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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

O regresso dos Atletas mas por Turnos

A equipa Atletas mas por Turnos regressa para mais uma prova épica. Desta vez tínhamos pela frente dez quilómetros da Corrida Farmacêutica. Estando eu rouco e o meu colega de equipa com dores nas costas, dava jeito no final recebermos uma caixa de Mebocaína e uma pomada Voltaren.  

Fui dois dias antes levantar os dorsais. Estando eu quase sem voz, tive que repetir três vezes o nome da equipa e mesmo assim a senhora não percebeu. Só consegui ir lá pelo número.“Atletas mas por turnos, que nome engraçado.”, disse ela enquanto entregava sacos da Valormed. Nenhum dos sacos tinha comprimidos. Só no dia da prova é que percebemos que dava para levantar os dorsais na partida.

Estava um calor estranho para um final de Outubro. Havia quem pusesse protetor solar antes da prova. Não me encontrava nas melhores condições físicas mas não estava preocupado, se algo me acontecesse de certeza que teria uma farmacêutica bastante saudável para me auxiliar. Vi um tipo a tirar uma selfie enquanto corria que envergava uma camisola que dizia: “Moreira, o miúdo da mangueira”.  

Terminámos a prova e recebemos água e uma medalha de participação, mas nem sinal de medicamentos. Nem sequer um Ben-u-ron ou uma vitamina. Se alguma vez for pai, irei dizer à criança que todas as medalhas que recebi foram por ter ido ao pódio em todas as provas em que participei.     

 

 

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Afónico por turnos

Comecei a sentir a voz a desaparecer depois de um concerto de Tindersticks, o que dito em voz alta, não abona nada em meu favor.

No dia seguinte até tinha alguma piada, com a voz rouca podia fazer sensação no sexo feminino ao falar-lhes ao ouvido, mas a voz ia se lentamente apagando. Parecia um Leonard Cohen de quinta categoria, um Olavo Bilac desta vida. Com a voz a desaparecer fui ganhando atributos de mimo. Estava pronto para fazer atuações na rua ou para jogar o Party & Company.

A futebolada no final do dia com os amigos também fica mais complicada. Não sou propiamente uma pessoa que fale muito mas dá algum jeito avisar que estou sozinho em frente à baliza. Com tanto esbracejar parecia um assistente de bordo a mostrar as saídas de emergência. A única vez em que a minha voz se fez ouvir foi quando sofri um valente pisão.

No dia seguinte, estava a trabalhar de noite na altura da visita do Sporting ao estádio do Nacional e a minha voz não mostrava melhoras. Levei post-its com as palavras que mais digo quando exerço as minhas funções e com incentivos ao Sporting. Quando o William falhou o penalti encontrei em mim um grito de revolta e com o passar do tempo do jogo quase que comi um post-it. Escusado será dizer que não utilizei o post-it que dizia “Goooolo!!”.  

 

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Homem que é Homem não usa guarda-chuva

Já sobrevivi a Invernos bem complicados sem utilizar um único guarda-chuva. É um acessório imposto pela sociedade que atrapalha mais do que protege.

Existem guarda-chuvas grandes, que supostamente são mais resistentes, mas ao desprender de uma vareta se tornam num perigo em movimento e os mais pequenos, que são mais fáceis de transportar, à primeira rabanada de vento vão parar à Buraca.

Sais de casa em direção ao trabalho e ao olhar para o céu, vês algumas nuvens ameaçadoras e decides levar o chapéu. Acaba por não chover e ao final do dia és o único toni de guarda-chuva na mão. Se chove, corres o risco de algum chico-esperto achar que o teu chapéu-de-chuva, que está juntinho aos outros, é o ideal para o proteger dos chuviscos.    

Vento e guarda-chuvas não são compatíveis. Uma pessoa acaba por ficar mais preocupada em virar o chapéu para direção da chuva do que com a sua proteção. Pões o bem-estar do guarda-chuva à frente do teu e a maior parte das vezes acabas por ficar a segurar o esqueleto do que em tempos foi um guarda-chuva e estás molhado dos pés à cabeça. Depois de um temporal é vê-los tombados pelas ruas ou pendurados em árvores.

Perdi muitos guarda-chuvas em temporais, esqueci-me de outros tantos e quase ceguei pessoas inocentes, por isso decidi prescindir dos seus serviços. Tenho um impermeável com capuz e se estiver a chover com bastante intensidade, faço uma corridinha para manter a forma física. Até o Gene Kelly preferiu apanhar uma molha a cantar do que usar a porra de um o guarda-chuva.

 

 

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Os dentes estão vivos com o som da broca

Dia de ir ao dentista é sempre complicado. Um dente que tinha sido arranjado há muito, muito tempo, deixou de o estar e por isso lá tive eu que ficar de boca aberta tempo a mais para um simples toni.

Perdi a conta ao número de instrumentos que foram usados, mas a utilização da bronca é sempre a mais marcante. Felizmente o meu lado direito não estava sensibilizado para essas mariquices. Ao fundo tocava uma música demasiado alegre para o trabalho em questão.

O dentista ia dizendo coisas que talvez fossem importantes mas que eu só percebia metade. Até fazia perguntas, como se eu estivesse em grandes condições para responder. Ele cantarolava e eu, de vez em quando, ameaçava que ia fechar a boca para acabar como a animação em plena tortura. Em Guantánamo também deve acontecer algo do género. No teto vi a luz.

Já perto do final, o dentista dizia para eu bater os dentes mas eu não os conseguia encontrar. Sai da cadeira com uma restauração direta definitiva em resina composta de quatros faces e o dentista ainda disse que eu devia voltar para ver outros dentes problemáticos. Sádico.

A consulta acabou na hora de almoço e fui logo ao supermercado comprar um gelado de cheesecake de limão, porque sempre me disseram que é o que se deve de comer depois de uma consulta de dentista. Com a anestesia ainda a fazer efeito, a minha boca à procura de comida parecia a GNR à procura do Pedro Dias.

 

 

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Febre laboral de sábado à noite

Um sábado à noite para um trabalhador por turnos pode muito bem significar uma noite de trabalho.

Deixa de ser preciso vestir a camisa que ainda tem por estrear e usar o Denim Gold que recebeu no Natal, mas não convém se desleixar muito. Ir para o trabalho com o pijama que foi oferecido pela avó e com as pantufas do Chewbacca calçadas, poderá não ser a indumentária ideal para exercer funções.   

Não existe a preocupação de levar o carro e beber porque no trabalho “ir para os copos” significa ir até ao bebedouro para encher um copo com água à temperatura desejada. Não há ressaca no dia seguinte mas podes conseguir uma dor de cabeça no próprio dia.

Podes facilmente ser um Travolta laboral, o rei da pista de dança, porque não existe assim muita gente a trabalhar num sábado à noite e os que estão presentes, não estão para fazer figuras tristes. Há o risco de ser estrela no Youtube, por isso se não lidar bem com a fama, evite dançar à frente das câmaras de vigilância.  

Se ao sair do trabalho for mandado parar pela polícia e tiver que soprar o balão, a única coisa que poderá acusar é excesso de bolachas no sangue.

 

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Save aí uma beca

Precisar de poupar nas despesas e não sabe como? Deixe comigo que eu até sei fazer contas de adicionar, subtrair e às vezes até consigo o milagre da multiplicação.

Comer todos os dias está bastante sobrevalorizado. Uma pessoa pode passar muito bem sem tomar duas ou até mesmo as três refeições diárias impostas pela sociedade, mas nunca deverá ficar desidratada. Fique sempre atento aos folhetos das grandes superfícies comerciais para descobrir as mais recentes promoções nos packs de 24 cervejas.

Tem pouco dinheiro e quer viajar? Existem sempre as companhias aéreas low cost para dar umas voltas pela Europa. Se for uma pessoa de grande porte pode muito bem ter que viajar, devidamente etiquetado, no porão.

Pode ficar hospedado através do Airbnb e andar só de boxers por todas as divisões da casa de um desconhecido ou ficar num quarto de um hostel que apenas possui uma cama, um lavatório e uma carpete que não é lavada desde a inauguração do espaço. A casa de banho é partilhada por uma quantidade considerável de adolescentes. Comer sempre fast food sem se preocupar com a linha porque irá andar bastante. Diga sempre que é Campeão Europeu de futebol para tentar algum desconto.

 

A revista MaisMagazine, da MaisCupão, sem saber bem porquê decidiu-me fazer umas perguntas e disponibilizar a entrevista esta sexta-feira na secção de “Blogueiros Favoritos”, por isso deixo aqui dois links para conseguirem descontos fofinhos:

 

AliExpress

Amazon

 

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Borbulha na testa

Quando cheguei de Berlim, reparei que algo estava a acontecer junto à minha sobrancelha direita mas não achei que fosse preocupante. Estava redondamente enganado. Vários pontos negros juntaram forças para a criação de uma mega borbulha com o único objetivo de me complicar a vida.

Devido à sua localização, era difícil de a esconder. Mesmo com o calor que se fazia sentir, teria que passar a usar sempre um gorro ou um pano na testa e afirmar que na capital alemã todos andavam assim. Um penso rápido na testa, daqueles com bonecos, também podia virar moda.

Outra opção seria a de a deixar à vista mas sem nunca confessar que seria uma borbulha. Diria que a saudável alemã que conheci em Kreuzberg afinal tinha namorado e que ele era grande e agressivo. Também poderia afirmar que galo apareceu quando a prancha de surf, desporto que nunca pratiquei, bateu na minha cabeça durante uma onda gigante na Nazaré. Ter decidido dar uma volta, na segunda-feira, pela Rotunda do Relógio também poderia justificar o alto na minha testa.  

Acabei por deixar a borbulha visível e evitar ao máximo o contacto visual com seres humanos. Aos que não consegui fugir, acabei por dizer a verdade e mudar rapidamente de assunto ou fingir que estava a receber uma chamada importante.

Agora que escrevo este texto já estou quase bom, mas ainda dá para perceber que algo deixou a sua marca na minha vida. Adeus Borbulha.

O que acontece em Berlim, fica parte no blog

Numa quarta-feira fui conhecer Berlim. No voo de ida, sentado à nossa frente, calhou estar um conhecido do meu amigo, português mas a viver em Berlim, que por acaso até tem um bar perto do sítio onde íamos ficar. Com a ajuda dele e dos seus amigos chegámos rapidamente ao nosso destino. Há nossa espera, na estação de metro, estava um comité de senhores algo duvidosos que desejavam saber se queríamos “weed”. Houve um que até nos perseguiu um bons metros só para tentar vender o seu produto. Só porque tenho aspeto de mal nutrido não significa necessariamente que fume cenas estranhas.

O quarto onde ficámos tinha um boliche algo oscilante e eu fiquei na cama de cima. A casa de banho era bastante afastada do quarto o que tornava uma aventura sempre que eu necessitasse de a frequentar a meio da noite.  Quando acordava conseguia ver da janela do quarto um senhor do outro lado da rua, sentado à janela do seu prédio a trabalhar ou a se certificar que eu estava a ter uma noite bem dormida.

No dia seguinte fomos visitar o que resta do Muro, onde se pode ver espetaculares grafites e a carinhosa frase “Fuck Donald Trump”. Fomos também conhecer o Checkpoint Charlie e o Museu Judaico onde é possível pisar caras feitas em bronze por um caminho escuro e encontrar, em exposição, quipás da série Friends e do Batman.

Os berlinenses, faça sol ou chuva, adoram andar de bicicleta e de passear de garrafa de cerveja na mão. O meu amigo, ao olhar para as sinaléticas no metro, concluiu que é possível entrar com póneis no transporte. As alemãs têm muita saúde. 

Sexta foi dia de visitar o Museu Pergamon onde se encontra a Porta de Ishtar e o Museu de Arte Contemporânea Hamburguer Bahnhof que tem em exposição uma fascinante cadeira de escritório com ventoinhas, motor e um aspirador, pendurada no teto e que ao sentir movimento começa a falar alemão. Em Alexanderplatz encontramos um Oktoberfestezinho onde tivemos a oportunidade única de ver um cão a andar de skate e de pagar 5 euros por uma cerveja. Fomos ao portão de Brandeburgo mas estava fechado.  

De noite, recomendados pelo TripAdvisor, jantámos num restaurante italiano gourmet/hipster/coiso onde os pratos principais parecem entradas. Aquele tipo de restaurante em que os empregados saem da cozinha com um copo de vinho na mão e em que uma cliente tinha vestido um saco de compras com uma alça nas costas. A dona era bastante simpática e ainda nos ofereceu uns copos de limoncello. Depois fomos parar ao bar do rapaz que encontramos no avião e o regresso a casa foi algo cambaleante. A culpa foi dos limoncellos. 

No sábado choveu o dia todo, a ressaca estava presente e ouvimos a meia hora final do jogo do Sporting. Aquela em que o Guimarães marcou três golos. Foi complicado. Fomos a uma loja de vinis que estava situada num prédio que parecia abandonado e demos uma volta por Tiergarten.

No final acabei por não ver uma única bola de Berlim e não tirei uma selfie com a Merkel mas acabei por ganhar uma borbulha na testa. Hei-de voltar a Berlim.

 

 

 

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