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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Nunca mais jogo à sueca

Estou sentado e preparado para a final do campeonato europeu de sub-21 entre Portugal e a Suécia. Ao meu lado tenho uma revista Vidas para os momentos de menor interesse. Parece que vai começar a eleição dos mais Sexy CM.

Na seleção sueca quase todos os jogadores são louros e os que não são de origem lembraram-se de fazer madeixas. O selecionador tinha um écharpe. Este jogo é para ganhar.

Portugal até começou bem, a dominar o jogo e a ter oportunidades de golo com Sérgio Oliveira a acertar no poste mas não conseguiu concretizar. Ao que parece os suecos são bons a montar móveis e a armadilha do fora de jogo porque o Cavaleiro era constantemente apanhado nela.

Na segunda parte Portugal já começa a perder o gás e a Suécia começa a aparecer. Se eu tivesse algum vinil dos ABBA já tinha voado pela janela. O jogo vai para prolongamento.

Recomeça o jogo e a Suécia está na mó de cima e o meu stress vem ao de cima. Se estivesse frio já tinha feito uma fogueira com a minha cómoda do IKEA.

Final do prolongamento mas o sofrimento se prolonga pelos penalties. William Carvalho falha o último penaltie e o campeonato vai para o suecos. Nunca mais jogo à sueca.

Cenas que me fazem comichão

Ir ao McDonalds é uma autêntica experiencia “do it yourself”. Na entrada existem máquinas onde podes fazer o pedido, quando o recebes tens que pedir ketchup senão ficas sem ele, depois vais em busca do sítio onde estão colocadas as palhinhas e os guardanapos que muitas vezes se encontram nos sítios mais recônditos e quando acabas de comer ainda despejas o tabuleiro.

Qualquer dia registas o teu pedido e entras na cozinha onde terás os ingredientes à tua disposição para puderes o cozinhar e um panfleto com dicas uteis de cozinha. Recebes como oferta a toca transpirada que acabaste de usar.

Programar um despertador já é por si uma tarefa bastante desagradável não era preciso agravar com a função que calcula quanto tempo falta até ele tocar. Assim fico a saber que só vou dormir 3 horas e 17 minutos por causa dos concursos de madrugada da TVI.

Os pacotes de açúcar da Nicola incentivam a dar os bons dias aos portugueses a viver no estrangeiro mas não indica a data da contagem dos mesmos. Como é que eu sei se ainda lá continuam os 5 portugueses no Quirguistão e o solitário no Sudão? É logo um desperdício de bons dias no início do dia e eu pela manhã não sou de grandes palavras.

Regresso ao trabalho

Numa altura em que a maioria das pessoas ainda anseia pelas férias eu já tive parte das minhas e o regresso é sempre doloroso. O descanso claramente não foi suficiente porque ainda sei o caminho para o trabalho.

O computador diz que a password expirou o que significa que logo para começar vou ter que inventar uma que tenha não sei quantos carateres com números e símbolos pelo meio. Já estou exausto vou beber um café. O café contínua igual.

Abro o Outlook e uma maré de mails vem na minha direção. O mar não estava brilhante, só deu para aproveitar 3 ondas. Posso muito bem ter ganho um novo tique de tanto carregar no rato. Estou exausto vou beber mais um café.

Pelos corredores tento saber as últimas novidades mas nada de palpitante. Nas notícias o futuro da Grécia é incerto, existem possíveis transferências de possíveis jogadores e o equipamento alternativo do FC Porto é de fato bastante alternativo. Estou exausto vou beber mais um café.

Depois do dia de trabalho como ainda não estou devidamente recuperado do choque ponho a tocar músicas mais calmas dos Radiohead, Toy e dos The Horrors. Mas calma, Toy a banda inglesa não o cantor sentimentalão português que costuma conduzir só com o joelho. Não estou assim tão deprimido.

Gosta muito de sofrer o Leãozinho

A minha primeira vez a ver um jogo no Estádio Nacional. Nas imediações do estádio há quem faça piqueniques, existe um primo do Tanaka e uma cabeça de leitão com a camisola do Benfica a circular.

No interior o lugar quatro da fila vinte estava reservado para o que iriam ser mais de cento e vinte minutos de intenso sofrimento. Logo no minuto quinze Cedric faz penaltie, é expulso e o Éder marca. Dez minutos depois Rafa faz o segundo para os bracarenses. Isto vai ser complicado.

As asneiras começam a fluir da minha boca, os jogadores do Braga fazem várias faltas mas o árbitro parece que se esqueceu dos cartões amarelos em casa. Devem ter ficado a marcar as páginas do seu livro de cabeceira “Árbitros para TóTós”. O Sporting bem ataca mas o intervalo chega e nem conseguem marcar um golito.

Início da segunda parte e o jogo não parece melhorar. O tempo vai passando e já existem pessoas que desistem do jogo mas ao minuto oitenta e quatro Slimani marca e dá esperança. O stress é tanto que até me esqueço que tenho fome e vontade de ir ao wc. Já nos descontos Montero empata o jogo e já estou em cima da cadeira aos pulos e a cumprimentar os amigos e vizinhos. Há quem não se sinta bem, para ser do Sporting é preciso um grande coração.

No prolongamento não há golos, o jogo vai a penalties e logo na baliza mais distante do sítio onde estou sentado. São Patrício mesmo lesionado defende um, os jogadores do Braga falham dois e a taça é nossa! Se um dia tiver um filho irá se chamar Rui Slimani Montero.

Ser do Sporting é sofrer até ao fim. É complicado mas é para toda a vida.

Pontos de condução por um ambientador

A partir de junho de 2016 entra em vigor a carta de condução por pontos. Isto é uma excelente oportunidade para o IMT elaborar um catálogo com apetecíveis prémios para os melhores condutores.

Um ambientador em forma de árvore que cheira a pinho, um par de dados para pendurar no espelho retrovisor, uma manete de mudanças cem por cento cool ou um autocolante que diz “Condutor exemplar a bordo” podem fazer parte dos brindes a receber conforme os pontos que tiveres na carta.

Também podia haver troca de pontos entre familiares. Aquela noite em que bebeste umas quantas cervejas green que sabem a sumo e depois foste mandado parar a metros de chegar a casa pode muito bem ser limpa do teu cadastro se pedires uns pontos ao tio que tem carro mas que prefere usar transportes.

Se esta ideia for para a frente só espero conseguir pontos suficientes para um conjunto de escovas.

Quadras à alergia

A alergia veio para ficar

E já me estou a chatear

De tanto espirrar e fungar

O stock de lenços já está a acabar

 

A alergia veio para ficar

E já me estou a chatear

Os comprimidos permitem a sonolência chegar

E o ouvido direito deixou de corretamente funcionar

 

A alergia veio para ficar
E já me estou a chatear
Com tanta violência nas notícias a passar
Ainda saio à rua e os pólenes vou espancar

O mau da fita

Os filmes de ação precisam sempre de um grande mau da fita que normalmente é terrorista, psicopata ou politico mas não precisa de ser sempre assim. O grande vilão do dia a dia está entre nós e destaca-se nestas atitudes:

Ao se cruzar com pessoas conhecidas nunca diz bom dia, boa tarde ou boa noite. Nunca responde a mensagens.

É o vizinho que tem atividades noturnas bastante ruidosas e que nos fins de semana gosta de tocar bateria por volta das sete da manhã.

No cinema gosta de comentar as cenas, devora pipocas intensamente e atende chamadas a meio do filme e diz: “Estou no cinema mas podes falar.”

Não faz reciclagem.

Nunca chora, nem sequer quando está a descascar cebolas.

Usa sempre o urinol do meio mesmo se os outros estiverem disponíveis. Nunca lava as mãos.

Adora conduzir na faixa do meio a trinta a hora e nunca utiliza os piscas.

Está inscrito em todos os jogos do Facebook e está constantemente a convidar os amigos. Tem uma quinta no FarmVille mas está abandonada.

Retirou o chifre ao único unicórnio existente na Terra.

O meu reino por uma bola

Porquê um fascínio tão grande por uma bola? Mal abro o portão e aparece em grande velocidade Óscar o labrador trazendo com ele duas bolas na boca. O amor por elas é tão grande que mesmo abdicando de uma para eu atirar a outra permanece na boca. Só as liberta quando não estou a prestar-lhe atenção e ele tem a perfeita noção que não se deve ladrar de boca cheia.

As portas de correr de alumínio podem estar encostadas mas ele com uma simples narigada consegue abrir e cuspir a bola para dentro da minha casa. Se eu não lhe devolver a bola ele está pronto para me alertar com um ladrar continuado e patadas nas portas. Se eu quiser um pouco de silêncio terei que fechar o estore mesmo se lá fora estiver um dia maravilhoso.

Quando a atiro é vê-lo feliz da vida em sua perseguição e muitas vezes chega primeiro que ela. É como se lhe tivesse saído o Euromilhões canino e faz bastante questão que lhe saia várias vezes durante o dia.

O Óscar não é meu mas ele tem certeza absoluta que eu sou dele.

Atirei a bola mais de dez vezes durante a escrita deste texto.

Amélia a abelha alérgica ao pólen

Aparentemente era apenas uma abelha igual a tantas outras mas a Amélia escondia um terrível segredo. A Amélia era alérgica ao pólen.

Tomava uma quantidade considerável de antialérgicos desde Aerius a Zyrtecs passando até pelos genéricos para não se sentir excluída do grupo mas não estavam a resultar. A visão ficava bastante embaciada o que afetava os voos e os espirros eram de tal forma fortes que o ferrão até saía disparado.

A situação era de tal forma complicada que o Doutor Zangão teve que a proibir de passar tempo com as flores. Deprimida fechou-se numa colmeia abandonada a ver todos os episódios da Abelha Maia e aquele filme de animação em que o Seinfeld dá a voz a uma abelha.

Mas numa bela manhã primaveril Amélia acordou decidida que não se ia deixar abater por uma simples alergia e passou apenas a visitar flores de plástico mas tratando-as como se fossem de verdade. Assim já podia voltar a morar com as outras ditas normais e entrar na colmeia de cabeça erguida e com o sentimento de dever cumprido.