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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Mais uma corrida até ao fim da Europa

Dia da Corrida Fim da Europa. É preciso ser-se um bocado toni para acordar antes das 8 da matina, num domingo de folga, para correr numa prova de 17 quilómetros para a qual paguei para participar. Ao menos não estava a chover.

Deixei o carro num parque de estacionamento na Azoia e fui de boleia até à partida na vila de Sintra. Na mudança de um carro para o outro acabei por deixar cair, algures na lama, os alfinetes-de-dama essenciais para prender o dorsal. Procurar uma agulha num palheiro é quase impossível mas procurar um alfinete-de-dama na lama também não é nada fácil. Felizmente tinha um, provavelmente da última corrida, no porta-luvas do carro que bastou para prender o dorsal mas que não impedia que uma rabanada de vento o fizesse dançar.

Nas corridas é sempre possível encontrar quem vai apenas para tirar umas fotos e o corredor que conhece todos os atletas, espetadores e os animais que por lá passem. Há os tonis que pagam para correr e os chicos espertos que aproveitam que as estradas estão cortadas para fazerem a prova em sentido contrário sem gastar um euro.

Quando o vento estava mais forte deixava de ser o número 2293 para ser o Informações Importantes. Perto do Cabo da Roca, vários turistas orientais tiravam fotos e gritavam algo parecido com “ Vai Tó!”. Foi o que me deu força nos quilómetros finais.

Tive dor de burro, fraquejei na subida mais ingreme e tive que parar duas vezes para atar os ténis mas acabei por fazer tempo idêntico ao do ano passado. Só apanhei chuva no caminho para o carro. Ao sair do parque de estacionamento um senhor disse-me adeus.      

 

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To Ni Land

O musical La La Land, que conta a história de um músico e de uma aspirante a atriz que se apaixonam em Los Angeles, ganhou 7 Globos de Ouro e 14 nomeações para os Óscares por isso achei por bem transformar um dia meu normalíssimo num musical.  

Musical que é musical tem que ser animado por isso não fico, como costume, dentro da cama na ronha até que o terceiro despertador toque. Salto da cama com um rasgado sorriso nos lábios, ao som de “Wake Up” dos Arcade Fire, e entro a girar pela casa de banho adentro. No chuveiro canto, com uma voz imaculada, o “I Will Survive”, acompanhado pelos efeitos sonoros de um patinho de borracha.

Quando subo o estore aparece a gata Boneca a pedir o pequeno-almoço. Começa a tocar o “The Lovecats” dos The Cure e eu vou acompanhando a música batendo as latas de Whiskas. No jardim já tenho o labrador Oscar à espera que chute uma bola de ténis. Começa a tocar o “Who Let The Dogs Out” dos Baha Men , música essa que traz boas memórias de infância ao Guma, o cão ancião. Os três dançamos e a Boneca, no cimo de uma árvore, vai abanando a causa ao ritmo da música.     

No carro vou conduzindo aos esses ao som de “No Cars Go” dos Arcade Fire. Como trabalho por turnos, raramente apanho trânsito, por isso não preciso de dançar em cima dos tejadilhos de carros parados.

Quando chego ao trabalho vou direto à máquina de café e começa a tocar a música “Coffe and TV” dos Blur. Dançar com um copo de café quente na mão não é nada fácil mas a coisa acaba por correr bem. Passo o dia a ver notícias e independentemente de ser boas ou más, a música “Video Killed The Radio Star” dos The Buggles vai tocando ao fundo.

No regresso a casa, vou conduzindo aos esses ao som de António Variações “Estou Além”. No final do dia vou correr no passeio marítimo com o “Run Boy Run” do Woodkind a tocar nos fones e à minha volta os ciclistas vão fazendo acrobacias e os corredores vão marchando com muito jogo de cintura. Entro em casa a rodopiar e aterro na cama com um mortal ao som de ”Home” dos Edward Sharpe & The Magnetic Zeros. Isto de dançar o dia todo é muito cansativo.

 

To Ni Land playlist

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Uma beca de parabéns

Este modesto blog, cuja página de Facebook tem menos likes que a vacaria de Almornos, fez no sábado 4 anos de existência mas só agora é que me lembrei de assinalar a data. Normalmente justifico estes esquecimentos com o fato de trabalhar por turnos, que faz com que não saiba bem a que dia da semana estou, quanto mais saber se é dia 20 ou 21, mas pode muito bem ter sido o empate do Sporting na Madeira que me retirou da memória qualquer tipo de celebração. Nessa data especial, podia ter levado o portátil até a um Starbucks desta vida mas acabo por escrever este texto no dia seguinte em casa, no meu desktop, enquanto bebo chá de limão com mel.

Segundo os especialistas, aos 4 anos de idade já consegue pentear o cabelo e lavar os dentes sozinho, dominar o triciclo, conhece algumas letras do alfabeto, tem dificuldade em separar a fantasia da realidade, já consegue brincar em grupo e está constantemente a perguntar porquê. Tudo isso é verdade mas também lança bolas ao cão do vizinho com bastante técnica, deparasse com situações bastante complicadas, queixasse com bastante frequência que a vida não é fácil e precisa de tomar Memofante, ou algo da família dos elefantes, para se lembrar de datas importantes.

 

 

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O meu reino por uma cidra

Noite num pub medieval. Nunca lá tinha ido e como reparei que ficava numa estrada sem saída e não tinha parque de estacionamento, decidi estacionar a minha carroça quase a um quilómetro do local. Como sou um tipo que tem a mania das corridas, a caminhada acelerada até ao pub seria um bom treino.   

O local tinha bastante espaço na rua, até havia pessoas à volta de uma fogueira, mas o clima estava pouco convidativo para o convívio ao ar livre. Dentro do edifício havia bastante calor humano. As mesas estavam ocupadas e o espaço para movimentações no pub era bastante diminuto. Estava uma banda de músicas medievais, irlandesas e celtas a ensaiar numa espécie de palco. O rapaz do violino tinha um visual algo Jack Sparriano, o que tocava viola parecia o John Lennon no videoclipe do Imagine e o baterista, que tinha o look mais normal, quase que impedia o caminho para o primeiro andar. Nesse andar ficava a loja das artes mágicas e as casas de banho. Bastava um elemento da banda convidar a sua família mais próxima para encher o bar.

Ser atendido era complicado. Apesar de haver vários empregados, andavam todos bastante ocupados com os pedidos escritos nos post-its típicos da época medieval. Conseguir a ementa era quase impossível. Como era a noite da cidra lá consegui pedir uma, mas quando vi rapaz a pegar numa Somersby, rapidamente disse que queria uma igual a da rapariga que estava ao meu lado. Calhou-me uma cidra com sabor a pera, que até não era má de toda, mas quando o empregado disse que custava 6 euros fiquei logo arrependido. A vida medieval não é uma vida barata. Ainda consegui beber um copito de hidromel.   

A próxima vez que quiser arranjar mesa num dia em que haja um grupo a tocar, mais vale montar a tenda à entrada do pub e alegar que sou um familiar de um elemento da banda. O complicado será descobrir o nome de um dos artistas.   

Ele vem aí

Está a chegar uma vaga de frio. As temperaturas poderão descer até aos zero graus centígrados e a expressão “está um calor esquisito”, promete regressar em grande.

Nas redes sociais vão se intensificar as fotos de lareiras e de quanto é que marca o termómetro do carro. O “volta Verão” vai ser o pedido mais desejado do início de 2017. O beijo de esquimó fará mais sentido mas será bastante complicado se ambos estiverem constipados.

Há sempre um toni que acha que o frio é psicológico e por isso sai à rua com a sua t-shirt favorita vestida e o mais friorento, que mesmo dentro de um centro comercial, não prescinde do seu gorro e luvas. É o regresso em força dos casacos e gorros de animais e dos cães miniatura vestidos com roupas de pessoas. Nas bancadas dos jogos de futebol há sempre alguém disposto a mostrar a sua proeminente barriga. Muita gente irá sair de casa com o pijama vestido debaixo da roupa.

Eu, como não tenho lareira, continuarei a colocar eletricidade no meu aquecedor a óleo e usar o cobertor alentejano que por vezes me faz espirrar. Se o Inverno fica mesmo rigoroso, tipo Guerra dos Tronos, irei vestir o urso da Natura. Não ponho de parte a hipótese de adotar um pinguim, desde que ele não tenha o vício de ir correr atrás de bolas.  

 

 

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A hora do reformado

Trabalhar por turnos permite ir às compras ao dia de semana, quando há menos movimento, mas existe sempre o risco de encontrar a hora do reformado.

Normalmente a hora do reformado é de manhã porque todas as pessoas com mais de sessenta anos gostam de acordar cedo. Hoje vou almoçar peixinho, pensava eu ingenuamente, até que me aproximo da bancada do peixe e avisto um ajuntamento.  Parecia que tinha acabado de chegar um autocarro das excursões patrocinadas pela junta de freguesia ou então o Pingo Doce achou por bem reservar aquela zona do supermercado para o Bingo.

No caminho para tirar a senha ainda fui ultrapassado por um senhor que se meteu pela esquerda. Era o 51 e só há bocadinho tinham chamado o 40. Fui fazer o resto das compras e quando voltei ainda só ia na senha 41.Quem estava à espera ia pondo a conversa em dia. Quando o sinal sonoro alertou que a senha seguinte era o 42 alguém exclamou “Aleluia!”. Devia estar com pressa para ir ver o Goucha. Acabei por desistir e levar uma pizza congelada para o almoço.

Na fila para pagar quem paga com multibanco engana-se no código ou carrega no OK antes de tempo. Quem decide pagar com dinheiro tem sempre o porta-moedas carregadinho de moedas de 1 cêntimo e precisa da ajuda do Caixa para as contar. Há sempre pelo menos um senhor bastante impaciente, provavelmente porque quer estar em casa na altura do Opinião Pública cujo tema é futebol.    

 

 

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Mais um dia complicado

Acordei com sono. Parece que estou de ressaca de uma noite numa discoteca de rock distorcido mas esse evento já ocorreu há uns dias. Devia dar um jeito à casa mas o meu gene procrastinador levou a melhor. Vou vendo o que se passa nas redes sociais na esperança que o meu telemóvel colabore. Ele está lento, com a bateria viciada e por vezes até trabalha sozinho mas ainda não é desta que o vou mandar abater. Talvez dure até ao carnaval.  

Posso estar de folga do trabalho mas tenho sempre que exercer as funções de lançador de bolas para o Oscar, o labrador dos vizinhos. Quando começa a ouvir o meu estore a subir, sai disparado do segundo andar para o jardim, em busca da bola ideal para eu atirar. Estou eu a estender a roupa, preocupado se as calças pretas que comprei recentemente perderam tinta, e está ele à espera que chute a bola de ténis mais enlameada do grupo. Almocei sob o seu olhar a tento. O sol teima em aparecer para secar a roupa.

De tarde recebi uma visita do Guma, o cão ancião do jardim, para mais uma dose de bolachas tostadas e do filho do meu vizinho que quis consultar as últimas do futebol no meu computador. Perguntou se eu ia ver o Benfica e se eu tinha pintado o cabelo. As suas luvas de guarda-redes estão há mais de uma semana no móvel do pc mas ainda não foi desta que as levou para casa.        

O jantar foi num restaurante japonês onde o único empregado oriental era o tipo que lavava os pratos. Não tirei nenhuma foto à travessa do sushi. No final da noite acabei por beber um Gin do Mar cuja diferença de um gin normal era o sabor a maracujá, fruto esse que qualquer Marinheiro com “m” grande, coloca na sua bebida.      

Acabei por não limpar a casa, a roupa não secou e não me saiu nada na aposta de dois euros e meio da máquina no Euromilhões mas acabei o dia cheio de sushi e com o ténis direito mais enlameado que o esquerdo.  

Bom ano em Fevereiro

Será que existe algum prazo para deixar de desejar bom ano? Será que a chegada de o Dia de Reis encerra os votos ou só em Fevereiro é que deixa de ser aceite pela sociedade o desejo de um bom 2017?

Já chegámos ao quinto dia e ainda há quem o diga como se fosse meia-noite do dia um. Eu, que trabalho por turnos, nem sempre estou com os mesmos colegas, por isso sempre que me cruzo com um, fico na dúvida se já o vi este ano ou não.

Se calhar a qualidade do 2017 de uma pessoa dependerá muito do número de vezes que lhe desejarem um bom ano. Quem tiver a cima de 100 votos irá ter um ano do caraças, onde irá conhecer a mulher ou homem da vida dele e ter tudo o que sempre sonhou porque lhe saiu o euromilhões em dia de” jackpot”. Se o número de votos estiver entre os 50 e os 100 terá um ano bastante aceitável mas não será desta que poderá comprar um Lamborghini, nem ver aceite o pedido de casamento via Twitter à Emily Ratajkowski. Se tiver menos que 50 desejos de bom ano, irá ter um 2017 bem complicado.

Não basta identificar os teus amigos do Facebook numa foto de uma garrafa de champanhe ou criar um grupo no WhatsApp com o nome “Feliz ano novo!” para o ano deles correr bem. Os votos pessoais contaram sempre mais. Se desejar bom ano duas vezes à mesma pessoa, o voto deixa de ser válido. A julgar pela qualidade das últimas arbitragens na Taça da Liga, os árbitros tiveram muito poucos votos.

Em 2017 é que é!!

Passagem de ano num restaurante. Antes de entrar, o condutor de um carro bastante lotado pediu-me indicações para a praia das Maçãs que ficava a mais de 12 quilómetros. Como não queria estragar a o fim de ano da família, disse-lhe para voltar para trás e perguntar a outra pessoa. Não queria ficar como peso na consciência, caso eles ficassem perdidos na serra de Sintra.

Entrar na sala de jantar podia muito bem significar o entrar num ano bem sombrio. Não havia sequer um fiozinho de rede e a maior televisão passava a Casa dos Segredos. Felizmente havia outra com a SIC Notícias e uma password de wi-fi fofinha.

Em todas a frentes havia fotos a serem tiradas e crianças circulavam com objetos que brilham no escuro. Até ao final da noite, ainda vou conseguir roubar uns óculos. Senhoras de idade vintage não largavam o stick. Eu, que estava sentado de costas para todos os acontecimentos, quase que comecei o ano com um torcicolo.

Não gosto de passas mas nesta altura faço sempre o esforço de comer as 12. Difícil é arranjar 12 desejos. Para além dos óbvios, que qualquer Miss desta vida sabe de cor, sobram ainda muitas passas até ao final. Não sei se as maiores valem mais, mas a grande foi para um Sporting campeão. Acho que não comi todas.

A pista de dança estava ao rubro com música dos anos 80, música brasileira e kizomba. As gramas que ganhei no jantar rapidamente evaporaram na pista. Sempre que uma música começava, interrogávamo-nos se o cantor ainda estaria vivo. Fiquei bastante sensibilizado quando começou a tocar o “Milla” do Netinho, que por acaso ainda está vivo. Estive quase para entrar num comboio musical mas não estava suficientemente alcoolizado para me agarrar a uma senhora vintage. Acabei por não roubar nada fluorescente às crianças.

 

Um excelente 2017 para todos vós. 

 

 

 

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