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Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

Wait aí uma beca

A minha vida não é fácil

22.Jun.18

Les aventures de Toni

Posso não saber flamengo mas sei as palavras francesas essenciais para sobreviver na Bélgica: “chocolat” e “bière”. As palavras “croissant”, “baguete”, “necessaire” e “mezzanine” poderão também ser úteis durante a viagem.

Chegámos a Bruxelas, mais tarde do que previsto devido ao atraso do voo, e fomos largar as malas em casa para começar a fazer o reconhecimento da zona. Encontrámos o bar mais próximo, o minimercado aberto até de madrugada e o café Lisbonne, ideal para ver o jogo Portugal x Espanha.

No dia seguinte partimos rumo a Bruges. É uma bela cidade medieval onde é possível dar passeios de barco pelos seus canais ou andar pelas ruas numa charrete. Nós fizemos a tour dos chocolates, onde entrámos em todas as chocolatarias sem comprar nada mas provando todas as amostras que nos quiseram oferecer. Numa esplanada quis experimentar cerveja de cereja e saiu-me o caroço.        

Entrámos no comboio de regresso a Bruxelas já quando ele estava prestes a partir. Pouco tempo depois a senhora revisora aproximou-se de grupo de espanholas que estavam sentadas à nossa frente. Ao que parece estávamos na carruagem de primeira categoria e elas, tal como nós, tinham bilhete de segunda. Sinceramente para além do número 1 que estava na porta não notava grandes diferenças da segunda. Não havia ninguém a servir champanhe e as cadeiras não faziam massagens. A antipática revisora obrigou-as a pagar multa, que pelo que percebi seria de 50 euros. Uma jovem espanhola exclamou que assim já não teria dinheiro para jantar. Nessa altura o comboio parou e ela teve que sair da carruagem. Nós aproveitámos e sem olhar para trás seguimos até à segunda carruagem de baixa categoria e sentámo-nos. A insensível revisora acabou por chegar aos nossos novos lugares, viu os bilhetes e seguiu caminho.

                 bruges3.jpgcafeportugal.jpg

Começou o jogo de Portugal e o café Lisbonne estava muito bem composto. Portugueses, belgas e até três espanhóis vestidos a rigor estavam com os olhos colados ao ecrã e com Super Bocks na mão. O filho adolescente do casal português dono do café saltava, gritava e ia trocando umas palavras com os adeptos espanhóis. O pai não gostava e ia repreendendo o rapaz sempre que podia. O Ronaldo marca e a casa vai abaixo. À minha frente estava um senhor bastante parecido com o Tony Carreira. Parecia ser um irmão que decidiu não plagiar e emigrou para a Bélgica para ser trolha. Chega o intervalo com Portugal em vantagem e o pai que tanto criticava o filho já estava com um chapéu de Joker com as cores de Portugal na cabeça e um apito que emitia um som muito similar a uma vuvuzela.

A segunda parte não começa bem para Portugal e a Espanha consegue dar a volta ao marcador. O ambiente acalmou significativamente e o rapaz já nem estava muito interessado em ver o jogo. Mas o nosso CR7 tinha guardado para o minuto 88 um livre só à altura dos melhores do mundo e a casa vai abaixo. Volta a buzina a tocar e aparecem ainda mais bandeiras portuguesas. Foi um empate que soube a vitória e os adeptos espanhóis saíram do café mal o jogo acabou.

Fomos ao Centre Belge de la Bande Dessinée, à Grand’ Place, passámos por uma multidão ansiosa por tirar uma selfie com uma pequeníssima estátua de um rapaz a fazer xixi e vimos uma quantidade considerável de polícia armada.

No final já posso dizer que fui a Roma e não vi o Papa, estive em Berlim e não comi nenhuma bola e agora passeei por Bruxelas mas não vi nenhuma couve. Merci Belgique.

 

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