as pernas fora de água das atletas da natação sincronizada. Fico também bastante impressionado com o jogo de cintura dos atletas da marcha. 

As provas de ginástica também têm muito que se diga. Ver uma chinesa a fazer acrobacias com uma bola, ao som de Whitney Houston, pode ser algo assustador. Vi também um norte-coreano a vencer a medalha de ouro mas a permanecer impávido e sereno. Deve se ter lembrado que não faltava muito para voltar o seu país. Só nos Jogos é que me lembro que o Palau, Nauru, Tuvalu e Vanuatu são países.

Houve pedidos de casamento, uma piscina com água verde, quem se atirasse para a meta e quem tenha acabado a maratona a correr de lado. Houve atletas assaltados e um falso assalto made by americans. O nadador Lochte, já com outra cor de cabelo, depois de descoberto acabou por pedir desculpas, afirmando que não mentiu mas que apenas exagerou na história.

Phelps, Bolt e a Simone Biles acabaram que por ser os atletas com mais medalhas arrecadadas. O Bolt ganhou também novas fotos de perfil para o facebook, da altura em quem sorriu para os fotógrafos em plena prova. A nossa grande Telma Monteiro levou o bronze para casa. Não me importava de ser atirado ao chão por ela.

Vou ter saudades de ficar acordado até tarde para ver os olímpicos e andar a mudar da RTP1 para a RTP2 e vice-versa, acabando por não ver as provas que queria. Vou já começando a preparar o sofá e o comando para Tóquio 2020.

 

 

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