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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Não sei se quero o Euromilhões

Acertar nos cinco números e nas duas estrelas geralmente é motivo para uma grande festa mas eu não saberia bem como lidar com tanto dinheiro.

Ir aos saldos faz parte do meu ADN. Comprar aquela t-shirt ou casaco com trinta por cento de desconto é um hábito de pobre difícil de perder. Com o primeiro prémio do Euromilhões simplesmente compraria tudo o que queria, o que tiraria toda a emoção.

Deixaria de ter um estilo de vida radical. Perderia o privilégio de limpar o local inóspito que se encontra atrás do fogão e de tirar a gordura que está há meses acumulada nas grelhas do exaustor. Bolas de cotão nunca mais. Sendo o apostador premiado, passaria a ter várias empregadas e uma despensa maior que a minha casa. Não saberia o que fazer com tanto tempo livre.

O antes da viagem passaria a ser mais monótono. Não seria necessário fazer pesquisas diárias pelos voos mais baratos e o meu dom de encher uma simples mochila com tudo o que é preciso para viajar, seria desperdiçado. Perderia a experiência única de adquirir um quarto com oito beliches e de partilhar uma casa de banho com todos os hóspedes. Ter um avião privado, graças ao Euromilhões, com o nome “Toni nas Alturas” até poderia ser engraçado mas com o tempo passaria apenas a ser rotina.      

Com o dinheiro do primeiro premio, ajudaria muita gente mas muitos mais tentariam se aproveitar da minha boa vontade. Devido ao intenso assédio, seria obrigado a deixar o país, fazer a barba mas deixando o bigode e mudar o meu nome para Ramon.

Mas, apesar de todos estes contras, continuo a apostar dois euros e meio, com números escolhidos pela máquina, porque gosto de viver a vida no limite.   

Não quero o Euromilhões

Esta terça o jackpot do euromilhões é de 180 milhões mas eu não vou jogar, tenho hábitos de pobre difíceis de perder.

Se ficasse rico deixaria de andar no trabalho a ver fotos de casas e carros que nunca conseguiria comprar. Não precisava de procurar viagens nas companhias de low cost para tentar ir e voltar por menos de 50 euros. Normalmente essas viagens têm horários estranhos e só são possíveis nos meses de mais frio e chuva.

Não necessitaria de créditos nem teria que fazer contas para ver se o dinheiro durava até ao fim do mês. Nem sequer precisava de trabalhar por turnos…

Deixaria de puder dizer as expressões “Nunca mais é fim do mês!”, “Um dia quando me sair o euromilhões…” e “A minha vida não é fácil!”.

O mais certo é amanhã, quando for comprar o pão, entrar na fila dos pobres e apostar 2 euros com números escolhidos pela máquina porque toda a gente sabe que nunca sai nada pela máquina…