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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Correr por dois

Existe uma quantidade considerável de pessoas que acordam cedo para irem à praia, mas para correr nela já é só para um grupo mais restrito.

A Meia Maratona na Areia Analice Silva consiste em percorrer 21kms na areia da Nova Praia, mas como tinha uma prova de 10kms em asfalto na véspera, não me quis desgraçar ainda mais, por isso só me inscrevi na de 10 e rezei para não morrer na praia.

Estacionei o carro algo longe da partida, para fazer um devido aquecimento até lá, mas quando fomos levantar os dorsais não tinham alfinetes- de- dama para entregar. Felizmente tinha dois, da corrida do dia anterior, na carteira. Voltei para o carro a cantarolar o “Não Há”, a minha versão do sucesso dos D.A.M.A.

Quando já estávamos na partida, prontos para iniciar a prova, começou a tocar o “Amar Pelos Dois” do Salvador e por momentos pensei que teria que correr por dois. Começa a corrida e estamos contra o vento. O meu dorsal começa a dançar ao sabor do vento e por momentos pensei que estaria bem melhor na cabana junto à praia do José Cid. Até estaria disposto a aturar o macaco.

Passei boa parte da prova a fugir de uma atleta que tinha respiração ofegante e mesmo no final da prova consegui ultrapassar a mulher que ficou em primeiro lugar. Tentei comer e beber um pouco de tudo do que tinham para oferecer.

No sábado fui o número 22, no domingo passei a ser o 1142 e hoje para ir trabalhar vai ser um belo 31.     

 

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Banco, volta, estás perdoado

Caxias tem um convento, um farol, um fugitivo que é participante ativo no Facebook mas não tem um banco.

O banco, que era novo, fechou e com ele levou duas preciosas caixas automáticas de multibanco. Uns bons metros ao lado instalaram uma, mal sinalizada, mas essa única distribuidora de dinheiro não consegue responder à procura. Quando chegar a altura das pessoas de idade avançada receberem as suas reformas, a fila até dará a volta à “rotunda” de Caxias.

Das três vezes que visitei o novo multibanco, duas não tinha dinheiro e na única vez em que tinha notas para entregar, eu não precisava delas. Cheguei a ir até Queijas para ter dinheiro para pagar um corte de cabelo. Como é que é possível que uma terra de nome Queijas tenha mais que um banco. Só depois é que descobri que existe um multibanco na estação de comboios de Caxias.

Já que estamos num ano de eleições autárquicas, talvez o melhor seja votar no independente Isaltino Morais, o candidato que “rouba, mas faz obra”. Com ele de volta ao poder, de certeza que Caxias passaria a ter pelo menos uma sucursal bancária e, quiçá com algum jeitinho, um pavilhão multiusos preparado para receber o próximo Festival da Eurovisão.       

O amor esteve no ar

No fim-de-semana prolongado, a que apenas a função pública teve direito, muito se passou no nosso país.

Começou-se por acompanhar o avião, o helicóptero e o Papamóvel que transportavam Papa Francisco, depois iniciou-se a perseguição ao autocarro do plantel do Benfica e à vespa do Eliseu, e no final a Europa deixou-se levar pela música do Salvador. Como existem programas que acompanham voos em tempo real e vídeos com as letras das músicas, também deveria haver um software que seguisse apenas o percurso dos autocarros das equipas de futebol. Felizmente este blog é seguido por pouca gente, senão já estaria algum toni a apresentar a minha ideia dos autocarros no Shark Tank.

A mensagem de “Amar o próximo” passou para “Amar o Benfica” e terminou com “Amar pelos dois”. Sendo ateu e do Sporting tive que me agarrar à música para não ser tão complicado. Acho uma boa canção, que se torna melhor comparada com o tipo de música que costuma passar no Festival, mas não me chegou a tocar, porque também não lhe dei confiança para tal. Depois de ter que ouvir vezes sem conta excertos da música do Salvador, já só consigo amar pela metade.

Na segunda-feira, o Salvador era o tema de conversa, chegando mesmo a ser mais comentado que a vitória do Benfica no campeonato. Muitos foram os que sofreram com a votação final mas que não viram a cerimónia na sua totalidade. No bar do trabalho instalaram uma máquina que recolhe as moedas dos pagamentos e dá o troco, porque muito provavelmente havia algum empregado que tinha muito amor ao dinheiro que recebia.

Vai ver se chove

As previsões meteorológicas estão cada vez mais parecidas com as dos signos: raramente acertam.

Algumas pessoas mais antigas têm a teoria do “Desde que mandaram os computadores lá para cima que o tempo nunca mais foi mesmo!”. Das duas uma, ou acham que o envio de satélites meteorológicos para o espaço tenha afetado o clima, ou então pensam que a chegada deles aos céus serviu para chatear São Pedro e, como é sabido, nunca se deve incomodar o santo que controla o tempo.

Existe sempre alguém que conhece um site ou tem uma app que garante que é infalível mas, quando chega a hora da verdade, acaba envergando uma t-shirt, calções e havaianas calçadas, durante um dilúvio. Até o Facebook chega a aconselhar a saída de casa com guarda-chuva. O Zuckerberg já devia saber que nunca uso esse tipo de proteção. Tenho a plena convicção que o regresso das meninas da meteorologia à televisão iria melhorar a qualidade das previsões.

Nesta altura estão previstos aguaceiros e ventos fortes para a altura em que o Papa chega a Portugal. Se, no preciso momento em que o Papa põe os pés em solo português, as nuvens desaparecerem e o sol surgir em todo o seu esplendor, ninguém irá pensar que é algum milagre ou um sinal divino. Apenas irão achar que é só mais um engano dos tonis da meteorologia.

 

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Tony Highlander

Antes de partir rumo à Escócia fiz o trabalho de casa. Sabia que o país tem bastantes castelos, um monstro num lago e whisky do bom. Vi os dois Trainspotting, o Braveheart, o Último Rei da Escócia, que tem um título enganador porque toda a ação é passada no Uganda, e ouvi um best of de gaitas de foles. Tinha a perfeita noção que não tinha pernas para usar um kilt.

Mal pus os pés em Glasgow passei a ser o bravo Tony Snows do clã Snows, que chegou, quando noite já ia longa, ao seu hostel manhoso e que jantou um Big Mac no único sítio nas redondezas que ainda permanecia aberto.

Em plena alvorada, Snows partiu rumo a Stirling. Depois de mais uma intensa batalha, Tony só queria descansar no seu castelo. Quando chegou, rapidamente percebeu que já tinha sido invadido. Tentou disparar uns tiros de canhão para descarregar a frustração mas não conseguiu encontrar a pólvora. Felizmente conseguiu arranjar um desconto para visitar a sua casa de férias em Edimburgo, na esperança que ela permanecesse desocupada. Partiu rumo a Edimburgo, num comboio com wi-fi.

Em Edimburgo, percorreu a Royal Mile onde viu tocadores de gaitas de foles, malabaristas e um Mario, um Luigi e uma princesa, com traços bastante masculinos, à entrada de um pub de nome "The World's End". Descobriu também os seus fiéis companheiros de batalha, que tinham criado uma boys band.

Depois de uma noite dormida num quarto alugado por desconhecidos, o corajoso Snows segue em direção ao pico mais alto de Edimburgo, o Arthur’s Seat. Devia ter trazido os seus ténis de trail. Lá no alto encontrou um cão e perguntou-lhe se queria ser o seu Oscar escocês. Seguiu depois para a sua casa de férias em Edimburgo e também ela tinha sido ocupada por turistas. As joias da coroa escocesa estavam em exposição mas não conseguiu levar nenhuma recordação. Seguiu de volta a Glasgow num comboio que já não tinha wi-fi gratuita.

Em Glasgow visitou o Museu e Galeria de Arte de Kelvingrove onde encontrou um busto parecido ao do Ronaldo e deu um salto à Galeria de Arte Moderna que tinha à entrada uma estátua equestre do Duque de Wellington, com ambos de cones de trânsito nas cabeças. Mesmo na parte final da sua odisseia escocesa, avistou uma casa com o nome de “Tony 2 Go”. Estes escoceses são doidos.      

 

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33 e é bem complicado

No dia 2 de Maio de 1972 nasceu o "ator" Dwayne Johnson, no segundo de Maio de 1975 foi a vez do ex-futebolista David Beckham aparecer e num complicado 2 de Maio de 1984, algures da parte da tarde, que de manhã eu não funciono bem, veio ao mundo um Tó, que mais tarde passou também a ser Toni.

Quando digo que passo a ter 33 anos de existência, várias pessoas fazem referência à idade de Cristo. Sabendo isso, não se terei que passar esta idade complicada a fugir das cruzes e a não confiar em pessoas de nome Judas. Se por acaso encontrar um par de botas na rua, o melhor será fugir antes que Judas as encontre. Ter uma dor nas cruzes também não é bom sinal aos 33.

“Diga 33” também é uma expressão bastante utilizada quando chega esta idade. Os médicos utilizavam essa técnica na altura em que não existiam os atuais estetoscópios. Segundo a Internet, nos países de língua inglesa era pedido para dizer o número 99 e em Espanha era uma combinação de 33 com 44. Eu prefiro dizer 23.

Não acho grande piada a isto de comemorar o “meu” dia, na realidade foi a minha mãe que teve o trabalho todo, eu só decidi aparecer, mas como todos os anos a idade insiste em avançar, eu tenho que levantar a cabeça e pintar os cabelos brancos.

 

 

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