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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

O amor esteve no ar

No fim-de-semana prolongado, a que apenas a função pública teve direito, muito se passou no nosso país.

Começou-se por acompanhar o avião, o helicóptero e o Papamóvel que transportavam Papa Francisco, depois iniciou-se a perseguição ao autocarro do plantel do Benfica e à vespa do Eliseu, e no final a Europa deixou-se levar pela música do Salvador. Como existem programas que acompanham voos em tempo real e vídeos com as letras das músicas, também deveria haver um software que seguisse apenas o percurso dos autocarros das equipas de futebol. Felizmente este blog é seguido por pouca gente, senão já estaria algum toni a apresentar a minha ideia dos autocarros no Shark Tank.

A mensagem de “Amar o próximo” passou para “Amar o Benfica” e terminou com “Amar pelos dois”. Sendo ateu e do Sporting tive que me agarrar à música para não ser tão complicado. Acho uma boa canção, que se torna melhor comparada com o tipo de música que costuma passar no Festival, mas não me chegou a tocar, porque também não lhe dei confiança para tal. Depois de ter que ouvir vezes sem conta excertos da música do Salvador, já só consigo amar pela metade.

Na segunda-feira, o Salvador era o tema de conversa, chegando mesmo a ser mais comentado que a vitória do Benfica no campeonato. Muitos foram os que sofreram com a votação final mas que não viram a cerimónia na sua totalidade. No bar do trabalho instalaram uma máquina que recolhe as moedas dos pagamentos e dá o troco, porque muito provavelmente havia algum empregado que tinha muito amor ao dinheiro que recebia.

Melhores jogos virão

Trabalhar em dia de Benfica x Sporting é complicado. Levo vestida a minha camisola verde com riscas brancas que comprei nos saldos da Quebramar, na esperança que dê alguma sorte. Nas redes sociais há quem partilhe fotos suas ou dos seus animais, equipados a rigor. Eu partilhei uma foto de um pai natal de chocolate com um cachecol do Sporting.

É sempre giro acompanhar os autocarros das equipas e as claques a chegar ao estádio. Parece que os canais televisivos têm sempre esperança que as claques provoquem desacatos. Pedras no caminho? Atiro-as porque hoje há derby. Giro, giro era ver uma claque que na chegada atirasse pétalas.

O jogo começa e eu a trabalhar. Estou rodeado de benfiquistas. Vou espreitando o jogo sempre que posso e o golo do Sálvio acionou a minha tendinite imaginária. Consegui parar para ver a segunda parte mas o golo do Jiménez deixou-me bastante abatido. O Bas Dost ainda reduziu mas não chegou para evitar a derrota. Fiquei demasiado deprimido para comentar os penalties não assinalados e as cartolinas.

Chego a casa bastante abatido e escrevo este texto enquanto como pizza de ontem ao som de Nick Drake. Melhores jogos virão.

 

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O Leão sem estrela

Felizmente não estou a trabalhar durante o jogo do Sporting com o Real Madrid. É o regresso de Cristiano Ronaldo ao clube que o viu nascer para o futebol. Hoje o Ronaldo não está sozinho em casa.

Antes do jogo começar, Eric Cantona foi apresentado como o sócio 150 mil. Espero que isso não signifique um “au revoir” do Sporting à Liga dos Campeões. Um golo do Varane ao minuto 29 veio confirmar o mau prenúncio.    

O Sporting até pratica bom futebol mas falta sempre uma pontinha de sorte. O Real estava roxo de tanto ver o Sporting jogar até que o João Pereira é expulso por uma alegada agressão. Digo umas quantas asneiras e começo a perder o interesse. Acho que já vi este jogo mais que uma vez.

O Fábio Coentrão achou por bem assinalar a sua presença em campo ao levantar os braços dentro da área. Deu penalty e Adrien empata o jogo. Mas ainda faltavam 10 minutos para o final e Benzema acabou por dar a vitória ao Real e um balde de água fria aos adeptos leoninos. O Sporting com tanta falta de sorte devia consultar o Professor Karamba.

Algo abatido, fui lavar a loiça ao som da minha playlist mais tristonha e tentar adormecer, contando os golos do jogo do Borussia contra o Légia. O Sporting em dezembro tem que ir buscar a estrelinha.     

 

 

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Afónico por turnos

Comecei a sentir a voz a desaparecer depois de um concerto de Tindersticks, o que dito em voz alta, não abona nada em meu favor.

No dia seguinte até tinha alguma piada, com a voz rouca podia fazer sensação no sexo feminino ao falar-lhes ao ouvido, mas a voz ia se lentamente apagando. Parecia um Leonard Cohen de quinta categoria, um Olavo Bilac desta vida. Com a voz a desaparecer fui ganhando atributos de mimo. Estava pronto para fazer atuações na rua ou para jogar o Party & Company.

A futebolada no final do dia com os amigos também fica mais complicada. Não sou propiamente uma pessoa que fale muito mas dá algum jeito avisar que estou sozinho em frente à baliza. Com tanto esbracejar parecia um assistente de bordo a mostrar as saídas de emergência. A única vez em que a minha voz se fez ouvir foi quando sofri um valente pisão.

No dia seguinte, estava a trabalhar de noite na altura da visita do Sporting ao estádio do Nacional e a minha voz não mostrava melhoras. Levei post-its com as palavras que mais digo quando exerço as minhas funções e com incentivos ao Sporting. Quando o William falhou o penalti encontrei em mim um grito de revolta e com o passar do tempo do jogo quase que comi um post-it. Escusado será dizer que não utilizei o post-it que dizia “Goooolo!!”.  

 

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Oitchentcha e otcho problemas

A trabalhar na noite do Rio Ave x Sporting. Também tinha estado a laborar na noite do Real Madrid x Sporting.  A minha vida não é fácil.

A equipa que tinha feito uma grande exibição em Madrid perdeu por três a um em Vila do Conde.  Até ao final da noite laboral ainda tenho que ouvir os comentários do jogo e ver os golos. Vou comendo bolachas tostadas para combater a depressão. Os meus colegas vão perguntando se ainda estou vivo.

No dia seguinte o meu vizinho pergunta se posso ir com ele a Lisboa para transportar uns móveis. Tínhamos que ser rápidos porque trabalho por turnos e estava escalado para o turno da tarde. Deve haver um estudo que prova que é nas alturas de maior pressa que se apanha trânsito.  Encontrámos um acidente e durante o pára-arranca deixámos passar um carro carregadinho de penicos amarelos.

Chegámos ao local e carregámos a carrinha até não dar mais. No regresso, um tuk tuk elétrico carregadito com turistas passou por nós. Se tivessem um guia turística a bordo, ele teria dito que tinham acabado de ver um típico toni com uma máquina de costura Singer ao colo. Não tinha vestido roupa velha para o evento e ganhei umas ameaçadoras manchas negras nas minhas calças de ganga mais recentes.

Consegui chegar a tempo ao trabalho para ser massacrado com piadas do “oitchentcha e otcho” e do Real Ave. Eu como anteriormente tinha feito piadas de enorme qualidade acerca do Talisca, até que merecia estas entradas a pés juntos dos meus colegas.

Há que levantar a cabeça, comer bolachas e esperar que o turno acabe rápido.      

O competitivo mundo do futebol entre conhecidos

É possível encontrar uma grande variedade de personagens nos jogos de futebol entre conhecidos:

 

O Jorge Jesus dos pobrezinhos

Diz a todos os jogadores como se devem comportar em campo. Se antes do jogo tivesse acesso a um quadro branco e uma caneta, teria feito várias bolinhas e tracinhos e ainda teria dado um discurso igual ao último filme inspirador que viu. Muitas vezes o maior problema desse jogador é que não sabe o que fazer quando tem a bola nos pés.

 

O Messi da Tapada

O mais talentoso que finta todos e mais alguns, ziguezagueando pelo campo a fazer tuneis, cabritos e outros truques de circo. Normalmente esse jogador não se lembra que tem colegas de equipa para passar a bola e até não se lembra que o objetivo do jogo é fazer golos. No final vai para casa a dar toques ou a equilibrar a bola na cabeça. Não vai a conduzir porque tem medo de fintar as curvas.

 

O Caceteiro

“Se a bola passa, o jogador não” é o lema dele. Dá literalmente tudo em cada lance. É o tipo que consegue lesionar o maior número de pessoas mas no final diz que não foi de propósito, só tentou jogar a bola. Tem um poster do Maxi Pereira no quarto e aprecia uma boa dentada do Suárez.

 

O Bolt de Caxias

Há sempre alguém que parece ter uma mudança a mais que os outros. A maior parte das vezes consegue ser mais rápido que a bola. Pensa que está a jogar FIFA, tentando sempre jogar de primeira mas sem grandes resultados.  No final do jogo é quando dá mais nas vistas porque os outros já estão cansados. Só não vai a correr para casa porque é ainda é longe e no dia seguinte está no turno da manhã.

 

A antiga glória

É aquele que antes, durante e depois do jogo se queixa que está demasiado velho para isto. Diz que não está em forma e que começa o jogo na baliza, mas quando sai de lá nunca mais volta. Fica acampado na frente à espera que a bola lhe chegue. Quando finalmente marca um golo, exclama que afinal não está assim tão acabado. Nos balneários vai mostrando as marcas de outras batalhas e vai dizendo aos mais novos que quando tinha a idade deles ninguém o parava.

 

O mal perdedor

Nem ao papel, pedra ou tesoura gosta de perder. Encara todos os jogos como se fossem uma final da Liga dos Campeões. É o tipo que se sente mais falta de um árbitro para reclamar. Lembra-se perfeitamente do 2 de Abril de 2014 em sofreu falta dentro da área na altura em que o responsável do campo, de esfregona na mão, dá o jogo por terminado. Fica deprimido porque no final não há nenhuma taça para levantar e tem que pagar por ter jogado.

 

O gordo vai sempre à baliza

O gordo vai sempre à baliza.

 

 

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Éder Resolve

Há uns tempos tinha criado a hashtag #DeixemJogaroÉder. Escrevi aqui que o Éder ia ser a arma secreta no domingo. Comentei que a nossa seleção ia ser a Grécia de 2004. Já tinha dito e escrito muita coisa mas era quase tudo galhofa, principalmente a parte do Éder.

O jogo começou e uma camada de nervos começou a se apoderar de mim. Senti nervos que não me lembrava de os ter. A França estava com mais bola e antes da meia hora de jogo o Ronaldo lesionou-se. Uma traça foi tentar consolar o Ronaldo, ela sabia que tudo ia correr bem. Os franceses foram uns brutos.

 São Patrício foi enorme, maior que a torre Eiffel e intransponível. O Pepe reinava na nossa área. O Éder entra em campo e crio a hastag #ÉderResolve. Tivemos direito ao prolongamento a que estamos tão bem habituados.

Ao minuto 109, Éder com um pontapé de fora da área dá-nos o título de Campeões Europeus. Se alguma vez tiver dois rapazes, o segundo irá se chamar Éder por que o primeiro já prometi que será Rui Slimani Montero. Terça vou jogar no euromilhões e desta vez vou escolher os números e não deixar a máquina o fazer.

Portugal foi a clarividência de Fernando Santos, o sofrimento do Ronaldo, a segurança do Patrício, a pena do Quaresma, as rastas do Renato, a estrela do Nani, o bigode do William, a altura do Moutinho, a Fonte do José, O Adrien que é Silva e o Cédric que é Soares, os sotaques do Pepe e do Raphael, o talento do Éder e a traça. Somos Campeões Europeus e o resto que se….

 

 

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Nous vamos à Paris

Dia de Portugal x País de Gales. O Messi é condenado a 21 meses de prisão mas finta a cadeia, começam a circular piadas duvidosas acerca de Gales/galos e os inquéritos do costume aos adeptos acerca do resultado de logo. Como se alguém que esteja de cachecol e bandeira de Portugal na cabeça vá dizer que a nossa seleção vai perder com um autogolo do Ronaldo. Tentei tornar popular a hashtag  #DeixemJogarOÉder mas não tive grandes resultados.

Os jogos da seleção são aquela altura em que as pessoas que não costumam ver futebol, param em frente à televisão e tentam perceber quem são eles e o que fazem ali.  O jogo começou e em pouco tempo o Bale era o Pitó, que ao que parece é o penteado que ele usa em jogo. O guarda-redes galês chamasse Hennessey que dito rápido e à português soa a “Eu não sei” que muito bem podia ser o nome de uma música dos D.A.M.A. O Renato Sanches às vezes era o Ruben.

Ao intervalo o empate a que nós tão bem estamos habituados. A primeira pizza foi ao lume e a segunda só ia na altura do prolongamento. O jogo recomeça e ao minuto cinquenta, Ronaldo nas alturas inaugura o marcador. Pouco tempo depois, Nani faz o segundo. Depois dos festejos a estranheza. Dois golos assim de seguida, queres ver que ainda ganhamos isto sem ir a prolongamento? Ainda falta muito jogo, ainda podemos empatar. O árbitro apita e quando vai buscar o spray para assinalar o local da falta há quem pense que o spray era para ajudar a recuperar o jogador que sofreu a cacetada.

O jogo chegou ao fim e acabamos mesmo por ganhar nos noventa minutos. Acabou o sonho de ganhar um Europeu só com empates. Um vazio acabou por se instalar. Ainda nem dez da noite eram e o jogo já tinha acabado. Estamos na final. As lágrimas do Quaresma afinal são de alegria. O Éder não entrou em campo mas será a arma secreta no domingo. Fernando Santos disse no dia 19 do mês passado que a seleção só ia para casa no dia 11 e acertou. Quando acabar a sua carreira com treinador irá ser o primeiro Engenheiro a lançar cartas de tarot num programa das manhãs. Acabámos a noite a tirar selfies de cachechol e com dois porquinhos-da-Índia.     

 

 

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Contra os canhões empatar,empatar!

A Polónia, terra de Chopin, Marie Curie e Lewandowski, era o próximo adversário a abater. Tinha jogo de futebol às dez da noite mas disse logo que não porque já calculava que o jogo ia ultrapassar os noventa minutos.

Começámos com o pé esquerdo, expressão algo discriminatório para os canhotos, com o golo do Lewandowski mas ao minuto trinta e três o jovem deus Renato Sanches colocou o marcador num resultado que a seleção portuguesa já está mais acostumada. Claro que o marcador não mais se alterou durante os noventa minutos e fomos a prolongamento.

Durante o prolongamento houve uma invasão de campo e apesar de a realização do jogo a evitar mostrar, de certeza que o adepto queria abraçar o Renato. Seguiram-se os penalties e São Patrício defendeu um e o “lelo” Quaresma garante a passagem para as Meias sem precisar de ter uma bancada de venda na praça.

Pelas redes sociais uns elogiavam o Renato, outros diziam que ele não merecia ser considerado o melhor em campo e partilhavam fotos do Patrício ou elogiavam o Pepe mas eu acho que é nestas alturas que temos de deixar a clubite de lado e torcer por todos os jogadores da equipa. Neste momento Portugal é as mãos de Patrício, os pés do Ronaldo, as rastas do Renato, a estrela do Nani, o bigode do William, as lágrimas do Quaresma, o sotaque do Pepe e do Guerreiro e até o peso do Eliseu. Há que apoiar todos os jogadores sem exceção, até o Éder. Venham mais empates destes. Força Portugal!

 

 

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Portugal, do que é que estás à espera?

As espectativas eram grandes, dizia-se que o grupo era acessível e a goleada à Estónia ainda entusiasmou mais o povo, mas por terras gaulesas a realidade foi bem diferente.  

Primeiro jogo com os islandeses de quem se dizia ser a equipa mais fraca do grupo. Portugal dominou e o Nani acabou por marcar mas na segunda parte tudo foi diferente. Um tipo cujo nome acaba em “son” empatou no início da segunda parte e fez calar os adeptos portugueses tal como a Björk o faz na sua música mais conhecida. As lágrimas tatuadas no canto do olho do Quaresma já previam que ia ser um Europeu complicado.

Depois chegou a Áustria, terra do David Alaba, do Mozart e da música tirolesa. Sempre que me lembro do tirolês recordo o José Figueiras vestido a rigor a cantar algo parecido. Portugal atacou mais, teve várias oportunidades para fazer golo e o Ronaldo falhou um penaltie. Mais um empate. Porra, até o Paulinho Santos nos seus tempos áureos conseguiu marcar um golo à Áustria.

Passámos de bestiais a bestas. O Ronaldo passou de melhor do mundo ao tipo que não joga nada quando enverga a camisola das quinas. Portugal tem uma cena por máquinas de calcular. Até podemos seguir em frente se ficarmos em terceiro, dependemos é dos outros terceiros dos outros grupos. Precisamos de um Arquimedes português e do Gustavo Santos para motivar a equipa. Ama-te Portugal.

Ronaldo podes tirar uma selfie depois de marcar um golo, pedir ajuda à Nossa Senhora, comer as bananas que quiseres da tua terra, lavar várias vezes a cabeça com Linic por causa da oleosidade ou até fazer uma chamada via skype ao teu amigo marroquino mas por favor mostra o que vales contra os húngaros. Eu acredito que o Éder vai ser titular na quarta-feira e vai marcar um golo. Se fizer um hat-trick até acredito que vamos ser campeões europeus.

 

 

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