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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Melhores jogos virão

Trabalhar em dia de Benfica x Sporting é complicado. Levo vestida a minha camisola verde com riscas brancas que comprei nos saldos da Quebramar, na esperança que dê alguma sorte. Nas redes sociais há quem partilhe fotos suas ou dos seus animais, equipados a rigor. Eu partilhei uma foto de um pai natal de chocolate com um cachecol do Sporting.

É sempre giro acompanhar os autocarros das equipas e as claques a chegar ao estádio. Parece que os canais televisivos têm sempre esperança que as claques provoquem desacatos. Pedras no caminho? Atiro-as porque hoje há derby. Giro, giro era ver uma claque que na chegada atirasse pétalas.

O jogo começa e eu a trabalhar. Estou rodeado de benfiquistas. Vou espreitando o jogo sempre que posso e o golo do Sálvio acionou a minha tendinite imaginária. Consegui parar para ver a segunda parte mas o golo do Jiménez deixou-me bastante abatido. O Bas Dost ainda reduziu mas não chegou para evitar a derrota. Fiquei demasiado deprimido para comentar os penalties não assinalados e as cartolinas.

Chego a casa bastante abatido e escrevo este texto enquanto como pizza de ontem ao som de Nick Drake. Melhores jogos virão.

 

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O Leão sem estrela

Felizmente não estou a trabalhar durante o jogo do Sporting com o Real Madrid. É o regresso de Cristiano Ronaldo ao clube que o viu nascer para o futebol. Hoje o Ronaldo não está sozinho em casa.

Antes do jogo começar, Eric Cantona foi apresentado como o sócio 150 mil. Espero que isso não signifique um “au revoir” do Sporting à Liga dos Campeões. Um golo do Varane ao minuto 29 veio confirmar o mau prenúncio.    

O Sporting até pratica bom futebol mas falta sempre uma pontinha de sorte. O Real estava roxo de tanto ver o Sporting jogar até que o João Pereira é expulso por uma alegada agressão. Digo umas quantas asneiras e começo a perder o interesse. Acho que já vi este jogo mais que uma vez.

O Fábio Coentrão achou por bem assinalar a sua presença em campo ao levantar os braços dentro da área. Deu penalty e Adrien empata o jogo. Mas ainda faltavam 10 minutos para o final e Benzema acabou por dar a vitória ao Real e um balde de água fria aos adeptos leoninos. O Sporting com tanta falta de sorte devia consultar o Professor Karamba.

Algo abatido, fui lavar a loiça ao som da minha playlist mais tristonha e tentar adormecer, contando os golos do jogo do Borussia contra o Légia. O Sporting em dezembro tem que ir buscar a estrelinha.     

 

 

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Afónico por turnos

Comecei a sentir a voz a desaparecer depois de um concerto de Tindersticks, o que dito em voz alta, não abona nada em meu favor.

No dia seguinte até tinha alguma piada, com a voz rouca podia fazer sensação no sexo feminino ao falar-lhes ao ouvido, mas a voz ia se lentamente apagando. Parecia um Leonard Cohen de quinta categoria, um Olavo Bilac desta vida. Com a voz a desaparecer fui ganhando atributos de mimo. Estava pronto para fazer atuações na rua ou para jogar o Party & Company.

A futebolada no final do dia com os amigos também fica mais complicada. Não sou propiamente uma pessoa que fale muito mas dá algum jeito avisar que estou sozinho em frente à baliza. Com tanto esbracejar parecia um assistente de bordo a mostrar as saídas de emergência. A única vez em que a minha voz se fez ouvir foi quando sofri um valente pisão.

No dia seguinte, estava a trabalhar de noite na altura da visita do Sporting ao estádio do Nacional e a minha voz não mostrava melhoras. Levei post-its com as palavras que mais digo quando exerço as minhas funções e com incentivos ao Sporting. Quando o William falhou o penalti encontrei em mim um grito de revolta e com o passar do tempo do jogo quase que comi um post-it. Escusado será dizer que não utilizei o post-it que dizia “Goooolo!!”.  

 

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Oitchentcha e otcho problemas

A trabalhar na noite do Rio Ave x Sporting. Também tinha estado a laborar na noite do Real Madrid x Sporting.  A minha vida não é fácil.

A equipa que tinha feito uma grande exibição em Madrid perdeu por três a um em Vila do Conde.  Até ao final da noite laboral ainda tenho que ouvir os comentários do jogo e ver os golos. Vou comendo bolachas tostadas para combater a depressão. Os meus colegas vão perguntando se ainda estou vivo.

No dia seguinte o meu vizinho pergunta se posso ir com ele a Lisboa para transportar uns móveis. Tínhamos que ser rápidos porque trabalho por turnos e estava escalado para o turno da tarde. Deve haver um estudo que prova que é nas alturas de maior pressa que se apanha trânsito.  Encontrámos um acidente e durante o pára-arranca deixámos passar um carro carregadinho de penicos amarelos.

Chegámos ao local e carregámos a carrinha até não dar mais. No regresso, um tuk tuk elétrico carregadito com turistas passou por nós. Se tivessem um guia turística a bordo, ele teria dito que tinham acabado de ver um típico toni com uma máquina de costura Singer ao colo. Não tinha vestido roupa velha para o evento e ganhei umas ameaçadoras manchas negras nas minhas calças de ganga mais recentes.

Consegui chegar a tempo ao trabalho para ser massacrado com piadas do “oitchentcha e otcho” e do Real Ave. Eu como anteriormente tinha feito piadas de enorme qualidade acerca do Talisca, até que merecia estas entradas a pés juntos dos meus colegas.

Há que levantar a cabeça, comer bolachas e esperar que o turno acabe rápido.      

Para o ano é que é

Esta época o Sporting jogou muito e bom futebol e fez-me acreditar, o que há muito não acontecia, que no domingo estaria numa rotunda desta vida algo embriagado, em tronco nu e com o cabelo verde e branco a comemorar, mas infelizmente não estive. Acabei por ficar à espera que as rotundas ficassem desocupadas para poder rumar a casa e ouvir música clássica.

O dia seguinte tinha tudo para ser complicado. Logo pela manhã estranhei o sossego no jardim. O Oscar só apareceu já depois do meio-dia muito pastelão, mal conseguindo abocanhar as bolas pretendidas. O raio do cão deve ter estado no Marquês.

No meu posto de trabalho tinha um cachecol do Benfica à minha espera. Ia ser um turno longo. O meu trabalho é ver notícias por isso não tinha como escapar à maré vermelha. Sempre que podia, saía do meu local para me hidratar ou simplesmente para dar uma volta mas acabava sempre por encontrar nos corredores um benfiquista para dar os parabéns.

O tempo passava vagarosamente e de tanto ouvir as palavras “Benfica”, “tricampeonato” e o número 35, fiquei com comichões e tonturas. Comi uma fatia de bolo de uma aniversariante que não conhecia só para dar forças para o resto do turno.

Mas nem tudo foi mau. Fiquei a saber que o filho do meu vizinho, a quem eu tinha prometido uma caixa completa com cromos do Euro 2016 se o Sporting fosse campeão, foi para o estádio da Luz a desejar que o Sporting fosse campeão. Para o ano é que é.

 

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Só eu sei que está um frio do catano

Dia de Sporting contra os alemães de Leverkusen. Estaciono o carro e o arrumador mesmo sem me ter ajudado a encontrar o lugar pediu uma moeda. Disse-lhe que não tinha mas mesmo assim avisou que o Porto já estava a jogar e ainda estava 0-0.

No estádio está um frio do catano. Pela primeira vez na vida invejo o tipo que está vestido de Jubas. Só espero que o Sporting aqueça o ambiente.

O Sporting não entra muito bem em jogo e aos 26 minutos o Rui Patrício fica congelado na baliza a ver um cruzamento ser finalizado por Bellarabi. Já começo a não sentir as mãos.

O jogo chega ao intervalo mas o frio contínua em campo. Levanto-me, sento-me, bato os pés e já não sinto o nariz. Existem sádicos que aproveitam a paragem para irem comprar gelados.

Na segunda parte as coisas não melhoram. Apesar do Sporting ter mais bola não consegue criar oportunidades de golo e para agravar ainda mais a coisa o Rúben Semedo é expulso.

O Bayer ainda cria hipóteses para dilatar o resultado mas felizmente acabam por vencer apenas pela margem mínima. Posso sair do estádio com sintomas de gripe mas nunca irei tomar uma aspirina.  

 

 

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Três foi a conta que Jesus fez

Terceiro jogo entre o Sporting e o Benfica e mais uma vez estou a trabalhar enquanto o jogo decorre.

Ao início da tarde tive a oportunidade de tirar uma foto com o Grande Júlio Isidro. Devia ter-lhe perguntado se tinha com ele o Cálcio + Duo porque o dia ia ser complicado.

O Real Madrid perdeu em casa com o Barcelona por quatro, o filme sobre Pompeia passou na televisão e aos seis minutos o Mitroglou inaugura o marcador. Temi o pior, a minha antiga mialgia de esforço depressa estava a se transformar numa fratura de stress.

Trabalhava enquanto comia bolachas tostadas do Aldi a um ritmo acelerado. Curiosamente do lado esquerdo estavam os Sportinguistas e do lado direito os adeptos do Benfica. Houve quem sugerisse a construção de um muro.

Mesmo no final da segunda parte o Adrien Peyroteo empata a partida, dei um salto da cadeira e uma pancada alegre na cadeira vazia do lado. Comi mais uma bolacha e respirei fundo porque faltava ainda muito jogo e convinha estar atento ao trabalho. Um monitor de um computador decidiu não voltar para a segunda parte e teve que ser substituído.

O Sporting na segunda parte voltou fortíssimo e houve quem exclamasse como era possível o jogo estar a decorrer sem o Benfica em campo. O Peyroteo estava em todo o lado, até fora do campo. Dos bocados que vi parecíamos ser a melhor equipa mas o golo não chegou e teve que haver prolongamento.

O meu horário chegou ao fim mas permaneci para ver o resto do jogo. O 112 chegou com o golo de Slimani Peyroteo que acabou por dar a vitória e o apuramento para os oitavos de final da Taça de Portugal. Nunca me soube tão bem ficar no trabalho para lá do tempo que é suposto.

Trago Jesus no coração

Só de pensar que iria estar a trabalhar na altura do Benfica x Sporting já começava a sentir a minha antiga mialgia de esforço a dar sinal.

Chegado ao local de trabalho reparo que estou rodeado de benfiquistas e o único sportinguista sai na precisa altura em que o jogo começa. Começo ver a minha vida em tons vermelhos e brancos.

Infelizmente no trabalho sou obrigado a trabalhar e na precisa altura em que estava ocupado oiço alguém muito timidamente dizer golo. Teo quase sem querer faz o primeiro da noite. Festejo mas com moderação porque ainda falta muito jogo.

Mais uma vez estou entre cenas quando oiço: “Olha outro!”. Slimani com uma grande cabeçada faz o dois a zero. É o segundo golo em que só vejo a repetição mas a felicidade de estar a vencer atenua a coisa.

À terceira foi de vez e consegui ver o Bryan Ruiz rematar para o três a zero. Gritei golo e lamentei ter deixado o cachecol em casa.

Na segunda parte não houve mais golos mas vi o Sporting a dominar, o Júlio Cesar a correr atrás da bola e um retângulo do chão do meu local ir abaixo após uma aterragem algo brusca. Situação rapidamente resolvida antes que algum benfiquista se quisesse esconder no buraco.

Pelos bocaditos que vi pareceu-me uma vitória justa. Fui para casa curado da mialgia, com um sorriso bem aberto e com Jesus no coração.

E quem não salta é albanês

Dia de Sporting contra os albaneses do Skenderbeu. A caminho do estádio um cão decidiu sair do passeio e ladrar furiosamente em direção ao meu carro. Felizmente lá me consegui desviar do animal de raça albanesa.

Na procura de lugar senti-me na obrigação de estacionar no sítio que o arrumador me indicou. Ele tinha um pau na mão. Perguntou-me com quem é que o Sporting ia jogar e se lhe arranjava um cigarro. Disse que era com uns albaneses de nome estranho e que não fumava. Continuou de pau na mão.

Tinham passado vinte e poucos minutos de jogo quando o jogador da equipa visitante Salihi teve que salihir, foi expulso. O jogo estava a ser um grande secador mas dois penalties convertidos por Aquilani e Montero deram a vantagem ao Sporting ao intervalo. Se calhar no campeonato albanês a melhor equipa é quem faz mais faltas dentro da área.

No segundo tempo o miúdo Matheus fez dois golos e houve quem exclamasse “Carrilho quem?!” e até o Tobias marcou um. O árbitro de baliza era um chato do caraças que só servia para tapar as jogadas e o Rui Patrício um autêntico espetador vestido de laranja parecendo um funcionário da Galp de uma bomba de gasolina abandonada. Mesmo assim os albaneses ainda marcaram um golo. Os jogadores do Skenderbeu tinham inscrito nas camisolas a palavra ama e de facto foram bastante amorosos.

Depois do jogo Cavaco indigitou Passos Coelho. Na Albânia o primeiro-ministro é do PS e venceu com coligação de partidos de esquerda. O Jardel foi barrado num aeroporto do Brasil com dez quilos de bacalhau.

 

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Querida segunda-feira

Hoje não foi preciso colocar o nome “Acorda Leão adormecido” ao meu despertador, ele está bem acordado e ativo.

O café onde compro o pão é gerido por benfiquistas e hoje pude fazer a minha entrada com um sorriso de orelha a orelha e a taça nas mãos. Quem me atendeu tinha uma pala no olho, disse que estava inflamado, por isso tentei ser o menos efusivo possível mas sem nunca tirar a minha expressão de leão indomável. Apesar de ser benfiquista o homem até é boa pessoa e eu gosto de ir lá comprar o pão.

Entrei no trabalho de cabeça levantada a cumprimentar efusivamente os sportinguistas e a fazer um olhar de “temos pena” aos benfiquistas com quem me cruzava. Por acaso até encontrei poucos e os que encontrei estavam resignados.

Dois troféus em tão pouco tempo, até sou toni para me habituar a isto.

Músicas sugeridas para a leitura deste post: O Leãozinho de Caetano Veloso e Jesus Salvador de João Marcelo.