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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Correr por dois

Existe uma quantidade considerável de pessoas que acordam cedo para irem à praia, mas para correr nela já é só para um grupo mais restrito.

A Meia Maratona na Areia Analice Silva consiste em percorrer 21kms na areia da Nova Praia, mas como tinha uma prova de 10kms em asfalto na véspera, não me quis desgraçar ainda mais, por isso só me inscrevi na de 10 e rezei para não morrer na praia.

Estacionei o carro algo longe da partida, para fazer um devido aquecimento até lá, mas quando fomos levantar os dorsais não tinham alfinetes- de- dama para entregar. Felizmente tinha dois, da corrida do dia anterior, na carteira. Voltei para o carro a cantarolar o “Não Há”, a minha versão do sucesso dos D.A.M.A.

Quando já estávamos na partida, prontos para iniciar a prova, começou a tocar o “Amar Pelos Dois” do Salvador e por momentos pensei que teria que correr por dois. Começa a corrida e estamos contra o vento. O meu dorsal começa a dançar ao sabor do vento e por momentos pensei que estaria bem melhor na cabana junto à praia do José Cid. Até estaria disposto a aturar o macaco.

Passei boa parte da prova a fugir de uma atleta que tinha respiração ofegante e mesmo no final da prova consegui ultrapassar a mulher que ficou em primeiro lugar. Tentei comer e beber um pouco de tudo do que tinham para oferecer.

No sábado fui o número 22, no domingo passei a ser o 1142 e hoje para ir trabalhar vai ser um belo 31.     

 

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Quase que vi a Super Bowl

Todos os anos dou uma espreitadela na Super Bowl e continuo sem perceber grande coisa do jogo.

Quando falam em jardas começo logo a ficar baralhado. Um tipo fica acordado até tarde para ver homens a andarem aos encontrões, não para estar a fazer conversões de jardas para metros. Há jogadores que pintam a cara com um simples traço debaixo de cada olho, outros que são mais criativos e fazem alterações à pintura de guerra e alguns, que provavelmente quando estudavam não tinham boas notas a Educação Visual, que simplesmente borram a cara com tinta preta. Os mais asseados andam sempre com uma tolha presa à cintura. Deve ser uma grande sensação ganhar a Super Bowl mas com tantos encontrões duvido que alguém se lembre bem de toda a partida.

Este ano grande parte dos anúncios no intervalo tiveram como alvo a política de imigração de Trump e o concerto teve a Lady Gaga presa por arames, acompanhada por drones e bastante pirotecnia. Claro que não cheguei a ver nada disso em direto, só aguentei pouco mais de uma hora de jogo.

Se o futebol americano fosse popular em Portugal, a nossa Super Tigela teria o Presidente Marcelo a lançar a moeda e a tirar selfies com jogadores e árbitros e os intervalos publicitários seriam marcados pelos anúncios do Calcitrin e pela publicidade da Libidum Fast que teria o Futre a dará toques, sem usar os pés, numa bola de futebol americano. O concerto seria com a Ana Moura no alto pendurada por arames e o Agir, em baixo, a dizer que ela lhe partia o pescoço. Toda a emissão teria em rodapé um número de telefone que ao ligar podia dar direito a cinco mil euros em cartão.       

 

 

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Mais uma corrida até ao fim da Europa

Dia da Corrida Fim da Europa. É preciso ser-se um bocado toni para acordar antes das 8 da matina, num domingo de folga, para correr numa prova de 17 quilómetros para a qual paguei para participar. Ao menos não estava a chover.

Deixei o carro num parque de estacionamento na Azoia e fui de boleia até à partida na vila de Sintra. Na mudança de um carro para o outro acabei por deixar cair, algures na lama, os alfinetes-de-dama essenciais para prender o dorsal. Procurar uma agulha num palheiro é quase impossível mas procurar um alfinete-de-dama na lama também não é nada fácil. Felizmente tinha um, provavelmente da última corrida, no porta-luvas do carro que bastou para prender o dorsal mas que não impedia que uma rabanada de vento o fizesse dançar.

Nas corridas é sempre possível encontrar quem vai apenas para tirar umas fotos e o corredor que conhece todos os atletas, espetadores e os animais que por lá passem. Há os tonis que pagam para correr e os chicos espertos que aproveitam que as estradas estão cortadas para fazerem a prova em sentido contrário sem gastar um euro.

Quando o vento estava mais forte deixava de ser o número 2293 para ser o Informações Importantes. Perto do Cabo da Roca, vários turistas orientais tiravam fotos e gritavam algo parecido com “ Vai Tó!”. Foi o que me deu força nos quilómetros finais.

Tive dor de burro, fraquejei na subida mais ingreme e tive que parar duas vezes para atar os ténis mas acabei por fazer tempo idêntico ao do ano passado. Só apanhei chuva no caminho para o carro. Ao sair do parque de estacionamento um senhor disse-me adeus.      

 

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Banda sonora de uma corrida

Correr com e sem música, são experiências bastante diferentes. Com banda sonora, consegues-te abstrair do que te rodeia, estás ao ritmo do “Eye Of the Tiger” e por momentos pensas que és o Rocky Balboa e que estás a subir uma grande escadaria a alta velocidade, mesmo se na verdade estiveres numa reta aborrecida e a ser ultrapassado por um sexagenário.

“Tu és um cavalo de corrida”, afirma aos teus ouvidos o António Ribeiro dos UHF, e nem te apercebes que está um ciclista a tentar ultrapassar-te. Tens familiares, parados no trânsito, a apitar furiosamente e só à décima apitadela é que percebes que é para ti e acenas em movimento. Correr na marginal é giro e tal mas se o mar está bravo podes levar um valente banho em pleno Dezembro, com ou sem música de fundo.

Sem música é possível interagir mais com o ambiente que te rodeia. Consegues ouvir os grunhos que decidem gritar dos carros em movimento e um senhor ciclista que em plena subida, com sotaque açucarado, exclama: “ Cara, espere por mim!”.

Tens a praia por tua conta e por isso decides ir correr na areia, mas praias vazias significam cães à solta e consegues sentir um ladrar furioso a se aproximar e uma senhora a gritar: ”Ele não morde!”. Ficas sem saber se deves abrandar e confiar na senhora ou libertar o Bolt que há em ti e chegar a um sítio onde nenhum cão alguma vez chegou. A dona dizia a verdade, mas com outro tipo de cão e com um “Run Boy Run” em alto e bom som nos ouvidos, a música final podia ser bem dolorosa.

 

 

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Nos Olímpicos foi tudo legal

Os Jogos Olímpicos chegaram ao fim e foram dias bem passados. Só na altura dos Jogos é que dou por mim a ver badminton, ténis de mesa e natação sincronizada sem mudar de canal. No badminton é algo inglório ver um atleta aplicar toda a sua força na raquete para certar num volante que acaba por travar no ar. O ténis de mesa faz-me lembrar os tempos de escola e o pouco jeito que tinha e há algo de relaxante em ver as pernas fora de água das atletas da natação sincronizada. Fico também bastante impressionado com o jogo de cintura dos atletas da marcha. 

As provas de ginástica também têm muito que se diga. Ver uma chinesa a fazer acrobacias com uma bola, ao som de Whitney Houston, pode ser algo assustador. Vi também um norte-coreano a vencer a medalha de ouro mas a permanecer impávido e sereno. Deve se ter lembrado que não faltava muito para voltar o seu país. Só nos Jogos é que me lembro que o Palau, Nauru, Tuvalu e Vanuatu são países.

Houve pedidos de casamento, uma piscina com água verde, quem se atirasse para a meta e quem tenha acabado a maratona a correr de lado. Houve atletas assaltados e um falso assalto made by americans. O nadador Lochte, já com outra cor de cabelo, depois de descoberto acabou por pedir desculpas, afirmando que não mentiu mas que apenas exagerou na história.

Phelps, Bolt e a Simone Biles acabaram que por ser os atletas com mais medalhas arrecadadas. O Bolt ganhou também novas fotos de perfil para o facebook, da altura em quem sorriu para os fotógrafos em plena prova. A nossa grande Telma Monteiro levou o bronze para casa. Não me importava de ser atirado ao chão por ela.

Vou ter saudades de ficar acordado até tarde para ver os olímpicos e andar a mudar da RTP1 para a RTP2 e vice-versa, acabando por não ver as provas que queria. Vou já começando a preparar o sofá e o comando para Tóquio 2020.

 

 

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Sven Martins estrela de curling

Sven Martins nascido e criado na cidade sueca de Upssala mas filho de pais portugueses, sempre mostrou desde tenra idade uma enorme apetência para varrer o gelo. Depois de já dominar a arte do varrimento foi num ápice que se tornou perito no lançamento de pedras de granito. O seu destino estava traçado, ia ser uma estrela de curling.

Aos 18 anos de idade já era o capitão de equipa do Upssala Curling Club e conseguiu logo na sua primeira época ser campeão. A festa na pista foi enorme com Sven a usar orgulhosamente a bandeira portuguesa como capa. As três pessoas que estavam a assistir foram ao rubro.

Foi assim com bastante naturalidade que foi convocado para os Jogos Olímpicos de Inverno. Os Vikings on Ice, alcunha dada à seleção sueca, eram imbatíveis e na final venceram os canadianos por uns arrasadores 8 a 2. Mas o pior veio depois quando o controlo antidoping acusou a presença de estimulantes. Sven jurou que apenas tinha bebido um gin com red bull mas a decisão estava tomada e assim a jovem estrela caiu em desgraça e foi irradiado da modalidade.

Sven isolou-se de tudo e todos e passou a consumir grandes quantidades de bolachas de canela e almondegas do IKEA enquanto via filmes de Ingmar Bergman e de Manoel de Oliveira. Mas um dia quanto ia comprar mais almondegas conheceu Ingrid e foi amor à primeira vista.

Casaram e tiveram três filhos e todos foram incentivados desde pequenos a aprender a arte de lançar pedras no gelo. Sven acabou por regressar ao seu desporto de eleição e tornou-se no campeão regional mais velho de sempre aos 41 anos. Nunca mais bebeu gin com red bull.

A Super Tigela

Hoje tentei ver a Super Bowl. Os Seattle Seahawks defrontavam os New Englad Patriots e eu sem perceber grande coisa de futebol americano. Quarterback, running back, touchdown e jardas, muitas jardas, foi o que mais ouvi durante a partida.

Depois de já começar a entender o desporto o que mais me chateava eram as várias paragens de jogo. Aguentei até ao intervalo onde a Katy Perry cantou e sobrevoou o campo. Eu dei o meu melhor mas já não vi a segunda parte.

Se o desporto de repente ficasse moda em Portugal podia muito bem ser as Gaivotas de Cascais contra os Falcões da Brandoa. A Mariza cantava o hino enquanto os submarinos rebocados do Portas davam a volta ao campo.

No intervalo milhões iriam ser gastos em publicidade para os caramelos Circo, para as pastas dentífricas Couto e algo sem graça dos Gato Fedorento para a MEO. O espetáculo de intervalo estaria a cargo do Tony Carreira mais os filhos e um lince ibérico a perseguir a Popota. De certeza que iria ter audiências.

Correr até ao fim da Europa

1889 foi o ano da inauguração da torre Eiffel, o ano em que nasceu o Charlie Chaplin e foi o número que eu usei durante dezassete quilómetros pela serra de Sintra.

Mais uma vez paguei para acordar cedo num domingo. É das poucas alturas da vida em que tenho um número na camisola preso por alfinetes de dama, um chip nos atacadores e atiro garrafas de água para o chão sem sentir remorsos.

A prova era dura, com bastantes subidas, e ganhava motivação sempre que via senhores de alguma idade a ultrapassarem-me. Posso não ganhar a corrida nem ficar perto disso mas ao menos não queria ficar atrás daquele senhor que parecia ter idade para ser meu avô.

Uma hora e meia depois terminei a corrida e tinha uma sandes, uma napolitana, uma garrafa de água e uma revista de corrida à espera. Na capa dizia "Venham mais 5" o que naquele momento não era de todo o meu sentimento.

Na camisola da prova diz "Dificilmente haverá prova mais bonita..." De facto depois dos dezassete quilómetros as minhas pernas ficaram comovidas. Se eu escrevesse pelos pés hoje não teria feito este texto.

 

                      

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Corre Monge! Corre!

Não há nada como acordar num domingo de manhã para ir correr. Depois de pedir emprestado um alfinete de dama passo a ser o trezentos e trinta e três e fico pronto para ir para o meio da serra de Sintra.

O percurso não é nada fácil com muitas subidas e descidas a pique, pedras e lama para escorregares e ramos prontos para irem de encontro à tua cabeça. Há quem exclame que o melhor prémio vai ser o de estar deitado o resto do dia e há quem já se estique ao comprido numa mini ponte de madeira.

Garrafas de água são entregues no caminho para os corredores poderem se refrescar mas há que ter atenção para o sítio onde as atiras. A tua garrafa usada pode muito bem ir na direção de um polícia.

Uma hora e vinte e oito minutos depois terminei a prova e tive direito a sumo, um pão com chouriço e uma t-shirt da Corrida do Monge. Só não ganhei uma estadia num mosteiro porque não fiz a prova com sandálias.

 

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Corre Pá! Corre!

Pagar para acordar cedo e correr 15 quilómetros com alguma chuva pelo caminho não é para todos.  

Comecei a manhã a furar, com alfinetes de dama, uma t-shirt em perfeitas condições só para ser identificado com um número. Também foi preciso ter que colocar uma cena de plástico em arco nos atacadores de um ténis. Num ápice tornei-me num código de barras acelerado.

A corrida começa e lembras-te que 15 quilómetros vão custar um bocado. Há quem corra sozinho, há quem prefira em grupo ou a ouvir música. Nas playlists muito possivelmente estarão as canções “Eye Of The Tiger” e “Cavalo de Corrida”.

Existem estradas fechadas para a prova, entrega de garrafas de àgua ao quilómetro 5 e velhotes a ultrapassarem-me. No rótulo das garrafas diz Sport e talvez por isso seja um autêntico desporto radical consegui-las abrir.

Nunca parei e nos últimos quilómetros ainda consegui sprintar, que deu direito ao apoio efusivo de desconhecidos. Tiraram-me várias fotos mas na foto da minha chegada triunfante à meta fui tapado por um cabeçudo.

No final só recebi uma medalha que facilmente trocava por uma sandes de qualquer coisa e uma t-shirt um tamanho acima do que tinha pedido… Foi um dia que passou a correr.