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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Os runners desta vida

No mundo das corridas é possível encontrar vários tipos de personagens:

 

O Top Runner

Há sempre alguém que, não sendo um atleta profissional, leva todas as corridas que faz com bastante seriedade. Usa meias de compressão, calções de licra, ténis de trezentos euros e palmilhas que valem quarenta.

Usa um relógio com Gps e sensor cardio e no telemóvel tem a app mais completa que analisa ao detalhe todos os pormenores do seu treino. Se encontrar alguém conhecido pelo caminho, finge que não conhece só para não lhe estragar o tempo. Dizer um simples “Olá” pode muito bem lhe custar uns preciosos milésimos de segundo. É capaz de cronometrar o tempo que gasta ao ir despejar o lixo.

 

O Sem Camisola

Quando começam a surgir os dias de calor, aparece o corredor de t-shirt na mão. É aquele tipo que não acha por bem sair de casa em tronco nu mas já considera normal o tirar da t-shirt a meio caminho e mostrar a sua barriga proeminente a quem passa por ele. Todo ele é suor e mesmo sem ter direto a medalhas no final, consegue garantir o bronze.      

 

O Selfies

Nas redes sociais aparenta ser um atleta de elite mas na verdade tira mais selfies do que metros que faz a correr. É capaz de levar um selfie sticks para as provas e até faz vídeos a mostrar o quão bem ele corre, mas enquanto está a ser filmado, até chega a ser ultrapassado por uma sexagenária com problemas de anca.  

 

O que tem uma maneira estranha de correr 

Há quem se entusiasme com a música que está a ouvir e começa involuntariamente a marchar e há quem diga, em voz alta, frases de motivação para elas próprias. Numa prova, cheguei a ser ultrapassado a grande velocidade, por alguém que soltava gritos idênticos a alguém que acabou de derrubar uma colmeia.

Por vezes é possível encontrar o corredor T-Rex, que não possui o ar ameaçador do dinossauro mas que faz toda a sua prova com as suas mãos dobradas, tal e qual o extinto réptil.   

     

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Banda sonora de uma corrida

Correr com e sem música, são experiências bastante diferentes. Com banda sonora, consegues-te abstrair do que te rodeia, estás ao ritmo do “Eye Of the Tiger” e por momentos pensas que és o Rocky Balboa e que estás a subir uma grande escadaria a alta velocidade, mesmo se na verdade estiveres numa reta aborrecida e a ser ultrapassado por um sexagenário.

“Tu és um cavalo de corrida”, afirma aos teus ouvidos o António Ribeiro dos UHF, e nem te apercebes que está um ciclista a tentar ultrapassar-te. Tens familiares, parados no trânsito, a apitar furiosamente e só à décima apitadela é que percebes que é para ti e acenas em movimento. Correr na marginal é giro e tal mas se o mar está bravo podes levar um valente banho em pleno Dezembro, com ou sem música de fundo.

Sem música é possível interagir mais com o ambiente que te rodeia. Consegues ouvir os grunhos que decidem gritar dos carros em movimento e um senhor ciclista que em plena subida, com sotaque açucarado, exclama: “ Cara, espere por mim!”.

Tens a praia por tua conta e por isso decides ir correr na areia, mas praias vazias significam cães à solta e consegues sentir um ladrar furioso a se aproximar e uma senhora a gritar: ”Ele não morde!”. Ficas sem saber se deves abrandar e confiar na senhora ou libertar o Bolt que há em ti e chegar a um sítio onde nenhum cão alguma vez chegou. A dona dizia a verdade, mas com outro tipo de cão e com um “Run Boy Run” em alto e bom som nos ouvidos, a música final podia ser bem dolorosa.

 

 

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