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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Um ano sem campeonato

O recente caso dos emails fez com que voltasse a reinar a desconfiança no futebol português. Com tanta discussão e desconfiança se calhar o melhor é que o campeonato, da primeira e segunda liga, pare por uma temporada para se organizar.

Sem futebol português ao mais alto nível, o amante do desporto rei teria que se virar parar os campeonatos de outros países.  O campeonato espanhol, inglês, francês e italiano seriam as opções mais óbvias mas, para aquele adepto que tem saudades de um bom Arouca x Boavista, teria que recorrer a um emocionante Aalesun x Odd do campeonato norueguês. As claques teriam que alugar espaços com ecrãs gigantes para ver os jogos e teriam que saber o idioma do jogo em questão para poder escrever as faixas e insultar os árbitros. Teria que haver ainda mais comentadores de futebol para representar o Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Mónaco, Milan e Odd, entre outros.

A inexistência do campeonato nacional de futebol poderia também ajudar a impulsionar outras modalidades, como o futsal, o andebol, o hóquei ou o padel. O tema de conversa nas tascas deixaria de ser o penaltie não assinalado a favor do Sporting para ser o grande golo do Merlim, o livre de sete metros do Carlos Ruesca, a final four com apenas três equipas e o grande jogo que o Ultra Padel fez contra o PC Torres Novas A.

 

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Não venhas tarde

Ser pontual é complicado. São raras as pessoas que combinam uma hora e que efetivamente chegam na altura estipulada.

Quando me dizem que é para estar no café a partir das nove da noite, eu, contra o meu adn, aponto para as nove e meia. Chego ao local e não vejo ninguém. Subo ao andar e cima e nem uma viva alma conhecida. Fico algum tempo na entrada, qual porteiro, e o empregado pergunta se desejo alguma coisa. Digo que estou à espera de amigos. Não me arrisco a sentar numa mesa porque não sei quantos somos.

Vejo um lugar para estacionar mesmo em frente ao café e, como deixei o carro algo distante, decido que aquele espaço livre é meu e vou determinado até ao meu veículo. Consegui o lugar com vista para o café. Ainda não tinha chegado ninguém. Quando já começo a questionar se estou no local certo chega outro convidado. O organizador chega hora e meia depois.

Sendo quase sempre o primeiro a chegar, acabo por ficar a o conhecer melhor o local onde estou. Vejo com mais atenção a decoração dos cafés, a vegetação dos jardins e até acabo por ficar mais tempo sentado num banco à porta de uma igreja do que muitos acólitos. Existe uma forte possibilidade que noventa por cento dos organizadores dos eventos funcionarem no fuso horário dos Açores.  

 

 

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O Santo António já se acabou

Apita o comboio e eu na fila para comprar o bilhete. Cheguei dez minutos antes, mas como só havia uma máquina disponível acabei por ficar na estação por mais uns tempos. O Santo António até pode ser casamenteiro mas não há relatos de ser pontual.

Quase que é preciso um milagre para encontrar alguém durante a noite mais movimentada de Lisboa. Acaba-se, muitas vezes, por encontrar conhecidos que não procuras e até pode aparecer um senhor, que nunca viste na tua vida, em tua direção com a boca escancarada e a língua de fora.

Pelas ruas é possível ouvir os clássicos da música pimba, alguns temas obscuros e até algumas raridades. Em Alfama só era permitido passar música portuguesa mas juro que cheguei a ouvir reggaeton num recanto do bairro. Se a polícia da música pimba os descobrisse, eram multados e ficavam com a integridade para sempre manchada.    

Estivemos quase sempre em movimento e por vezes a única certeza que tínhamos era a que estávamos em Lisboa. Só nos Santos é que o rabo da Ágata chega a servir como ponto de referência. Quando a noite já vai longa, é decidido por unanimidade que atravessar Alfama é uma boa ideia. Numa questão de segundos entras num comboio humano, que pára em todas as estações e apeadeiros, segurando com toda a força a carruagem da frente, correndo o risco de ser atingido pela cauda de um cabeça de sardinha e com esperança que o maquinista seja expedito.

O regresso a casa é feito com uma auréola luminosa na cabeça num comboio cujo um dos passageiros é um rato branco. Mais uma vez esqueci-me de usar uma app para registar o número de quilómetros que fiz.

No dia seguinte, mesmo com a roupa tirada e banho tomado, o cheiro a fumo continuou a fazer companhia. A noite foi passada num arraial em Carnide, numa mesa onde circularam algemas, óleos, murros artificiais e o nervoso empregado Francisco, que tinha sempre uma justificação peculiar para os percalços da cozinha e que gostava de se encostar ao meu amigo que tinha um penteado novo.

 

 

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Primavera no Norte

Dia de ir à Cidade Invicta ouvir os sons do Primavera. Cheguei à estação do Oriente quinze minutos antes de o comboio partir, em direção à Campanhã, mas já não havia lugares disponíveis. Tive que esperar hora e meia até chegar o próximo.

Mal pus os pés fora da estação comecei a ouvir um sem-número de palavrões num curto espaço de tempo. Era um senhor que estava a fazer uma chamada telefónica em alta voz mas que disparava asneiras sem parecer minimamente chateado. Bem-vindo ao Porto.

Tinha planos de comer uma típica francesinha num dos vários restaurantes recomendados, mas como cheguei já depois das três da tarde, acabei por entrar num dos primeiros que me apareceu à frente, antes que fechassem as cozinhas. A francesinha até estava bastante boa mas tinha pão de cenoura. Gostei do pormenor de na fatura constar que tinha bebido dois finos.

Na entrada do festival avistei o Samuel Úria, que tinha atuado no dia anterior. E eu a pensar que na véspera estive num bar onde Maria Leal esteve bastante atenta à televisão, que passava o Love On Top. Cheguei a tempo de ver os Whitney e de ouvir o vocalista dizer que preferia Lisboa ao Porto. Felizmente a malta do norte não o levou muito a mal.

Havia escadas para quem quisesse aceder aos quartos de banho, o que podia ser problemático depois de beber um número considerável de cervejas. Na fila para entrar ouviu-se um desesperado: “ Zé, arranja-me uma pilinha!”.   

Bon Iver deu um grande concerto mas tive o azar de ficar perto de um jovem, possivelmente tuga, que num inglês algo arranhado mas audível, tentava se safar com uma inglesa. Outro rapaz decidiu ver um espetáculo totalmente diferente ao sentar-se no chão, onde permaneceu cabisbaixo durante todo o concerto.      

Passei por todos os palcos, vi quatro concertos completos e outros aos bocados. Visitei casas da Super Bock e de comida, fui ao multibanco e a vários WC. Devia ter instalado um app para registar o número de quilómetros que fiz.

Acabei a noite à espera do comboio de regresso a Lisboa, enquanto via um taxista, vestido à empresário da noite, bastante indignado com um toni que lhe tinha roubado o cliente. Porto e Primavera, eu voltarei.      

 

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Just smile

Smiles, Emoticons, Emojis, Stickers… há tanta bonecada disponível para ser partilhada e eu só uso uns três ou quatro.

Uso e abuso dos clássicos dois pontos e um parêntesis. Às vezes, na loucura, uso vários parêntesis para reforça o sorriso. Quando me sinto realmente maroto, uso o ponto e vírgula acompanhado do parêntesis. Muitas vezes até me sinto na obrigação de mostrar o p, para as pessoas perceberem que eu não estou a falar a sério.

Demorei até decorar a maneira de chegar ao coração mas normalmente só o uso em questões bastante sérias. Cheguei a usar um coração facebookiano para demonstrar saudade pelo esquentador que tinha ido para reparação. Posso demonstrar amor por um eletrodoméstico mas recuso-me a disparar corações da boca ou dos olhos.

Pode não ser um bom sinal quando se recebe um boneco a revirar os olhos, mas se ele for colocado numa segunda ou terceira linha, pode apenas estar preocupado se o texto não lhe cai em cima. Enviar um abraço recorrendo ao uso dos bonecos é muito estranho porque eles não têm braços. Se eu for em direção a uma mulher, com as mãos abertas juntas à cara, posso arranjar problemas.

Os Stickers do Facebook já são outro campeonato. Quando dou por mim tenho cinco comentários à minha foto em que quatro são Stickers de gatos, raposas e afins. Normalmente quando isso acontece é porque a minha querida tia decidiu dar uso à sua vasta coleção. Respondo ao Sticker que achar mais apropriado com texto, porque não quero uma overdose de bonecos.

 

 

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Correr por dois

Existe uma quantidade considerável de pessoas que acordam cedo para irem à praia, mas para correr nela já é só para um grupo mais restrito.

A Meia Maratona na Areia Analice Silva consiste em percorrer 21kms na areia da Nova Praia, mas como tinha uma prova de 10kms em asfalto na véspera, não me quis desgraçar ainda mais, por isso só me inscrevi na de 10 e rezei para não morrer na praia.

Estacionei o carro algo longe da partida, para fazer um devido aquecimento até lá, mas quando fomos levantar os dorsais não tinham alfinetes- de- dama para entregar. Felizmente tinha dois, da corrida do dia anterior, na carteira. Voltei para o carro a cantarolar o “Não Há”, a minha versão do sucesso dos D.A.M.A.

Quando já estávamos na partida, prontos para iniciar a prova, começou a tocar o “Amar Pelos Dois” do Salvador e por momentos pensei que teria que correr por dois. Começa a corrida e estamos contra o vento. O meu dorsal começa a dançar ao sabor do vento e por momentos pensei que estaria bem melhor na cabana junto à praia do José Cid. Até estaria disposto a aturar o macaco.

Passei boa parte da prova a fugir de uma atleta que tinha respiração ofegante e mesmo no final da prova consegui ultrapassar a mulher que ficou em primeiro lugar. Tentei comer e beber um pouco de tudo do que tinham para oferecer.

No sábado fui o número 22, no domingo passei a ser o 1142 e hoje para ir trabalhar vai ser um belo 31.     

 

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Banco, volta, estás perdoado

Caxias tem um convento, um farol, um fugitivo que é participante ativo no Facebook mas não tem um banco.

O banco, que era novo, fechou e com ele levou duas preciosas caixas automáticas de multibanco. Uns bons metros ao lado instalaram uma, mal sinalizada, mas essa única distribuidora de dinheiro não consegue responder à procura. Quando chegar a altura das pessoas de idade avançada receberem as suas reformas, a fila até dará a volta à “rotunda” de Caxias.

Das três vezes que visitei o novo multibanco, duas não tinha dinheiro e na única vez em que tinha notas para entregar, eu não precisava delas. Cheguei a ir até Queijas para ter dinheiro para pagar um corte de cabelo. Como é que é possível que uma terra de nome Queijas tenha mais que um banco. Só depois é que descobri que existe um multibanco na estação de comboios de Caxias.

Já que estamos num ano de eleições autárquicas, talvez o melhor seja votar no independente Isaltino Morais, o candidato que “rouba, mas faz obra”. Com ele de volta ao poder, de certeza que Caxias passaria a ter pelo menos uma sucursal bancária e, quiçá com algum jeitinho, um pavilhão multiusos preparado para receber o próximo Festival da Eurovisão.       

O amor esteve no ar

No fim-de-semana prolongado, a que apenas a função pública teve direito, muito se passou no nosso país.

Começou-se por acompanhar o avião, o helicóptero e o Papamóvel que transportavam Papa Francisco, depois iniciou-se a perseguição ao autocarro do plantel do Benfica e à vespa do Eliseu, e no final a Europa deixou-se levar pela música do Salvador. Como existem programas que acompanham voos em tempo real e vídeos com as letras das músicas, também deveria haver um software que seguisse apenas o percurso dos autocarros das equipas de futebol. Felizmente este blog é seguido por pouca gente, senão já estaria algum toni a apresentar a minha ideia dos autocarros no Shark Tank.

A mensagem de “Amar o próximo” passou para “Amar o Benfica” e terminou com “Amar pelos dois”. Sendo ateu e do Sporting tive que me agarrar à música para não ser tão complicado. Acho uma boa canção, que se torna melhor comparada com o tipo de música que costuma passar no Festival, mas não me chegou a tocar, porque também não lhe dei confiança para tal. Depois de ter que ouvir vezes sem conta excertos da música do Salvador, já só consigo amar pela metade.

Na segunda-feira, o Salvador era o tema de conversa, chegando mesmo a ser mais comentado que a vitória do Benfica no campeonato. Muitos foram os que sofreram com a votação final mas que não viram a cerimónia na sua totalidade. No bar do trabalho instalaram uma máquina que recolhe as moedas dos pagamentos e dá o troco, porque muito provavelmente havia algum empregado que tinha muito amor ao dinheiro que recebia.

Vai ver se chove

As previsões meteorológicas estão cada vez mais parecidas com as dos signos: raramente acertam.

Algumas pessoas mais antigas têm a teoria do “Desde que mandaram os computadores lá para cima que o tempo nunca mais foi mesmo!”. Das duas uma, ou acham que o envio de satélites meteorológicos para o espaço tenha afetado o clima, ou então pensam que a chegada deles aos céus serviu para chatear São Pedro e, como é sabido, nunca se deve incomodar o santo que controla o tempo.

Existe sempre alguém que conhece um site ou tem uma app que garante que é infalível mas, quando chega a hora da verdade, acaba envergando uma t-shirt, calções e havaianas calçadas, durante um dilúvio. Até o Facebook chega a aconselhar a saída de casa com guarda-chuva. O Zuckerberg já devia saber que nunca uso esse tipo de proteção. Tenho a plena convicção que o regresso das meninas da meteorologia à televisão iria melhorar a qualidade das previsões.

Nesta altura estão previstos aguaceiros e ventos fortes para a altura em que o Papa chega a Portugal. Se, no preciso momento em que o Papa põe os pés em solo português, as nuvens desaparecerem e o sol surgir em todo o seu esplendor, ninguém irá pensar que é algum milagre ou um sinal divino. Apenas irão achar que é só mais um engano dos tonis da meteorologia.

 

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Tony Highlander

Antes de partir rumo à Escócia fiz o trabalho de casa. Sabia que o país tem bastantes castelos, um monstro num lago e whisky do bom. Vi os dois Trainspotting, o Braveheart, o Último Rei da Escócia, que tem um título enganador porque toda a ação é passada no Uganda, e ouvi um best of de gaitas de foles. Tinha a perfeita noção que não tinha pernas para usar um kilt.

Mal pus os pés em Glasgow passei a ser o bravo Tony Snows do clã Snows, que chegou, quando noite já ia longa, ao seu hostel manhoso e que jantou um Big Mac no único sítio nas redondezas que ainda permanecia aberto.

Em plena alvorada, Snows partiu rumo a Stirling. Depois de mais uma intensa batalha, Tony só queria descansar no seu castelo. Quando chegou, rapidamente percebeu que já tinha sido invadido. Tentou disparar uns tiros de canhão para descarregar a frustração mas não conseguiu encontrar a pólvora. Felizmente conseguiu arranjar um desconto para visitar a sua casa de férias em Edimburgo, na esperança que ela permanecesse desocupada. Partiu rumo a Edimburgo, num comboio com wi-fi.

Em Edimburgo, percorreu a Royal Mile onde viu tocadores de gaitas de foles, malabaristas e um Mario, um Luigi e uma princesa, com traços bastante masculinos, à entrada de um pub de nome "The World's End". Descobriu também os seus fiéis companheiros de batalha, que tinham criado uma boys band.

Depois de uma noite dormida num quarto alugado por desconhecidos, o corajoso Snows segue em direção ao pico mais alto de Edimburgo, o Arthur’s Seat. Devia ter trazido os seus ténis de trail. Lá no alto encontrou um cão e perguntou-lhe se queria ser o seu Oscar escocês. Seguiu depois para a sua casa de férias em Edimburgo e também ela tinha sido ocupada por turistas. As joias da coroa escocesa estavam em exposição mas não conseguiu levar nenhuma recordação. Seguiu de volta a Glasgow num comboio que já não tinha wi-fi gratuita.

Em Glasgow visitou o Museu e Galeria de Arte de Kelvingrove onde encontrou um busto parecido ao do Ronaldo e deu um salto à Galeria de Arte Moderna que tinha à entrada uma estátua equestre do Duque de Wellington, com ambos de cones de trânsito nas cabeças. Mesmo na parte final da sua odisseia escocesa, avistou uma casa com o nome de “Tony 2 Go”. Estes escoceses são doidos.      

 

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