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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Correr por dois

Existe uma quantidade considerável de pessoas que acordam cedo para irem à praia, mas para correr nela já é só para um grupo mais restrito.

A Meia Maratona na Areia Analice Silva consiste em percorrer 21kms na areia da Nova Praia, mas como tinha uma prova de 10kms em asfalto na véspera, não me quis desgraçar ainda mais, por isso só me inscrevi na de 10 e rezei para não morrer na praia.

Estacionei o carro algo longe da partida, para fazer um devido aquecimento até lá, mas quando fomos levantar os dorsais não tinham alfinetes- de- dama para entregar. Felizmente tinha dois, da corrida do dia anterior, na carteira. Voltei para o carro a cantarolar o “Não Há”, a minha versão do sucesso dos D.A.M.A.

Quando já estávamos na partida, prontos para iniciar a prova, começou a tocar o “Amar Pelos Dois” do Salvador e por momentos pensei que teria que correr por dois. Começa a corrida e estamos contra o vento. O meu dorsal começa a dançar ao sabor do vento e por momentos pensei que estaria bem melhor na cabana junto à praia do José Cid. Até estaria disposto a aturar o macaco.

Passei boa parte da prova a fugir de uma atleta que tinha respiração ofegante e mesmo no final da prova consegui ultrapassar a mulher que ficou em primeiro lugar. Tentei comer e beber um pouco de tudo do que tinham para oferecer.

No sábado fui o número 22, no domingo passei a ser o 1142 e hoje para ir trabalhar vai ser um belo 31.     

 

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Mais uma corrida até ao fim da Europa

Dia da Corrida Fim da Europa. É preciso ser-se um bocado toni para acordar antes das 8 da matina, num domingo de folga, para correr numa prova de 17 quilómetros para a qual paguei para participar. Ao menos não estava a chover.

Deixei o carro num parque de estacionamento na Azoia e fui de boleia até à partida na vila de Sintra. Na mudança de um carro para o outro acabei por deixar cair, algures na lama, os alfinetes-de-dama essenciais para prender o dorsal. Procurar uma agulha num palheiro é quase impossível mas procurar um alfinete-de-dama na lama também não é nada fácil. Felizmente tinha um, provavelmente da última corrida, no porta-luvas do carro que bastou para prender o dorsal mas que não impedia que uma rabanada de vento o fizesse dançar.

Nas corridas é sempre possível encontrar quem vai apenas para tirar umas fotos e o corredor que conhece todos os atletas, espetadores e os animais que por lá passem. Há os tonis que pagam para correr e os chicos espertos que aproveitam que as estradas estão cortadas para fazerem a prova em sentido contrário sem gastar um euro.

Quando o vento estava mais forte deixava de ser o número 2293 para ser o Informações Importantes. Perto do Cabo da Roca, vários turistas orientais tiravam fotos e gritavam algo parecido com “ Vai Tó!”. Foi o que me deu força nos quilómetros finais.

Tive dor de burro, fraquejei na subida mais ingreme e tive que parar duas vezes para atar os ténis mas acabei por fazer tempo idêntico ao do ano passado. Só apanhei chuva no caminho para o carro. Ao sair do parque de estacionamento um senhor disse-me adeus.      

 

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O regresso dos Atletas mas por Turnos

A equipa Atletas mas por Turnos regressa para mais uma prova épica. Desta vez tínhamos pela frente dez quilómetros da Corrida Farmacêutica. Estando eu rouco e o meu colega de equipa com dores nas costas, dava jeito no final recebermos uma caixa de Mebocaína e uma pomada Voltaren.  

Fui dois dias antes levantar os dorsais. Estando eu quase sem voz, tive que repetir três vezes o nome da equipa e mesmo assim a senhora não percebeu. Só consegui ir lá pelo número.“Atletas mas por turnos, que nome engraçado.”, disse ela enquanto entregava sacos da Valormed. Nenhum dos sacos tinha comprimidos. Só no dia da prova é que percebemos que dava para levantar os dorsais na partida.

Estava um calor estranho para um final de Outubro. Havia quem pusesse protetor solar antes da prova. Não me encontrava nas melhores condições físicas mas não estava preocupado, se algo me acontecesse de certeza que teria uma farmacêutica bastante saudável para me auxiliar. Vi um tipo a tirar uma selfie enquanto corria que envergava uma camisola que dizia: “Moreira, o miúdo da mangueira”.  

Terminámos a prova e recebemos água e uma medalha de participação, mas nem sinal de medicamentos. Nem sequer um Ben-u-ron ou uma vitamina. Se alguma vez for pai, irei dizer à criança que todas as medalhas que recebi foram por ter ido ao pódio em todas as provas em que participei.     

 

 

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Corrida para a sardinha porque a bifana nunca mais vinha

Quando me perguntaram se queria participar na corrida Marginal à Noite torci um bocado o nariz à ideia de pagar para correr numa zona perto da minha casa. Depois disseram-me que arranjavam dorsal e como bom português que sou já não podia dizer não a uma borla.

O dorsal não tinha chip por isso não ia ser controlado durante a corrida mas havia um drone a espreitar muito perto do meu local. A senhora nos altifalantes esforçava-se para animar a coisa. Tocou uma música do príncipe que tomou cenas que não devia e o “ Highway to Hell” dos AC/DC o que é um bocado para o exagerado. Para já a corrida não era em nenhuma autoestrada e depois oito quilómetros não são propriamente um inferno.

A corrida começou e teve direito a fogo-de-artifício. Fiquei na dúvida se devia continuar a correr ou comer doze passas e pedir desejos. Era tanta e tanta gente a andar e a tirar fotos que era bastante complicada a prática da corrida. Houve uma altura em que pensei em dar um salto a casa para ver se tinha deixado alguma luz acesa. Tentei atirar uma garrafa de água para dentro de um saco do lixo que um senhor estava a segurar mas falhei no saco e quase acertei no homem. Não sei bem com que tempo terminei a corrida.

Depois da corrida fomos todos para Santos. No carro cantei o “Apita o Comboio” e falou-se em água nos músculos.  Já começava a ficar tarde e existia a fome.

Encontramos uma mesa e a custo fizemos o nosso pedido. As coisas demoravam a vir até que finalmente chegou uma senhora para dizer que já não havia sangria de tinto. O “Apita o Comboio” começou a tocar. Os pedidos chegavam muito vagarosamente mas não havia sinais da minha bifana. Cravei um bocado de entremeada e uma sardinha em solidariedade com a demora do meu pedido. Vi uma empregada atarantada com uma bifana na mão e chegou-se à conclusão que era minha. Pouco tempo depois apareceu outra. Com o avançar da hora a música pimba começou a se tornar muito alternativa. Talvez fossem músicas deste ano ou lados b dos artistas pimba.  

Na ida para casa começou a fazer bastante sentido uma novela da TVI de nome Músculos de Água com música do Toy.

 

 

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Corredor de lama

Um final de sábado bem passado é a correr vinte quilómetros de sobe e desce em asfalto, terra batida, riachos, calhaus e lama da boa.

Antes do arranque havia um tipo, contratado ou não pela organização, a deslizar num poste. Os atletas que estavam ao meu lado falavam da última jornada de futebol e até do Benfica B que não desceu de divisão. Um tiro, que espero que não tenha acertado no tipo do poste, deu início à corrida.

Correr, correr foi só até à altura em que o caminho começou a estreitar e a subir. A lama começou a dar sinais e poças consideráveis fizeram o pelotão abrandar. A malta vem para fazer trail mas não quer aparecer suja nas fotos.

Se lama fizer mesmo bem à pele então vou ficar para sempre com pernas de bebé. Duas escorregadelas fizeram-me desejar não ter sido forreta na altura em que comprei os ténis na Decathlon. Ao fundo comecei a ouvir música e pensei que afinal correr vinte quilómetros era para meninos mas era só rancho folclórico a animar o pessoal, ainda faltava muito para o fim.

Em vez das normais entregas de água pelo percurso havia também Coca-Cola, Red Bull, bananas, laranjas e bolos. Por momentos pensei em parar, estender a toalha e fazer um piquenique.

A noite começou a chegar e foi altura de acender os frontais. Mais uma vez arrependi-me de ter sido forreta e comprado uma luz fraquita. Há quem vá a Fátima para a Procissão das Velas e há quem vá correr vinte quilómetros com uma luz na tola. O efeito é mais ou menos o mesmo. Havia quem simpaticamente avisava que era para virar à direita porque para e esquerda era um precipício.

Cheguei ao fim duas horas e meia depois. Foi um tempo pouco brilhante, como a minha luz, mas fiquei com vontade de para o ano repetir. Comi tudo o que havia para comer na chegada e fui para casa deixar a lama porque o banho por lá só de água fria e um toni tem limites de masoquismo.

 

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O dia depois da corrida

Ontem corri dezassete quilómetros de Sintra até ao Cabo da Roca e hoje só a deslocação da roupa até à máquina de lavar já foi uma odisseia.
Estou de folga mas tinha que fazer, não posso passar o dia deitado a ver filmes e a tomar Calcitrins.
Antes de sair de casa recebi a visita da Boneca. Talvez tenha pressentido que eu estava com mobilidade reduzida ou então simplesmente queria um sitio para se deitar e rebolar. A sua passagem deixou pelos que terão que ser varridos noutra altura.
Só para complicar ainda mais a coisa deixei o carro estacionado no topo de uma subida.Foi complicado. Quando cheguei ao supermercado pensei seriamente em entrar dentro de um carrinho de compras e esperar que alguém o empurrasse.Felizmente não me esqueci de nada.
No talho contei como tinha corrido a prova ao dono que também costuma correr mas que este ano não pode participar.Reviver toda a prova até me fez esquecer o código do meu cartão Alacard.
Quando chego finalmente a casa encontro o hiperactivo Oscar com as bolas a postos para serem atiradas. Acabei por desenvolver a minha técnica de atirar bolas sentado.

Mais uma corrida até ao fim da Europa

Acordei às oito e picos da matina com o estômago estranho e a ouvir mal do lado esquerdo mas não podia desmoralizar porque tinha dezassete quilómetros para percorrer da vila de Sintra até ao Cabo da Roca.

Depois do aquecimento e da conversa do animador de serviço a prova começa e logo ao primeiro quilómetro há quem exclame no alto da sua bicicleta: “Já só faltam dezasseis!”. De certeza que parou ali despropósito só para poder lançar esta suposta piada várias vezes ao dia e no final ir para o café contar aos amigos.

Há pessoas que decidem rapidamente por deixar de correr e começam a falar sobre uma ida ao cinema e há quem tenha decidido correr na altura da prova mas em sentido contrário.

Depois de mais um subida começo a me questionar de o porquê de estar a fazer a prova. O ano passado fiz exatamente o mesmo o que só prova que existe algo de masoquista em mim. Nas descidas a coisa começa a melhorar mas vejo tipos a me ultrapassarem a grande velocidade que eu tinha deixado para trás na última subida. Levantei os polegares a todas a câmaras que estavam instaladas no percurso.

Finalmente chego ao farol do Cabo da Roca onde tenho à minha espera água, chá, uma barra de cereais e haviam milanesas mistas e de chocolate. Pedi uma mista ao que o senhor me responde: ”Vamos acreditar que é mista.” Levei também uma de chocolate pelo sim pelo não. A caminho da minha boleia ainda vi pessoal a correr até às suas viaturas ou mesmo até casa. Sádicos.

Já por casa, quando fui despejar o lixo tive uma cãibra. O maior desafio vai ser amanhã me levantar.   

 

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São Silvestre dá-me um espacito para eu ultrapassar

Depois de um Natal carregadito de comida da boa, nada como ir fazer dez quilómetros no centro de Lisboa. A febre da corrida instalou-se rapidamente e até haviam pessoas no comboio a caminho da prova já vestidas a rigor e com o dorsal colocado. No local da prova havia malta com toucas na cabeça e outros com frases nas costas do tipo “Vê-la se me apanhas”.

Como foi a nossa primeira vez na corrida de São Silvestre partimos bem atrás onde o senhor do megafone era quase imperceptível. Houve várias partidas por isso a multidão avançava muito lentamente e com várias paragens parecendo a IC19 em hora de ponta.

A corrida finalmente começou para nós e começou o também os vários “com licença” e “desculpe” por causa dos toques nas ultrapassagens e foi coisa para durar uns bons dois quilómetros. Havia muita gente a assistir e alguns tonis que queriam viver a experiência de perto ao fingirem que corriam connosco e a tirarem selfies enquanto “corriam”. Entretanto perdi o meu amigo de vista, deve ter sido mandado parar numa operação stop.

Foram tiradas muitas fotos, houve muita gente a bater palmas e a gritar frases de incentivo e outros a dizerem que ainda faltava muito. Desviei-me de sinais, pinos e de pessoas que aproveitavam a corrida para por conversa em dia. Penso que foi a primeira vez que dei a volta à rotunda do Marquês sem fazer uma única paragem.

No final distribuíam medalhas e mantas. Alguém que desconhecesse que tinha acabado de terminar uma corrida e visse tanta gente embrulhada em mantas amarelas podia pensar que era um encontro de sem abrigos. Acabei a prova sem saber muito bem qual foi o meu tempo mas acho que não deu para ficar em primeiro. Se por algum milagre eu tivesse engordado no Natal, depois desta prova já teria voltado ao meu estado normal.    

Atletas mas por turnos

Domingo foi dia de correr dez quilómetros no Jamor. Eramos o 1434 e o 1435 e a nossa equipa chamava-se “Atletas mas por turnos”. Tinha tudo para ser épico.

Antes de a prova começar tivemos direito a um aquecimento comandado por uma personal trainer do ginásio que patrocinava o evento. Distribuí murros, pontapés e joelhadas pelo ar em perfeita diacronia. Acho que ainda fiz a coreográfica completa da “macarena” pelo meio.

O início da corrida era no estádio o que me fez lembrar a final da Taça de Portugal onde estive presente e comemorei a vitória do Sporting aos pulos na cadeira com amigos e estranhos. Ainda pensei em correr alguns metros a segurar uma taça imaginária mas era parvo e estava um drone a filmar.

Julgava que a prova era de poucas subidas e descidas mas estava enganado. Quando cheguei à sinalização dos cinco quilómetros pensava que já tinha percorrido mais. Esteve à minha frente durante algum tempo um senhor da equipa “Caracóis Furiosos”. Tentei ultrapassar o maior número de velhotes possível.

No final tocava o “Don’t Stop Believin’” e acreditei até ao fim que ia ultrapassar o senhor com corte de cabelo à Marco Paulo nos anos oitenta. Um toni que estava à minha frente lembrou-se de dar um saltinho na linha da meta e estragou a hipótese de eu ter uma foto decente à chegada. Consegui ultrapassar o Marco. Foi épico.

Houve quem ganhasse um fim-de-semana com um carro mas que nem sequer parecia ter idade para o conduzir e houve também sorteio de vouchers para o ginásio mas ninguém os reclamava. Bem que o homem pedia para olharmos para o umbigo mas como os vencedores não apareciam acabaram por registrar os números para depois entregar o prémio.

Chegado a casa fui tomar um duche, fazer o almoço e ir trabalhar por que a vida de um atleta por turnos não é nada fácil…

Cenas que me fazem comichão parte II

Nesta altura é possível avistar pelos caminhos desta vida o corredor em tronco nu com a t-shirt na mão. Das duas uma, ou quando saiu de casa estava um nevoeiro localizado que se dissipou quando começou a correr e por isso tirou a t-shirt ou então saiu de casa apenas para aproveitar os 50 por cento de desconto em carne no Pingo Doce e acabou por correr até lá.

Continuando pelas t-shirts, existem uma quantidade considerável à venda a dizer “New York”, “Manhattan”, “London” ou “Amsterdam”. São giras e tal mas se ao menos fossem compradas na na respetiva cidade mesmo que na etiqueta diga “Made in Bangladesh”.

Não percebo a lógica de um toni andar com uma t-shirt a dizer “ I Love NY” comprada numa loja na Damaia e que nunca pôs os pés no continente americano.

Em qualquer concerto, desde Quim Barreiros a The National, existe sempre um Scorsese em potência. É aquele tipo que passa mais tempo a ver o concerto pelo telemóvel do que a olhar simplesmente para o palco que por acaso até está bem perto dele. Não interessa se o telemóvel é o último iPhone ou um que apenas tem uma camera vga, o que interessa é filmar.

Resta saber se algum dia irá editar os vídeos com o Movie Maker ou se apenas os põe no Youtube e no Facebook só para dizer que lá esteve sem sequer os rever.