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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Um conto Óscarizado

Ele e Ela têm o seu Primeiro Encontro marcado no restaurante Manchester by the Sea. Ele saiu atrasado de casa mas Custe o Que Custar, nem que tenha que saltar Vedações e contornar Animais Noturnos, irá chegar a tempo. Chegou à hora marcada. Não é à toa que lhe chamam de Herói de Hacksaw Ridge.

Ela chegou pouco tempo depois, no autocarro que partiu de La La Land. Os dois pediram Lagosta e começaram a falar das suas vidas. Ela é bastante reservada. Tem Elementos Secretos na sua vida que não quer partilhar. O Silêncio instalou-se. Ambos pediram um chocolate Lion para sobremesa. Acabaram a noite num rooftop, bebendo gins e a ver a Moonlight. Foi o início de um grande amor. 

 

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Inspetor Oscar

Oscar, o labrador dos meus vizinhos, vive obcecado por bolas e eu sou o seu fiel lançador. Está sempre disponível para entrar em perseguição e se a bola for parar a um local de difícil acesso não desiste até a conseguir de volta.

E se o Oscar usasse o seu talento para ajudar pessoas? Vários são os cães que ficaram famosos por fazerem o bem. A Lassie era perita em encontrar crianças que caíram no poço, o K-9 era exímio na caça ao tráfico de droga e o Max, primo do austríaco Rex, apanha criminosos e ainda consegue perceber o que o José Carlos Pereira diz.

Se o Oscar começa a ganir ou a bater com a pata nas portas de correr não é porque alguém está em apuros. Ele quer é que eu chute mais uma vez a bola ou então ela foi parar a um sítio inacessível e tenho que a resgatar antes que ele entre em depressão.

Podia tentar com que o Oscar fosse atrás dos fugitivos da prisão de Caxias mas duvido que conseguisse grandes resultados. Já é bastante complicado fazer com que ele saia de frente de uma bola para eu chutar quanto mais ir atrás de alguém que não conhece. Se os reclusos tivessem uma bola no bolso, aí sim o Oscar entrava em perseguição até ao fim do mundo. Conseguiria desativar bombas se o fio que fosse para cortar tivesse esferas.  

Para ter uma série de sucesso bastava arranjar uma parceira de combate ao crime com bastante saúde e usar bastantes truques de montagem e efeitos especiais para substituir as bolas por pessoas. Na vida real resta-me a esperança que ele aprenda a avisar-me sempre que comece a chover para eu apanhar a roupa.     

Toni dos bolos

Dia de fazer bolo de iogurte. A minha habilidade na cozinha nem é sequer reconhecida no meu bairro mas mesmo assim decidi arriscar a arte da pastelaria.

Não é o meu primeiro bolo de iogurte mas mesmo assim tenho que ter o site aberto com a receita. Dou sempre preferência aos que têm vídeo para evitar algum erro de interpretação. Quando começo a colocar os ingredientes a jeito aparece a gata Boneca para uma visita social. Resta saber se apareceu para dar sorte, para alertar o perigo de eu estar de volta do forno ou se simplesmente veio para miar e se roçar no mobiliário da casa.

Quando começo a juntar os ingredientes numa tigela para bater distraio-me no telemóvel e já não tenho a certeza se coloquei o açúcar de três ou quatros caixas de iogurte. Na dúvida ponho sempre mais. Não quero que seja um bolo light.

Como homem que é homem não tem batedeira elétrica, uso a batedeira manual que a minha querida avó ofereceu e bato até a massa e os meus dedos fazerem bolhas. Coloco a massa batida na forma e vai para o forno pré-aquecido. As minhas últimas tentativas de bolo saíram com o rabo queimado por isso hoje decidi seguir uma sugestão do Google e coloquei sal no tabuleiro. A receita diz que tenho que ter o forno a 170 graus mas como o meu só mostra números de 1 a 6 decidi colocar no 3 e esperar que corra bem.  

Entretanto recebo a visita do labrador Oscar mas ele não está interessado em bolos. O vício dele é bolas e eu sou o seu dealer. Nos intervalos de chutar a bola vou verificando o estado do bolo e a coisa não se está a desenvolver. A chama está muito fraquinha por isso mudo para o 4 e rezo para que o santo protetor dos pasteleiros esteja comigo.

Passado uns minutos olho para o bolo e ele olha para mim. Estava pronto. Tiro do forno e deixo-o repousar. Não ficou queimado em baixo e está comestível. Prova superada. Sinto-me um Avillez dos pobres e o meu bolo passará a se chamar de Yoghurt Cake à Toni.    

 

 

 

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Não te encostes a mim

Estar parado no trânsito é complicado mas pode ser a altura ideal para tratar de diversos assuntos. Há quem aproveite para tomar o pequeno-almoço, retocar a maquilhagem e até fazer a barba. É possível ouvir o álbum “69 Love Songs” dos The Magnetic Fields pelo menos duas vezes e todos os cds do Panda e os Caricas. Consegue finalmente ler as 1225 páginas do “Guerra e Paz” do Tolstói e fazer aviões de papel com as páginas de um qualquer livro do Gustavo Santos.

Parado dentro do carro consegue ter uma visão mais atenta do seu interior. Repara na quantidade considerável de pó no tablier, descobre 2 euros debaixo do banco do passageiro e encontra uma garrafa com um resto de uma água com cor estranha. Também pode interagir com os automobilistas que estão em seu redor por gestos ou mesmo baixar a janela e partilhar histórias de outros dias complicados.

Pode se queixar nas redes socias do trânsito e, se estiverem reunidas condições para uma selfie, até pode mudar a sua foto de perfil e receber likes em catadupa. O seu lado criativo pode vir ao de cima e elaborar uma canção:

 

Não te encostes a mim

Segue na tua faixa de rodagem

Não te encostes a mim

A distância de segurança tens que dar

Não te encostes a mim

Espera pela tua vez para teres passagem

Não queiras preencher a declaração amigável

Deixam-me a casa chegar   

 

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Quase que vi a Super Bowl

Todos os anos dou uma espreitadela na Super Bowl e continuo sem perceber grande coisa do jogo.

Quando falam em jardas começo logo a ficar baralhado. Um tipo fica acordado até tarde para ver homens a andarem aos encontrões, não para estar a fazer conversões de jardas para metros. Há jogadores que pintam a cara com um simples traço debaixo de cada olho, outros que são mais criativos e fazem alterações à pintura de guerra e alguns, que provavelmente quando estudavam não tinham boas notas a Educação Visual, que simplesmente borram a cara com tinta preta. Os mais asseados andam sempre com uma tolha presa à cintura. Deve ser uma grande sensação ganhar a Super Bowl mas com tantos encontrões duvido que alguém se lembre bem de toda a partida.

Este ano grande parte dos anúncios no intervalo tiveram como alvo a política de imigração de Trump e o concerto teve a Lady Gaga presa por arames, acompanhada por drones e bastante pirotecnia. Claro que não cheguei a ver nada disso em direto, só aguentei pouco mais de uma hora de jogo.

Se o futebol americano fosse popular em Portugal, a nossa Super Tigela teria o Presidente Marcelo a lançar a moeda e a tirar selfies com jogadores e árbitros e os intervalos publicitários seriam marcados pelos anúncios do Calcitrin e pela publicidade da Libidum Fast que teria o Futre a dará toques, sem usar os pés, numa bola de futebol americano. O concerto seria com a Ana Moura no alto pendurada por arames e o Agir, em baixo, a dizer que ela lhe partia o pescoço. Toda a emissão teria em rodapé um número de telefone que ao ligar podia dar direito a cinco mil euros em cartão.       

 

 

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