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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Sono por turnos

Trabalhar apenas um dia com poucas horas de sono é complicado, vários já é considerado um desafio. As horas de sono a menos funcionam como os pontos das gasolineiras: vão acumulando e no final o prémio não é grande coisa.

Chegas ao trabalho e ouves os comentários: “Não estás com bom ar!” e “Abre os olhos!”. Ao passar nos corredores és capaz de cumprimentar efusivamente pessoas que mal conheces. Só passado um tempo é que percebes que o elevador não está a andar porque o botão não foi pressionado. Em casos extremos és capaz de pedir um café à maquina que por acaso não funciona com comandos de voz. Perdes a noção de quantos cafés já tomaste.

No posto de trabalho não chegas a fechar os olhos mas entras em modo screensaver para poupar energias. Para voltares a funcionar basta um pequeno abanão. Tens a perfeita noção que na véspera não deverias ter ido a um jantar que coincidiu com a mudança para o horário de Verão. No final do dia tens apenas uma vaga ideia do que aconteceu.    

 

 

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Eu sei o que fizeste no jantar de Natal passado

Dezembro é o mês da restauração. Toda a gente decide combinar jantares nesta altura e os restaurantes agradecem.

Há sempre um jantar num restaurante de comida oriental. Estava marcado para as nove no chinês mas há quem apareça só uma hora depois porque o GPS não quis aderir à quadra festiva. Durante o jantar foram gravadas autênticas longas-metragens que, na ínfima possibilidade de ficar famoso, poderão danificar a minha reputação quando forem transmitidos na CMTV.

Nos jantares de Natal das empresas somos todos amigos. Há quem aproveite a disponibilidade dos diretores para a bajulação, são criados os casalinhos de ocasião e aparecem os colegas que não sabem lidar com a bebida.

O jantar era uma espécie de street food groumet, com roulottes a servirem hambúrgueres de carne argentina, picanha com bolo do caco e hot dogs. Não havia nenhuma roulotte de farturas. Usei um chapéu de Pai Natal, outro de um duende e umas hastes de rena. Felizmente não há fotos no Facebok a registar esses momentos. Ao sair estava um tipo, altamente embriagado, deitado no banco corrido onde tinha deixado o meu casaco mas felizmente não estava debaixo dele.

Arranjar boleia para um jantar é fundamental, mesmo que para isso tenha que ir num carro com vidros embaciados, por uma estrada mal iluminada, conduzido por alguém que se esqueceu dos óculos em casa. Nos televisores do restaurante passava o Porto e, apesar de o restaurante estar cheio, só havia uma pessoa a comemorar os golos dos azuis e branco. A minha boleia acabou por sair mais cedo porque, segundo ele, precisava de passar um tempo considerável na casa de banho e não queria usar a do restaurante.

Tudo acontece num jantar de Natal mas a maior parte ou não te lembras ou preferes não te lembrar. Para o ano há mais.   

 

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Feriado trabalhador

Ter que colocar o despertador para acordar num feriado é desumano. No dia em que as pessoas “normais” podem prolongar a sua estadia na cama, eu tenho que decidir se levo vestido para o trabalho o casaco mais quentinho ou o edredom.

Chego ao trabalho e dirijo-me ao bar. Ao pagar o café, em vez de chegar à frente o euro, empurro a colher e o pacote de açúcar que tirei dos cestos. O meu cérebro ficou em casa na ronha.

Há pouca gente a circular nos corredores mas andam crianças com a grande oportunidade de fazerem estragos no local de trabalho dos pais. Podia estar com amigos, com família ou em casa no quentinho a ver séries e a enrolar meias, mas ando nas redes sociais a ver fotos de praia e a ler “Bom dia!” de quem acordou às duas da tarde.

Nada acontece e até parece que o relógio se recusa a trabalhar. Trabalhei moderadamente, fiz todos os likes do dia e o sinal sonoro do fim do turno já tocou na minha cabeça. Ao menos no feriado não apanho trânsito no caminho para casa.

 

Febre laboral de sábado à noite

Um sábado à noite para um trabalhador por turnos pode muito bem significar uma noite de trabalho.

Deixa de ser preciso vestir a camisa que ainda tem por estrear e usar o Denim Gold que recebeu no Natal, mas não convém se desleixar muito. Ir para o trabalho com o pijama que foi oferecido pela avó e com as pantufas do Chewbacca calçadas, poderá não ser a indumentária ideal para exercer funções.   

Não existe a preocupação de levar o carro e beber porque no trabalho “ir para os copos” significa ir até ao bebedouro para encher um copo com água à temperatura desejada. Não há ressaca no dia seguinte mas podes conseguir uma dor de cabeça no próprio dia.

Podes facilmente ser um Travolta laboral, o rei da pista de dança, porque não existe assim muita gente a trabalhar num sábado à noite e os que estão presentes, não estão para fazer figuras tristes. Há o risco de ser estrela no Youtube, por isso se não lidar bem com a fama, evite dançar à frente das câmaras de vigilância.  

Se ao sair do trabalho for mandado parar pela polícia e tiver que soprar o balão, a única coisa que poderá acusar é excesso de bolachas no sangue.

 

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Oitchentcha e otcho problemas

A trabalhar na noite do Rio Ave x Sporting. Também tinha estado a laborar na noite do Real Madrid x Sporting.  A minha vida não é fácil.

A equipa que tinha feito uma grande exibição em Madrid perdeu por três a um em Vila do Conde.  Até ao final da noite laboral ainda tenho que ouvir os comentários do jogo e ver os golos. Vou comendo bolachas tostadas para combater a depressão. Os meus colegas vão perguntando se ainda estou vivo.

No dia seguinte o meu vizinho pergunta se posso ir com ele a Lisboa para transportar uns móveis. Tínhamos que ser rápidos porque trabalho por turnos e estava escalado para o turno da tarde. Deve haver um estudo que prova que é nas alturas de maior pressa que se apanha trânsito.  Encontrámos um acidente e durante o pára-arranca deixámos passar um carro carregadinho de penicos amarelos.

Chegámos ao local e carregámos a carrinha até não dar mais. No regresso, um tuk tuk elétrico carregadito com turistas passou por nós. Se tivessem um guia turística a bordo, ele teria dito que tinham acabado de ver um típico toni com uma máquina de costura Singer ao colo. Não tinha vestido roupa velha para o evento e ganhei umas ameaçadoras manchas negras nas minhas calças de ganga mais recentes.

Consegui chegar a tempo ao trabalho para ser massacrado com piadas do “oitchentcha e otcho” e do Real Ave. Eu como anteriormente tinha feito piadas de enorme qualidade acerca do Talisca, até que merecia estas entradas a pés juntos dos meus colegas.

Há que levantar a cabeça, comer bolachas e esperar que o turno acabe rápido.      

O trabalho não aquece

Quem chega, diz que lá fora está um calor que não se pode. Na sala onde estou podia muito bem ter uma família de pinguins a construir o seu lar.

Fui trabalhar com uma simples t-shirt sem nunca imaginar que no meu posto iria precisar de um polar. Sempre que posso saio para evitar a hipotermia. Infelizmente não consigo trabalhar a partir do corredor.

Lembrei-me do filme, baseado em fatos reais, sobre os atletas uruguaios de rugby que sobreviveram à queda do avião nas gélidas montanhas dos Andes e que para sobreviverem tiveram que recorrer ao canibalismo.  Acho que não vou precisar de comer ninguém até ao fim do dia laboral mas para já não vou por de parte essa possibilidade.

Uma fogueira não era mal pensada. Era partir umas quantas cadeiras e usar o balde do lixo para conter o fogo. No final do dia teríamos todos sobrevivido e no seguinte teríamos à nossa espera cadeiras novas e confortáveis.   

Finalmente são horas de sair do trabalho e não foi preciso recorrer a nenhuma fogueira. Nem sequer uma dentada ao colega do lado foi dada. Estou livre para descongelar e ganhei uma nova tosse para me fazer companhia nas folgas.  

 

 

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Jogos Olímpicos no trabalho

Os Jogos Olímpicos não se passam apenas no Rio de Janeiro. No local de trabalho também existem disponíveis várias modalidades.

Os 10 metros bebedouro é uma prova que requer alguma velocidade quando a pausa laboral é pequena. No final é recompensado com água exatamente à temperatura que pretende, isto claro se o bebedouro assim o entender.

Se tiver pressa e não lhe apetecer levantar-se, sempre pode realizar uma corrida de cadeiras. Há que fazer os possíveis para se manter na sua pista para evitar colisões.

O lançamento de cenas para o caixote do lixo pode ser um desporto bastante entusiasmante mas se corre mal, o ato de levantar e ir apanhar já não é tão engraçado.

Qualquer altura do dia é boa para o levantamento da bolacha. Desde bolachas Maria, passando pelas tostadas ou até mesmo pelas recheadas, qualquer tipo de bolacha é boa para a prática da modalidade. Há que ter bastante cuidado para não ficar dependente de bolachas de canela.

É preciso um número considerável de fatores estarem reunidos para prática da modalidade mas quando tal acontece, o bocejo sincronizado pode ser algo de mágico ou só apenas deprimente.

Existem controlos antidoping, para o empregado não consumir demasiadas doses de cafeina e quando o turno termina, qualquer atleta se transforma num Bolt desta vida em direção à saída.

 

 

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Meu querido mês de agosto

Meu querido mês de agosto

Em que passo os dias a trabalhar

Trago olheiras no rosto

Meu querido mês de agosto

E trago café para ajudar

Meu querido mês de agosto

Em que passo os dias a trabalhar

Trago protetor no rosto

Meu querido mês de agosto

Para a luz dos monitores não me queimar

 

Já passaram tantos dias

Já passaram tantas horas

E eu ando louco para folgar

Pela internet já vi de tudo

Na praia está meio mundo

E eu ando louco para folgar

De descansar eu bem preciso

Na entrada a tolha vou estender

Para o sol e os colegas receber

E ser o primeiro a fugir para o paraíso

 

Meu querido mês de agosto

Em que passo os dias a trabalhar

Trago desânimo no rosto

Meu querido mês de agosto

E tomei umas cenas para acalmar

Dia da Criança no trabalho

O Dia Mundial da Criança é a altura ideal para se comportar como uma no local de trabalho. Mal chegue ao seu posto há que mudar a foto de perfil por uma de quando era mais pequeno. Uma corrida de cadeiras até à máquina de cafés é uma boa maneira de começar um dia laboral. Só beber café com leite.

Dar finalmente uso ao Paint para libertar a veia artística. Imprimir os desenhos e dar aos colegas. Colocar em alto e bom som músicas da Xana Toc Toc e ver fotos e vídeos recentes, de preferência sem som, da Ana Malhoa e da Luciana Abreu.

Brincar às escondidas com o patrão dá direito a horas de grande entretenimento mas só podes ser tu a ter o direto de te esconderes. Se estiver stressado nada como ir ao bebedouro para encher a boca de água e a cuspir para o primeiro colega que aparecer à frente.

Jogar as últimas novidades de jogos online, trocar cromos do Euro, devorar um corneto de chocolate sem limpar a boca e usar um marcador para pintar a cara. Fazer uma valente birra até o deixarem ir para o parque de estacionamento para jogar à bola com o porteiro.

 

 

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Guia para sobreviver a uma manhã laboral

O despertador tocou às cinco da matina e vai a caminho do trabalho sem ter bem a certeza se chegou a dormir alguma coisa? Não desespere, deixo aqui conselhos para conseguir sobreviver a uma manhã laboral:


- Antes de sequer entrar no carro, verifique o estado dos seus pneus. Garanto que não é nada giro estar às cinco e picos encostado numa berma da A5 a tentar mudar um pneu e haver uma grandessíssima porca que não quer sair sendo assim obrigado a chamar um reboque.


- Mal chegue ao trabalho beba o primeiro café do dia. Se não beber, os primeiros minutos do dia podem ser angustiantes. Descubra qual a sua quantidade de cafeína necessária para sobreviver. Doses excessivas de café podem provocar uma desnecessária produtividade no trabalho.


- Evite ficar muito tempo sentado. Aproveite para conhecer melhor a sua empresa indo até ao bebedouro ou à casa de banho mesmo que não tenha grande vontade.Mesmo que não fume vá apanhar ar ao fumódromo.


- Compare horas de sono com os seus colegas. É sempre bom descobrir que não é a única pessoa que às duas da matina estava acordadíssimo a ver um documentário sobre extraterrestres no canal História.


- Saiba qual a sua hora de quebra. Há quem diga que é às dez, outros dizem que a partir do meio-dia é complicado. Para mim todas as horas são horas de quebra.