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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Toni dos bolos

Dia de fazer bolo de iogurte. A minha habilidade na cozinha nem é sequer reconhecida no meu bairro mas mesmo assim decidi arriscar a arte da pastelaria.

Não é o meu primeiro bolo de iogurte mas mesmo assim tenho que ter o site aberto com a receita. Dou sempre preferência aos que têm vídeo para evitar algum erro de interpretação. Quando começo a colocar os ingredientes a jeito aparece a gata Boneca para uma visita social. Resta saber se apareceu para dar sorte, para alertar o perigo de eu estar de volta do forno ou se simplesmente veio para miar e se roçar no mobiliário da casa.

Quando começo a juntar os ingredientes numa tigela para bater distraio-me no telemóvel e já não tenho a certeza se coloquei o açúcar de três ou quatros caixas de iogurte. Na dúvida ponho sempre mais. Não quero que seja um bolo light.

Como homem que é homem não tem batedeira elétrica, uso a batedeira manual que a minha querida avó ofereceu e bato até a massa e os meus dedos fazerem bolhas. Coloco a massa batida na forma e vai para o forno pré-aquecido. As minhas últimas tentativas de bolo saíram com o rabo queimado por isso hoje decidi seguir uma sugestão do Google e coloquei sal no tabuleiro. A receita diz que tenho que ter o forno a 170 graus mas como o meu só mostra números de 1 a 6 decidi colocar no 3 e esperar que corra bem.  

Entretanto recebo a visita do labrador Oscar mas ele não está interessado em bolos. O vício dele é bolas e eu sou o seu dealer. Nos intervalos de chutar a bola vou verificando o estado do bolo e a coisa não se está a desenvolver. A chama está muito fraquinha por isso mudo para o 4 e rezo para que o santo protetor dos pasteleiros esteja comigo.

Passado uns minutos olho para o bolo e ele olha para mim. Estava pronto. Tiro do forno e deixo-o repousar. Não ficou queimado em baixo e está comestível. Prova superada. Sinto-me um Avillez dos pobres e o meu bolo passará a se chamar de Yoghurt Cake à Toni.    

 

 

 

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Mais um dia complicado

Acordei com sono. Parece que estou de ressaca de uma noite numa discoteca de rock distorcido mas esse evento já ocorreu há uns dias. Devia dar um jeito à casa mas o meu gene procrastinador levou a melhor. Vou vendo o que se passa nas redes sociais na esperança que o meu telemóvel colabore. Ele está lento, com a bateria viciada e por vezes até trabalha sozinho mas ainda não é desta que o vou mandar abater. Talvez dure até ao carnaval.  

Posso estar de folga do trabalho mas tenho sempre que exercer as funções de lançador de bolas para o Oscar, o labrador dos vizinhos. Quando começa a ouvir o meu estore a subir, sai disparado do segundo andar para o jardim, em busca da bola ideal para eu atirar. Estou eu a estender a roupa, preocupado se as calças pretas que comprei recentemente perderam tinta, e está ele à espera que chute a bola de ténis mais enlameada do grupo. Almocei sob o seu olhar a tento. O sol teima em aparecer para secar a roupa.

De tarde recebi uma visita do Guma, o cão ancião do jardim, para mais uma dose de bolachas tostadas e do filho do meu vizinho que quis consultar as últimas do futebol no meu computador. Perguntou se eu ia ver o Benfica e se eu tinha pintado o cabelo. As suas luvas de guarda-redes estão há mais de uma semana no móvel do pc mas ainda não foi desta que as levou para casa.        

O jantar foi num restaurante japonês onde o único empregado oriental era o tipo que lavava os pratos. Não tirei nenhuma foto à travessa do sushi. No final da noite acabei por beber um Gin do Mar cuja diferença de um gin normal era o sabor a maracujá, fruto esse que qualquer Marinheiro com “m” grande, coloca na sua bebida.      

Acabei por não limpar a casa, a roupa não secou e não me saiu nada na aposta de dois euros e meio da máquina no Euromilhões mas acabei o dia cheio de sushi e com o ténis direito mais enlameado que o esquerdo.  

Chef Toni

Cozinhar é um dom que eu não tenho, mas como infelizmente não posso almoçar e jantar fora todos os dias e viver só de pizzas e lasanhas congeladas não é aconselhado, necessito de cozinhar para sobreviver.

Navego pela internet em busca de receita ideal e a maioria ou demoram muito tempo a fazer ou têm ingredientes que tenho dúvidas se alguma vez me cruzei com eles. Quando finalmente encontro uma receita que me agrada, acabo sempre por me distrair na net, a trocar mensagens ou com o Oscar, que insiste que aquela é a altura ideal para eu atirar a bola, e por isso o resultado final nunca é o ideal.    

Tenho um livro do José Avillez, não sei muito bem porquê, que fala em coisas de nome porridge, vichyssoise, gravlax e ceviche. Mesmo com as fotos dos pratos a acompanhar, fico com dúvidas do que raio seja aquilo. Já agora, alguém sabe onde é que consigo arranjar kumquats fresquinhos?

Ligo a televisão no Kitchen 24 e está um senhor a falar numa língua estranha sobre polme e a usar um saco de pasteleiro. O saco não tenho e não sei se alguma vez fui apresentado ao polme. Ver os programas de cozinha só me deixa deprimido porque acabo por ver pratos com ótimo aspeto enquanto como salsichas com batatas do pacote. Um dia ganho uma estrela cadente Micheline, com o “e” no fim porque é uma imitação do chinês.

 

 

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Corrida para a sardinha porque a bifana nunca mais vinha

Quando me perguntaram se queria participar na corrida Marginal à Noite torci um bocado o nariz à ideia de pagar para correr numa zona perto da minha casa. Depois disseram-me que arranjavam dorsal e como bom português que sou já não podia dizer não a uma borla.

O dorsal não tinha chip por isso não ia ser controlado durante a corrida mas havia um drone a espreitar muito perto do meu local. A senhora nos altifalantes esforçava-se para animar a coisa. Tocou uma música do príncipe que tomou cenas que não devia e o “ Highway to Hell” dos AC/DC o que é um bocado para o exagerado. Para já a corrida não era em nenhuma autoestrada e depois oito quilómetros não são propriamente um inferno.

A corrida começou e teve direito a fogo-de-artifício. Fiquei na dúvida se devia continuar a correr ou comer doze passas e pedir desejos. Era tanta e tanta gente a andar e a tirar fotos que era bastante complicada a prática da corrida. Houve uma altura em que pensei em dar um salto a casa para ver se tinha deixado alguma luz acesa. Tentei atirar uma garrafa de água para dentro de um saco do lixo que um senhor estava a segurar mas falhei no saco e quase acertei no homem. Não sei bem com que tempo terminei a corrida.

Depois da corrida fomos todos para Santos. No carro cantei o “Apita o Comboio” e falou-se em água nos músculos.  Já começava a ficar tarde e existia a fome.

Encontramos uma mesa e a custo fizemos o nosso pedido. As coisas demoravam a vir até que finalmente chegou uma senhora para dizer que já não havia sangria de tinto. O “Apita o Comboio” começou a tocar. Os pedidos chegavam muito vagarosamente mas não havia sinais da minha bifana. Cravei um bocado de entremeada e uma sardinha em solidariedade com a demora do meu pedido. Vi uma empregada atarantada com uma bifana na mão e chegou-se à conclusão que era minha. Pouco tempo depois apareceu outra. Com o avançar da hora a música pimba começou a se tornar muito alternativa. Talvez fossem músicas deste ano ou lados b dos artistas pimba.  

Na ida para casa começou a fazer bastante sentido uma novela da TVI de nome Músculos de Água com música do Toy.

 

 

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Ainda mais cenas que me fazem comichão

Primeiro foram os casos de botulismo associados ao consumo de alheiras de uma marca de produtos transmontanos que deixou muito boa gente a manter distância do enchido que tanto gostavam.  

Depois chegou a notícia que as carnes processadas provocam cancro e que as carnes vermelhas provavelmente também fazem o mesmo e começou tudo a evitar as salsichas, o presunto, o bacon e de saber as novidades do bairro através do talho da esquina. Os amantes de peixe também foram recentemente alertados que o seu consumo em Portugal é dos mais prejudiciais para o planeta.

Se uma pessoa se guiar pelas notícias passa só a comer ervinhas ou uma sandes de queijo fresco e esperar que dê saúde e que não prejudique ninguém.     

Os Minions, ou Mínimos na versão portuguesa, são pequenos e amarelos e parece que vieram para ficar no facebook.

Existem páginas de Minions loucos, sinceros, ousados, conselheiros e irónicos e todos eles não gostam de pessoas falsas, de segundas-feiras e de acordar cedo e alguns até afirmam que ser de Penela da Beira é outro nível. No final do dia chego a ver mais fotos dos bonecos amarelos do que dos meus familiares.

Todos os dias milhares de Minions vão parar ao facebook. Está nas vossas mãos terminar com este flagelo.

 

 

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Cenas que me fazem comichão

Ir ao McDonalds é uma autêntica experiencia “do it yourself”. Na entrada existem máquinas onde podes fazer o pedido, quando o recebes tens que pedir ketchup senão ficas sem ele, depois vais em busca do sítio onde estão colocadas as palhinhas e os guardanapos que muitas vezes se encontram nos sítios mais recônditos e quando acabas de comer ainda despejas o tabuleiro.

Qualquer dia registas o teu pedido e entras na cozinha onde terás os ingredientes à tua disposição para puderes o cozinhar e um panfleto com dicas uteis de cozinha. Recebes como oferta a toca transpirada que acabaste de usar.

Programar um despertador já é por si uma tarefa bastante desagradável não era preciso agravar com a função que calcula quanto tempo falta até ele tocar. Assim fico a saber que só vou dormir 3 horas e 17 minutos por causa dos concursos de madrugada da TVI.

Os pacotes de açúcar da Nicola incentivam a dar os bons dias aos portugueses a viver no estrangeiro mas não indica a data da contagem dos mesmos. Como é que eu sei se ainda lá continuam os 5 portugueses no Quirguistão e o solitário no Sudão? É logo um desperdício de bons dias no início do dia e eu pela manhã não sou de grandes palavras.

Eu cozinho para sobreviver

O site com a receita escrita e o vídeo demonstrativo está aberto e tenho todos os ingredientes e tachos necessários. Existem condições para a elaboração do frango à Toni.

O frango já está a fritar e eu no facebook a conversar. Com o frango devidamente bronzeado junto os cogumelos e um cálice de vinho do Porto que veio no último cabaz de natal.

De seguida junto a sopa de rabo de boi... raios eu sabia que me tinha esquecido de algo. Deixo o frango no mínimo e começo a preparar a sopa de nome duvidoso.

"Depois de juntar a sopa deixar a cozinhar entre 10 a 15 minutos." Aponto para 13 minutos e escrevo no computador a hora é que estará pronto. Eu tenho um temporizador de cozinha que me podia auxiliar mas desde que esteve nas mãos do filho do meu vizinho nunca mais foi o mesmo…

I'm Turning Japanese

Almoço de anos no japonês o que significa mais uma tentativa para eu dominar a arte de comer com pauzinhos. Antes de comer tenho que ver as fotos dos pratos mas em vez de fazer likes aponto os números deles para fazer o pedido. Alguns até têm letras o que não simplifica nada a coisa.

Os pedidos chegam e passada uma tolerável quantidade de tempo peço talheres supostamente só para comer o frango. Da outra ponta da mesa perguntam se as gambas vieram parar aqui. Há pedidos que nunca chegam a ver a luz do dia. Da cozinha ocasionalmente ouve-se Xixi.

Hora do bolo, se não houver velas sempre se podem usar os pauzinhos. Como ninguém na mesa sabe japonês e os empregados estão ocupados canta-se os parabéns mas trocando as letras r pelas letras l. Bater os pauzinhos no final e cortar o bolo em forma de caracteres japoneses.

E para o jantar japonês de take away. Ligo para fazer o pedido e espero que o que pedi confira com o que apareça nos sacos. Só a terceira vez é que percebi quanto é que tinha que pagar mas entendi logo à primeira que não tinham multibanco.

O jantar já vai no fim e depois de tanto sushi já me sinto um autêntico samurai por turnos. Um samurai que não domina os pauzinhos.

 

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Especialidade da Casa: Gelatina

500 ml de água, medida com precisão, é fervida num jarro elétrico com extrema rapidez. A água é depois colocada numa tigela às flores onde é dissolvido o conteúdo de duas saquetas de pó verde.

Coloca-se mais 500 ml de água fria na tigela e tudo é bem misturado por uma colher de plástico semi queimada do Ikea. Depois é só por no frigorífico e esperar umas horas até ficar consistente.

E assim se faz uma gelatina de Tutti-Frutti do Minipreço que até o chef Ramsay aprovaria.

Um dia complicado

O talho onde costumo ir está fechado para obras. Espero que as obras não sejam apenas uma desculpa devido ao fornecedor de carne de vaca/cavalo ter sido preso. Descobri outro talho, mais pequeno mas com um senhor simpático a atender e a companhia do seu radio em alto e bom som. Fica na memória o senhor a partir um frango ao meio enquanto se ouvia o “Saber Amar” dos Delfins.

Como felizmente o meu cabelo ainda não cai, decidi também ir corta-lo. Aí a música era outra, numa onda mais Jack Johnson e afins. Como vou a um cabeleireiro unissexo calhou-me uma capa lilás. Felizmente só a cabeleireira e todas as pessoas que passavam pela rua podiam ver o meu triste aspecto.

Fui jantar fora e pedi recibo, antes que fosse apanhado em alguma operação stop, mas conseguiram se enganar no meu complicado nome: Neves não leva z!! Se calhar pela minha estranha maneira de falar a senhora pensou que eu era estrangeiro…

E no final do dia fui invadido por um sentimento de enorme nostalgia. Encontrei um papel com o saldo de conta do ano passado.