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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Deitar tarde e cedo erguer é complicado

São seis da manhã e ainda é de noite mas o despertador insiste que tenho que me levantar. Não me lembro de ter dormido. Na rua tenho à minha espera um friozito desagradável e bolas de ténis no chão.

No trabalho a equipa é quase toda constituída por mulheres. Falam de horários, de cães e de atores giros. Neste preciso momento podia estar a ter um belo sonho com a Charlize Theron, a Sara Sampaio e um bolo-rei. Elas falam muito.

Como não consigo apagar por uns instantes vou até ao bar mesmo quando não preciso de nada e até vou ao fumódromo apesar de nunca tenho experimentado um cigarro na vida. Elas continuam a falar muito.

O tempo vai passando e eu estou cada vez mais a ficar parecido com um carregador comprado no chinês: às vezes trabalho bem, outras sou mais lento e maior parte das vezes nem chego a funcionar. Tenho que ir beber mais um café.

A coisa começa a descambar quando o tipo das gravatas duvidosas começa a lançar piadas e a pedir-me que lhe cante ao ouvido. Uma pessoa não tem uma vida fácil, trabalhar por turnos, tem que acordar cedo num domingo a ainda tem que levar com estas conversas estranhas. Podia estar a ter um belo sonho com a Penélope Cruz mais a rainha dos dragões e rabanadas.

O turno finalmente acabou mas não posso comemorar de almofada na mão para o topo do vale dos lençóis porque tenho várias cenas a acontecer pelo resto do dia. Ao menos amanhã já estou noutro horário e posso dormir até tarde. A vida de um trabalhador por turnos não é nada fácil.

Espirro Furioso: O Regresso

Estou de folga mas o meu nariz decidiu trabalhar com bastante intensidade.

Espirros saem como bastante frequência o que me impedem de visualizar em condições as últimas novidades nas redes sociais, de chutar corretamente a bola para o Oscar ir buscar e me confundem ao ponto de eu colocar um frasco de vidro no ecoponto azul. Se reciclar não espirre.

Os lenços há muito que foram à vida e já recorro a guardanapos e ao rolo de cozinha. Tenho que ir às compras. Consegui conduzir sem espirrar e comprei dezoito embalagens de lenços mas esqueci-me dos limões para o chá. Olho para o Oscar e ele olha para mim. Ele é mais bolas, não percebe nada de limões.

A minha vista chora. Choro quando leio que o Cavaco indigitou António Costa, quando me informam que vou ter que trabalhar no Natal, quando me voltam a ligar a dizer que afinal trabalho no fim de ano, quando o Casillas dá um frango e até quando vejo a Popota na televisão.

Um número indeterminado de lenços foram usados durante a elaboração deste texto.

Três foi a conta que Jesus fez

Terceiro jogo entre o Sporting e o Benfica e mais uma vez estou a trabalhar enquanto o jogo decorre.

Ao início da tarde tive a oportunidade de tirar uma foto com o Grande Júlio Isidro. Devia ter-lhe perguntado se tinha com ele o Cálcio + Duo porque o dia ia ser complicado.

O Real Madrid perdeu em casa com o Barcelona por quatro, o filme sobre Pompeia passou na televisão e aos seis minutos o Mitroglou inaugura o marcador. Temi o pior, a minha antiga mialgia de esforço depressa estava a se transformar numa fratura de stress.

Trabalhava enquanto comia bolachas tostadas do Aldi a um ritmo acelerado. Curiosamente do lado esquerdo estavam os Sportinguistas e do lado direito os adeptos do Benfica. Houve quem sugerisse a construção de um muro.

Mesmo no final da segunda parte o Adrien Peyroteo empata a partida, dei um salto da cadeira e uma pancada alegre na cadeira vazia do lado. Comi mais uma bolacha e respirei fundo porque faltava ainda muito jogo e convinha estar atento ao trabalho. Um monitor de um computador decidiu não voltar para a segunda parte e teve que ser substituído.

O Sporting na segunda parte voltou fortíssimo e houve quem exclamasse como era possível o jogo estar a decorrer sem o Benfica em campo. O Peyroteo estava em todo o lado, até fora do campo. Dos bocados que vi parecíamos ser a melhor equipa mas o golo não chegou e teve que haver prolongamento.

O meu horário chegou ao fim mas permaneci para ver o resto do jogo. O 112 chegou com o golo de Slimani Peyroteo que acabou por dar a vitória e o apuramento para os oitavos de final da Taça de Portugal. Nunca me soube tão bem ficar no trabalho para lá do tempo que é suposto.

Atletas mas por turnos

Domingo foi dia de correr dez quilómetros no Jamor. Eramos o 1434 e o 1435 e a nossa equipa chamava-se “Atletas mas por turnos”. Tinha tudo para ser épico.

Antes de a prova começar tivemos direito a um aquecimento comandado por uma personal trainer do ginásio que patrocinava o evento. Distribuí murros, pontapés e joelhadas pelo ar em perfeita diacronia. Acho que ainda fiz a coreográfica completa da “macarena” pelo meio.

O início da corrida era no estádio o que me fez lembrar a final da Taça de Portugal onde estive presente e comemorei a vitória do Sporting aos pulos na cadeira com amigos e estranhos. Ainda pensei em correr alguns metros a segurar uma taça imaginária mas era parvo e estava um drone a filmar.

Julgava que a prova era de poucas subidas e descidas mas estava enganado. Quando cheguei à sinalização dos cinco quilómetros pensava que já tinha percorrido mais. Esteve à minha frente durante algum tempo um senhor da equipa “Caracóis Furiosos”. Tentei ultrapassar o maior número de velhotes possível.

No final tocava o “Don’t Stop Believin’” e acreditei até ao fim que ia ultrapassar o senhor com corte de cabelo à Marco Paulo nos anos oitenta. Um toni que estava à minha frente lembrou-se de dar um saltinho na linha da meta e estragou a hipótese de eu ter uma foto decente à chegada. Consegui ultrapassar o Marco. Foi épico.

Houve quem ganhasse um fim-de-semana com um carro mas que nem sequer parecia ter idade para o conduzir e houve também sorteio de vouchers para o ginásio mas ninguém os reclamava. Bem que o homem pedia para olharmos para o umbigo mas como os vencedores não apareciam acabaram por registrar os números para depois entregar o prémio.

Chegado a casa fui tomar um duche, fazer o almoço e ir trabalhar por que a vida de um atleta por turnos não é nada fácil…

Ser Tó ou ser Toni, eis a questão

O meu nome é António e tenho uma vida dupla. Para além de parvo e palerma os nomes pelos quais mais me tratam é Tó e Toni.

A minha família, os amigos de infância e os amigos que originaram deles tratam-me por Tó. O Toni começou na altura do secundário quando a “Conversa da Treta” estava no seu auge e o António Feio era um Grande Toni. Claro que o Toni rapidamente se alastrou e apesar de ao início não achar grande piada acabei por abraçar a causa. Já me chegaram a perguntar se o meu nome era mesmo Toni.

Pode muito bem acontecer passar uma manhã de trabalho onde sou o Toni, uma tarde em família onde sou o Tó, regressar a casa onde a vizinhança me trata por Toni e acabar o dia com os amigos do Tó.

Ser Toni tem uma conotação algo negativa mas é o ideal para se ser aclamado porque a minha outra identidade repetida dá Totó. Existe o Toni treinador, o jogador italiano, o cantor com a letra y no final para dar um look mais internacional e o Toni dos Bifes.

 De Tós famosos existem poucos. Só me lembro do Tó Neves antigo jogador e agora treinador de hóquei e o Tó Madeira que era uma grande futebolista no Championship Manager.

Não costumo fazer festa de anos mas se alguma vez decidir organizar uma, para evitar confusões, quero que todos me tratem por Albano.

 

                                           

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E pelo café na fila esperei

O relógio já estava perto das dezoito horas quando decidi ir ao bar e me deparei com mais de seis clientes na fila e apenas uma única empregada a atender. Por momentos pensei que estava nas finanças e procurei o local para tirar a senha para o café e o monitor para saber em que número vai e qual o tempo estimado para receber a minha dose de cafeína .

Esperar para ser atendido pode ser uma oportunidade única para conviver com outras pessoas e partilhar momentos de angústia e indignação. Havia quem olhasse para o relógio, quem perguntasse se a empregada precisava de ajuda e quem afirmasse que o arranjo do botão do seu telemóvel demorou menos tempo. Eu ainda aproveitei para confirmar com quem estava no pelotão da frente a minha presença no jogo de futebol de quinta à noite.

Um cliente acabou por voltar com uma fatia de bolo e ao bater com uma colher nela perguntou quando é que tinha sido feita. Parecia estar a bater numa pedra-pomes com alto risco de a colher se entortar. Disseram que o bolo foi feito hoje mas que aquela parte ficou mal cozida. Uma rapariga perguntou se eu era o último da fila.    

Finalmente chegou outra funcionária para ajudar e a fila começou a andar. Chegou a minha vez e assim pude beber o tão ansiado café com direito a um pacote de açúcar que dava um bom dia a quem passou as passas do Algarve.

Ainda mais cenas que me fazem comichão

Primeiro foram os casos de botulismo associados ao consumo de alheiras de uma marca de produtos transmontanos que deixou muito boa gente a manter distância do enchido que tanto gostavam.  

Depois chegou a notícia que as carnes processadas provocam cancro e que as carnes vermelhas provavelmente também fazem o mesmo e começou tudo a evitar as salsichas, o presunto, o bacon e de saber as novidades do bairro através do talho da esquina. Os amantes de peixe também foram recentemente alertados que o seu consumo em Portugal é dos mais prejudiciais para o planeta.

Se uma pessoa se guiar pelas notícias passa só a comer ervinhas ou uma sandes de queijo fresco e esperar que dê saúde e que não prejudique ninguém.     

Os Minions, ou Mínimos na versão portuguesa, são pequenos e amarelos e parece que vieram para ficar no facebook.

Existem páginas de Minions loucos, sinceros, ousados, conselheiros e irónicos e todos eles não gostam de pessoas falsas, de segundas-feiras e de acordar cedo e alguns até afirmam que ser de Penela da Beira é outro nível. No final do dia chego a ver mais fotos dos bonecos amarelos do que dos meus familiares.

Todos os dias milhares de Minions vão parar ao facebook. Está nas vossas mãos terminar com este flagelo.

 

 

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