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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

O Guarda Roupas

O tempo estava incerto, nuvens ameaçadoras pairavam no céu, mas tinha que ser hoje o dia de lavar a roupa para evitar um considerável vazio na gaveta dos boxers e meias.

Quando a máquina parou o sol espreitava e o Oscar também. Estava eu ainda a montar o estendal e já o entusiasta de bolas trazia duas para o entreter.

E assim de um momento para o outro passei a ser um vigilante com licença para proteger a roupa da chuva e dos pelos do Oscar. E como bom vigilante que já era coloquei-me logo em posição privilegiada para me por a par das novidades do facebook enquanto ficava com um olho na roupa e outro no cão.

Apesar da minha enorme competência e das condições climatéricas favoráveis acabei com uma t-shirt estendida e o par de calças que tinha vestido sujos por uma bola de ténis enlameada. Ainda consegui escrever estas quadras:

 

Tenho roupa a secar

Mas o São Pedro não está a colaborar

No céu estão nuvens a ameaçar

E eu tenho que estar na vigia pronto a apanhar

 

 

Oscar deixa de a minha roupa contornar

Quando a apanhar não quero pelos nela encontrar

Eu já irei a bola atirar

Deixa-me só acabar de almoçar

Trago Jesus no coração

Só de pensar que iria estar a trabalhar na altura do Benfica x Sporting já começava a sentir a minha antiga mialgia de esforço a dar sinal.

Chegado ao local de trabalho reparo que estou rodeado de benfiquistas e o único sportinguista sai na precisa altura em que o jogo começa. Começo ver a minha vida em tons vermelhos e brancos.

Infelizmente no trabalho sou obrigado a trabalhar e na precisa altura em que estava ocupado oiço alguém muito timidamente dizer golo. Teo quase sem querer faz o primeiro da noite. Festejo mas com moderação porque ainda falta muito jogo.

Mais uma vez estou entre cenas quando oiço: “Olha outro!”. Slimani com uma grande cabeçada faz o dois a zero. É o segundo golo em que só vejo a repetição mas a felicidade de estar a vencer atenua a coisa.

À terceira foi de vez e consegui ver o Bryan Ruiz rematar para o três a zero. Gritei golo e lamentei ter deixado o cachecol em casa.

Na segunda parte não houve mais golos mas vi o Sporting a dominar, o Júlio Cesar a correr atrás da bola e um retângulo do chão do meu local ir abaixo após uma aterragem algo brusca. Situação rapidamente resolvida antes que algum benfiquista se quisesse esconder no buraco.

Pelos bocaditos que vi pareceu-me uma vitória justa. Fui para casa curado da mialgia, com um sorriso bem aberto e com Jesus no coração.

E quem não salta é albanês

Dia de Sporting contra os albaneses do Skenderbeu. A caminho do estádio um cão decidiu sair do passeio e ladrar furiosamente em direção ao meu carro. Felizmente lá me consegui desviar do animal de raça albanesa.

Na procura de lugar senti-me na obrigação de estacionar no sítio que o arrumador me indicou. Ele tinha um pau na mão. Perguntou-me com quem é que o Sporting ia jogar e se lhe arranjava um cigarro. Disse que era com uns albaneses de nome estranho e que não fumava. Continuou de pau na mão.

Tinham passado vinte e poucos minutos de jogo quando o jogador da equipa visitante Salihi teve que salihir, foi expulso. O jogo estava a ser um grande secador mas dois penalties convertidos por Aquilani e Montero deram a vantagem ao Sporting ao intervalo. Se calhar no campeonato albanês a melhor equipa é quem faz mais faltas dentro da área.

No segundo tempo o miúdo Matheus fez dois golos e houve quem exclamasse “Carrilho quem?!” e até o Tobias marcou um. O árbitro de baliza era um chato do caraças que só servia para tapar as jogadas e o Rui Patrício um autêntico espetador vestido de laranja parecendo um funcionário da Galp de uma bomba de gasolina abandonada. Mesmo assim os albaneses ainda marcaram um golo. Os jogadores do Skenderbeu tinham inscrito nas camisolas a palavra ama e de facto foram bastante amorosos.

Depois do jogo Cavaco indigitou Passos Coelho. Na Albânia o primeiro-ministro é do PS e venceu com coligação de partidos de esquerda. O Jardel foi barrado num aeroporto do Brasil com dez quilos de bacalhau.

 

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Almôndegas à Toni

Hora de almoço e o prato a ser elaborado é almôndegas com esparguete. Apesar de já não ser um novato nestas andanças abri a receita no computador para não arriscar o esquecimento de algum ingrediente. No preciso momento em que junto tudo o que preciso na mesa aparece Oscar, o labrador, à porta com duas bolas para serem atiradas. Da minha playlist começa a tocar o “ I Will Survive” na versão dos Cake.

Atiro a bola para bem longe e volto para dentro para descascar uma cebola. Começo a ficar com os olhos humedecidos ao som do “I Need My Girl” dos The National. O Oscar começa a ganir na esperança de fazer mais uma viagem.

Com o refogado ao lume atiro mais uma vez a bola para o impaciente fazer mais uma perseguição. Junto tomates picados, polpa de tomate, vinho branco, caldo de galinha e uma folha de louro e deixo ao lume durante 15 minutos cronometrados pelo telemóvel.

Coloquei água no jarro elétrico e fui dedicar-me ao Oscar. Chutei a bola e ela se dirigiu para debaixo de um carro estacionado. Tive que rapidamente a resgatar antes que o cão tivesse uma depressão.

De volta a casa coloco a água a ferver num tacho e o esparguete. Passado uns minutos reparo que não acendi o lume. A música “Lost Cause” do Beck começa a tocar.

Depois de alertado pelo meu telemóvel junto as almondegas e orégãos ao molho e deixo a cozinhar por mais dez minutos. Já tenho uma bola dentro de casa que o Oscar gentilmente cuspiu.

No final as almondegas ficaram boas, o Oscar parece ter ficado satisfeito e a música “Better Days” dos Edward Sharpe & The Magnetic Zeros começou a tocar. Ser cozinheiro, atirador de bolas profissional e trabalhador por turnos não é nada fácil.  

 

                                    

 

 

Mais cenas que me fazem comichão

A ideia de ter um café dentro de uma livraria até não parece má de todo mas há limites. Entro numa livraria desta vida e enquanto passeio a minha vista pelos títulos “ Mãe Coragem” da senhora Dolores, “ A Minha Prisão” do Isaltino e o “ Inteligência Emocional para Totós” reparo que mesmo por detrás de uma mesa carregada de livros estão duas senhoras sentadas a tomar o seu café. Até tenho medo de tocar nos livros que estão de pé para evitar que o “Os Jogos da Fome” esborrache o pastel de nata da senhora de vermelho.

Não percebo a ideia de colocar uma mesa encostada a outra carregada de livros. Pode haver o risco de os livros ficarem com marcas de café ou sumo e o exemplar de “A Vida Secreta dos Intestinos” conter migalhas de bolo de bolacha no seu interior.

Comprar um amaciador à partida parece ser uma tarefa fácil mas não o é. Comprar um amaciador spa é oferecer à minha roupa algo que não me lembro da última vez que usufruí. Homem que é homem não pode comprar algo que cheire a papoilas e pêssegos.

Tive que consultar o Google para descobrir o que é jojoba e o que são frésias (nem o meu corretor ortográfico conhece tal flor). Existe também um amaciador que cheira a flores selvagens e orvalho da manhã. Primeiro de tudo podia especificar que tipo de flores selvagens são porque se forem carnívoras não iria achar muita piada encontrar novos buracos na minha roupa e depois qual é a piada de vestir algo que cheire a gotas de humidade depositadas na terra?

Boneca a Presidente

Devido a uma crescente popularidade dos animais em geral a Boneca decidiu hoje anunciar a sua candidatura à Presidência da República.

Sente que tem uma dívida por saldar com Portugal, pelas refeições gratuitas que tomou, pela liberdade que teve de desfilar por quintais e casas e de usufruir de chão lavado para rebolar sem ter que no final limpar os pelos que deixou.

A Boneca nunca fugiu às suas responsabilidades cívicas apenas tem que escapar do Oscar, o labrador, que insiste em opor-se aos seus ideais e que sempre que a vê se dirige a ela a grande velocidade.

Conhece bem a constituição de todas as rações à venda no mercado e tem uma vaga ideia do que é ser Presidente.

Cansado de falar para o boneco? Deixe a Boneca falar/miar por si.

 

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