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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

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A minha vida não é fácil

Pai Natal de Chocolate - A Ressureição

Quando já ninguém o esperava, o pai natal de chocolate conseguiu fugir da prateleira de uma grande superfície comercial, com a ajuda de um amigo que lhe iluminava o caminho, e foi conhecer o mundo.

Fez uma maratona de filmes de Natal e chegou a ficar assustado ao ver “O Estranho Mundo de Jack”, mas onde ficou mesmo apavorado foi durante o Ronaldo sozinho em casa.

O clube do coração do pai natal era o Sporting, só vestia o vermelho e branco por causa do seu contrato com a Coca-Cola. Antes do derby chegou a ganhar uma mialgia de esforço. A dor acabou por passar mas o resultado do jogo não foi favorável e por isso procurou refúgio num ponto alto e tranquilo, para deixar de ouvir discussões sobre futebol.

O pai natal tinha graves problemas de visão e chegou a achar que a Boneca, a gata do condomínio, era uma rena mas quando descobriu o poker, foi como tivesse ganho um novo par de olhos. Tinha uma excelente Poker Face.

Do poker passou rapidamente para outros tipos de jogos como o Euromilhões, Totoloto, Totobola, Placard, raspadinhas e o jogo do galo. O pai natal tinha um problema com o jogo e ele foi-se agravando com as quantidades exageradas de álcool que ingeriu durante os jantares de natal. Um dia acordou num copo dentro de um micro-ondas. Deixou de ouvir músicas de natal e passou a ouvir Quim Barreiros.

Percebendo-se do seu estado lastimável, decidiu recorrer a livros de autoajuda, dar uns passeios à beira mar e até chegou a visitar Paris, mas sem grandes resultados. Acabou por fazer publicidade à Calcitrin para pagar dívidas de jogo.     

No dia de Natal descobriu o Monopólio e depois de várias horas de jogo intenso, acabou por perder a cabeça na prisão do jogo. Teve uma vida curta mas preenchida.

 

 

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Eu sei o que fizeste no jantar de Natal passado

Dezembro é o mês da restauração. Toda a gente decide combinar jantares nesta altura e os restaurantes agradecem.

Há sempre um jantar num restaurante de comida oriental. Estava marcado para as nove no chinês mas há quem apareça só uma hora depois porque o GPS não quis aderir à quadra festiva. Durante o jantar foram gravadas autênticas longas-metragens que, na ínfima possibilidade de ficar famoso, poderão danificar a minha reputação quando forem transmitidos na CMTV.

Nos jantares de Natal das empresas somos todos amigos. Há quem aproveite a disponibilidade dos diretores para a bajulação, são criados os casalinhos de ocasião e aparecem os colegas que não sabem lidar com a bebida.

O jantar era uma espécie de street food groumet, com roulottes a servirem hambúrgueres de carne argentina, picanha com bolo do caco e hot dogs. Não havia nenhuma roulotte de farturas. Usei um chapéu de Pai Natal, outro de um duende e umas hastes de rena. Felizmente não há fotos no Facebok a registar esses momentos. Ao sair estava um tipo, altamente embriagado, deitado no banco corrido onde tinha deixado o meu casaco mas felizmente não estava debaixo dele.

Arranjar boleia para um jantar é fundamental, mesmo que para isso tenha que ir num carro com vidros embaciados, por uma estrada mal iluminada, conduzido por alguém que se esqueceu dos óculos em casa. Nos televisores do restaurante passava o Porto e, apesar de o restaurante estar cheio, só havia uma pessoa a comemorar os golos dos azuis e branco. A minha boleia acabou por sair mais cedo porque, segundo ele, precisava de passar um tempo considerável na casa de banho e não queria usar a do restaurante.

Tudo acontece num jantar de Natal mas a maior parte ou não te lembras ou preferes não te lembrar. Para o ano há mais.   

 

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O Regresso do Pai Natal de Chocolate

O Natal já se estava a aproximar e mais uma vez um Pai Natal de chocolate conseguiu sair de uma prateleira de supermercado e foi explorar o mundo.

Conheceu Oscar, o labrador hiperativo e tentou o convencer a ser uma das renas do trenó mas rapidamente percebeu que ele não queria ouvir nada do que ele tinha para dizer, só queria que lhe atirassem a bola para ele a ir buscar. A integridade física do pai natal esteve em risco.

O Pai Natal respeita todas crenças e nacionalidades mas no dia do Sporting contra o Besiktas não gostava de turcos. Um dia foi ver a praia ao final do dia e apesar de não saber nadar foi molhar os pés. No dia seguinte ficou em casa com febre de sábado à noite.

A chuva chegou mas o Pai Natal conseguiu arranjar um chapéu-de-chuva à sua medida.  Arranjou também um sabre de luz porque apesar de nunca ter visto um filme do Star Wars não se falava noutra coisa e achou por bem entrar no espírito da coisa. O lado negro da Força não recebeu presentes este ano. Não viu nenhum Star Wars mas viu várias vezes o Sozinho em Casa 2 e viu o Natal dos Hospitais do princípio ao fim.

Com o passar do tempo começou a se sentir sozinho e criou um perfil no Tinder que dizia: “Made in Polónia, gosto de viajar, longos passeios na praia e de renas. Procuro amizade e quem sabe algo mais. Sou um doce de pessoa”. Não conseguiu correspondências.

Começou a ir a bastantes jantares de Natal e após uma noite de abusos acordou na máquina de lavar e não sabia onde tinha deixado o trenó. O Pai Natal tornou-se alcoólico mas não houve tempo para intervenções.

Na noite de Consoada o Pai Natal bebeu mais do que devia, tirou a roupa e começou a passear pela casa até adormecer em frente à lareira onde lentamente se começou a derreter. O Pai Natal de chocolate teve uma vida curta mas preenchida.

 

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Natal é quando o meu horário quiser

O Natal é a altura do ano em que se juntam amigos e colegas para comer e beber. Tanto podes ir parar a Massamá ou à Estufa Fria que acaba sempre por haver um dose considerável de indivíduos alcoolizados.

Estacionar em Massamá é complicado e no sítio onde haviam bastantes lugares para parar estavam para lá de cinco tipos de aspeto duvidoso de volta de um carro a tocar música regional. Achei melhor estacionar noutro local que ficava quase a um quilómetro do sítio. Este Natal quero continuar a ter o meu carro vivo e funcional.

Fui o último a chegar porque trabalho por turnos e é complicado. Havia tanta comida na mesa que saímos todos a rebolar e ainda voltámos no dia seguinte para acabar com o resto.

Nos jantares de empresa ganhas sempre novos amigos que juram que és o maior mas que no local de trabalho nem bom dia te dizem. Aparecem os dançarinos que são fortes candidatos a acabar a noite com a gravata na cabeça, os fotógrafos não oficiais que querem tirar fotos com todos, os encostados ao bar que não querem ficar longe da bebida e têm uma vista geral da festa e as invasoras de palco que normalmente são mulheres com mais de 40. Há quem acabe a noite enrolado com a miúda que até parece gira na altura, quem acabe em cima da coluna na última música ou quem fique fora do recinto às voltas porque já não sabe onde é que deixou o carro.

O jantar era na Estufa Fria, a comida não era muito variada e como já cheguei algo tarde depois do segundo copo de vinho já tinha que gastar senhas. Felizmente há sempre alguém que vai embora cedo e dá as senhas ou aquele que arranja sempre mais senhas que o comum dos mortais e acaba por as distribuir pelo resto. Os GNR apareceram para tocar umas músicas e a faixa etária da pista de dança subiu drasticamente. Acabei por sair da festa à boleia do pessoal da iluminação antes que ficasse perdido na estufa.

O Natal também é altura do emigrante voltar às origens e juntar-se aos amigos. O casal que agora vive em terras de sua majestade marcou o ponto de encontro num café em Rio de Mouro e apareceram um número considerável de pessoas, desde a bebé sorridente ao queixoso da ciática e até o trabalhador por turnos marcou presença porque estava de folga. A polícia também fez questão de aparecer porque estávamos em Rio de Mouro e é normal isso acontecer.

A noite acabou a bebermos ginga enquanto ouvíamos a história do ninja de branco que passeava a sua espada pela serra de Sintra e o guarda noturno que não queria dizer quanto é que ganhava e não sabia usar o walkie-talkie.

Toni, o reformado

A minha reforma só deverá começar aos oitenta anos mas mesmo assim já tenho objetivos traçados para essa altura:

Em poucas semanas serei o campeão indiscutível de dominó e farei parte da dupla imbatível do jogo da sueca no café da esquina. Os adversários irão tremer quando ouvirem o meu nome e não será só por causa de Parkinson.  

Serei presença assídua nos programas da manhã para bater palmas até que as mãos me doam e de tarde irei ligar a todos os programas de opinião para desabafar e dizer que gosto muito da apresentadora.

Nas alturas em que estiver sentado no banco do jardim virados para a estrada não estarei apenas a olhar para o vazio mas sim a jogar às matrículas e serei o melhor. Irei gravar as minhas iniciais no banco.

A troco de bom dinheiro irei dar o meu testemunho favorável ao Cálcio + que existir nessa altura. Direi que fiquei muito mais ágil e sem dores mesmo que nunca tenha tomado nenhum.

Na época natalícia serei o Pai Natal do shopping mais perto de casa para ouvir parte dos pedidos de uma ou duas crianças e para meter conversa com as ajudantes crescidas e saudáveis.   

O Pai Natal de chocolate

Era apenas mais um Pai Natal de chocolate numa fila de vários na estante de um supermercado até ao dia três de Dezembro, o dia em que saiu da superfície comercial.

Era livre e tinha todo um mundo por descobrir. Aproveitou o bom tempo e foi à praia ver o mar, passeou por jardins e até deu um saltinho à Índia. Não perdeu um único jogo do Sporting, ele era vermelho só por causa do seu contrato com a Coca-Cola. Todos os dias ia à caixa do correio para receber os pedidos dos mais petizes.

Era presença assídua em tudo o que era jantar de Natal e as ressacas do dia seguinte eram bastante complicadas. Festejou tanto que um dia no multibanco descobriu que já não tinha saldo para todas as prendas

Sem dinheiro e com a perceção que muita gente não acreditava nele atravessou uma grande crise existencial. Começou a passar mais tempo em casa e só aos poucos foi-se animando com as várias repetições do Sozinho em Casa e ouvindo canções do Natal no Vaticano.

Um dia aproximou-se demais da árvore de Natal, ficou preso e aos poucos foi derretendo com o calor das luzes. Conseguiu sobreviver mas saiu bastante debilitado. Fez amizade com um Pai Natal anão que o ajudou na recuperação.

Mas o seu destino já estava traçado e na noite de Consoada teve direito à sua última ceia. As suas últimas horas foram passadas nas mãos de uma criança de dez anos. O Pai Natal de chocolate teve uma vida curta mas bastante preenchida.

                

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Tudo pode acontecer num jantar de Natal

Podes ir parar à Buraca e ter que esperar ao frio por uma mesa porque o restaurante não aceita reservas. Descobres que o túnel da Buraca é um sítio bastante concorrido.
Depois há quem decida por um almoço num restaurante japonês. Mais uma vez tento disfarçar que sei usar os pauzinhos. Ninguém ficou ferido no processo.
Recorda-se o dia em que vomitei mal saí de um restaurante idêntico e há quem esteja preocupado porque não consegue encontrar um castelo do Frozen.
Massamá é a terra escolhida para mais um jantar mas sem passar pela casa do Passos. No prédio havia uma placa que dizia “Elevadore” mas mesmo assim arrisquei numa viagem. Na mesa havia mais cervejas que canais de televisão.
Por fim em Lisboa havia o rumor que o Anselmo iria cantar mas acabou por aparecer o qualquer coisa 4. Cantou o “Bo Tem Mel” e houve invasão de palco e fotos com fãs. Há quem tenha bebido para esquecer a derrota do Benfica e há quem se tinha esquecido que já ia no terceiro copo . Existem fotos minhas com hastes de rena.

Um telemóvel complicado

Foram muitas chamadas de call centers recebidas, várias mensagens recebidas com avisos de promoções no Continente e fotos tiradas a animais que não são meus e a um Pai Natal de chocolate.
Fui várias vezes acordado por ele, controlei tempos das minhas de corridas, apontei moradas e listas de compras e perdi-me com o seu GPS.
Mas nem tudo foi um mar de rosas, ele tinha uma personalidade muito forte. Desligava-se quando lhe apetecia, algumas mensagens simplesmente não recebia e não deixava ter muitas aplicações. Demorava mais de cinco minutos até arrancar e ainda me obrigava a colocar o PIN duas vezes. Era um telemóvel com um feitio difícil.
Agora que estou com espírito natalício decidi oferecer a mim próprio um novo que supostamente será mais obediente. Mas apesar de todas as desventuras ainda vou ter saudades do outro com o seu espírito indomável e sua capacidade de aguentar três minutos sem definhar.

Natal das Prisões 2014

Duarte Lima é o organizador do evento, Vale e Azevedo o decorador e o ex-director do SEF controla as entradas.

Renato Seabra é encarregue de servir os vinhos e as irmãs de Ricardo Salgado fornecem o catering.

Carlos Cruz é o apresentador da gala e a atracção internacional Pistorius aproveita para tentar fugir enquanto o público está entretido a ouvir Sócrates recitar Descartes.

Carta ao Pai Natal

Querido Pai Natal,
Nesta quadra festiva gostaria de ter uns dias informativos calmos, o Sporting líder e uma modelo da Victoria's Secret.

Este ano portei-me bem e a trabalhar por turnos.
Um grande bem-haja.
PS : Há dias vi-te no Oeiras Parque mas estavas ocupado com a Isabel Figueira