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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Banco, volta, estás perdoado

Caxias tem um convento, um farol, um fugitivo que é participante ativo no Facebook mas não tem um banco.

O banco, que era novo, fechou e com ele levou duas preciosas caixas automáticas de multibanco. Uns bons metros ao lado instalaram uma, mal sinalizada, mas essa única distribuidora de dinheiro não consegue responder à procura. Quando chegar a altura das pessoas de idade avançada receberem as suas reformas, a fila até dará a volta à “rotunda” de Caxias.

Das três vezes que visitei o novo multibanco, duas não tinha dinheiro e na única vez em que tinha notas para entregar, eu não precisava delas. Cheguei a ir até Queijas para ter dinheiro para pagar um corte de cabelo. Como é que é possível que uma terra de nome Queijas tenha mais que um banco. Só depois é que descobri que existe um multibanco na estação de comboios de Caxias.

Já que estamos num ano de eleições autárquicas, talvez o melhor seja votar no independente Isaltino Morais, o candidato que “rouba, mas faz obra”. Com ele de volta ao poder, de certeza que Caxias passaria a ter pelo menos uma sucursal bancária e, quiçá com algum jeitinho, um pavilhão multiusos preparado para receber o próximo Festival da Eurovisão.       

O amor esteve no ar

No fim-de-semana prolongado, a que apenas a função pública teve direito, muito se passou no nosso país.

Começou-se por acompanhar o avião, o helicóptero e o Papamóvel que transportavam Papa Francisco, depois iniciou-se a perseguição ao autocarro do plantel do Benfica e à vespa do Eliseu, e no final a Europa deixou-se levar pela música do Salvador. Como existem programas que acompanham voos em tempo real e vídeos com as letras das músicas, também deveria haver um software que seguisse apenas o percurso dos autocarros das equipas de futebol. Felizmente este blog é seguido por pouca gente, senão já estaria algum toni a apresentar a minha ideia dos autocarros no Shark Tank.

A mensagem de “Amar o próximo” passou para “Amar o Benfica” e terminou com “Amar pelos dois”. Sendo ateu e do Sporting tive que me agarrar à música para não ser tão complicado. Acho uma boa canção, que se torna melhor comparada com o tipo de música que costuma passar no Festival, mas não me chegou a tocar, porque também não lhe dei confiança para tal. Depois de ter que ouvir vezes sem conta excertos da música do Salvador, já só consigo amar pela metade.

Na segunda-feira, o Salvador era o tema de conversa, chegando mesmo a ser mais comentado que a vitória do Benfica no campeonato. Muitos foram os que sofreram com a votação final mas que não viram a cerimónia na sua totalidade. No bar do trabalho instalaram uma máquina que recolhe as moedas dos pagamentos e dá o troco, porque muito provavelmente havia algum empregado que tinha muito amor ao dinheiro que recebia.

Vai ver se chove

As previsões meteorológicas estão cada vez mais parecidas com as dos signos: raramente acertam.

Algumas pessoas mais antigas têm a teoria do “Desde que mandaram os computadores lá para cima que o tempo nunca mais foi mesmo!”. Das duas uma, ou acham que o envio de satélites meteorológicos para o espaço tenha afetado o clima, ou então pensam que a chegada deles aos céus serviu para chatear São Pedro e, como é sabido, nunca se deve incomodar o santo que controla o tempo.

Existe sempre alguém que conhece um site ou tem uma app que garante que é infalível mas, quando chega a hora da verdade, acaba envergando uma t-shirt, calções e havaianas calçadas, durante um dilúvio. Até o Facebook chega a aconselhar a saída de casa com guarda-chuva. O Zuckerberg já devia saber que nunca uso esse tipo de proteção. Tenho a plena convicção que o regresso das meninas da meteorologia à televisão iria melhorar a qualidade das previsões.

Nesta altura estão previstos aguaceiros e ventos fortes para a altura em que o Papa chega a Portugal. Se, no preciso momento em que o Papa põe os pés em solo português, as nuvens desaparecerem e o sol surgir em todo o seu esplendor, ninguém irá pensar que é algum milagre ou um sinal divino. Apenas irão achar que é só mais um engano dos tonis da meteorologia.

 

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Tony Highlander

Antes de partir rumo à Escócia fiz o trabalho de casa. Sabia que o país tem bastantes castelos, um monstro num lago e whisky do bom. Vi os dois Trainspotting, o Braveheart, o Último Rei da Escócia, que tem um título enganador porque toda a ação é passada no Uganda, e ouvi um best of de gaitas de foles. Tinha a perfeita noção que não tinha pernas para usar um kilt.

Mal pus os pés em Glasgow passei a ser o bravo Tony Snows do clã Snows, que chegou, quando noite já ia longa, ao seu hostel manhoso e que jantou um Big Mac no único sítio nas redondezas que ainda permanecia aberto.

Em plena alvorada, Snows partiu rumo a Stirling. Depois de mais uma intensa batalha, Tony só queria descansar no seu castelo. Quando chegou, rapidamente percebeu que já tinha sido invadido. Tentou disparar uns tiros de canhão para descarregar a frustração mas não conseguiu encontrar a pólvora. Felizmente conseguiu arranjar um desconto para visitar a sua casa de férias em Edimburgo, na esperança que ela permanecesse desocupada. Partiu rumo a Edimburgo, num comboio com wi-fi.

Em Edimburgo, percorreu a Royal Mile onde viu tocadores de gaitas de foles, malabaristas e um Mario, um Luigi e uma princesa, com traços bastante masculinos, à entrada de um pub de nome "The World's End". Descobriu também os seus fiéis companheiros de batalha, que tinham criado uma boys band.

Depois de uma noite dormida num quarto alugado por desconhecidos, o corajoso Snows segue em direção ao pico mais alto de Edimburgo, o Arthur’s Seat. Devia ter trazido os seus ténis de trail. Lá no alto encontrou um cão e perguntou-lhe se queria ser o seu Oscar escocês. Seguiu depois para a sua casa de férias em Edimburgo e também ela tinha sido ocupada por turistas. As joias da coroa escocesa estavam em exposição mas não conseguiu levar nenhuma recordação. Seguiu de volta a Glasgow num comboio que já não tinha wi-fi gratuita.

Em Glasgow visitou o Museu e Galeria de Arte de Kelvingrove onde encontrou um busto parecido ao do Ronaldo e deu um salto à Galeria de Arte Moderna que tinha à entrada uma estátua equestre do Duque de Wellington, com ambos de cones de trânsito nas cabeças. Mesmo na parte final da sua odisseia escocesa, avistou uma casa com o nome de “Tony 2 Go”. Estes escoceses são doidos.      

 

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33 e é bem complicado

No dia 2 de Maio de 1972 nasceu o "ator" Dwayne Johnson, no segundo de Maio de 1975 foi a vez do ex-futebolista David Beckham aparecer e num complicado 2 de Maio de 1984, algures da parte da tarde, que de manhã eu não funciono bem, veio ao mundo um Tó, que mais tarde passou também a ser Toni.

Quando digo que passo a ter 33 anos de existência, várias pessoas fazem referência à idade de Cristo. Sabendo isso, não se terei que passar esta idade complicada a fugir das cruzes e a não confiar em pessoas de nome Judas. Se por acaso encontrar um par de botas na rua, o melhor será fugir antes que Judas as encontre. Ter uma dor nas cruzes também não é bom sinal aos 33.

“Diga 33” também é uma expressão bastante utilizada quando chega esta idade. Os médicos utilizavam essa técnica na altura em que não existiam os atuais estetoscópios. Segundo a Internet, nos países de língua inglesa era pedido para dizer o número 99 e em Espanha era uma combinação de 33 com 44. Eu prefiro dizer 23.

Não acho grande piada a isto de comemorar o “meu” dia, na realidade foi a minha mãe que teve o trabalho todo, eu só decidi aparecer, mas como todos os anos a idade insiste em avançar, eu tenho que levantar a cabeça e pintar os cabelos brancos.

 

 

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Não sei se quero o Euromilhões

Acertar nos cinco números e nas duas estrelas geralmente é motivo para uma grande festa mas eu não saberia bem como lidar com tanto dinheiro.

Ir aos saldos faz parte do meu ADN. Comprar aquela t-shirt ou casaco com trinta por cento de desconto é um hábito de pobre difícil de perder. Com o primeiro prémio do Euromilhões simplesmente compraria tudo o que queria, o que tiraria toda a emoção.

Deixaria de ter um estilo de vida radical. Perderia o privilégio de limpar o local inóspito que se encontra atrás do fogão e de tirar a gordura que está há meses acumulada nas grelhas do exaustor. Bolas de cotão nunca mais. Sendo o apostador premiado, passaria a ter várias empregadas e uma despensa maior que a minha casa. Não saberia o que fazer com tanto tempo livre.

O antes da viagem passaria a ser mais monótono. Não seria necessário fazer pesquisas diárias pelos voos mais baratos e o meu dom de encher uma simples mochila com tudo o que é preciso para viajar, seria desperdiçado. Perderia a experiência única de adquirir um quarto com oito beliches e de partilhar uma casa de banho com todos os hóspedes. Ter um avião privado, graças ao Euromilhões, com o nome “Toni nas Alturas” até poderia ser engraçado mas com o tempo passaria apenas a ser rotina.      

Com o dinheiro do primeiro premio, ajudaria muita gente mas muitos mais tentariam se aproveitar da minha boa vontade. Devido ao intenso assédio, seria obrigado a deixar o país, fazer a barba mas deixando o bigode e mudar o meu nome para Ramon.

Mas, apesar de todos estes contras, continuo a apostar dois euros e meio, com números escolhidos pela máquina, porque gosto de viver a vida no limite.   

Os runners desta vida

No mundo das corridas é possível encontrar vários tipos de personagens:

 

O Top Runner

Há sempre alguém que, não sendo um atleta profissional, leva todas as corridas que faz com bastante seriedade. Usa meias de compressão, calções de licra, ténis de trezentos euros e palmilhas que valem quarenta.

Usa um relógio com Gps e sensor cardio e no telemóvel tem a app mais completa que analisa ao detalhe todos os pormenores do seu treino. Se encontrar alguém conhecido pelo caminho, finge que não conhece só para não lhe estragar o tempo. Dizer um simples “Olá” pode muito bem lhe custar uns preciosos milésimos de segundo. É capaz de cronometrar o tempo que gasta ao ir despejar o lixo.

 

O Sem Camisola

Quando começam a surgir os dias de calor, aparece o corredor de t-shirt na mão. É aquele tipo que não acha por bem sair de casa em tronco nu mas já considera normal o tirar da t-shirt a meio caminho e mostrar a sua barriga proeminente a quem passa por ele. Todo ele é suor e mesmo sem ter direto a medalhas no final, consegue garantir o bronze.      

 

O Selfies

Nas redes sociais aparenta ser um atleta de elite mas na verdade tira mais selfies do que metros que faz a correr. É capaz de levar um selfie sticks para as provas e até faz vídeos a mostrar o quão bem ele corre, mas enquanto está a ser filmado, até chega a ser ultrapassado por uma sexagenária com problemas de anca.  

 

O que tem uma maneira estranha de correr 

Há quem se entusiasme com a música que está a ouvir e começa involuntariamente a marchar e há quem diga, em voz alta, frases de motivação para elas próprias. Numa prova, cheguei a ser ultrapassado a grande velocidade, por alguém que soltava gritos idênticos a alguém que acabou de derrubar uma colmeia.

Por vezes é possível encontrar o corredor T-Rex, que não possui o ar ameaçador do dinossauro mas que faz toda a sua prova com as suas mãos dobradas, tal e qual o extinto réptil.   

     

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Uma História de Violência

O jovem Zé Tó é um fervoroso adepto do Canelas que nunca perde uma exibição de artes marciais da sua equipa, mas irá faltar ao jogo com o Maia porque tem marcada uma viagem de finalistas para o sul de Espanha.

Acorda bastante azamboado no chão do seu quarto de hotel em Torremolinos. Os candeeiros foram arrancados, a televisão está na banheira, o colchão está em parte incerta e no que resta das paredes está escrito a azul e branco “Macaco Rules”. Tem uma ligeira dor no joelho mas não se lembra de nada do que aconteceu na noite passada. Sai a cambalear do seu quarto e aos poucos vai percebendo que todos os alunos têm ordens para abandonar o hotel. De certeza que o gerente é o Dijsselbloem.

Conseguiram voo de regresso na United Arlines mas o avião estava sobrelotado. Os funcionários/guardas prisionais rapidamente começaram a arrastar pessoas para fora do avião. Quando Zé Tó estava prestes a ser agarrado pelos colarinhos, começou a confusão no avião. Carlão tinha escolhido o passageiro errado para expulsar do avião. Era Samaris o grego, que disferiu um murro no funcionário com tal força que não foram necessárias repetições para perceber a intensidade dele.

O caos fez check-in e todos os passageiros fizeram questão de o receber. No meio da confusão o Zé Tó ainda conseguiu atingir alguém com o joelho que não estava dorido. Depois de cadeiras arrancadas e de alguns cintos de segurança serem usados para estrangulamentos, foi concedida a vitória aos passageiros e o avião acabou por levantar voo. O avião acabou por aterrar, sem grandes percalços, na prisão de Guantánamo.         

E tudo o dentista levou

Dia de ir ao dentista. Só consegui consulta ao meio-dia. Era isso ou em Abril de 2020. Fui recebido à entrada pelo próprio dentista que me encaminhou logo para a sala da tortura, sem dar-me tempo para me preparar psicologicamente na sala de espera. A marcação anterior tinha sido cancelada, por isso ele já estava ansioso para por a broca a funcionar.

O doutor estava algo abatido. Logo ele tinha que ir a Alcochete e não estava com grande vontade. A música “Kids” dos MGMT começou a tocar e ambiente animou. Ele e a sua assistente começaram a trautear a música. Sádicos. No teto eu via estrelas.

Já na parte final do meu suplício, o doutor pediu para eu bater os dentes mas eu já não sabia onde é que eles se encontravam. Apesar do valor da consulta ser algo elevado, o meu lado esquerdo mostrou-se insensível ao efetuar o pagamento. Estava um dia quase de Verão mas, no caminho para casa, ainda avistei uma senhora que tinha um cobertor às costas. Na rádio começou a tocar o “High & Dry” dos Radiohead.

Só quase às três da tarde, já a cumprir o meu turno, é que consegui comer uma sandes de queijo fresco, mas ainda sem ter o meu lado esquerdo da boca cem por cento funcional. Só perto das quatro da tarde é que voltei a sentir.  

 

 

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Faz o que eu faço mas não vistas o que eu visto

Encontrar alguém que esteja a usar uma camisola, camisa ou t-shirt exatamente igual à que tens vestida, pode ser bastante maçador.

Num concerto, a probabilidade de encontrar alguém com uma camisola do Agir, idêntica à sua, é bastante elevada mas não é preocupante. O que interessa é demonstrar o amor pelo artista do sucesso “Parte-me o pescoço”. Agora, se estiver num concerto do Mickael Carreira e encontrar alguém com uma camisola do Agir, igual à que tem vestida, isso sim já é bastante peculiar.

No trabalho, ao princípio até pode ser engraçado. Tiram fotos e partilham nas redes socias que a hashtag #fardadetrabalho e recebem likes em catadupa.  Mais do que uma vez já não há like que aguente. Pode decidir nunca mais usar a camisola em dias laborais ou então entrar em negociações com o colega em questão para decidir quais os dias da semana em que podem usar a camisola para não haver sobreposições.

Num espaço público já é mais complicado. Se tiver alguma t-shirt por debaixo da camisola ou camisa, sempre pode ir à casa de banho e sair dela apenas com o que tinha vestido por debaixo. Se não tiver nada pode sempre andar em tronco nu, mesmo se estiver a atravessar um Inverno rigoroso, ou então simplesmente se desloque a outro restaurante, que pode não ter o melhor hambúrguer gourmet, mas ao menos não tem alguém igual a você. Ir a um Media Markt com uma t-shirt vermelha ou a um IKEA de amarelo não são as melhores opções. Assim habilita-se a que várias pessoas o confundam com um funcionário da loja.

Pelo sim pelo não, tenha sempre roupa de backup à mão.

 

 

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