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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

32 e é complicado

Isto de a idade aumentar conforme o passar dos anos devia deixar de ser obrigatório. Já tenho cabelos e barba branca que comprovam que já não vou para novo, era desnecessário ter um número associado à minha pessoa.

Nunca fui fã de acordar cedo, não sei bem a que horas nasci mas de certeza que foi da parte da tarde, mas no dia que supostamente é meu às seis da matina já estava a trabalhar. Passei a manhã a receber abraços dos colegas, a fazer likes às mensagens deixadas no facebook e a atender chamadas das pessoas mais antigas.

O dia era meu mas a minha avó pediu netos. Respondi a todas as mensagens deixadas ao Tó, Toni, Neves e a outras variantes menos utilizadas do meu nome mas a parte dos netos vai ser mais complicada.

No meu dia a princesa Charlotte fez um ano, o Leicester conseguiu o que era considerado impossível e sagrou-se campeão da Liga Inglesa de futebol e um toni destas redes sociais revelou o final do último episódio do Game of Thrones e eu ainda não o tinha visto.   

 

 

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O Fantasma do T0

Sempre que se fala em casas assombradas são sempre grandes casarões com divisões que nunca mais acabam mas eu posso muito bem ter descoberto o primeiro T0 assombrado.

Num pequeno espaço de tempo, tão pequeno como a casa, o meu exaustor deixou de trabalhar, a minha televisão começou a desligar-se e a ligar-se sozinha e o meu telemóvel quando começa a ficar com pouca bateria começa a trabalhar sozinho.  

Tudo isto pode ter uma explicação dita normal: o exaustor deixou de exercer funções devido à acumulação de gordura (devia ter lavado mais vezes os filtros), a televisão pode só agora estar a manifestar um sintoma que vários utilizadores da mesma se têm queixado pela internet e o telemóvel estar simplesmente a portar-se como o aparelho barato que é mas a teoria do fantasma também pode ter algum fundamento.

Pode ser um fantasma humilde que nunca necessitou de um grande espaço para assombrar, que detestava o barulho do exaustor a trabalhar, que sempre que estou a ver algo na televisão que não lhe interessa decide mostrar o seu descontentamento e quer consultar as últimas do facebook no telemóvel mas falta-lhe o touch.

Vai ser o fantasma Serafim e quando eu conseguir gravar e colocar no youtube o vídeo da minha torradeira a fazer um mortal irá se tornar mais famoso que o Gasparzinho e passará a assombrar um T2 no Mucifal.

 

                                           

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Linha de Sintra Vs Linha de Oeiras

Nascido e criado na linha de Sintra fui viver há uns anitos para o concelho de Oeiras e por lá tenho andado até que surgiu recentemente uma oportunidade para regressar à minha terra.

Se regressar às origens sempre estou mais perto da família correndo assim o risco de passar lá a maior parte do tempo para pôr a impressora a funcionar, resolver os problemas de falta de internet ou a explicar o porquê do browser estar com as letras muito pequenas. Onde vivo é o maçador do meu vizinho/senhorio que me chateia com isso.

Por cá posso fazer as minhas corridas à beira mar enquanto na minha terra elas seriam entre prédios para tentar não ser assaltado, o que até seria um bom incentivo e uma ótima oportunidade para bater recordes.

Na esplanada deixaria de ouvir falar francês, conversas sobre golf ou os dramas das empregadas que não fazem tudo o que pedem para passar a ouvir crioulo, conversas sobre a bola e os suspiros por nunca mais sair o euromilhões.

Na linha de Sintra o tempo é sempre mais nublado e ventoso, teria que trancar e retrancar a porta de casa e a possibilidade de ouvir kizomba em alto e bom som de um carro parado é bastante grande. Na linha de Oeiras já me assaltaram o carro só para roubarem o distribuidor.

Deixaria de ter um jardim para atirar a bola ao Oscar e as visitas da Boneca para passar a viver num andar de um prédio com a ocasional visita de um pombo. Seria o pombo Albano e iria usar uma fita verde e branca.

Sair ou não sair, eis a questão.

 

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Quero dedicar este impeachment a....

Ia eu começar a por as séries em dia quando vejo pelas redes sociais várias comentários à votação do impeachment e tive que ver pelos meus próprios olhos. Lá descobri onde fica a TV Record e já não consegui mudar de canal.

Há quem dedique o voto a todos e mais alguns. Aos filhos, à mulher, aos tios e sem ter visto desde o início acredito perfeitamente que alguém tenha dedicado o voto ao seu animal de estimação. Houve quem interrompeu um discurso só para dizer que se tinha esquecido da dedicatória ao filho. Acredito que ninguém tenha agradecido à sua amante.

Telemóveis estão ao alto em modo gravação para os deputados no final poderem ver e rever o seu grande momento de fama e partilharem nas redes sociais. Não vi nenhum a tirar uma selfie mas não deve faltar muito para tal acontecer. Existem um grande numero de bandeiras no recinto por isso quem esteve a vendê-las à entrada já ganhou. Devia haver música, como nos Óscares, para interromper os discursos intermináveis.

Não consegui ver até ao fim mas a vitória não deve fugir ao Sim. É o futuro de um país que está em jogo mas não parece.

Life Coach por turnos

Agora que saiu o novo livro do Gustavo Santos, que já está a dominar os tops das principais livrarias, começo a acreditar que também eu poderei dar conselhos que possam mudar, de uma forma bastante positiva, a vida a muita gente. Deixo aqui alguma da minha sabedoria de vida:

 

Se virar à direita não resultar, experimente virar à esquerda.

O amor acontece.

A seta do cupido pode aleijar.

Os pés mostram o caminho.

Abrace a carrinha das mudanças.

Se achas que perdeste alguém, tenta lembrar-te da última vez que a deixaste.

És o responsável pelo caminho que levas se não levares gps.

Existir é Top.

Verifique ao pormenor o currículo do jardineiro da sua árvore da vida.

Se lhe sair o euromilhões deixe que eu lhe mostre o caminho para a felicidade.

A vida segundo o horóscopo semanal

Viver segundo o horóscopo semanal não é tarefa fácil. A mais que conhecida Maya, quiçá mais famosa que a abelha de mesmo nome, diz que a minha carta da semana é o Eremita e por isso devo ficar quietinho no meu cantinho sem tomar grandes iniciativas.

No plano afetivo poderá haver confusão e no plano económico não posso fazer grandes gastos. Se for almoçar ou jantar fora é melhor só comer hamburguers de um euro. Na saúde vou ter problemas de resistência física o que significa que quinta à noite vou à baliza.

O astrólogo Paulo Cardoso afirma que vão estar em alta as minhas capacidades de comunicação e raciocínio portanto vai ser esta a semana que vou conseguir apoio para o meu projeto da máquina que atira bolas de ténis para o Oscar as ir buscar até à exaustão. No amor devo ajudar o próximo sem esperar nada em troca, ou seja irei continuar a ajudar desconhecidas nos supermercados ao tirar produtos das prateleiras mais altas.

Por último a Maria Helena, a senhora da SIC que vende amuletos, diz que a minha carta é um sete de paus o que significa Discussão, Negociação Difícil. No amor devo evitar ciúmes e procurar uma nova amizade ou seja à mínima suspeita mais vale evitar chatices e arranjar logo outra. Na saúde vou estar mal do estômago o que significa que não me devo afastar muito das casas de banho e ter bateria suficiente no telemóvel para passar lá o tempo. No dinheiro tenho que cuidar dos negócios e indica seis números da sorte, ficando a faltar um número para uma chave completa do euromilhões para evitar que todos os touros deste país fiquem excêntricos.

Resumindo devo evitar grandes confusões mas posso seguir em frente com o meu revolucionário projeto, tenho que ter cuidado com o que gasto, vou andar cansado e com problemas de estomago que muito provavelmente terão origem nas porcarias que vou comer para não gastar dinheiro e o amor, para não variar, vai ser complicado. Vem aí uma semana nada fácil.    

Férias na Coreia do Norte

Chegou a altura de marcar férias e ocorreu-me a Coreia do Norte como um sítio bem simpático para passar uns dias. Uma visita ao país onde se brincam aos misseis, onde já foi “cientificamente” provada a existência de unicórnios e onde dormir no trabalho é considerado crime tem tudo para ser uma grande animação.

Passear por Pyongyang só com visita guiada, nada de andar à maluca pela cidade e todas as fotos tiradas têm que mostrar como é giro e fofinho o país de Kim Jong-un senão és “gentilmente” obrigado a apagar. Nada de tirar fotos ao exército.  

As visitas guiadas têm paragens obrigatórias nos museus que contêm fatos bastante credíveis tais como Kim Il-Sung ter escrito mais de mil livros em três anos e Kim Jong-Il ter aprendido a andar com apenas três semanas de vida. Ler isso e não mostrar quaisquer sinais de desrespeito não é parar qualquer um.

No fundo a grande experiência norte coreana resume-se a de tirar uma selfie com uma estátua do Kim Jong-un, encontrar um resquício de internet para a partilhar no facebook com a legenda “Eu e o Grande Líder. A Coreia do Norte é top <3” e regressar para o quarto que tem escutas por todo o lado. Encontrar o cabeleireiro do Kim e fazer um corte igual seria épico.

Não vou agora para a Coreia do Norte nem tenho planos para ir para esses lados num futuro próximo mas seriam de certeza uns dias bem passados.

 

                                                      

                                   

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A minha vida em Mono

Andei uns tempos a ouvir mal do lado direito da minha vida. No princípio comecei a culpar a chegada da Primavera que com ela traz alergias fofinhas que me desgraçam o nariz e ouvidos mas as gotas e os comprimidos não melhoravam a audição.

Existem pessoas que tem um tom de voz bem baixinho e parecia que todas elas queriam falar comigo nessa altura. A maior parte das vezes pedia para repetir e se mesmo assim não ouvia, sorria e abanava a cabeça. Também devo ter dito ok a umas quantas coisas que mais tarde possa vir-me a arrepender.

Finalmente consegui consulta de otorrinolaringologista, ou só otorrino para os amigos. Ter hora marcada não significa necessariamente que seja atendido na altura prevista. A rececionista disse que depois o doutor chamava, o que pode ser complicado para quem ouve mal. Na sala de espera não haviam revistas antigas mas sim um panfleto com as últimas promoções do Pingo Doce.

O tempo passava e eu começava a ficar preocupado com o sítio onde tinha deixado o carro, que muito possivelmente era só para moradores. De repente umas senhoras entram em amena cavaqueira sobre os comprimidos que andavam a tomar. A conversa estava animada e o tom de voz era elevado o que mesmo com as minhas dificuldades auditivas era impossível não ouvir.

Quase uma hora depois do previsto sou chamado. O meu ouvido foi violentamente atacado e dele saiu cera suficiente para uma vela iluminar um t0 durante uma semana. Fiquei a ouvir tão bem que sentia-me capaz de escutar o bater de asas de um papagaio no Burkina Faso.

Cheguei ao carro e felizmente não tinha nenhuma multa à espera mas fiquei com a sensação que agora era o ouvido esquerdo que já não funcionava tão bem.

Um dia complicado

Acordei primeiro que o despertador, o que é uma coisa rara. Sorte a do Oscar que mal eu subi o estore se disponibilizou para ir atrás da bola que tinha escolhido para hoje.  

Fui almoçar a casa da minha avó. Pusemos a conversa em dia, contou histórias de pessoas que mal conheço e tirei uma foto às orquídeas dela para partilhar no Facebook . A minha avó diz que é preferível eu partilhar fotos das suas flores do que de animais que não são meus. Ela não tem Facebook mas a minha tia vai-lhe dizendo umas coisas.

Quando lhe disse que gravei um programa de rádio ela disponibilizou-se para o ouvir. Na altura que disse que não passei música portuguesa ela fez-me um mesmo olhar desapontado que faz quando me fala que está na altura de constituir família.   

Cheguei a casa e aparece-me o filho de 5 anos do meu vizinho de cima com uma bola na mão. Começamos a jogar à bola no jardim e o Oscar decidiu também entrar. Já espumava da boca mas não queria parar, talvez pensado que se fosse parar ao céu canino estariam 72 bolas virgens à espera. Pela saúde do cão paramos o jogo.

O filho do meu vizinho, não satisfeito, entra dentro da minha casa e usa o meu computador para ouvir músicas do Agir. O tipo tem uma música de nome “Deixa-te de merdas” e o miúdo começa a dançar e a cantarolar a letra que sabia quase de cor. Agora o Youtube vai começar a sugerir que eu volte a ouvir o raio do Agir. Entretanto aparece a mãe com a filha de um ano que a puxa em direção da minha casa. Tão pequena e já ganhou o hábito familiar de invadir a minha casa.

A mãe e filha foram à farmácia e o miúdo insistiu em ficar. Fomos novamente jogar à bola mas já sem o Oscar. Um remate colocado embateu no meu pé, fez riverdance e foi parar à vizinha do lado. Fomos pedir a bola e a vizinha exclamou que há muito que não recebia a visita do miúdo. Ele disse que ainda há pouco tempo tinha lá estado. Das duas uma, ou a senhora, que já tem uma certa idade, já não se lembra ou então saltou o muro para ir buscar a bola.

A mãe acabou por chegar e eu finalmente fiquei livre. Livre mas com um chinelo que a mais pequena decidiu deixar na minha casa.  

A minha Hora do Bolo

Tenho mais playlists no Spotify do que filmes realizados pelo Tarantino mas é complicado fazer uma de apenas uma hora. Lá acabei por me decidir e enviei o mail com a bela da lista de uma hora e um minuto a ver se passava. Responderam com um "Vamos a isso" mas como tinha a semana preenchida só poderia ser num dia da próxima. Como trabalho por turnos e é complicado só pude ir numa quinta-feira.
Cheguei ao edifício e tinha posters da rádio Radar, Amália e Sudoeste. Se me engano na porta corro o risco de passar músicas da Carminho ou do Justin Bieber. Apesar da porta não ter indicação acabei por entrar no sítio certo.
Há quem tenha um tema para a hora, quem faça uma grande quantidade de referências a bolos e tipos de fatias e quem faça autênticos monólogos só para falar de uma música em particular. Eu não tinha feito grande trabalho de casa, nem sabia bem em que músicas queria falar.
Quando ouvi a minha voz paniquei um bocadito. Não gostei de me ouvir e tenho uma maneira estranha de falar que se agrava na rádio. Quem estava a gravar o acontecimento ia se rindo, agora não sei se era dos disparates que dizia ou da minha desgraça radiofónica. Disse motherfucker na radio o que nem todos podem dizer o mesmo e dediquei uma música ao Óscar, o cão a quem eu atiro a bola todos os dias. Tive a grande oportunidade de dizer Tom Waits aí uma beca mas não o fiz e para sempre ficarei arrependido.
Só no final é que me disseram que o programa iria passar no sábado Aleluia e eu com tanta referências pascais que podia ter feito...
Houve uma quantidade considerável de inconscientes que pediram-me o link do programa e outros que ouviram pela rádio. Tive amigos que ouviram pela primeira vez a Radar e das quatorze músicas que passei só conheciam uma. Houve até quem disse que eu só passei músicas tristes o que até não deixa de ser verdade. Se eu tivesse um psicólogo ele teria muito material para falar comigo. Devo estar a atravessar o meu período azul.
Agora já posso dizer que trabalhei numa rádio mas nunca pensei que trabalharia numa que não fosse a Popular.

 

 

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