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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

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A minha vida não é fácil

05.Jan.18

Fim de ano na Serra

Grupo de jovens, na casa dos trintas, decide passar o último fim-de-semana do ano numa casa situada algures na Serra da Arrábida, com pouca rede móvel e wireless quase inexistente. Podia muito bem ser o início de um filme de terror, daqueles com um serial killer criado por lobos que tem uma motosserra de estimação. Como o parque de campismo chama-se YMCA, o assassino de serviço podia muito bem ser um cowboy, um índio, um polícia, um construtor civil, um tropa ou um tipo vestido dos pés à cabeça com cabedal. Felizmente nenhuma dessas personagens apareceram para nos visitar.

Sendo o contacto com exterior complicado, restávamo-nos apenas comer, beber, bingo, cartas e continuar a beber. No sábado comecei por vinho tinto, que trouxe de um cabaz de Natal, passei por um Rosé e dei uns toques num licor de amora. Lembro-me de uma amiga que rodava a tômbola, verificava se tinha o número que saía mas que nunca o anunciava e do cântico “O Guilherme não tem pau!” que nasceu durante um jogo de sueca mas que foi interrompido, duas jogadas depois pelo próprio, ao jogar uma Dama de Paus. Ainda houve uma agressão a uma cadeira por parte de uma cabeça. A minha tentativa de me tornar num bêbado gordo foi interrompida por uma moinha provocada por um dente com antecedentes.

O resto da noite foi passada no topo de um beliche que rangia. Acordei várias vezes, agredi involuntariamente os ferros que me rodeavam e tornei-me o principal suspeito no caso do último roncador do ano.

A ideia no dia seguinte era a de almoçar num local com rodizio de peixe mas o último almoço do ano acabou por ser num restaurante com carnes à discrição. Algures no meu terceiro prato consegui perceber que era o aniversário de duas pessoas devido ao tocar e cantar, com sotaque açucarado, de parabéns. Estive quase para dizer que alguém na minha mesa também fazia anos. 

Na última noite do ano recebi várias mensagens de pessoas com quem não falava há bastante tempo. Não abri nenhum vídeo enviado pelo Facebook para evitar que o meu telemóvel acabasse o ano doente. Disseram-me para entrar em 2018 com o pé direito mas tinha bastantes dúvidas se à meia-noite conseguiria distinguir qual dos pés seria o certo.

Começou a segunda parte do comer, beber, bingo, cartas e continuar a beber. A televisão só conseguia sintonizar a SIC, a TVI e o Disney Channel. Na SIC passava o Baião em modo La Féria e na TVI o “A Tua Cara não me é Estranha” onde vimos uma imitação da Beyoncé por alguém supostamente conhecida, um tipo vestido de mulher e o Goucha a distribuir palmadas no rabo. Se calhar o programa devia se chamar “O Teu Rabo não me é Estranho”. Beber para esquecer fazia ainda mais sentido. Fomos para a rua festejar a passagem de ano onde não vimos fogo-de-artifício e desejámos bom ano a desconhecidos. Nem um sinal do serial killer de serviço. Deve ter ido passar o fim de ano fora.    

Bom Ano!!

 

                fogodeartificio.jpg

 

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