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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Inspetor Oscar

Oscar, o labrador dos meus vizinhos, vive obcecado por bolas e eu sou o seu fiel lançador. Está sempre disponível para entrar em perseguição e se a bola for parar a um local de difícil acesso não desiste até a conseguir de volta.

E se o Oscar usasse o seu talento para ajudar pessoas? Vários são os cães que ficaram famosos por fazerem o bem. A Lassie era perita em encontrar crianças que caíram no poço, o K-9 era exímio na caça ao tráfico de droga e o Max, primo do austríaco Rex, apanha criminosos e ainda consegue perceber o que o José Carlos Pereira diz.

Se o Oscar começa a ganir ou a bater com a pata nas portas de correr não é porque alguém está em apuros. Ele quer é que eu chute mais uma vez a bola ou então ela foi parar a um sítio inacessível e tenho que a resgatar antes que ele entre em depressão.

Podia tentar com que o Oscar fosse atrás dos fugitivos da prisão de Caxias mas duvido que conseguisse grandes resultados. Já é bastante complicado fazer com que ele saia de frente de uma bola para eu chutar quanto mais ir atrás de alguém que não conhece. Se os reclusos tivessem uma bola no bolso, aí sim o Oscar entrava em perseguição até ao fim do mundo. Conseguiria desativar bombas se o fio que fosse para cortar tivesse esferas.  

Para ter uma série de sucesso bastava arranjar uma parceira de combate ao crime com bastante saúde e usar bastantes truques de montagem e efeitos especiais para substituir as bolas por pessoas. Na vida real resta-me a esperança que ele aprenda a avisar-me sempre que comece a chover para eu apanhar a roupa.     

Toni dos bolos

Dia de fazer bolo de iogurte. A minha habilidade na cozinha nem é sequer reconhecida no meu bairro mas mesmo assim decidi arriscar a arte da pastelaria.

Não é o meu primeiro bolo de iogurte mas mesmo assim tenho que ter o site aberto com a receita. Dou sempre preferência aos que têm vídeo para evitar algum erro de interpretação. Quando começo a colocar os ingredientes a jeito aparece a gata Boneca para uma visita social. Resta saber se apareceu para dar sorte, para alertar o perigo de eu estar de volta do forno ou se simplesmente veio para miar e se roçar no mobiliário da casa.

Quando começo a juntar os ingredientes numa tigela para bater distraio-me no telemóvel e já não tenho a certeza se coloquei o açúcar de três ou quatros caixas de iogurte. Na dúvida ponho sempre mais. Não quero que seja um bolo light.

Como homem que é homem não tem batedeira elétrica, uso a batedeira manual que a minha querida avó ofereceu e bato até a massa e os meus dedos fazerem bolhas. Coloco a massa batida na forma e vai para o forno pré-aquecido. As minhas últimas tentativas de bolo saíram com o rabo queimado por isso hoje decidi seguir uma sugestão do Google e coloquei sal no tabuleiro. A receita diz que tenho que ter o forno a 170 graus mas como o meu só mostra números de 1 a 6 decidi colocar no 3 e esperar que corra bem.  

Entretanto recebo a visita do labrador Oscar mas ele não está interessado em bolos. O vício dele é bolas e eu sou o seu dealer. Nos intervalos de chutar a bola vou verificando o estado do bolo e a coisa não se está a desenvolver. A chama está muito fraquinha por isso mudo para o 4 e rezo para que o santo protetor dos pasteleiros esteja comigo.

Passado uns minutos olho para o bolo e ele olha para mim. Estava pronto. Tiro do forno e deixo-o repousar. Não ficou queimado em baixo e está comestível. Prova superada. Sinto-me um Avillez dos pobres e o meu bolo passará a se chamar de Yoghurt Cake à Toni.    

 

 

 

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Mais um dia complicado

Acordei com sono. Parece que estou de ressaca de uma noite numa discoteca de rock distorcido mas esse evento já ocorreu há uns dias. Devia dar um jeito à casa mas o meu gene procrastinador levou a melhor. Vou vendo o que se passa nas redes sociais na esperança que o meu telemóvel colabore. Ele está lento, com a bateria viciada e por vezes até trabalha sozinho mas ainda não é desta que o vou mandar abater. Talvez dure até ao carnaval.  

Posso estar de folga do trabalho mas tenho sempre que exercer as funções de lançador de bolas para o Oscar, o labrador dos vizinhos. Quando começa a ouvir o meu estore a subir, sai disparado do segundo andar para o jardim, em busca da bola ideal para eu atirar. Estou eu a estender a roupa, preocupado se as calças pretas que comprei recentemente perderam tinta, e está ele à espera que chute a bola de ténis mais enlameada do grupo. Almocei sob o seu olhar a tento. O sol teima em aparecer para secar a roupa.

De tarde recebi uma visita do Guma, o cão ancião do jardim, para mais uma dose de bolachas tostadas e do filho do meu vizinho que quis consultar as últimas do futebol no meu computador. Perguntou se eu ia ver o Benfica e se eu tinha pintado o cabelo. As suas luvas de guarda-redes estão há mais de uma semana no móvel do pc mas ainda não foi desta que as levou para casa.        

O jantar foi num restaurante japonês onde o único empregado oriental era o tipo que lavava os pratos. Não tirei nenhuma foto à travessa do sushi. No final da noite acabei por beber um Gin do Mar cuja diferença de um gin normal era o sabor a maracujá, fruto esse que qualquer Marinheiro com “m” grande, coloca na sua bebida.      

Acabei por não limpar a casa, a roupa não secou e não me saiu nada na aposta de dois euros e meio da máquina no Euromilhões mas acabei o dia cheio de sushi e com o ténis direito mais enlameado que o esquerdo.  

Há que levantar a cabeça e limpar a casa

Sempre que reparo que a minha casa precisa de uma limpeza dedicada, digo para mim que quando estiver de folga ela irá ficar limpinha, limpinha. Chega a folga e a vontade não existe.

Quando finalmente ganho coragem para começar a limpar a casa, os animais do jardim decidem fazer visitas. A gata Boneca decide que é um bom dia para entrar na minha casa e fazer uma tour. Apesar de ter comido há pouco tempo, vai miando, rebolando e roçando em tudo o que puder roçar. O labrador Oscar acha que é uma boa altura para eu chutar a bola. Se não lhe der atenção começa a choramingar e a cuspir a bola para dentro de casa.   

Com os animais fora do caminho, está na hora de comtemplar, com horror, o estado da minha habitação. Limpar atrás do fogão é lembrar os almoços e jantares que tive por casa. Ao lavar o micro-ondas recordo-me daquele molho que pus a aquecer por um minuto e que a meio da viagem decidiu saltar do tupperware e cobrir o seu interior. Nunca deixo que os pequenos problemas me apoquentem. Só lavo a loiça quando ela chegar à minha altura.

O pó irrita-me solenemente. Eu lembro-me perfeitamente que ainda há três dias tinha passado o pano pela cómoda e hoje estava novamente carregadinha de partículas.Tenho meias para enrolar em cima do sofá. Se calhar é uma boa altura para guardar a ventoinha. Nas portas envidraçadas consigo ver as marcas da passagem dos filhos do meu vizinho, mas os vidros vão ter que ficar para outra altura. Já tive a minha dose diária de produtos tóxicos.       

 

 

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A minha vida dava um filme do Syfy

Decorre o ano de 2110 e o planeta terra foi invadido por Oscães, labradores chocolate que obrigam os seres humanos a atirar bolas até aos seus últimos dias.

Toni é escravo há mais de 12 meses. Vai atirando e chutando a bola, sempre na esperança que seja a última vez, mas o seu raptor acaba sempre por voltar para mais uma volta. Tem uma considerável coleção de artroses e mialgias de esforço e nas poucas alturas que consegue descansar, sonha que consegue sair, em câmara lenta, pelo portão blindado do jardim e se transforma num toni livre.       

Já tentou construir algo que atire bolas sem necessitar da sua presença, mas não obteve grandes resultados. A máquina que encomendou do eBay nunca chegou. Fez amizade com a Boneca, uma gata rebelde que vai sobrevivendo no jardim saltando de uma árvore para a outra.

Era suposto ser mais um dia como os outros até que olha para o intransponível portão e ele parece aberto. A sua visão já não tem a qualidade de outros tempos, mas consegue jurar que o portão está apenas encostado. É agora ou nunca.

Olha para a Boneca, no topo da sua árvore e ela olha para ele. Ela sabe o que tem a fazer. Pode muito bem ser o último dia da gata mas ela está disposta a correr esse risco. Na altura que o Oscão regressa com a bola na boca e a cauda a abanar, a Boneca passa à frente dele. Oscão parte em perseguição à gata.

Mesmo doendo todas as partes do seu corpo e ainda mais algumas, Toni corre em direção à liberdade. Começa a tocar a música “Freedom” do filme do Django. A Boneca, no topo de uma àrvore, mia de felicidade. O portão está mesmo aberto e todo um mundo novo está à disposição do Toni.   

Os donos do jardim

Oscar, o labrador obcecado por bolas, regressou das férias bastante diferente. Esteve duas semanas numa quinta e quando voltou deixou de demonstrar interesse por qualquer tipo de bola. Passa mais tempo dentro da sua casa e quando vai ao jardim é para se aliviar ou para controlar quem passa perto do portão.

Poderá ser da idade, agora que está mais velho o Oscar já não sente necessidade de grandes correrias por algo que não seja para comer. A síndrome pós-férias, a falta de um toni para lhe lançar as bolas durante o período em que esteve fora ou ter estado internado numa clínica de desintoxicação de bolas poderão também explicar o desinteresse do Oscar pelos objetos redondos.

O ancião Guma continua a marcar presença no portão para ladrar a quem passa ou simplesmente para descansar os olhos por um bocado. Tem andado bastante ativo mas na altura da refeição costuma ser mais complicado. Há dias em que se recusa a comer o que vem na tigela mas às guloseimas ele já não diz que não. Posso muito bem estar a torná-lo bolachodependente, sendo as Maria e as tostadas as mais frequentes.

Se acordo cedo a gata Boneca entra de rompante na minha casa, a miar como se não houvesse amanhã, para eu lhe abrir uma lata da sua comida favorita. Um dos gatos visitantes tem aparecido com mais frequência no jardim e cada vez mais se vai aproximado da minha casa, ficando a olhar com ar de cobiça. Vai passar a ser o Albano e terá que perceber que na minha casa só é permitida a entrada de um gato de cada vez.  

 

 

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Sozinho em casa

Oscar, o labrador que me usa como principal lançador de bolas, está de férias. O meu vizinho e as suas crianças estão de férias. Não sei o que vou fazer com tanta tranquilidade.

Posso começar por finalmente escrever as minhas memórias. Desde a altura em que escrevia quadras com as palavras espiga e farinheira para oferecer a uma colega de escola até ao começo da minha vida por turnos que é bem difícil e complicada.

Como uma viagem a Berlim está a se aproximar, posso tirar um curso de alemão. Ver e rever os filmes ”Das Boot”, “Der Untergang”, “Lola Rennt” e todas as temporadas do "Rex, o Cão Polícia". Falar sempre como se estivesse bastante chateado. Cuspir ocasionalmente.

Em altura de Jogos Olímpicos posso ver todos os jogos de ténis de mesa, badminton e natação sincronizada. Nos próximos Jogos estarei preparado para fazer os comentários dessas modalidades na RTP.

Com os filhos do meu vizinho fora, o meu computador vai deixar de tocar músicas da Xana Toc Toc, do Agir e os hinos dos três grandes do futebol. Posso guardar os ténis que só uso para chutar a bola ao Oscar.

 

 

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Há vida no jardim

O Oscar, jovem labrador cá do sítio, não tem lidado bem com o calor. Já vai aparecendo menos vezes e quando se apresenta apenas larga a bola no tapete de entrada e fica à espera deitado na sombra. Só no final do dia é que se torna mais ativo mas apenas faz duas a três perseguições bem conseguidas para depois descansar num montinho de areia e recordar o seu top 10 das melhores apanhadas.

O ancião Guma atualmente está a cumprir o turno da noite. Passa os dias dentro de casa a descansar para depois passar as noites no portão a controlar entradas e saídas do jardim e a assinalar a sua presença aos cães que estão a realizar o seu passeio noturno.

A gata Boneca vai fazendo as suas aparições na minha casa sempre que o Oscar não está por perto. Às vezes é para pedir que eu vá à casinha encher as tigelas com comida que ultimamente têm sido limpas por visitantes e outras vezes é apenas para socializar. Entra, vai distribuindo marradinhas, verifica a qualidade do chão e aproveita para fazer a sua higiene pessoal. À noite vai tendo algumas altercações com os visitantes e por isso anda com o nariz arranhado.

 Os visitantes são dois e vão aparecendo sempre que podem, agora que descobriram onde está instalada a comida. Acabam sempre por parar e espreitar com curiosidade para o interior da minha casa. Ela deve estar bem cotada no TripAdvisor animal.

 

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Um dia complicado

Acordei primeiro que o despertador, o que é uma coisa rara. Sorte a do Oscar que mal eu subi o estore se disponibilizou para ir atrás da bola que tinha escolhido para hoje.  

Fui almoçar a casa da minha avó. Pusemos a conversa em dia, contou histórias de pessoas que mal conheço e tirei uma foto às orquídeas dela para partilhar no Facebook . A minha avó diz que é preferível eu partilhar fotos das suas flores do que de animais que não são meus. Ela não tem Facebook mas a minha tia vai-lhe dizendo umas coisas.

Quando lhe disse que gravei um programa de rádio ela disponibilizou-se para o ouvir. Na altura que disse que não passei música portuguesa ela fez-me um mesmo olhar desapontado que faz quando me fala que está na altura de constituir família.   

Cheguei a casa e aparece-me o filho de 5 anos do meu vizinho de cima com uma bola na mão. Começamos a jogar à bola no jardim e o Oscar decidiu também entrar. Já espumava da boca mas não queria parar, talvez pensado que se fosse parar ao céu canino estariam 72 bolas virgens à espera. Pela saúde do cão paramos o jogo.

O filho do meu vizinho, não satisfeito, entra dentro da minha casa e usa o meu computador para ouvir músicas do Agir. O tipo tem uma música de nome “Deixa-te de merdas” e o miúdo começa a dançar e a cantarolar a letra que sabia quase de cor. Agora o Youtube vai começar a sugerir que eu volte a ouvir o raio do Agir. Entretanto aparece a mãe com a filha de um ano que a puxa em direção da minha casa. Tão pequena e já ganhou o hábito familiar de invadir a minha casa.

A mãe e filha foram à farmácia e o miúdo insistiu em ficar. Fomos novamente jogar à bola mas já sem o Oscar. Um remate colocado embateu no meu pé, fez riverdance e foi parar à vizinha do lado. Fomos pedir a bola e a vizinha exclamou que há muito que não recebia a visita do miúdo. Ele disse que ainda há pouco tempo tinha lá estado. Das duas uma, ou a senhora, que já tem uma certa idade, já não se lembra ou então saltou o muro para ir buscar a bola.

A mãe acabou por chegar e eu finalmente fiquei livre. Livre mas com um chinelo que a mais pequena decidiu deixar na minha casa.  

O dia depois da corrida

Ontem corri dezassete quilómetros de Sintra até ao Cabo da Roca e hoje só a deslocação da roupa até à máquina de lavar já foi uma odisseia.
Estou de folga mas tinha que fazer, não posso passar o dia deitado a ver filmes e a tomar Calcitrins.
Antes de sair de casa recebi a visita da Boneca. Talvez tenha pressentido que eu estava com mobilidade reduzida ou então simplesmente queria um sitio para se deitar e rebolar. A sua passagem deixou pelos que terão que ser varridos noutra altura.
Só para complicar ainda mais a coisa deixei o carro estacionado no topo de uma subida.Foi complicado. Quando cheguei ao supermercado pensei seriamente em entrar dentro de um carrinho de compras e esperar que alguém o empurrasse.Felizmente não me esqueci de nada.
No talho contei como tinha corrido a prova ao dono que também costuma correr mas que este ano não pode participar.Reviver toda a prova até me fez esquecer o código do meu cartão Alacard.
Quando chego finalmente a casa encontro o hiperactivo Oscar com as bolas a postos para serem atiradas. Acabei por desenvolver a minha técnica de atirar bolas sentado.