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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Budista por turnos

Fui a um templo budista para mandar alinhar o karma. No café uma rapariga varria o que estava limpo e um budista estava no balcão vestido a rigor mas com um avental por cima. Deu para testar a sua paciência quando ficou impávido e sereno a olhar para o computador que crashou na altura do pagamento. O budismo acredita no café a sessenta cêntimos.

No jardim estavam pessoas a trabalhar e para entrar no templo tive que descalçar os sapatos e calçar uns chinelos. Felizmente tinha umas meias apresentáveis. O templo é magnífico com belas estatuetas e uma foto do fundador que tem um ar estranho mas pacifico. No final ainda tinha os ténis à espera, nenhum budista precisava de uns Onitsuka Tiger.

Era capaz de viver essa vida de constante tranquilidade e meditação mas teria quer ter uma televisão para ver o Sporting, filmes, séries e as televendas. Também dava jeito um leitor de mp3 e outras bebidas sem ser chá. Com isso tudo à disposição seria um budista feliz com uma tatuagem zen e cabelo.  

Correr até ao fim da Europa

1889 foi o ano da inauguração da torre Eiffel, o ano em que nasceu o Charlie Chaplin e foi o número que eu usei durante dezassete quilómetros pela serra de Sintra.

Mais uma vez paguei para acordar cedo num domingo. É das poucas alturas da vida em que tenho um número na camisola preso por alfinetes de dama, um chip nos atacadores e atiro garrafas de água para o chão sem sentir remorsos.

A prova era dura, com bastantes subidas, e ganhava motivação sempre que via senhores de alguma idade a ultrapassarem-me. Posso não ganhar a corrida nem ficar perto disso mas ao menos não queria ficar atrás daquele senhor que parecia ter idade para ser meu avô.

Uma hora e meia depois terminei a corrida e tinha uma sandes, uma napolitana, uma garrafa de água e uma revista de corrida à espera. Na capa dizia "Venham mais 5" o que naquele momento não era de todo o meu sentimento.

Na camisola da prova diz "Dificilmente haverá prova mais bonita..." De facto depois dos dezassete quilómetros as minhas pernas ficaram comovidas. Se eu escrevesse pelos pés hoje não teria feito este texto.

 

                      

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A luz da minha vida

Uma pessoa pensa que tem a vida mais ou menos orientada até ficar sem luz. O meu quadro sem motivo aparente disparava e assim de repente o meu mundo se tornava escuro e sombrio.

Fiquei sem luz a meio de filme de terror sem saber qual jovem iria sobreviver ao Bigfoot e houve uma noite em que a luz se apagou na precisa altura em que tinha uma pizza no forno. Felizmente a pizza conseguiu ir em direção ao meu estômago sem estar muito chamuscada.

Houve uma noite em que decidi ir ao cinema. Vi o Rosewater do Jon Stewart baseado na história de Maziar Bahari que esteve preso 118 dias no Irão por ser considerado um espião. Cheguei a identificar-me com o jornalista nas alturas em que lhe colocavam uma venda nos olhos.

Depois de alguns dias nas trevas a civilização chegou pelas mãos de dois eletricistas. Gastei uma vela de cheiro a maçã do Ikea e meia pilha de uma luz de bicicleta durante o período de negrume. A minha casa deixou de cheirar a um pomar sueco mas passou a estar iluminada. Essa noite dormi de luzes acesas.    

      

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Dois Anos

O Wait aí uma beca faz hoje dois anos de existência. Já não precisa de usar fraldas pois tem a perfeita noção onde fica o seu penico que tem a forma e as cores de um banco BES, tornou-se bastante possessivo em relação aos brinquedos pois não empresta a ninguém a casa de Lego estilo francês que lhe foi oferecida pelo amigo do Sócrates e as suas primeiras palavras são insultos aos árbitros nos jogos do Sporting.

Obrigado às 2 pessoas que seguem este blog. O ano passado eram 3 mas entretanto uma lá descobriu como mudar a sua home page.

         

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Desculpe mas tem chuteiras para Homem?

Depois de um violentíssimo remate ao poste tive que me despedir dos meus ténis de futsal. Marquei uns quantos golos com eles e falhei outros tantos mas depois desse fatídico remate de pé esquerdo ganhei uma visão alargada da minha meia.
Sendo assim não me restou outra alternativa senão comprar uns novos. Desloco-me então às lojas de desporto da zona para, por menos de 40 euros, ficar com talento igual ou superior ao do Ronaldo.
Existe bastante variedade mas o principal problema são as cores. Ora há em roxo, amarelo, laranja, verde alface, azul-bebé, dourados, com riscas coloridas, com manchas... Existem ténis com mais cores que o arco-íris. Só me apetecia perguntar se têm igual mas em versão Homem.
Depois de bastante ponderação acabei por comprar uns ténis florescentes. Assim se por algum motivo faltar a luz no pavilhão sempre sei onde tenho os pés.

Soltem os carros anteriores a 2000

Acordar às cinco já não é pêra doce e quando um trabalhador por turnos, que ainda só tem os olhos semiabertos, descobre que o seu experiente Polo do remoto ano de noventa e sete já não se pode deslocar no centro de Lisboa não facilita nada a coisa.

A Avenida da Liberdade agora de liberdade tem pouca e o meu veículo nem com um cravo no limpa pára-brisas consegue escapar à multa. Existe uma exceção para carros históricos e eu podia alegar que o meu carro tem um passado notável visto que já sobreviveu a várias inspeções e a um roubo do seu distribuidor mas não acredito que fossem na conversa.

O Benfica ganhou, Tanaka voltou a resolver e eu estou prestes a aterrar com a cara no teclado quando dou uma espreitadela na CMTV e deparo-me com a frase “Oneirogmofobia – Medo de sonhos molhados”. Obrigado CMTV

Noite de festa

Noite de aniversário da empresa. Depois de andar algo desorientado lá encontro a recôndita discoteca. Avisto pessoas com quem me cruzo quase todos os dias e outras que tenho francas dúvidas que conheçam sequer a localização do edifício. Há quem esteja ansioso que partam o bolo de aniversário e há quem queira apenas partir.

Quem inaugura a pista de dança normalmente é alguém com mais de quarenta anos. Há quem estrategicamente se situe perto das miúdas mais giras e há quem prefira estar mais perto das estagiárias. Por vezes esses dois mundos se unem.

Enquanto se bebem consideráveis quantidades de gin fazem-se planos para invadir o centro da pista. Há flashes em todos os sentidos, trocas de preciosas senhas que valem bebidas, malabarismos humanos e alguém com óculos e patilhas do Elvis. A invasão não foi bem-sucedida.

A festa já está nas últimas e começo a entrar na fase em que não percebo o que me dizem e vou simplesmente abanando a cabeça e sorrindo. Vou buscar o meu casaco que está perigosamente perto de um casalinho de ocasião e como ainda sei onde deixei o carro decido que é a altura ideal para sair. Para o ano há mais se não estiver no turno da noite porque quem trabalha por turnos não tem uma vida fácil.

Passas e um distribuidor

Mal o ano começa e já preciso por doze passas na goela e escolher um desejo por cada uma. Eu devia ter escolhido com antecipação mas não foi o caso. Ora então paz, amor, saúde, dinheiro, um distribuidor...sim no princípio da semana um energúmeno qualquer lembrou-se de arrombar o meu carro e roubar "apenas" o distribuidor. Espero que se tenha engasgado com as doze passas.
Cinco já estão falta o Sporting ser campeão, engordar uns quilos...às tantas já estou a comer passas e não pedi nada. Acho que já deixei cair algumas, está um frio do catano e mal sinto as mãos.
O fogo de artificio é curto e fraquinho e no ar existem balões voadores chineses com desejos que chegaram ao Paraíso e se tornaram realidade. E eu a precisar tanto de um distribuidor...
Já bebi o espumante e as passas já desapareceram da minha mão mas não cheguei a pedir os desejos todos. Para o ano escolho com antecipação e levo num papel no caso de não estar em grandes condições para me lembrar. Continua a estar um frio do catano.
Um excelente 2015 para todos vós!!