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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Nascido em Ranholas

Toda a gente conhece pelo menos uma terra com um nome peculiar. Quando era miúdo, entrei num torneio de futebol em que o primeiro lugar dava direito a frango assado. O campo ficava em Ranholas e acabei por ir de estômago vazio para casa. Não fui feliz em Ranholas.

Quando era mais novo, passava por um placa que dizia Carne Assada e pensava que se seguisse por aquela estrada, iria encontrar um restaurante cuja especialidade fosse carne assada. Estava enganado, Carne Assada é nome de uma terra. Um vegetariano que viva nessa terra será sempre ostracizado.

Gostava mesmo de saber se houve alguma reunião, com uma lista de possíveis nomes elaborada pelo criativo lá da zona e uma votação para escolher os nomes das terras. Gostava de conhecer o ou os tonis que acharam por bem dar o nome de Picha a uma aldeia.

Quem acaba por sofrer com isto tudo são os habitantes dessas aldeias. Coitadas das moradoras de Venda das Raparigas que passam a vida a serem interrogadas pelo seu preço. Desgraçados dos adolescentes, que apesarem de se darem bastante bem com os seus pais, acabam por fugir de casa por já não suportarem dizer que vivem no Pau Gordo.       

Há quem procure amor em Solteiras, Cama Porca ou Colo do Pito, desconhecendo por completo que Amor fica a 10 quilómetros de Leiria.

A minha vida pode ser complicada mas antes criado em Mem Martins do que em Monte de Meda.

 

 

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O Esquadrão Suicida português

O filme “Esquadrão Suicida”, sobre um grupo de vilões obrigados a salvar o mundo em troca de sentenças reduzidas, já está nos cinemas mas creio que a versão portuguesa teria muito mais piada.

O Deadshot, o assassino que nunca falha um tiro, seria representado por Vale e Azevedo, que por todos os sítios onde passou nunca deixou de levar o “seu”. Killer Croc, o vilão que tem um grave problema de pele que o torna semelhante a um crocodilo, seria interpretado pelo verde Ricardo Salgado que está mais do que habituado a se mover pelos pântanos financeiros em seu favor.

O Capitão Boomerang seria representado pelo homicida mais conhecido por Palito, que em vez de atirar boomerangs atiraria palitos mortais e El Diablo, o criminoso que controla o fogo, teria uma desta bestas acéfalas, que propositadamente põe Portugal a arder, no seu lugar.

Haveria também o mediático Joker Sócrates, que apesar de todas as ilegalidades cometidas, mantem a sua legião de seguidores e tem uma relação bastante complicada com a louca e imprevisível CMTV, que não olha a meios para conseguir o que quer.

Brevemente numa sala de cinema perto de si.

 

Éder Resolve

Há uns tempos tinha criado a hashtag #DeixemJogaroÉder. Escrevi aqui que o Éder ia ser a arma secreta no domingo. Comentei que a nossa seleção ia ser a Grécia de 2004. Já tinha dito e escrito muita coisa mas era quase tudo galhofa, principalmente a parte do Éder.

O jogo começou e uma camada de nervos começou a se apoderar de mim. Senti nervos que não me lembrava de os ter. A França estava com mais bola e antes da meia hora de jogo o Ronaldo lesionou-se. Uma traça foi tentar consolar o Ronaldo, ela sabia que tudo ia correr bem. Os franceses foram uns brutos.

 São Patrício foi enorme, maior que a torre Eiffel e intransponível. O Pepe reinava na nossa área. O Éder entra em campo e crio a hastag #ÉderResolve. Tivemos direito ao prolongamento a que estamos tão bem habituados.

Ao minuto 109, Éder com um pontapé de fora da área dá-nos o título de Campeões Europeus. Se alguma vez tiver dois rapazes, o segundo irá se chamar Éder por que o primeiro já prometi que será Rui Slimani Montero. Terça vou jogar no euromilhões e desta vez vou escolher os números e não deixar a máquina o fazer.

Portugal foi a clarividência de Fernando Santos, o sofrimento do Ronaldo, a segurança do Patrício, a pena do Quaresma, as rastas do Renato, a estrela do Nani, o bigode do William, a altura do Moutinho, a Fonte do José, O Adrien que é Silva e o Cédric que é Soares, os sotaques do Pepe e do Raphael, o talento do Éder e a traça. Somos Campeões Europeus e o resto que se….

 

 

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Nous vamos à Paris

Dia de Portugal x País de Gales. O Messi é condenado a 21 meses de prisão mas finta a cadeia, começam a circular piadas duvidosas acerca de Gales/galos e os inquéritos do costume aos adeptos acerca do resultado de logo. Como se alguém que esteja de cachecol e bandeira de Portugal na cabeça vá dizer que a nossa seleção vai perder com um autogolo do Ronaldo. Tentei tornar popular a hashtag  #DeixemJogarOÉder mas não tive grandes resultados.

Os jogos da seleção são aquela altura em que as pessoas que não costumam ver futebol, param em frente à televisão e tentam perceber quem são eles e o que fazem ali.  O jogo começou e em pouco tempo o Bale era o Pitó, que ao que parece é o penteado que ele usa em jogo. O guarda-redes galês chamasse Hennessey que dito rápido e à português soa a “Eu não sei” que muito bem podia ser o nome de uma música dos D.A.M.A. O Renato Sanches às vezes era o Ruben.

Ao intervalo o empate a que nós tão bem estamos habituados. A primeira pizza foi ao lume e a segunda só ia na altura do prolongamento. O jogo recomeça e ao minuto cinquenta, Ronaldo nas alturas inaugura o marcador. Pouco tempo depois, Nani faz o segundo. Depois dos festejos a estranheza. Dois golos assim de seguida, queres ver que ainda ganhamos isto sem ir a prolongamento? Ainda falta muito jogo, ainda podemos empatar. O árbitro apita e quando vai buscar o spray para assinalar o local da falta há quem pense que o spray era para ajudar a recuperar o jogador que sofreu a cacetada.

O jogo chegou ao fim e acabamos mesmo por ganhar nos noventa minutos. Acabou o sonho de ganhar um Europeu só com empates. Um vazio acabou por se instalar. Ainda nem dez da noite eram e o jogo já tinha acabado. Estamos na final. As lágrimas do Quaresma afinal são de alegria. O Éder não entrou em campo mas será a arma secreta no domingo. Fernando Santos disse no dia 19 do mês passado que a seleção só ia para casa no dia 11 e acertou. Quando acabar a sua carreira com treinador irá ser o primeiro Engenheiro a lançar cartas de tarot num programa das manhãs. Acabámos a noite a tirar selfies de cachechol e com dois porquinhos-da-Índia.     

 

 

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Contra os canhões empatar,empatar!

A Polónia, terra de Chopin, Marie Curie e Lewandowski, era o próximo adversário a abater. Tinha jogo de futebol às dez da noite mas disse logo que não porque já calculava que o jogo ia ultrapassar os noventa minutos.

Começámos com o pé esquerdo, expressão algo discriminatório para os canhotos, com o golo do Lewandowski mas ao minuto trinta e três o jovem deus Renato Sanches colocou o marcador num resultado que a seleção portuguesa já está mais acostumada. Claro que o marcador não mais se alterou durante os noventa minutos e fomos a prolongamento.

Durante o prolongamento houve uma invasão de campo e apesar de a realização do jogo a evitar mostrar, de certeza que o adepto queria abraçar o Renato. Seguiram-se os penalties e São Patrício defendeu um e o “lelo” Quaresma garante a passagem para as Meias sem precisar de ter uma bancada de venda na praça.

Pelas redes sociais uns elogiavam o Renato, outros diziam que ele não merecia ser considerado o melhor em campo e partilhavam fotos do Patrício ou elogiavam o Pepe mas eu acho que é nestas alturas que temos de deixar a clubite de lado e torcer por todos os jogadores da equipa. Neste momento Portugal é as mãos de Patrício, os pés do Ronaldo, as rastas do Renato, a estrela do Nani, o bigode do William, as lágrimas do Quaresma, o sotaque do Pepe e do Guerreiro e até o peso do Eliseu. Há que apoiar todos os jogadores sem exceção, até o Éder. Venham mais empates destes. Força Portugal!

 

 

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Mais uma vez pelos caminhos de la España

Mais uma road trip por Espanha, desta vez em direção ao sul do país. Já devo conhecer mais a terra de nuestros hermanos que Portugal.

Um dos grandes problemas de uma road trip é a seleção musical de quem leva o carro. Devo dizer que não foi nada fácil ouvir aqueles hits manhosos que passam em repeat nas RFMs desta vida. Desde Rihanna a Anselmo Ralph, passando pelo Agir e Bieber e acabando com Adele e outros artistas que não faço a mais pequena ideia quem são. O truque é fazer conversa mas há momentos em que é complicado.

Chegámos a Jerez de la Frontera e estava um calor muy fuerte. Havia um cheiro a urina no ar e muitas paredes mostravam o porquê do odor. Na minha cabeça, não sei bem porquê, tocava aquela música dos GNR com o espanhol. Conheci o Tio Pepe mas só bebi cerveja. O dia de eleições em Espanha estava próximo e atravessámos um arraial político porque Podemos.

Fomos à catedral de Cádis e deram-nos um telefone mas não era possível ligar para a família a dizer que estava tudo bem. Do outro lado da linha só se ouvia castelhano, por isso devia ser engano. Subimos a uma das torres mas sempre com a incerteza se deva tirar só mais uma foto à vista ou se saia logo para não correr o risco de ficar surdo e abananado.

Vimos o jogo de Portugal contra a Croácia numa esplanada em Córdoba. O jogo não foi grande coisa mas as tapas e a cerveja ajudavam a passar o tempo. Um espanhol perguntou-me quando é que jogava a seleção dele. Quando acabou o tempo regulamentar saiu e desejou-me boa sorte. Ao lado um artista de rua esforçava-se para ganhar uns trocos e ainda conseguiu se sentar com umas turistas e beber umas à pala. Quando a realização do jogo deu um grande plano do Ronaldo passou um espanhol que ao apontar para o televisor repetiu várias vezes algo parecido com “Mariquita!”. O Quaresma marcou e apesar de haverem poucos portugueses lá sentados gritou-se golo em alto e bom som. O artista estava a tirar selfies com as miúdas.

Todos os quartos de hotel em que ficámos tinham um telefone ao pé da sanita. Nunca se sabe quando é que é preciso pedir mais papel higiénico. O GPS lá se perdeu algumas vezes, até chegámos a circular na água, mas no final sempre conseguiu nos levar aos nossos destinos. Fomos mandados parar quando saíamos de uma bomba de gasolina. Estavam a lavar o carro mas viram tugas e acharam logo que tínhamos algo ilícito e fizeram logo sinal. Pediram identificações e para tirar tudo o que tínhamos nos bolsos. Até me pediu para levantar a t-shirt, talvez para ver se eu tinha uns abdominais definidos. Abriu todas mochilas mas fui o único a quem revistaram a carteira. Só porque tenho um ar mal nutrido não quer dizer que consuma cenas estranhas.      

Como o meu pai fazia anos no dia em que regressava, comprei para lhe oferecer um avental com a bandeira da Espanha na esperança que ele fosse fazer o jantar mas acabámos por ir comer fora e eu é que paguei a conta.

 

 

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Portugal, do que é que estás à espera?

As espectativas eram grandes, dizia-se que o grupo era acessível e a goleada à Estónia ainda entusiasmou mais o povo, mas por terras gaulesas a realidade foi bem diferente.  

Primeiro jogo com os islandeses de quem se dizia ser a equipa mais fraca do grupo. Portugal dominou e o Nani acabou por marcar mas na segunda parte tudo foi diferente. Um tipo cujo nome acaba em “son” empatou no início da segunda parte e fez calar os adeptos portugueses tal como a Björk o faz na sua música mais conhecida. As lágrimas tatuadas no canto do olho do Quaresma já previam que ia ser um Europeu complicado.

Depois chegou a Áustria, terra do David Alaba, do Mozart e da música tirolesa. Sempre que me lembro do tirolês recordo o José Figueiras vestido a rigor a cantar algo parecido. Portugal atacou mais, teve várias oportunidades para fazer golo e o Ronaldo falhou um penaltie. Mais um empate. Porra, até o Paulinho Santos nos seus tempos áureos conseguiu marcar um golo à Áustria.

Passámos de bestiais a bestas. O Ronaldo passou de melhor do mundo ao tipo que não joga nada quando enverga a camisola das quinas. Portugal tem uma cena por máquinas de calcular. Até podemos seguir em frente se ficarmos em terceiro, dependemos é dos outros terceiros dos outros grupos. Precisamos de um Arquimedes português e do Gustavo Santos para motivar a equipa. Ama-te Portugal.

Ronaldo podes tirar uma selfie depois de marcar um golo, pedir ajuda à Nossa Senhora, comer as bananas que quiseres da tua terra, lavar várias vezes a cabeça com Linic por causa da oleosidade ou até fazer uma chamada via skype ao teu amigo marroquino mas por favor mostra o que vales contra os húngaros. Eu acredito que o Éder vai ser titular na quarta-feira e vai marcar um golo. Se fizer um hat-trick até acredito que vamos ser campeões europeus.

 

 

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Anda comigo ver o avião e o autocarro da seleção

O Euro ainda não começou e já começo a ficar farto. Hoje foi dia da seleção chegar a Marcoussis onde ficará instalada durante o Europeu. Logo de manhã houve importantíssimos diretos para acompanhar o autocarro da seleção até ao aeroporto. E que giro que é ver a traseira de um autocarro e fazer exclamações do tipo: “ Ele está agora a passar o viaduto!”. Ver os jogadores a sair do autocarro também é giro porque algum se pode esquecer de alguma coisa e voltar para trás.    

Como não é possível colocar um drone ou até mesmo um avião em perseguição para filmar a cauda do Eusébio, nome do avião da seleção, arranja-se conversa com convidados em estúdio intercalada com entrevistas a emigrantes ansiosos pela chegada do Ronaldo. É uma boa altura para aprender a língua emigrante. Há quem o siga por sites que mostram as rotas dos aviões. O comandante do avião chama-se Viriato.

 O avião aterra em França e é motivo para última hora. É quase tão bom como um golo de trivela do Quaresma. Os jogadores a sair são filmados via Skype. Nunca me irei esquecer de tal momento. Não consegui perceber com que pé saiu o Ronaldo do avião. A emoção foi grande mas agora é altura de seguir o autocarro até ao centro de estágio. O autocarro chegou ao local pretendido e foi do caraças.

De futebol propriamente dito ainda nada pela Europa mas já está a decorrer a Copa América para quem tem insónias ou trabalha por turnos. Pela América joga-se bem duro, com muitas faltas, pequenas altercações e fitas merecedoras de um Óscar. Apesar da hora tardia o comentador faz um grande alvoroço talvez com o intuito de manter o espetador acordado. Já deu para ver um golo do Haiti ao Brasil, o hino do Chile a ser tocado em vez do uruguaio e que o meu sofá não é muito confortável para sonecas.  

 

 

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É Carnaval e o São Pedro leva a mal

O Carnaval em Fevereiro em Portugal não deixa de ser algo peculiar. Enquanto no Brasil a maior preocupação dos sambistas é o uso de repelentes antes da atuação, em Portugal é fundamental tomar a vacina contra a gripe. Já não há atores de novelas brasileiras como reis do Carnaval porque até eles preferem ficar com o zika.

Houve corsos cancelados devido ao mau tempo e o de Figueira da Foz foi adiado, muito possivelmente só para Agosto. Para evitar que tal aconteça novamente seria melhor juntarem-se todos e desfilarem no MEO Arena.

Esta é a altura em que muitos homens aproveitam para se vestirem de mulheres e em que o Castelo Branco consegue se passar despercebido. Como não há muito dinheiro investido no Carnaval português muitos aproveitam para usar os trajes de Power Rangers e do Topo Gigio que tinham guardados no baú.

Eu, como já vai sendo tradição, mascarei-me de trabalhador por turnos e sempre que pude desfilei de copo de café na mão pelos corredores da empresa.

Nunca mais jogo à sueca

Estou sentado e preparado para a final do campeonato europeu de sub-21 entre Portugal e a Suécia. Ao meu lado tenho uma revista Vidas para os momentos de menor interesse. Parece que vai começar a eleição dos mais Sexy CM.

Na seleção sueca quase todos os jogadores são louros e os que não são de origem lembraram-se de fazer madeixas. O selecionador tinha um écharpe. Este jogo é para ganhar.

Portugal até começou bem, a dominar o jogo e a ter oportunidades de golo com Sérgio Oliveira a acertar no poste mas não conseguiu concretizar. Ao que parece os suecos são bons a montar móveis e a armadilha do fora de jogo porque o Cavaleiro era constantemente apanhado nela.

Na segunda parte Portugal já começa a perder o gás e a Suécia começa a aparecer. Se eu tivesse algum vinil dos ABBA já tinha voado pela janela. O jogo vai para prolongamento.

Recomeça o jogo e a Suécia está na mó de cima e o meu stress vem ao de cima. Se estivesse frio já tinha feito uma fogueira com a minha cómoda do IKEA.

Final do prolongamento mas o sofrimento se prolonga pelos penalties. William Carvalho falha o último penaltie e o campeonato vai para o suecos. Nunca mais jogo à sueca.