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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Tony Highlander

Antes de partir rumo à Escócia fiz o trabalho de casa. Sabia que o país tem bastantes castelos, um monstro num lago e whisky do bom. Vi os dois Trainspotting, o Braveheart, o Último Rei da Escócia, que tem um título enganador porque toda a ação é passada no Uganda, e ouvi um best of de gaitas de foles. Tinha a perfeita noção que não tinha pernas para usar um kilt.

Mal pus os pés em Glasgow passei a ser o bravo Tony Snows do clã Snows, que chegou, quando noite já ia longa, ao seu hostel manhoso e que jantou um Big Mac no único sítio nas redondezas que ainda permanecia aberto.

Em plena alvorada, Snows partiu rumo a Stirling. Depois de mais uma intensa batalha, Tony só queria descansar no seu castelo. Quando chegou, rapidamente percebeu que já tinha sido invadido. Tentou disparar uns tiros de canhão para descarregar a frustração mas não conseguiu encontrar a pólvora. Felizmente conseguiu arranjar um desconto para visitar a sua casa de férias em Edimburgo, na esperança que ela permanecesse desocupada. Partiu rumo a Edimburgo, num comboio com wi-fi.

Em Edimburgo, percorreu a Royal Mile onde viu tocadores de gaitas de foles, malabaristas e um Mario, um Luigi e uma princesa, com traços bastante masculinos, à entrada de um pub de nome "The World's End". Descobriu também os seus fiéis companheiros de batalha, que tinham criado uma boys band.

Depois de uma noite dormida num quarto alugado por desconhecidos, o corajoso Snows segue em direção ao pico mais alto de Edimburgo, o Arthur’s Seat. Devia ter trazido os seus ténis de trail. Lá no alto encontrou um cão e perguntou-lhe se queria ser o seu Oscar escocês. Seguiu depois para a sua casa de férias em Edimburgo e também ela tinha sido ocupada por turistas. As joias da coroa escocesa estavam em exposição mas não conseguiu levar nenhuma recordação. Seguiu de volta a Glasgow num comboio que já não tinha wi-fi gratuita.

Em Glasgow visitou o Museu e Galeria de Arte de Kelvingrove onde encontrou um busto parecido ao do Ronaldo e deu um salto à Galeria de Arte Moderna que tinha à entrada uma estátua equestre do Duque de Wellington, com ambos de cones de trânsito nas cabeças. Mesmo na parte final da sua odisseia escocesa, avistou uma casa com o nome de “Tony 2 Go”. Estes escoceses são doidos.      

 

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O que acontece em Berlim, fica parte no blog

Numa quarta-feira fui conhecer Berlim. No voo de ida, sentado à nossa frente, calhou estar um conhecido do meu amigo, português mas a viver em Berlim, que por acaso até tem um bar perto do sítio onde íamos ficar. Com a ajuda dele e dos seus amigos chegámos rapidamente ao nosso destino. Há nossa espera, na estação de metro, estava um comité de senhores algo duvidosos que desejavam saber se queríamos “weed”. Houve um que até nos perseguiu um bons metros só para tentar vender o seu produto. Só porque tenho aspeto de mal nutrido não significa necessariamente que fume cenas estranhas.

O quarto onde ficámos tinha um boliche algo oscilante e eu fiquei na cama de cima. A casa de banho era bastante afastada do quarto o que tornava uma aventura sempre que eu necessitasse de a frequentar a meio da noite.  Quando acordava conseguia ver da janela do quarto um senhor do outro lado da rua, sentado à janela do seu prédio a trabalhar ou a se certificar que eu estava a ter uma noite bem dormida.

No dia seguinte fomos visitar o que resta do Muro, onde se pode ver espetaculares grafites e a carinhosa frase “Fuck Donald Trump”. Fomos também conhecer o Checkpoint Charlie e o Museu Judaico onde é possível pisar caras feitas em bronze por um caminho escuro e encontrar, em exposição, quipás da série Friends e do Batman.

Os berlinenses, faça sol ou chuva, adoram andar de bicicleta e de passear de garrafa de cerveja na mão. O meu amigo, ao olhar para as sinaléticas no metro, concluiu que é possível entrar com póneis no transporte. As alemãs têm muita saúde. 

Sexta foi dia de visitar o Museu Pergamon onde se encontra a Porta de Ishtar e o Museu de Arte Contemporânea Hamburguer Bahnhof que tem em exposição uma fascinante cadeira de escritório com ventoinhas, motor e um aspirador, pendurada no teto e que ao sentir movimento começa a falar alemão. Em Alexanderplatz encontramos um Oktoberfestezinho onde tivemos a oportunidade única de ver um cão a andar de skate e de pagar 5 euros por uma cerveja. Fomos ao portão de Brandeburgo mas estava fechado.  

De noite, recomendados pelo TripAdvisor, jantámos num restaurante italiano gourmet/hipster/coiso onde os pratos principais parecem entradas. Aquele tipo de restaurante em que os empregados saem da cozinha com um copo de vinho na mão e em que uma cliente tinha vestido um saco de compras com uma alça nas costas. A dona era bastante simpática e ainda nos ofereceu uns copos de limoncello. Depois fomos parar ao bar do rapaz que encontramos no avião e o regresso a casa foi algo cambaleante. A culpa foi dos limoncellos. 

No sábado choveu o dia todo, a ressaca estava presente e ouvimos a meia hora final do jogo do Sporting. Aquela em que o Guimarães marcou três golos. Foi complicado. Fomos a uma loja de vinis que estava situada num prédio que parecia abandonado e demos uma volta por Tiergarten.

No final acabei por não ver uma única bola de Berlim e não tirei uma selfie com a Merkel mas acabei por ganhar uma borbulha na testa. Hei-de voltar a Berlim.

 

 

 

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Mais uma vez pelos caminhos de la España

Mais uma road trip por Espanha, desta vez em direção ao sul do país. Já devo conhecer mais a terra de nuestros hermanos que Portugal.

Um dos grandes problemas de uma road trip é a seleção musical de quem leva o carro. Devo dizer que não foi nada fácil ouvir aqueles hits manhosos que passam em repeat nas RFMs desta vida. Desde Rihanna a Anselmo Ralph, passando pelo Agir e Bieber e acabando com Adele e outros artistas que não faço a mais pequena ideia quem são. O truque é fazer conversa mas há momentos em que é complicado.

Chegámos a Jerez de la Frontera e estava um calor muy fuerte. Havia um cheiro a urina no ar e muitas paredes mostravam o porquê do odor. Na minha cabeça, não sei bem porquê, tocava aquela música dos GNR com o espanhol. Conheci o Tio Pepe mas só bebi cerveja. O dia de eleições em Espanha estava próximo e atravessámos um arraial político porque Podemos.

Fomos à catedral de Cádis e deram-nos um telefone mas não era possível ligar para a família a dizer que estava tudo bem. Do outro lado da linha só se ouvia castelhano, por isso devia ser engano. Subimos a uma das torres mas sempre com a incerteza se deva tirar só mais uma foto à vista ou se saia logo para não correr o risco de ficar surdo e abananado.

Vimos o jogo de Portugal contra a Croácia numa esplanada em Córdoba. O jogo não foi grande coisa mas as tapas e a cerveja ajudavam a passar o tempo. Um espanhol perguntou-me quando é que jogava a seleção dele. Quando acabou o tempo regulamentar saiu e desejou-me boa sorte. Ao lado um artista de rua esforçava-se para ganhar uns trocos e ainda conseguiu se sentar com umas turistas e beber umas à pala. Quando a realização do jogo deu um grande plano do Ronaldo passou um espanhol que ao apontar para o televisor repetiu várias vezes algo parecido com “Mariquita!”. O Quaresma marcou e apesar de haverem poucos portugueses lá sentados gritou-se golo em alto e bom som. O artista estava a tirar selfies com as miúdas.

Todos os quartos de hotel em que ficámos tinham um telefone ao pé da sanita. Nunca se sabe quando é que é preciso pedir mais papel higiénico. O GPS lá se perdeu algumas vezes, até chegámos a circular na água, mas no final sempre conseguiu nos levar aos nossos destinos. Fomos mandados parar quando saíamos de uma bomba de gasolina. Estavam a lavar o carro mas viram tugas e acharam logo que tínhamos algo ilícito e fizeram logo sinal. Pediram identificações e para tirar tudo o que tínhamos nos bolsos. Até me pediu para levantar a t-shirt, talvez para ver se eu tinha uns abdominais definidos. Abriu todas mochilas mas fui o único a quem revistaram a carteira. Só porque tenho um ar mal nutrido não quer dizer que consuma cenas estranhas.      

Como o meu pai fazia anos no dia em que regressava, comprei para lhe oferecer um avental com a bandeira da Espanha na esperança que ele fosse fazer o jantar mas acabámos por ir comer fora e eu é que paguei a conta.

 

 

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Férias na Coreia do Norte

Chegou a altura de marcar férias e ocorreu-me a Coreia do Norte como um sítio bem simpático para passar uns dias. Uma visita ao país onde se brincam aos misseis, onde já foi “cientificamente” provada a existência de unicórnios e onde dormir no trabalho é considerado crime tem tudo para ser uma grande animação.

Passear por Pyongyang só com visita guiada, nada de andar à maluca pela cidade e todas as fotos tiradas têm que mostrar como é giro e fofinho o país de Kim Jong-un senão és “gentilmente” obrigado a apagar. Nada de tirar fotos ao exército.  

As visitas guiadas têm paragens obrigatórias nos museus que contêm fatos bastante credíveis tais como Kim Il-Sung ter escrito mais de mil livros em três anos e Kim Jong-Il ter aprendido a andar com apenas três semanas de vida. Ler isso e não mostrar quaisquer sinais de desrespeito não é parar qualquer um.

No fundo a grande experiência norte coreana resume-se a de tirar uma selfie com uma estátua do Kim Jong-un, encontrar um resquício de internet para a partilhar no facebook com a legenda “Eu e o Grande Líder. A Coreia do Norte é top <3” e regressar para o quarto que tem escutas por todo o lado. Encontrar o cabeleireiro do Kim e fazer um corte igual seria épico.

Não vou agora para a Coreia do Norte nem tenho planos para ir para esses lados num futuro próximo mas seriam de certeza uns dias bem passados.

 

                                                      

                                   

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Saudades da Nuvem

Faz 5 anos desde que a nuvem de cinzas do vulcão islandês de nome complicado fez cancelar voos por toda a Europa. Andava eu por Londres a caminho do aeroporto de Luton quando recebo uma mensagem a dizer que o voo de regresso a Portugal tinha sido cancelado.

O aeroporto de Luton parecia ainda mais pequeno do que já era com várias pessoas deitadas no chão em sacos cama. Mandaram-nos aguardar num canto do aeroporto e quando a espera já era grande de repente aparece uma senhora de megafone na mão e exclama: “Follow me!”

Parecia uma atleta profissional de marcha tal era o ritmo acelerado com que ela andava. Por momentos pensei que não houvesse lugar para todos e quem chega-se primeiro é que escapava a uma noite no aeroporto. Na meta estava um autocarro que tinha como destino o hotel.

Era um Holiday Inn Express no meio de nenhures com vista para vaquinhas a pastarem. As refeições eram pagas excepto as bebidas e o quarto era bem melhor do que o do hostel onde estive hospedado que tinha apenas um boliche, um lavatório e uma carpete bem ranhosa. Não ter que partilhar uma casa de banho com vários desconhecidos é algo bem catita.

Ao pé das vaquinhas existia uma vila de nome Markyate que tinha uma igreja, um mini quartel de bombeiros e um café bem medíocre. Em Markyate nasceram Chris White e Martin Benson que não faço ideia quem são mas que o Wikipedia diz serem conhecidos.

Acabei por passar mais duas noites por Inglaterra com direito a quarto e refeições e a uma boa justificação para os dias que não fui trabalhar. Obrigado Eyjafjallajökull!

Fim de semana com a poncha

Não basta uma pessoa ter que acordar às 4 da manhã de um sábado e ainda tem que partilhar um avião com o Cláudio Ramos. Felizmente ele estava sentado bastante longe de mim.

Os ouvidos começaram a estalar mas o sono amorteceu o efeito. Ao espreitar pela janela as nuvens pareciam gelo e por momentos temi que fosse aterrar no Polo Norte onde seria recebido por um urso polar enfurecido enquanto ouvia a música do Frozen.

No aeroporto tínhamos à espera uma carrinha da Rent a Car que nos levou para um sítio bastante duvidoso. Por momentos pensei que o nosso carro seria um Clio laranja e amarelo que estava lá parado. Felizmente não foi o caso, devia ser do dono.

A Madeira é linda com magnificas vistas dos seus picos e cabos, a sua ótima gastronomia e tuneis a perder de vista. O madeirense gosta de estacionar onde lhe dá mais jeito. Pode ser uma estrada estreita de dois sentidos que mesmo assim podes encontrar um carro estacionado nela. À noite estive com a poncha.

O voo de regresso foi na altura do Sporting x Benfica. Infelizmente a Easyjet não tem Sport Tv. Antes de partir perguntaram se uma pessoa estava a bordo. Penso sempre que estão à procura do piloto. A viagem pareceu interminável e mal o avião aterrou desativei o modo de voo e recebi uma mensagem da SapoNews a dizer que o Jardel gelou Alvalade. Pensei logo que o Sporting tinha perdido mas ao consultar o resultado vi que afinal foi empate. Tive a reação contrária a de todos os Sportinguistas que viram o jogo.

Estive dois dias na Madeira e não vi o derby de Lisboa, o Jardim e nem sequer a estátua do Ronaldo.

 

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