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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Sono por turnos

Trabalhar apenas um dia com poucas horas de sono é complicado, vários já é considerado um desafio. As horas de sono a menos funcionam como os pontos das gasolineiras: vão acumulando e no final o prémio não é grande coisa.

Chegas ao trabalho e ouves os comentários: “Não estás com bom ar!” e “Abre os olhos!”. Ao passar nos corredores és capaz de cumprimentar efusivamente pessoas que mal conheces. Só passado um tempo é que percebes que o elevador não está a andar porque o botão não foi pressionado. Em casos extremos és capaz de pedir um café à maquina que por acaso não funciona com comandos de voz. Perdes a noção de quantos cafés já tomaste.

No posto de trabalho não chegas a fechar os olhos mas entras em modo screensaver para poupar energias. Para voltares a funcionar basta um pequeno abanão. Tens a perfeita noção que na véspera não deverias ter ido a um jantar que coincidiu com a mudança para o horário de Verão. No final do dia tens apenas uma vaga ideia do que aconteceu.    

 

 

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Mais quadras à Primavera

A Primavera já chegou

E desato logo a rimar

Talvez seja inspiração da estação que começou

Ou dos anti-histamínicos que estou a tomar

 

Com ela o frio e a chuva apareceram

E o aquecedor tive que voltar a ligar

As flores no jardim já desabrocharam

Mas roupa estendida teima em não secar

 

O horário de Verão está a se aproximar

E o relógio uma hora terei que adiantar

Menos uma hora à noite irei descansar

Mas fico com mais tempo para a bola ao Oscar atirar

Numa sala de cinema perto de si

Numa sala de cinema é possível encontrar uma grande variedade de personagens:

 

O Sofredor

É aquela pessoa que não precisa de óculos 3D para entrar dentro de um filme. “Eish!”,”Whow!”,”Óooo!” e “Eu não acredito!” são algumas das expressões mais utilizadas por ela enquanto está a ver o filme. Se for um filme de terror é capaz de gritar “Atrás de ti!!” quando o assassino está prestes a esfaquear a jovem indefesa e tapa os olhos quando o sangue começa a jorrar. É capaz de exclamar “Grande aldrabice!” mesmo se a ação do filme se desenrolar em 2080.

 

O Telemoveldependente

Apesar dos avisos para desligar o telemóvel durante o filme, ele nem sequer consegue tirar o som. Troca mensagens, verifica as últimas novidades nas redes sociais e atende chamadas como se estivesse em casa.  Os dependentes em estado mais avançado são capazes de passar níveis no Candy Crush ou ver um filme no telemóvel durante a sessão de cinema.  

 

O Desorientado

Nunca sabe bem o que é que está a acontecer no filme. Ou tem dificuldade em acompanhar as legendas ou simplesmente não sabe ler. Coitada da pessoa que está ao seu lado que tem que descodificar o filme. É capaz de começar a debater o filme, ainda vai ele a meio, e sem esperar pelo intervalo.

 

Os Pombinhos

Não importa se é as Cinquenta Sombras Mais Negras ou A Bela e o Monstro a passar no ecrã gigante. Quando as luzes se apagam, os pombinhos entram logo em ação. Beijos prolongados, corpos inspecionados, apalpações sentidas, juras de amor na altura em que o personagem principal fica sem a cabeça. No final saem de mão dada, compostos e sem saberem o que raio é que aconteceu no filme.

 

O Pipocas

Quem teve a brilhante ideia de associar pipocas a uma sessão de cinema devia ser fustigado. É que existem pessoas que simplesmente não as sabem comer. Devora pipocas como se não houvesse amanhã e o barulho que faz é deveras complicado. É capaz de andar a mexer as pipocas no balde, durante vários minutos, sem tirar nenhuma. Quando deixas de o ouvir a ruminar e pensas que o teu sofrimento acabou, estás enganado. Quando chega o intervalo, ele vai buscar mais. É aquele que também insiste em aspirar a bebida quando já só existe gelo derretido.

 

 

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Carta de amor para a segunda-feira

Ser segunda-feira é complicado. Basta dar um pequeno pulo às redes sociais para sentir o ódio por ti nutrido, sem sequer precisar que apareças. Na véspera já começam a aparecer os Trumps desta vida a amaldiçoar-te, não te dando uma hipótese de mostrares o que vales. Até o Garfield, que passa os dias a comer e a dormir, te odeia.

Mas eu venho aqui declarar o meu amor por ti, segunda-feira. Sei que posso sempre contar contigo. Apesar de meio mundo te detestar, tens a força e coragem suficiente para aparecer todas as semanas, sem uma única falha. Acordo contigo no meu pensamento e assim deixo-me ficar mais um bocado na cama.

Adoro ir às compras no teu dia. Os shoppings e supermercados são menos frequentados, dando-me assim o espaço suficiente para realizar os meus desejos. O cinema é mais barato no teu dia e nunca me obrigas a ver comédias românticas.

Claro que nem tudo é um mar de rosas. Por vezes o meu horário assinala que estou de turno no teu dia mas as relações são mesmo assim. O que interessa é que até às vinte e três horas e cinquenta e nove minutos estarás sempre comigo.

Hoje é daqueles dias mágicos em que vou aproveitar tudo o que tens para dar. Obrigado por seres quem és.

Beijos do teu maior admirador.

 

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O regresso da busca do papel verde necessário para a circulação automóvel

Dia de levar o carro à inspeção. Antes de ir, aconselharam-me a me dirigir a um centro que fica perto de casa. Como antes tinha que passar pela oficina, acabei por ir a um centro de inspeção perto dela. Sou mesmo toni.

Quando estaciono o carro reparo que fecharam a linha dois e como tal só uma estava a funcionar. Agora que já cá estou não vou voltar para trás. Acabei por voltar para trás na altura em que fui pagar e reparei que tinha deixado o certificado de matrícula no carro. A senhora avisa que é capaz de demorar.

No carro vou consultando as últimas notícias, as redes sociais, as minhas várias contas de e-mail e o horóscopo do dia. A Maya não menciona nada do género “Quem espera, sempre alcança.” Se a Susana do Éder estivesse ao meu lado de certeza que teria algo motivador para me dizer neste período complicado. O sol vai batendo no vidro e começam a ficar reunidas condições para uma boa sesta, onde poderei sonhar com um mundo onde não existem esperas.

Dizem-me que já me posso colocar na fila. Parece que o fim está próximo. Quando está quase a chegar a minha vez vejo movimentações entre inspetores. O chefe organiza uma pequena reunião. A linha um deixou de funcionar, todos para a dois. Na mudança de linhas, o carro que está atrás de mim coloca-se de esguelha, como se quisesse aproveitar a oportunidade para me ultrapassar.  

O inspetor que me atende é um senhor novo e pede logo desculpas pela demora. Deve ter sido a inspeção mais rápida que alguma vez tive. Na altura da entrega do papel começou o suspense. Vejo o rapaz aflito e no seu auxílio chegam mais dois colegas. Não estavam a conseguir imprimir a folha. Só espero que não me entreguem o papel do La La Land.

O problema foi finalmente resolvido e, apesar de ter algumas anotações, a folha é verde. Claro que quando fiquei despachado o centro já tinha regressado à normalidade. As duas linhas já estavam a funcionar e estavam poucos carros à espera. Assim se passou uma hora e meia da minha vida complicada.         

 

 

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Um dia de um dependente de séries

Aquelas pessoas que acompanham bastantes séries, que renegaram por completo os filmes e chegam a ver temporadas inteiras num só dia podem muito bem ter dificuldades em separar o real da ficção.

Quer sair de casa mas não encontra as chaves do carro. É a altura ideal para utilizar todos os conhecimentos que adquiriu nas sete penosas temporadas do Sem Rasto. Como não pertence aos Sons of Anarchy, não segue numa mota a alta velocidade para o local da venda de armas mas está no pára-arranca da Segunda Circular, na esperança que chegue a horas ao escritório. De vez em quando olha para os céus na esperança que a Rainha dos Dragões do Game of Thrones lhe ofereça boleia.

O chefe é tão ou mais palerma que o David Brent do The Office e está a chamar os funcionários um por um ao seu escritório. Mais uma vez, imagina que está num episódio do Game of Thrones e que vai ser o seu último dia no escritório. Pela secretária e no seu corpo tem espalhados vários post-its, que contêm pistas para puder fugir do escritório sem ser visto. Vai ser um Scofield desta vida mas sem levar ninguém com ele. Mas antes de fugir vai usar tudo o que aprendeu nos vários episódios CSI: Miami para descobrir quem é que avariou a sua impressora favorita, enquanto tira em e põe os seus óculos escuros.

No caminho para casa culpabiliza-se por na escola não ter estado mais atento às aulas de Química. Podia estar neste momento numa roulotte a fabricar metanfetaminas. Pensa que vai deixar a vida no escritório e, como viu as oito temporadas do Dr. House, sente que tem a capacidade e o sarcasmo suficiente para poder executar operações de alto risco.