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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

O regresso da busca do papel verde necessário para a circulação automóvel

Dia de levar o carro à inspeção. Antes de ir, aconselharam-me a me dirigir a um centro que fica perto de casa. Como antes tinha que passar pela oficina, acabei por ir a um centro de inspeção perto dela. Sou mesmo toni.

Quando estaciono o carro reparo que fecharam a linha dois e como tal só uma estava a funcionar. Agora que já cá estou não vou voltar para trás. Acabei por voltar para trás na altura em que fui pagar e reparei que tinha deixado o certificado de matrícula no carro. A senhora avisa que é capaz de demorar.

No carro vou consultando as últimas notícias, as redes sociais, as minhas várias contas de e-mail e o horóscopo do dia. A Maya não menciona nada do género “Quem espera, sempre alcança.” Se a Susana do Éder estivesse ao meu lado de certeza que teria algo motivador para me dizer neste período complicado. O sol vai batendo no vidro e começam a ficar reunidas condições para uma boa sesta, onde poderei sonhar com um mundo onde não existem esperas.

Dizem-me que já me posso colocar na fila. Parece que o fim está próximo. Quando está quase a chegar a minha vez vejo movimentações entre inspetores. O chefe organiza uma pequena reunião. A linha um deixou de funcionar, todos para a dois. Na mudança de linhas, o carro que está atrás de mim coloca-se de esguelha, como se quisesse aproveitar a oportunidade para me ultrapassar.  

O inspetor que me atende é um senhor novo e pede logo desculpas pela demora. Deve ter sido a inspeção mais rápida que alguma vez tive. Na altura da entrega do papel começou o suspense. Vejo o rapaz aflito e no seu auxílio chegam mais dois colegas. Não estavam a conseguir imprimir a folha. Só espero que não me entreguem o papel do La La Land.

O problema foi finalmente resolvido e, apesar de ter algumas anotações, a folha é verde. Claro que quando fiquei despachado o centro já tinha regressado à normalidade. As duas linhas já estavam a funcionar e estavam poucos carros à espera. Assim se passou uma hora e meia da minha vida complicada.         

 

 

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Não te encostes a mim

Estar parado no trânsito é complicado mas pode ser a altura ideal para tratar de diversos assuntos. Há quem aproveite para tomar o pequeno-almoço, retocar a maquilhagem e até fazer a barba. É possível ouvir o álbum “69 Love Songs” dos The Magnetic Fields pelo menos duas vezes e todos os cds do Panda e os Caricas. Consegue finalmente ler as 1225 páginas do “Guerra e Paz” do Tolstói e fazer aviões de papel com as páginas de um qualquer livro do Gustavo Santos.

Parado dentro do carro consegue ter uma visão mais atenta do seu interior. Repara na quantidade considerável de pó no tablier, descobre 2 euros debaixo do banco do passageiro e encontra uma garrafa com um resto de uma água com cor estranha. Também pode interagir com os automobilistas que estão em seu redor por gestos ou mesmo baixar a janela e partilhar histórias de outros dias complicados.

Pode se queixar nas redes socias do trânsito e, se estiverem reunidas condições para uma selfie, até pode mudar a sua foto de perfil e receber likes em catadupa. O seu lado criativo pode vir ao de cima e elaborar uma canção:

 

Não te encostes a mim

Segue na tua faixa de rodagem

Não te encostes a mim

A distância de segurança tens que dar

Não te encostes a mim

Espera pela tua vez para teres passagem

Não queiras preencher a declaração amigável

Deixam-me a casa chegar   

 

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Vais partir naquela estrada

Na estrada, é possível encontrar o mais variado tipo de condutores:

 

O Condutor de Domingo

Os célebres condutores de domingo normalmente são pessoas de uma certa idade, que aproveitam o domingo para tirar o carro da garagem. Conduzem bem devagarinho, parecendo que estão constantemente a serem encadeadas pelo sol, até de noite. Claro que o domingo é quando um condutor quiser, por isso eles andam pela estrada em todos os dias da semana.

 

O toni da Faixa do Meio

No meio está a virtude e um toni que gosta de ir a cinquenta à hora. Há três faixas para serem utilizadas mas cada um escolhe o caminho que leva, e ele prefere sempre a do meio. Assim é possível assistir à condução sincronizada, com o condutor da direita e o do meio lado a lado, à mesma velocidade.

 

O Desorientado

Há sempre alguém que não conhece bem o caminho que está a fazer, e que ou não tem GPS ou o que tem diz que está a conduzir sobre água. Quando chega o momento da grande decisão, quando está na dúvida se vira à direita ou à esquerda, acha por bem parar no meio e refletir sobre o assunto. Que a paragem nas marcações da estrada o ajude a mostrar o seu destino.

 

O Comunicador

Conduzir e atender uma chamada pode ser complicado. Mesmo com o kit mãos livres, há quem vibre intensamente com a chamada e a condução ressente-se. Ou tira o pé do acelerador e segue a marinar o resto da viagem ou conduz aos esses. Se conversar com o pendura, insiste em olhar para ele e deixar o carro ir em automático. Não é uma boa ideia perguntar "O que diz os teus olhos?" durante a condução.

 

O Vin Diesel do IC 19

Segue na faixa da esquerda a grande velocidade e quando se lembra que a saída está quase a chegar, decide atravessar todas as faixas de seguida sem tirar o pé do acelerador. Há uma grande probabilidade que o carro tenha mais luzes que uma casa de alterne e que faça tanto barulho como um trator agrícola, mas há que ter cuidado porque existem outros veículos na estrada e pode ser complicado.

 

O Aqui Não Pisca Nada

A última vez que usou um pisca foi no exame de condução. Nem quando ouve o hit da Rute Marlene "A moda do pisca-pisca", se lembra de usar tal coisa. Ou mandou desinstalar do carro ou simplesmente já não sabe como o fazer. Talvez saiba colocar os quatro piscas. Nem no Natal põe as luzes a piscar.

 

 

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Tenho papeis para troca. Falar com Sr. Toni

É raro o dia em que chego ao carro e não encontro no limpa para-brisas um papel de alguém que generosamente se oferece para comprar o meu veículo. Como não gosto de atirar o papel para o chão e normalmente não existe um caixote do lixo nas proximidades ponho dentro do carro para fazer companhia aos outros. Às vezes não reparo que me ofereceram um novo e ele acaba por fazer a viagem no lado de fora e se não for resistente acaba por ter um final trágico.

Parece haver um acordo entre os senhores compradores e a maioria dos papéis são brancos com letras azuis mas de vez em quando aparece um grande maluco que arrisca em colocar letras vermelhas ou até mesmo apostar num papel verde com letras pretas. As fotos normalmente são de carros de alta gama e de carrinhas de pessoal que vende na praça.

Os papeis pedem para contactar o Sr. Pereira, o Sr. Filipe ou o Sr. Amadeu mas se eu alguma vez quiser me livrar do meu carrito ligo para o Rei Leão das Patilhas.    

 

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Em busca do papel verde necessário para a circulação automóvel

Dia de levar o carro à inspeção mas não marquei hora. Esqueci-me que a hora do almoço costuma ser bastante concorrida por isso tive que esperar um bom bocado.
Quando ouvi a primeira matrícula lembrei-me que não sabia a minha de cor. Sempre podia arriscar e quando ouvisse uma chamada sem nenhum carro a se aproximar arrancava eu e se alguém reclamasse sempre podia alegar que escutei mal e tenho o carro há pouco tempo.
Havia quem aproveitasse para ler o jornal ou para dormir e sonhar que estão a conduzir o seu carrito com o quadrado verde no canto superior direito do vidro. Sonho esse que foi abruptamente interrompido pelo inspetor que bateu no vidro para avisar que tinha chegado a sua vez. Pelo aspeto do carro, tinha fita-cola no para-choques, o sonho teria poucas hipóteses de se tornar realidade.
Existem inspetores que levam muito a sério o seu trabalho. Há quem inspecione o carro como se estivesse à procura de droga, verificado ao pormenor por dentro e por fora em busca de qualquer sinal suspeito. Só falta montar o triângulo, vestir o colete refletor, trocar um pneu para ver se o suplente e as porcas estão em boas condições e depois lançar os cães pisteiros para investigarem o interior do veículo.
A mim calhou um tipo novo que não foi nenhum nazi da inspeções automóveis. Verificou os cintos de segurança, os stops, os piscas, não perdeu tempo no porta-bagagens mas ficou algum tempo a verificar as luzes frontais. Na altura de testar os limpa para-brisas liguei os da frente em vez dos de trás e esguichei água para os olhos do inspetor. Isto não vai correr bem.
Depois do resto dos testes realizados pediu para eu estacionar mais à frente e depois ir ter com ele. Apesar da minha esguichadela lá recebi o belo papel verde com uma anotaçãozita de “Deficiente regulação de máximos e médios”. Mesmo assim passarei a ter muito mais cuidado com quem me circunda antes de esguichar.

Pontos de condução por um ambientador

A partir de junho de 2016 entra em vigor a carta de condução por pontos. Isto é uma excelente oportunidade para o IMT elaborar um catálogo com apetecíveis prémios para os melhores condutores.

Um ambientador em forma de árvore que cheira a pinho, um par de dados para pendurar no espelho retrovisor, uma manete de mudanças cem por cento cool ou um autocolante que diz “Condutor exemplar a bordo” podem fazer parte dos brindes a receber conforme os pontos que tiveres na carta.

Também podia haver troca de pontos entre familiares. Aquela noite em que bebeste umas quantas cervejas green que sabem a sumo e depois foste mandado parar a metros de chegar a casa pode muito bem ser limpa do teu cadastro se pedires uns pontos ao tio que tem carro mas que prefere usar transportes.

Se esta ideia for para a frente só espero conseguir pontos suficientes para um conjunto de escovas.

O mau da fita

Os filmes de ação precisam sempre de um grande mau da fita que normalmente é terrorista, psicopata ou politico mas não precisa de ser sempre assim. O grande vilão do dia a dia está entre nós e destaca-se nestas atitudes:

Ao se cruzar com pessoas conhecidas nunca diz bom dia, boa tarde ou boa noite. Nunca responde a mensagens.

É o vizinho que tem atividades noturnas bastante ruidosas e que nos fins de semana gosta de tocar bateria por volta das sete da manhã.

No cinema gosta de comentar as cenas, devora pipocas intensamente e atende chamadas a meio do filme e diz: “Estou no cinema mas podes falar.”

Não faz reciclagem.

Nunca chora, nem sequer quando está a descascar cebolas.

Usa sempre o urinol do meio mesmo se os outros estiverem disponíveis. Nunca lava as mãos.

Adora conduzir na faixa do meio a trinta a hora e nunca utiliza os piscas.

Está inscrito em todos os jogos do Facebook e está constantemente a convidar os amigos. Tem uma quinta no FarmVille mas está abandonada.

Retirou o chifre ao único unicórnio existente na Terra.

Adeus Polo

Estava ele estacionado numa rua perto do Intermaché do Cacém quando, no dia do meu aniversário, decidi comprar o Polo. Já naquela altura dava sinais de idade avançada, tinha nascido no ano de 97 e tinha vestígios da criança que por várias vezes tinha sido transportada nele mas era o carro que naquela altura podia comprar.

Não sei bem quantos anos me pertenceu, se foram seis ou mais, mas lembro-me das aventuras que tive com ele. Bati com ele quando o meu pé decidiu adormecer durante um pára-arranca na marginal, bateram nele estando ele bem estacionado e fugiram e ainda cheguei a perde-lo depois de uma jantarada em Santos. Curiosamente no dia seguinte encontrei-o no sítio onde o tinha deixado.

Houve um dia em que o estacionei junto a um muro e como o fecho central avariou tive que entrar pelo porta-malas. Noutro dia estacionei-o perto de casa e no dia seguinte estava ele sem distribuidor. Alguém precisava muito dessa peça porque foi a única coisa que decidiu levar.

Só uma vez me deixou apeado durante um diluvio na A5 mas depois de secar ficou pronto para mais uns quilómetros. Até na altura em que estava seco de óleo recusou-se a parar.

Já estava velho e com gases mas mesmo assim vou ter saudades das pequenas coisas como o porta- luvas partido, o esqueleto de um parasita que ficou preso num stop e das alturas em que fazia uma curva no Algueirão e o rádio passava da Radar para a IURD. Adeus Polo.

Soltem os carros anteriores a 2000

Acordar às cinco já não é pêra doce e quando um trabalhador por turnos, que ainda só tem os olhos semiabertos, descobre que o seu experiente Polo do remoto ano de noventa e sete já não se pode deslocar no centro de Lisboa não facilita nada a coisa.

A Avenida da Liberdade agora de liberdade tem pouca e o meu veículo nem com um cravo no limpa pára-brisas consegue escapar à multa. Existe uma exceção para carros históricos e eu podia alegar que o meu carro tem um passado notável visto que já sobreviveu a várias inspeções e a um roubo do seu distribuidor mas não acredito que fossem na conversa.

O Benfica ganhou, Tanaka voltou a resolver e eu estou prestes a aterrar com a cara no teclado quando dou uma espreitadela na CMTV e deparo-me com a frase “Oneirogmofobia – Medo de sonhos molhados”. Obrigado CMTV

Aquaman por turnos

Lá fora a chuva aconselhava a não sair de casa mas trabalhar por turnos não é fácil e a noite era de trabalho. Sem chapéu-de-chuva (Homem que é Homem não precisa disso) fui a correr em direcção ao carro. Sempre funciona como incentivo ao desporto.

Num curto espaço de tempo o asfalto tinha-se transformado em centro de treinos para o Michael Phelps. O meu carro que nunca foi um bom nadador atravessou as piscinas a custo.

Por momentos transformei-me num Aquaman por turnos e o meu carro num cavalo-marinho. Mas o cavalo não estava nada bem e depois de alguns soluços acabou por padecer em plena A5.

Acabei por ter motorista até ao local de trabalho mas o senhor não tinha Ferrero Rocher nem sequer malas com grandes quantidades de dinheiro para oferecer. Parte da noite laboral foi passada em busca de submarinos baratos no OLX.